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Era constante a tensão entre os Rastas e a polícia nos anos formativos (1930-

1950)184 do movimento Rastafári, basicamente por quatro motivos: a) o uso da ganja; b) a

associação à criminalidade; c) a pretensa conexão do movimento com ideias marxistas; d) o cerne da mensagem que ameaçava o poder da coroa britânica.

183 A comoção causada pelo evento pode ser visualizada no website do You Tube e está disponível em < http://www.youtube.com/watch?v=NVUxDL30UL8&feature=related> acessado em 15 de março de 2011. 184 Classificação cronológica feita por Rowe (1998, p. 74).

O uso da ganja, proibido pelas leis jamaicanas, fazia parte integrante dos fundamentos do grupo e era um motivo constante para ataques e invasões nos acampamentos Rastas ou seus locais de ajuntamento. Os constantes ataques à comunidade de Howell foram todos em função de produção e comercialização ilegal da substância. Juntamente com a aparência exótica dos dreadlocks, em função da ganja a princípio os Rastas foram inevitavelmente associados a traficantes e usuários de drogas, e, por conseguinte, a criminosos e marginais. Nettleford (1972, p. 78) admite que, na ocasião em que escreveu (na década de 1970), já havia menos conflitos que na década anterior, mas que a “opinião pública via a substância como um narcótico prejudicial que perturba a estabilidade mental. Para a polícia, a

ganja é uma droga perigosa e todos os seus usuários são uma ameaça à ordem social.”185Essa

opinião diverge da opinião de estudiosos que negam que a substância cause dependência ou induza ao crime ou à violência. Para muitos o uso da ganja apenas leva o usuário a um estado de euforia ou de bem estar, causando um leve torpor que ameniza o sofrimento e pode até mesmo induzir ao sono. Parece haver grande controvérsia em relação ao tema.

Embora a ganja também fosse utilizada por não-Rastas, na década de 1960 a associação entre a substância e o grupo era inevitável e a guerra contra a ganja e contra os Rastas tornaram-se uma só causa para a sociedade como um todo. O governo e a polícia se imbuíram da tarefa de erradicar a ganja do país, fortalecendo a legislação contra os narcóticos existente na Jamaica, aumentando a penalidade e coibindo qualquer tentativa de plantio e de tráfico da substância. Campanhas nacionais foram feitas no intuito de demonstrar a ligação entre o crime e o uso da ganja. Enquanto isso, a cada dia os Rastas eram mais estigmatizados e considerados sujeitos de alta periculosidade, embora sua mensagem fosse de ‘paz e amor’ e apesar da tentativa de provar o contrário. Foi somente no final da década de 1960, com o movimento dos hippies e o uso generalizado da ganja, principalmente por parte de celebridades de renome internacional, que a perseguição contra o produto começou a tomar uma nova dimensão e mais pesquisas foram sendo empreendidas no intuito de comprovar o real prejuízo causado pela substância. O próprio governo da Jamaica se prontificou a realizar mais estudos sobre a erva, sem, contudo, deixar de inibir sua produção, consumo e comercialização.

No entanto, a opinião pública ainda era desfavorável. Nettleford (1972, p. 85) narra algumas ocasiões em que o governo do país, na pessoa do Primeiro Ministro e de outros políticos influentes, assim como da mídia nacional, tentou desligar o grupo Rastafári de

185 Texto original: “[...] general opinion saw it as a harmful narcotic, which disrupts mental stability. To the police, ganja is a dangerous drug and all users a danger to the established social order.”

incidentes criminosos. Isso reforçou a ideia da filosofia de não-violência dos Rastas, o que ajudou a forjar a imagem de pacificadores que hoje se perpetua, apesar de que o uso da ganja por parte do grupo seja conhecido da opinião pública.

