3.1. DELINEAMENTO
A presente pesquisa foi constituída por um estudo correlacional, no qual foram avaliados os estilos de personalidade (variável consequente) de estudantes universitários da UNIVASF (Universidade Federal do Vale do São Francisco), localizada nos campi de Petrolina-PE e Juazeiro-BA, com os maiores e menores índices de rendimento acadêmico dos cursos de Administração, Engenharia Civil, Medicina e Psicologia (variáveis antecedentes).
Inicialmente, o objetivo era desenvolver a pesquisa em todos os treze cursos da universidade, porém quando a coleta de dados teve início, nos cursos de Psicologia e Administração, verificou-se a dificuldade para encontrar todos os alunos selecionados, por isso, optou-se por selecionar apenas mais dois cursos, um da área de exatas (Engenharia Civil) e outro de saúde (Medicina). A escolha da universidade se deu por conveniência.
3.2. PARTICIPANTES
Participaram deste estudo 236 estudantes universitários, distribuídos uniformemente em quatro cursos, sendo dez alunos de cada semestre (cinco com as maiores e cinco com as menores notas médias). O intuito foi avaliar as cinco maiores médias e as cinco menores médias de cada semestre. No entanto, optou-se por selecionar o dobro de alunos (dez maiores e dez menores notas de cada turma), pensando em imprevistos que pudessem acontecer. Por exemplo: muitos alunos abandonam o curso e não regularizam seu desligamento junto a universidade, porém os
pesquisadores só tinham como obter essa informação ao entrar nas salas de aula e procurar o aluno, então, para não haver um desequilíbrio entre a quantidade de questionários com as maiores e menores notas, optou-se por selecionar um número maior de alunos e depois, com os questionários respondidos, fazer o corte, ou seja, analisar apenas as cinco maiores e as cinco menores médias de cada turma.
3.3. INSTRUMENTOS
Para analisar os estilos de personalidade, foi utilizado o Inventário Millon de Estilos de Personalidade (MIPS), adaptado para o contexto brasileiro por Alchieri (2004). Na adaptação e validação do instrumento para o Brasil uma parte da amostra foi composta por estudantes universitários.
O MIPS é composto por 180 itens, destes, 165 itens pertencem a 24 escalas que medem os estilos de personalidade (abertura, preservação, modificação, acomodação, individualismo, proteção, extroversão, introversão, sensação, intuição, reflexão, afetividade, sistematização, inovação, retraimento, comunicatividade, vacilação, segurança, discrepância, conformismo, submissão, controle, insatisfação e concordância), cinco itens da escala de consistência, dez itens pertencem à escala de impressão positiva e dez itens a escala de impressão negativa.
Foi elaborado e administrado, também, um questionário para melhor caracterização da amostra e para verificar a influência de outros fatores no rendimento acadêmico, tais como: sexo, idade, estado civil, classe social, tipo de escola em que estudou o ensino fundamental e o ensino médio, motivo para escolha do curso, com quem reside, mudança de cidade para cursar a faculdade e etc. O questionário pode ser visualizado no apêndice b.
3.4. PROCEDIMENTOS
Primeiramente, o projeto de pesquisa foi submetido ao comitê de ética da UFRN (protocolo 69/2009). Em seguida, entrou-se em contato com a UNIVASF para apresentação do projeto e exposição do interesse que o mesmo fosse realizado na instituição de ensino. Esta, então, forneceu uma planilha do Excel (Microsoft Office Excel 2007) com os nomes de todos os alunos matriculados e seus respectivos Coeficientes de Rendimento Acadêmico (CRA).
De cada turma foram selecionados vinte alunos, dez com as maiores notas médias da turma e dez com as menores notas médias (lembrando que na análise final só foram utilizadas as cinco maiores e cinco menores notas de cada turma). O critério utilizado para indicar se o aluno participaria da pesquisa e entraria no grupo de maior ou menor desempenho acadêmico foi o CRA, por isso, foram selecionados alunos a partir do segundo semestre letivo, visto que somente a partir desse semestre os alunos começam a ter um CRA, que corresponde à média das notas em todas as disciplinas cursadas pelo aluno até aquele momento.
Os pesquisadores, previamente treinados e orientados para não intervirem nas respostas dos participantes, entravam na sala de aula após autorização do professor da disciplina, esclareciam o objetivo da pesquisa e solicitavam a colaboração dos estudantes. Uma vez que apenas alguns alunos de cada turma foram selecionados para participar do estudo, os pesquisadores informavam que uma parte da turma responderia a um questionário e a outra parte da turma responderia a outro questionário (para não gerar sentimentos de exclusão entre os não selecionados). Em seguida, liam os nomes dos selecionados, entregavam os questionários da pesquisa e depois distribuíam o outro questionário, que não fez parte desta pesquisa, para os demais alunos.
Deve-se destacar que mesmo quando os pesquisadores não encontravam um aluno ao entrar na turma de origem deste, o nome do aluno era anotado para, posteriormente, ser procurado pelos pesquisadores. O aluno só era excluído da amostra caso ele tivesse desistido do curso ou se recusasse a participar do estudo.
Os pesquisadores explicavam detalhadamente a forma de responder e preencher a folha de respostas dos instrumentos, deixando claro que os participantes deveriam escolher a resposta que melhor representasse o seu comportamento. Foi enfatizada a ausência de respostas corretas ou incorretas, garantindo ao respondente o anonimato de suas respostas.
Durante todo o processo da pesquisa, foram obedecidos os princípios éticos referentes à pesquisa envolvendo seres humanos, segundo a Resolução 196/96 do Ministério da Saúde, que garante ao participante a confidencialidade das informações fornecidas, a manutenção de sua privacidade, o direito de interromper a entrevista em qualquer momento de sua realização e o seu consentimento livre e esclarecido.
3.5. ANÁLISE DOS DADOS
Foram realizadas estatísticas descritivas e de tendência central (média, desvio- padrão, freqüência e porcentagem) para fornecer informações sobre a amostra e sobre o questionário construído. Em seguida, as notas dos estudantes de cada curso foram transformadas para escore Z. Com isso, os 50% maiores escores foram considerados como grupo 1 (maior rendimento) e os 50% menores escores como grupo 2 (menor rendimento).
Como a amostra do estudo não apresentou uma distribuição normal, foram realizados testes não-paramétricos. Dessa maneira, foi realizado o teste de Mann-
Withney, a fim de comparar se estudantes com maior rendimento acadêmico possuem estilos de personalidade diferente dos estudantes com menores índices de rendimento acadêmico na amostra geral e por curso. Com relação ao sexo, analisaram-se os grupos (alto e baixo) separadamente, ou seja, primeiro foi verificado se havia diferença significativa entre os estilos de personalidade de homens e mulheres do grupo com alto rendimento e depois a mesma análise foi realizada com o grupo de baixo rendimento.
Por fim, foi realizada uma ANOVA fatorial para analisar a influencia de cada estilo de personalidade no rendimento acadêmico de cada curso e na interação entre o curso e o desempenho. Tais análises foram realizadas através do SPSS (Statistical Package for the Social Sciences) na versão 18.