3 Theory
3.7 Value-centric Innovation
3.7.6 Innovation adoption cycles: First-Mover & Blue Ocean VS. Followers & Red Ocean
Em 1928 um lavrador, na região de Ugarit, estava arando suas terras quando de repente seu arado bate numa pedra. Tal pedra fazia parte de ruínas de um túmulo antigo. Então o Serviço de Antiguidades da Síria envia um especialista para fazer suas análises. Aí veio a descoberta, era uma necrópole do séc. XIII e XII a.C.
Tal descoberta nos deu a possibilidade de conhecermos um pouco melhor a religião Cananeia e seus deuses, a maneira como os cananeus compreendiam sua religião e de que forma sua religião organizava a sociedade.
Este achado foi um presente para os pesquisadores, um dos maiores achados do séc. XX. Antes disso não se tinha muita informação a respeito da religião e mitologia Cananeia. Esta descoberta trouxe à luz a maneira como esta sociedade estava intimamente ligada à mitologia e como eles acreditavam que ali, naquela região ou cidade, habitava seu deus Ba’alu e estava situado o seu Monte Sagrado, o Safanu195.
Neste sítio arqueológico foram encontrados indícios de prosperidade, havia muitas cerâmicas semíticas e cananeias. Também muitos textos registrados em tabletes de argila. Os textos eram relatos míticos acerca de Ba’alu e ’Anat sua irmã196.
Também foram descobertos que os textos ugaríticos de Ras Schamra tinham um grau de parentesco muito próximo. A gramática e muitos substantivos e verbos possuíam radicais parecidos. O estilo da gramática ugarítica é parecido com o da gramática do hebraico bíblico.
Desta forma foi possível realizar uma análise comparada entre textos ugaríticos e textos bíblicos. A descoberta foi que muitos textos bíblicos escritos tardiamente possuíam certas semelhanças com os textos ugaríticos. Vários Salmos como o Sl 29 tinha muitos aspectos em comum.
Com relação aos salmos, há muita coisa em comum. A própria poética hebraica, baseada no paralelismo, também ocorria nos textos ugaríticos. Os relatos míticos de Ba’alu foram parar em alguns dos salmos bíblicos. Isto não quer dizer que os israelitas, especialmente os levitas, também acreditavam em Ba’al, mas que de alguma forma receberam essas tradições e conviveram com elas197.
Segundo Segert, depois dos achados de Ras-Schamra em 1929, outras escavações arqueológicas foram realizadas na região há algusn quilômetros ao sul de Ras-Schamra. No final da década de 1970 (em torno de 1977), pequenos fragmentos de textos escritos com alfateto ugarítica foram encontrados na região ocidental do Mediterrânio: No Chipre [Hala Sultan Tekke, próximo de Larnaca], na Síria [Tell Sukas e Kadesh], no Líbano [Kamid el- Loz e Sarepta] e na Palestina [Monte Tabor, em Taanaque e em Beit Shemesh].198
3.1.1 Os níveis da sequência estratigráfica de Ras-Schamra
A primeira série de campanhas de escavação aconteceu entre os anos de 1929 a 1939 (onze ampanhas), sendo interrompida devido à guerra na Europa. As escavações foram
196 Cf. Olmo Lete, 1981, p. 27,28. 197 Cf. Dahood, 1986, p. XVIII-XX.
198 Cf. SEGERT, Stanislav. A Basic Grammar of the Ugaritic Language – with selected texts and glossary.
retomadas em 1948 (com a campanha número doze), seguindo até o ano de 1976 (com a campanha número trinta e sete).
Foram encontrados durante as campanhas de escavação, inúmeros objetos, como: estátuas, estelas, armas e cerâmicas de diversas formas e para diversos usos. O local possui cerca de vinte metros de resíduos, que nos mostra que havia ocupação na região desde o período neolítico, no final da época do bronze (de 1550 a 1200 a.C.).199
As escavações, segundo Olmo Lete, foram classificadas na sequência em cinco níveis estratigráficos, os quais abrangem um período de mais de três mil anos, como segue: 1) 1500-1100 a.C.; 2) 2100-1500 a.C.; 3) 3000-2100 a.C.; 4) 4000-3000 a.C.; 5) ?-4000 a.C.
1º Nível (1500-1100 a.C.): A região experimentou certa prosperidade, a quel é atestada através das construções e dos túmulos da necrópole. Também o estilo das cerâmicas é um indício desta prosperidade. Em torno de 1370 a.C. um incêndio destruiu essa prosperidade. Entre os anos de 1370 e 1100 a.C. há grande número de artes e cerâmicas com estilo micenense e também construções funerárias. A ruína da civilização deste período acontece no início da época do ferro (em torno de 1200 a.C.).200
2º Nível (2100-1500 a.C.): Neste nível há indícios de uma civilização semítica, com cerâmicas e templos tipicamente cananeus. Apesar das invasões dos Hicsos, a civilização continuou sendo cananeia, com a presença da necrópole e diversas cerâmicas. As casas possuíam túmulos familiares, o que comprova o cuidado e o culto doméstico aos mortos. Isto pode corroborar a reação dos relatos bíblicos a esse respeito.201
3º Nível (3000-2100 a.C.): Os extratos mais antigos testificam uma civilização pobre com pouco desenvolvimento. Neste período há indícios de instalações cananeias em Ras- Schamra, que pode ter sido fruto de uma invasão. De acordo com Olmo Lete, foram encontradas deste período, cerâmicas com influencia das culturas contemporâneas da baixa mesopotâmia.202