Porém, o fato de ter havido algumas ocorrências em que Rastas foram envolvidos

em crimes186 fez com que a mídia divulgasse a ideia de que eles seriam cidadãos associados à

criminalidade e violência. Barnett (2005, p. 70) afirma que o Relatório da Universidade se refere aos membros de Pinnacle como “os mais suscetíveis à violência de todos os Rastas na

Jamaica”187. Segundo o Relatório da Universidade de 1960 (Augier et al, 1960, p. 12),

Leonard Howell sofreu intensa perseguição policial, não somente pela produção, consumo e comercialização da ganja, mas também por seu envolvimento com atos de violência, motivo pelo qual o primeiro Rasta foi preso pela primeira vez, cumprindo uma pena de dois anos. Na ocasião de seu primeiro caso judicial, denúncias foram feitas por parte de camponeses que moravam nas proximidades de Pinnacle, que tinham suas terras invadidas e sofriam ameaças de Howell quando reclamavam suas propriedades. No tribunal, um camponês relatou as ameaças de Howell: “Eu lhe darei noventa e seis chicotadas, e vou bater em você e lhe denunciar por não pagar impostos. Eu sou Haile Selassie, nem você nem o Governo possuem

terras aqui”188 (apud, Augier et al, 1960, p. 33). Fatos como esse veiculavam na mídia escrita

na Jamaica constantemente e foram confirmados por irmãos que habitavam na comunidade, que afirmam que Howell governava a comunidade com mão de ferro e pregava violência, tornando Pinnacle um “estado dentro do Estado” (ibid).

Nettleford (1972, p. 79) descreve um acontecimento em 1963, que ficou conhecido como o ‘Incidente de Coral Gardens’, ou ‘Quinta-feira Negra’ (Black Thursday) ou por ter sido numa quinta-feira santa e que levou a Jamaica ao pânico. Segundo o boletim de ocorrências da polícia, um grupo de ‘barbudos’ invadiu e atacou um posto de gasolina em Coral Gardens, mataram o funcionário e incendiaram o estabelecimento. Depois disso, seguiram em direção a um motel, mataram um hóspede e fugiram para as colinas, atacando a casa de um capataz. Quando a polícia chegou, seguiu-se um tiroteio, matando oito pessoas ao todo, entre transeuntes, policiais e Rastas. Nos dias que se seguiram, muitos outros Rastas

186

Por exemplo, uma matéria publicada no jornal New York Times, de 11 de abril de 1977, narra um crime supostamente cometido por um Rasta. Acessado em 16 de fevereiro de 2012, disponível em http://select.nytimes.com/gst/abstract.html?res=F40B12FB3A5F167493C3A8178FD85F438785F9&scp=12&sq =Jamaican+cult&st=p.

187 Texto original: “[…] the most prone to violence of all the Rastas in Jamaica.”

188 Texto original publicado no jornal jamaicano Daily Gleaner, em 31 de julho de 1941, página 16: “I will give you ninety-six lashes, I will beat you and let you know to pay no taxes. I am Haile Selassie, neither you nor the Government have any lands here.”

foram presos por posse de armas ou drogas, por vagabundagem ou até mesmo por serem suspeitos. Bongo Ashley, um ancião Rasta que na ocasião foi preso e açoitado, declara no Jamaican Gleaner News189que tudo não passou de uma disputa de terras e os Rastas levaram a culpa injustamente. O incidente de Claudius Henry (item 3.8, evento de 1959) também contribuiu para esse estigma. Simpson (1955, p. 144) relatou que a sociedade como um todo

tinha os Rastas como “baderneiros, psicopatas e criminosos periculosos”190. Acrescente-se a

isso que muitos criminosos nas áreas pobres de Kingston se identificavam com os elementos estéticos do movimento e se passavam por Rastas. Esses fatos, entre outros, levaram a uma imagem negativa dos Rastas em relação à opinião pública no que concerne à associação entre a violência e o grupo.

Por seu lado, os Rastas se consideram injustamente perseguidos e excluídos. Há a consciência de que a perseguição é conseqüência das táticas opressoras da Babilônia, e não necessariamente por algum ato inaceitável por eles cometido. Por esse motivo, se negam a participar dos processos eleitorais, sob a alegação de que nem os governos jamaicanos nem a polícia os representava. Os autores do Relatório da Universidade admitem essa lacuna de entendimento entre a comunidade Rastafári e as autoridades constituídas da Jamaica (sobretudo a polícia e o governo), tanto que um dos resultados do relatório, que havia sido encomendado por Michael Manley, líder político, aponta para a necessidade de superação dessas diferenças, principalmente sugerindo que os partidos políticos atentem para as necessidades do grupo e atendam suas reivindicações (Augier et al, 1960, p. 21). O referido relatório sumariza a questão sobre a natureza violenta dos Rastafáris:

A ampla maioria dos irmãos Ras Tafari é de cidadãos pacíficos que não acredita em violência. Contudo, como o movimento é heterogêneo e inclui todos os tipos, seus membros variam entre pacifistas de um lado a criminosos, pessoas com debilidades mentais e revolucionários do outro lado.

