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4. Metodiske avveielser

4.4. Innsamling av data

Redes sociais, rádios católicas, festas com artistas de expressividade regional e nacional, grandes carreatas, pacotes turísticos, roteiros específicos, moto romarias, teleféricos, entre muitos outros elementos compõem a grande gama de estratégias utilizadas pelos atores sociais públicos e privados e articulados no intento de construir um imaginário em torno dos santuários que os elevem à posição referencial no quesito turismo e religião. Todos estes fatores podem ser traduzidos como os processos de midiatização, turistificação e ritualização discutidos anteriormente, contudo o fenômeno do totemismo católico ultrapassa estes três processos a partir da estruturação estética dos santuários.

Figura 30 – Estrutura do teleférico acoplada à Igreja Matriz de Santa Cruz/RN.

Por estruturação estética dos santuários ou simplesmente Estetização devemos compreender o processo de instalação de estruturas físicas e imateriais no santuário como as próprias estátuas católicas elevando-o a uma posição de destaque frente a outros santuários. O processo de estetização, contudo, não se limita à instalação do totem católico, mas também abrange a construção de uma narrativa mítica em torno das motivações que levaram os diferentes atores sociais a se organizarem em torno daquele projeto. O totem católico só se edifica de fato se a narrativa mítico-religiosa estiver bem alinhada com as justificativas político- midiáticas e turísticas. Vemos, portanto, o concreto, a retórica, o aço e a fé como elementos constituintes de um santuário estetizado.

Porém é válido lembrar que o processo de estetização de santuários não se resume à construção de um ícone totêmico de grandes proporções. Estetizar o santuário é torna-lo um

shopping do sagrado onde todas as necessidades básicas e supérfluas podem ser atendidas. Banheiros, restaurantes, lojas, a própria estátua gigante, vias de acesso, amplos estacionamentos para carros particulares e “ônibus peregrinos”, entre muitos outros elementos fazem parte do processo estratégico da estetização. Neste sentido, há não só uma oferta estética, mas também um consumidor-turista-devoto também estético que busca prazer, satisfação pessoal, realizações através dos atos de visitar, comprar, fotografar, rezar, etc. Lipovetsky e Serroy apontam que

O capitalismo artista designa o sistema econômico que trabalha para estetizar todos os elementos que compõem e organizam a vida cotidiana: objetos, mídia, cultura, alimentação, aparência individual, e também lojas e shoppings centers, hotéis e restaurantes, centros urbanos, margens de rios, portos e fábricas desativadas. Ele coincide com a generalização das estratégias de sedução estética, com o desenvolvimento da mise-en-scène da cidade dos entornos comerciais. E enquanto o universo comercial e urbano está cada vez mais estilizado por arquitetos e designers, se manifesta um consumir estetizado também em seus gostos e seus comportamentos. Desse ponto de vista, é todo o mundo material e humano, imaginário e psicológico do consumo que se converteu à ordem estética. (LIPOVETSKY; SERROY, 2015, p. 315).

Uma cidade a consumir é descrita pelos autores, mas podemos falar também de um santuário e de uma paisagem religiosa a ser consumida por hiperconsumidores. O consumo em seu sentido clássico, a troca de dinheiro por alguma mercadoria, é simultâneo ao hiperconsumo caracterizado pela satisfação, bem-estar e felicidades dos devotos. Estas variáveis consolidam e ilustram bem o que estamos chamando de Estetização.

Figura 31 – Serviços disponíveis no Santuário Memorial de Frei Damião, Guarabira/PB.

Fonte: Acervo do autor, 2017.

Embora a expiação e o sacrifício façam parte fortemente do imaginário ritualístico católico, os turistas religiosos querem conforto e acessibilidade em suas passagens pelos santuários. Em Guarabira, por exemplo, o Santuário Memorial de Frei Damião conta com um prédio dedicado exclusivamente a prestação de serviços básicos como sanitários, lojas e posto de saúde (figura 31). A existência destes serviços em meio ao santuário demonstra como os atores sociais que administram o local se preocupam com a criação de estruturas que permitam ao turista religioso uma estadia agradável.

Fato similar não é percebido em Canindé, por exemplo, nesta cidade o entorno do totem católico de São Francisco de Assis é totalmente diferente da realidade de Guarabira e o respectivo entorno do totem católico de Frei Damião. Como exposto anteriormente, temos ainda em Canindé uma situação precária no que diz respeito à infraestrutura básica, pois esta, nas palavras dos moradores não é capaz de gerar bem-estar para o romeiro. Desta forma, percebemos como a ideia do bem-estar é central quando falamos de estetização, pois o santuário embora esteja turistificado, midiatizado e ritualizado ele precisa manter-se estetizado para continuar a atrair turistas religiosos.

A estetização dos santuários, portanto, começa com a instalação do grande ícone totêmico em uma praça, nas imediações das igrejas ou no topo de alguma elevação topográfica de destaque, mas busca a consolidação através da construção de uma infraestrutura básica e de qualidade que possa fornecer conforto para os usuários. As estátuas como principais atrativos continuam a ser projetadas cada vez mais altas (figura 32), cada vez mais estetizadas, buscando

atingir sentimentos e sensações dos devotos, romeiros e turistas através de seu gigantismo, do espetáculo das hiper dimensões e da ostensiva verticalidade. A sociedade do hiperconsumo e do hiperespetáculo abusam dos excessos e usam recordes diversos como principal propaganda. Não é difícil lembrar do slogan do Complexo Turístico Alto de Santa Rita que traz a seguinte mensagem “gigante como sua fé”.

A sociedade do hiperespetáculo é a do fun, mas também da hipertrofia, do excesso, do gigantismo, dos recordes de todo tipo. É o que atestam as torres, cuja altura desafia o céu e que desafiam umas às outras (aos 828 metros da Burj Khalifa em Dubai, a Arábia Saudita projeta responder com 1600 metros da Kingdom Tower); edifícios que alcançam proporções inauditas (Chengdu, na China iniciou as obras do “Global Center”, cujo 1,7 milhão de metros quadrados, na forma de um paralelepípedo de cem metros de altura, com quinhentos metros de frente por quatrocentos de fundo abrigará escritórios, complexos universitários, lojas, hotéis cinco estrelas, cinema, rinque de patinação [...]. (LIPOVETSKY; SERROY, 2015, p. 271).

Embora os totens investigados nesta pesquisa ainda estejam longe de alcançar as torres árabes de quase 1 km de altura, o caminho percorrido por estes santuários na elaboração destes megaícones é similar no que se trata da geração de visibilidade. Pois o interesse centra-se na captura da paisagem do município para objetivos próprios, sejam eles religiosos, turísticos ou econômicos. Estas grandes estruturas são construídas para serem vistas e contempladas, além do jogo visual, o processo de estetização também envolve um jogo de poder e de domínio da paisagem.