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6. DISKUSJON

6.5 Arenaer for medvirkning

A cooperativa é um convênio

“Tem muita gente que não considera mais como uma cooperativa, mas um convênio como qualquer outro”. (E8) “Em termos monetários, financeiros, ela é um convênio um pouquinho melhor para o médico, embora ela seja muito auditada, muito supervisionada”. (E16) “Dentro dos convênios a Unimed é a que tem o maior respaldo, tem o maior número de usuários”. (E12) “O único convênio que mais atende paciente e que paga melhor é a Unimed. Então, por que eu não vou querer o melhor convênio? Então fui atrás. É o convênio que melhor paga”. (E7)

“A cooperativa é só mais um convênio, que ele (cooperado) atende e que ele (cooperado) encara como um convênio. Se você for falar com a grande maioria dos médicos e perguntar o que é a Unimed, eles vão dizer que é um convênio. Se o dono do negócio disser que é um convênio e não disser que é minha empresa, é meu negócio, só aí você vai ter que gastar muita energia para fazer essa pessoa mudar a conversa”. (E17)

“Se fores pesquisar bem o assunto, o médico diz: ‘Eu sou credenciado da Unimed’. Na verdade ele não é credenciado, ele é um sócio, um dono, mas na cabeça dele ele é credenciado como se fosse do SUS ou de outro convênio, do IPE, por exemplo, onde ele atende e ganha por aquele paciente. A cooperativa é diferente, ele é sócio ou dono, mas na cabeça dele ele é credenciado, ele não é dono”. (E1)

“O convênio [...] ele te paga e tu trabalhas”. (E13). “É estritamente uma relação de trabalho”. (E16) “Alguns cooperativados não estão satisfeitos com essa relação, que ficou uma relação empregador/funcionário”. (E28) “Na realidade, a gente perdeu o paciente particular e se tornou empregado do convênio, sem vínculo empregatício”. (E31) “Então, é bastante complicada essa relação médicos e convênios, né, e a cooperativa entra aí como uma intermediária, ela não funciona como um convênio qualquer”. (E7)

“Dá para dizer até que eu entrei na Unimed sem nem saber o que era a Unimed, só sabia que era outro mercado de trabalho. Eu entendia no começo que era ser credenciado”. (E4) “O primeiro contato que eu fiz foi com o pessoal da Unimed, por ser uma cooperativa dos médicos, e me credenciei”. (E5)

“Eu não sei, mas do ponto de vista médico que participa das assembléias e passa o resto do tempo trabalhando, atendendo os pacientes, a Unimed se difere muito pouco dos outros convênios”. (E27)

“É um plano de saúde [...], não é necessariamente um plano de saúde eficaz”. (E2) “Se tornou como qualquer outro plano de saúde, entre aspas, como exploração do trabalho médico. Essa é a relação que me parece. Todas as reclamações que se ouve, que a gente sente, é isso, como uma exploração do trabalho médico”. (E28) “Até que paga bem por ser um plano de saúde”.(E7) “Na realidade ele (o plano de saúde) veio para que o médico não fosse explorado por outros intermediários”. (E15)

Lesando a cooperativa

“Os colegas pensam que a Unimed é só um emprego a mais, acham que a Unimed é um tipo de convênio, e por isso lesam como eles podem a Unimed, inventando procedimentos, criando coisas que não existem, com isso aumentam as despesas. Ele não está preocupado com o crescimento da cooperativa, como uma empresa; ele está preocupado é fazer com que ganhe cada vez mais naqueles procedimentos que ele quer”. (E4) “Ele acha que a cooperativa é um plano de saúde comum, que ele tem que tirar o máximo de proveito do plano”.(E1) “Então, no entender comum da classe médica, individualmente é mais um convênio. Então por isso os caras (os cooperados) caneteiam lá, pedem exames, pedem outras coisas”. (E3)

“Dentro da cooperativa uma coisa que eu acho muito complicada é justamente o colega aquele, como em qualquer profissão também tem, que é o mal intencionado. Ele não está preocupado com o crescimento da cooperativa, como uma empresa, ele está preocupado é fazer com que ele ganhe cada vez mais naqueles procedimentos que ele quer. É mal intencionado mesmo. É impossível um médico que faz parte de uma cooperativa não tenha o mínimo de conhecimento dos procedimentos de uma cooperativa”. (E4)