A linguagem do movimento é violenta. Isso porque é a linguagem da Bíblia, sobretudo do Antigo Testamento. É linguagem apocalíptica, em que os pecadores serão consumidos pelo fogo, as ovelhas serão separadas dos bodes, os opressores e os loucos e os reis e os impérios são tomados. […] O uso dessa linguagem não significa que eles estejam prontos para lutar nas ruas.191 (Augier et al, 1960, p. 25)

189 Jamaican Gleaner News, publicado em 6 de abril de 2010, disponível em http://jamaica- gleaner.com/gleaner/20100406/letters/letters2.html, acessado em 21 de fevereiro de 2012.

190 Texto original: “[…] hooligans, psychopaths, and dangerous criminals.”

191 Texto original: “The great majority of Ras Tafari brethren are peaceful citizens Who do not believe in violence. Nevertheless, since the movement is heterogeneous and includes all types, its members range from complete pacifists at one end to criminals, the mentally deranged and the revolutionary at the other end.

The language of the movement is violent. This is because it is the language of the Bible, and especially of the Old Testament. It is apocalyptic language, in which sinners are consumed by fire, sheep are separated from goats, oppressors and smitten and kings and empires are overthrown. […] The use of such language does not mean that they are ready to fight in the streets.”

Na conclusão desse capítulo do relatório, os autores afirmam que existem membros violentos no grupo, mas que eles representam uma minoria, sugerindo que o estereótipo estabelecido por meio dos conflitos recentes com a polícia não se torne uma generalização que leve a população a tratar todos como uma ameaça ao bom convívio social. Esse resultado do relatório contribuiu para uma melhoria na forma como a opinião pública via os Rastas, sendo uma das ações afirmativas do governo Manley na defesa do grupo.

Quanto ao cenário internacional, Jan van Dijk (1998, pp. 191-193) narra vários casos de como Rastas eram estigmatizados em outras ilhas do Caribe ou em outros países, embora segundo o autor, muitos dos ataques contra o grupo eram sem causa aparente. Em geral, a princípio havia desconforto de não-Rastas em função dos cabelos, considerados contrários aos padrões de higiene e de moralidade da época. Por outro lado, alguns crimes envolvendo Rastas também contribuíram para a divulgação de uma imagem negativa do grupo. Na Inglaterra, a imprensa, sobretudo a marrom, e os famosos tablóides culpavam os Rastas, ou pessoas que se passavam por eles, pelo alto índice de crimes e violência. Entre as manchetes, figuravam “As tribos perdidas em pé de guerra” (em menção às Doze Tribos de

Israel, uma das casas Rastafári) ou “Uma máfia das Índias Ocidentais chamada Rastafári”192

(Jan van Dijk, 1998, p. 182), o que causou grande efeito negativo contra o grupo, causando tristeza e preocupação ao centro religioso do movimento, expressas pela poetisa Rasta jamaicana Julia Roberts:

Ei, Rastas falsos aí

Vocês fazem locks nos cabelos,

Vocês não sabem o que significam os locks Vocês pensam que é uma moda que saiu agora? Vocês não têm parte no louvor a Jah!193 (apud JAN van DIJK, 1998, p. 182)

A imagem negativa ficou generalizada durante décadas até que esforços de Lord Scarman, que chefiou as investigações acerca de uma onda de crimes na cidade de Brixton na qual muitos Rastas haviam sido presos, mudaram o cenário. Scarman declarou publicamente em seu relatório a inocência dos Rastas enquanto grupo religioso e sugeriu mais aceitação e respeito ao grupo. Meses depois, a Comissão Católica de Justiça Racial (Catholic Commission for Racial Justice) publicou um relatório sobre os Rastafáris, defendendo-os das acusações e preconceitos e recomendando sua validação oficial enquanto religião, assim com