199 Cf. Olmo Lete, 1981, p. 23-25; Mazar, 2003, p. 51; CRAIGIE, Peter C. Ugaritic and the Old Testament.
Michigan: William B. Eerdmans Publishing Company, 1983, p. 26-43; Segert, 1984, p. 13.
200 Cf. Olmo Lete, 1981, p. 25; Mazar, 2003, p. 51. 201 Cf. Id. Ibid, p. 26.
4º Nível (3000-4000 a.C.): Período calcolítico (4000-3300 a.C.)203. Foram encontrados diversos tipos de cerâmicas, as quais eram comuns em todo o antigo Oriente, o qual alcança desde a Síria até o Irã.
5º Nível (?-4000 a.C.): Achados do período pré-cerâmico (que são anteriores a 6000 a.C.) ao período da cerâmica universal, da época neolítica.204
Os textos ugaríticos foram encontrados em tabletes, contendo diversos tipos de literaturas, como: mitos, epopéias, hinos, ritos, textos mágicos e médicos, textos didáticos, tratados, cartas, documentos diplomáticos, inventários, listas, registros, etc. Tais textos descrevem a mitologia e a épica ugarítica, ressaltando cenas de banquetes, sacrifícios, combate, viagem, ritos e magias e duelo e amor.205
3.1.2 A importância dos textos de Ugarit
Os textos ugaríticos são importantes não só para o estudo do Antigo Testamento, mas estritamente para o estudo do Salmo 48 e toda a coleção dos salmos para os filhos de Corá. Isto porque os textos ugaríticos passaram a ser um fundo lingüístico e cultural no processo de assimilação e reação cultural e religiosa.206
Por muito tempo os textos ugaríticos eram desconhecidos, e desta forma, a cultura e a religião cananeia também permaneceu sem muitos aprofundamentos. Após os achados de Ras-Schamra, uma nova janela se abriu para a pesquisa do povo cananeu e também dos textos hebraicos do Antigo Testamento.207
As práticas culturais e religiosas cananeias passaram a ser alvo de investigações, com o objetivo de estudar a língua, a cultura e a religião. Dentres os achados arqueológicos de cultura material estão tabletes com textos em ugarítico. A literatura ugarítica é uma grande fonte para compreender a religião cananeia, seus mitos e cultura. Também nos ajudam a
203 Cf. Mazar, 2003, p. 51.
204 Cf. Olmo Lete, 1981, p. 27; Mazar, 2003, p. 51. 205 Cf. Id. Ibid, p. 36-72.
206 Cf. Id. Ibid, p. 74-76. 207 Cf. Craigie, 1983, p. 67, 68.
entender melhor as origens da cultura e religião israelita, bem como seus textos religiosos.208
Os textos ugaríticos são uma fonte literária para comparar e iluminar o texto bíblico hebraico. Isto a partir dos conhecimentos que temos adquiridos desde os achados de Ras- Schamra. Muitos vocábulos com significados obscuros podem ser esclarecidos recorrendo- se à língua e literatura ugarírica.209
Segundo Porath,
A maioria dos textos mítico-culturais falam da luta pela ascenção de
Ba‘alu ao reinado sobre os deuses. Aí novamente a localização da montanha do Norte (tsapanu = Zafon, na Bíblia Hebraica), como trono dessa divindade, desempenha uma importante função. O plano para providenciar um tmplo/palácio para o novo rei dos deuses mostra o quanto este culto a Ba‘alu demorou para se firmar e ter seu lugar conquistado no panteão ugarítico.
A comparação entre um texto ugarítico e outro da Bíblia Hebraica restringir-se-á a uma das cenas do ciclo de Baal, proveniente do drama cultual de Ugarit. Antecederam a essa cena: 1. El instala o deus Baal na função de divindade da fertilidade; 2. A posse no cargo é festejado com banquete, oferecido por El. Segue-se a essas duas, a cena 3. O pleito junto a El por um palácio real adequado, intermediado pela deusa Anat.210
Trazendo para o Salmo 48, percebemos que há similaridades entre o salmo bíblico e o mito ugarítico de Ba‘al. A montanha, o templo, o palácio, a cidade, a soberania sobre outras divindades, a extremidade da montanha sagrada, tudo isso possui paralelos com o Salmo 48. Isto nos ajudará a compreender quais as influências recebidas pelos filhos de Corá durante seu ministério levítico nas localidades do Norte e depois do Sul.