Está começando a falhar

“Como é que uma idéia tão boa pode ter dado errado, né?. (E2) “Então, ela acabou perdendo, de certa forma, um pouco da sua característica inicial de quando ela foi criada”. (E17) “Eu acho que a Unimed, ela está começando a falhar. [...] Eu acredito muito na Unimed, só que minha preocupação é que ela está sendo desvirtuada”. (E8)

“Acontece que vão ocorrendo vários percalços, não só na nossa, como em outras. Todos os cooperados têm sempre um pé atrás, porque aconteceu isso na Unimed X, ‘roubaram dinheiro na Unimed Y’, desviaram, fizeram uma série de coisas, que foi desvirtuando. Então você perde um pouco da confiança da direção [...]. Na verdade o

enfoque inicial acabou se abrindo muito, então o médico, hoje, ele não vê até a Unimed com bons olhos. A Unimed, que deveria ser o melhor parceiro dele, ela não é.”(E21)

Não mudou a minha vida

“A Unimed não mudou a minha vida. A Unimed me proporciona que pessoas venham procurar meu atendimento por eu fazer parte da Unimed. De que maneira ela influencia para mim? As pessoas que têm o convênio acabam vindo consultar com a gente”. (E10) “É que depende de cada um e, para mim, a cooperativa é apenas um plus em minha vida. Eu acho uma coisa boa, acho boa, mas ela não interfere em nenhuma das outras atividades, nenhuma, nada que eu queira”. (E19)

Ela “quebra” o médico não

“Eu também gostaria que ela não quebrasse. Agora, não é a paixão da minha vida”. (E7) “Se a Unimed quebrar, for mal, o médico não vai quebrar, porque ele atende IPE, Banco do Brasil, ele atende medicina privada, ele atende vários convênios. Você tem diversificação. Bem diferente da sistemática do agricultor, que, se a cooperativa quebrar, o agricultor vai junto”. (E21)

Controlando os cooperados

“Então, as reuniões da cooperativa são mais ou menos nesse sentido: ‘Olha vocês não estão tratando com um plano de saúde qualquer, é a Unimed, vocês estão tratando com uma coisa que é de vocês. A caneta de vocês pode onerar o sistema. Não é fazer uma má medicina, é fazer o que é necessário’”. (E3)

“Tudo tem que ter controle, tudo tem que ter controle. Se a pessoa não é controlada.... Às vezes até no hospital as pessoas falam assim: ‘Por que será que tem médicos que pela Unimed são tantos dias de internação e pelo SUS deixam tantos dias a mais, pelo IPE deixam tantos dias, entende’? Tem que ter controle. Então, na realidade a gente deveria ser sempre a mesma pessoa, quer dizer, eu vou atender o paciente, eu não vou atender o convênio, quer dizer, eu vou atender o paciente e sua doença...” (E15)

“Havia todo um conluio que favorecia a internação do paciente, favorecia o paciente em primeiro lugar, favorecia o hospital. O custo hospitalar é elevado e favorecia o médico que ganhava as diárias desnecessárias, digamos assim. Então, o que a gente fez nesses anos todos? A gente foi minando esse tipo de situação. [...] A auditoria é importante, ela tem uma série de ingerências éticas, então é mais no sentido educacional do que restritivo”. (E34)

“Um dos papéis que desempenhamos na auditoria e da perícia é justamente avaliar”. (E4) “Se algum colega sair dessa linha de pensamento e pensar só em si, ele vai quebrar a cooperativa e vai quebrar o preceito. Digamos assim, a pessoa tem um laboratório de radiologia, podes checar, eles são exames caros, ele pode muito bem pensar em ganhar dinheiro, ele pede exames e mais exames para o seu benefício. A cooperativa sai perdendo, todos os outros cooperados saem perdendo, o paciente sai perdendo, só ele sai ganhando. Esse tipo de postura é inaceitável dentro de uma cooperativa”. (E24) “Aqui até tivemos cooperados suspensos vários meses do exercício por decisão administrativa da Unimed. Não tivemos nenhum caso de expulsão na Unimed, mas tem caras que deveriam ser expulsos”. (E4)