192 Texto original: “Lost Tribes on the Warpath” e “A West Indian Mafia Organization called Rastafarians”. 193

Texto original: “Hey you false Rasta out dere / Bout seh you ah locks up yu hair,/ You don’t know what locks is all about / You tink is new fashion just com’ out? / You don’t even deal in the praising of Jah!”193

mais diálogo entre eles e as autoridades. Hoje os Rastafáris se encaixam como um grupo étnico protegido pela Lei das Relações Raciais de 1976 (Race Relations Act of 1976).

Apesar do grande apelo nacional e internacional em torno do envolvimento dos Rastas com a polícia por causa da ganja e da aparência não-ortodoxa, o principal motivo da perseguição da polícia na Jamaica em relação ao movimento Rastafári e seus adeptos era o cerne da mensagem, cujo conteúdo ameaçava o controle do poder britânico. Para o grupo a autoridade política e espiritual estava sob os ombros de Haile Selassie e não mais sobre o Rei da Inglaterra. Hepner (1998, p. 206) explica que a fixação com a ganja serviu para encobrir um espectro mais amplo de atividades nas quais os Rastas estavam engajados. Na ocasião do início do movimento, a Inglaterra passava por uma crise de sucessão, pois George V havia falecido em 1936 e seu filho mais velho, Edward VIII o sucedeu. No entanto, após menos de um ano de reinado, antes de ser coroado, Edward abdicou do trono por intentar casar-se com a socialite americana Wallis Simpson, que por ser uma mulher divorciada, não seria aceita na família real britânica. Com a abdicação de Edward VIII, George VI sucedeu seu irmão.

Esses eventos levaram Robert Hinds, um dos primeiros líderes Rastas, a interpretá-los à luz do texto bíblico em Apocalipse 17:10: “E são também sete reis; cinco já caíram, e um existe; outro ainda não é vindo; e, quando vier, convém que dure um pouco de tempo.” Os ‘cinco reis’ mencionados no texto bíblico seriam os que precederam George V. ‘O que não é vindo e quando vier convém que dure um pouco de tempo’ seria Edward VIII, que ainda não havia sido coroado. Prosseguindo com o texto apocalíptico que diz: “E os dez chifres que viste são dez reis, que ainda não receberam o reino, mas receberão poder como reis por uma hora, juntamente com a besta. Estes têm um mesmo intento, e entregarão o seu poder e autoridade à besta.” (Apocalipse 17:12-13) Este rei ‘que ainda não recebeu o reino’ seria George VI. A besta seria Mussolini, o ditador italiano, a quem foi permitido num consenso com outras nações a invasão da Etiópia. “Estes combaterão contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, porque é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão os que estão com ele, chamados, e eleitos, e fiéis” (Apocalipse 17:14). O Cordeiro seria Haile Selassie, então Imperador da Etiópia que havia recebido os títulos descritos no texto apocalíptico. A Etiópia venceu a guerra contra a Itália, o que combinou com o que profetizara o livro sagrado. Chevannes (1994, p. 139) afirma que essa série de eventos políticos se encaixava perfeitamente com as crenças religiosas. Hinds apregoava ainda que o Rei da Inglaterra, por não ser um verdadeiro rei, não teria autoridade sobre seus súditos e que não deveria ser seguido ou respeitado, o que tornava a mensagem Rasta subversiva. Por volta de 1937 ocorreu um célebre ataque contra o grupo liderado por Hinds, que na ocasião estava lendo para os

membros um livro sobre George VI. Os policias invadiram o local com cassetetes, tomaram o livro das mãos de Hinds e bateram nos fiéis, prendendo alguns.

Leonard Howell também sofreu perseguição policial em função de sua mensagem semelhante à de Hinds, de que o povo jamaicano deveria servir ao imperador da Etiópia Haile Selassie e não ao Rei da Inglaterra. Hill (1983, p. 32-33) descreve um relato escrito por um policial, registrado num boletim de ocorrências da página policial:

Eu ouvi Leonard Howell o pregador, dizer aos ouvintes: ‘O Leão de Judá quebrou as correntes e nós da raça Negra agora estamos livres. George V não é mais nosso Rei. George V enviou seu terceiro filho para a África em 1928 para se prostrar diante de nosso novo Rei Ras Tafair. Ras Tafair é Rei dos Reis e Senhor dos Senhores. O povo negro não deve mais olhar para George V como seu Rei. Ras Tafair é seu Rei.’ Ele dizia ‘O negro agora está livre e os brancos terão que se curvar diante da raça Negra.’ Ao final da reunião, ele disse, ‘Vocês devem cantar o Hino Nacional, mas antes de começarem, você tem que se lembrar que não estão mais cantando para o Rei George V, mas para Ras Tafair nosso novo Rei.194

O terceiro filho de George V a quem Howell se referiu foi o Duque de Gloucester, que representou George V na cerimônia de posse e coroação de Haile Selassie, ocorrida em Adis Abeba, capital da Etiópia, em outubro de 1930. Na ocasião, o duque presenteou o imperador com uma espada de ouro de 27 polegadas de comprimento e declarou: “Mestre, Mestre, meu pai me enviou para representá-lo, senhor. Ele não pôde vir e disse que lhe servirá

até o fim, Mestre”195 (ibid). Howell interpretou esses eventos como cumprimento de profecias

bíblicas, sobretudo as semelhantes ao que diz em Salmos 72. 9-11: “Aqueles que habitam no deserto se inclinarão ante ele, e os seus inimigos lamberão o pó. Os reis de Társis e das ilhas trarão presentes; os reis de Sabá e de Seba oferecerão dons. E todos os reis se prostrarão perante ele; todas as nações o servirão.” Não foi à toa que Leonard Howell foi preso mais de cinqüenta vezes – o teor de sua mensagem ameaçava a ordem e a lei na Jamaica.

Essa mensagem não só criticava o sistema colonial como questionava sua autoridade e insuflava estado de rebelião. Em função disso, os primeiros grupos Rastafári permaneciam no alvo do estado colonial, que temiam insurreições generalizadas e cujas milícias assistiam aos cultos atentamente, buscando evidências de algum tipo de atitude

194 Texto original: “I learned Leonard Howell the speaker, tell the hearers: ‘The Lion of Judah has broken the chain and we of the Black race are now free. George the Fifth is no more our King. George the Fifth has sent his third son down to Africa in 1928 to bow down to our new king Ras Tafair. Ras Tafair is King of Kings and Lord of Lords. The black people must not look to George the Fifth as their King any more. Ras Tafair is their king.’ He said ‘The negro is now free and the white people will have to bow to the Negro race.’ At the end of the meeting, he said, ‘You must sing the National Anthem, but before you start, you must remember that you are not singing it for King George the Fifth but for Ras Tafair our new king.’”

195

Texto original: “Master, Master, my father has sent me to represent him, sir. He is unable to come and He Said He Will serve you to the end, Master.”

subversiva, que era contida imediatamente. As reuniões eram vigiadas e tinham um toque de recolher que não passava de nove horas da noite. Literatura que continha informações que pudessem conter teor subversivo era recolhida. As passeatas e encontros eram coibidos.

Outro confronto policial que obteve notoriedade foi o que ficou conhecido como o Julgamento de Half-Way-Tree, região de Kingston. Três Rastas haviam sido presos por usarem linguagem indecente e por se recusarem a darem seus nomes aos policiais. Mais dezoito Rastas também foram presos por tentarem soltar seus colegas. Porém, esses dezoito também se recusaram a dizer seus nomes e quando eram interrogados para revelarem sua identidade, todos respondiam que seus nomes eram ‘Rastafári’. No primeiro momento, eles foram detidos para exames médicos. Da segunda vez, passaram oito dias presos, sob acusação de desrespeito às autoridades. Da terceira vez, a pena aumentou para trinta dias ou teriam que pagar uma multa de dez libras. Entre os membros do Youth Black Faith, havia um certo espírito de provocação contra as autoridades constituídas, porém, com o passar do tempo, eles