Os trabalhos arqueológicos no Monte Ron- cão 11 foram efectuados no conjunto das ocorrências do Quadro Geral de Referência afectas ao Bloco 14 (SILVA,1996). Numa primeira fase, a intervenção ar-
Fig. 1 – Localização na CMP 491 e levantamento topográico do local com implantação da quadrícula.
queológica teve como principal objectivo a avaliação do local e do seu potencial arqueológico, seguindo-se uma fase de deinição da área arqueológica, a inter- vencionar posteriormente, com vista à caracterização cronológico-cultural das realidades observadas. Estas intervenções decorreram ao longo da primavera e ve- rão de 1999.
Administrativamente, o local pertence à Fre- guesia de S. Marcos do Campo, concelho de Reguen- gos de Monsaraz, Distrito de Évora, encontrando-se identiicado com o número de inventário da EDIA n.º 95583 classiicado como um habitat de cronologia me- dieval/moderna.
O sítio arqueológico do Monte Roncão 11 en- contra-se a cerca de 100 m dos anexos e armazéns do monte com o mesmo nome, no topo de uma pequena elevação com relativo domínio visual e fácil acesso ao Guadiana, do qual dista poucos metros. No reconheci- mento supericial do local foram detectados elementos pétreos e cerâmicos que indiciavam maior concentra- ção de vestígios na crista da plataforma onde foram efectuados os trabalhos arqueológicos.
44 ’Odiana • 2ª s éri e 2.1.4.1. Trabalhos arqueológicos
A intervenção no local7 consistiu, numa primeira
fase, num programa de sondagens arqueológicas (cer- ca de sete) para a caracterização cronológico-cultural do sítio arqueológico, que, em virtude dos resultados obtidos, foram posteriormente alargadas e escavadas em área com vista à caracterização do local. A estra- tégia de escavação acabou contudo por sofrer algumas alterações, condicionada pelo insuiciente número de dias de trabalho previstos inicialmente para uma in- tervenção desta dimensão, tendo em conta que a área a intervencionar e a complexidade das estruturas detec- tadas se vieram a revelar maiores do que inicialmente se esperava.
Desta forma, na impossibilidade de escavar in- tegralmente a área ocupada foram estabelecidos cortes perpendiculares no interior de alguns dos ambientes detectados por forma a obter informações sobre o seu interior e a sua sequência estratigráica, e a deter, por amostragem, as informações necessárias para uma me- lhor caracterização do conjunto de vestígios.
2.1.4.2. Estratigraia
A estratigraia geral observada na quase totalida- de dos sectores intervencionados revelava-se bastante linear, apresentando um primeiro nível supericial, de
7 Os trabalhos arqueológicos efectuados no sítio Monte Roncão 11 foram desenvolvidos em 1999 pela seguinte equipa: João
Marques, arqueólogo responsável cientíico; Pedro Xavier, arqueólogo responsável pelos trabalhos de campo; Danilo Pavone, desenhador (sondagens); Vitória Valverde e Carlos Fona, estagiários; António Cristino, José Rito, José Sardinha e João Capucho (escavação em área), trabalhadores indiferenciados; José Luís Neto, Hugo Silva, Maria João Miranda e Vera Assunção, estudantes estagiários (escavação em área); Topograia de Carlos Picaró.
Fot. 2 – Vista geral das estruturas escavadas.
parca potência que cobria a totalidade da área da pla- taforma, a U.E. 1, sob o qual era visível a U.E. 2, um depósito linear de terras castanho amareladas, semi- -compactas, com relativa presença de pequenas pedras de xisto e quartzo, oriundas da desagregação das estru- turas do local, que se aigurava mais compactada em determinados sectores (aí deinida como U.E. 3). Sobre esta, consoante os sectores de intervenção, eram ainda observadas as U.E. 4 e 5, ambas com grande quantidade de materiais arqueológicos, assim como a estratigraia individualizada de cada ambiente escavado.
De um modo genérico podemos associar as U.E. 2 e 3 aos momentos de colmatação e abandono do con- junto de ediicações de Monte Roncão 11. Em áreas pontuais do sítio arqueológico estas realidades encon- travam-se perturbadas em momentos de cronologia recente associados ao período Medieval e Moderno, onde se destacavam alguns materiais de construção e escassos fragmentos cerâmicos que permitiram uma inicial caracterização do local nas cronologias recentes.
Os trabalhos efectuados permitiram a identiica- ção de um conjunto de vestígios em regular estado de conservação, com uma estratigraia horizontal relativa- mente regular, correspondendo a um núcleo habitacio- nal de orientação noroeste-sudeste, com pelo menos dez compartimentos organizados em torno de um pá- tio central que serviria de espaço de circulação a partir do qual se distribuíam os diversos espaços.
O conjunto arquitectónico do Monte Roncão 11 assume uma planta genericamente quadrangular com cerca de 520 m2 e pelo menos doze espaços individua-
lizados, delimitados de forma total e parcial, salien- tando-se a sua continuidade para noroeste, oeste e su- doeste, organizados em redor de um pátio no topo do pequeno cabeço onde se implanta o sítio arqueológico.
As estruturas assentes no aloramento rochoso, apresentam espessuras entre os 0,40 e 0,90 m e altu- ras variadas, compostas de blocos pétreos de média e grande dimensão de quartzo e xisto ou exclusivamente de xisto com duas a três iadas conservadas, registan- do o uso do paramento faceado imbricado e a técni- ca do perpianho, para reforço das estruturas, patente também noutros edifícios sidéricos da região, como o Espinhaço de Cão ou a Casa da Moinhola 3 (CALA-
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Fig. 3 – Peril estratigráico: Sondagens 2 e 4.
46 ’Odiana • 2ª s éri e Fig. 4 Peril estratigráico: Ambiente 5.
DO, MATALOTO & ROCHA, 2007; CALADO, MATALOTO, 2008) e a Herdade da Sapatoa (MA- TALOTO, 2007). Coexistem estruturas murais com alguma envergadura e robustez, registando-se também a técnica do duplo paramento. As paredes deveriam ser erguidas em terra, como se constatou pela exis- tência de diversos fragmentos de barro cozido, alguns dos quais com negativos de ramagens recolhidos em diversos compartimentos, salvo eventuais excepções onde se conservaram derrubes pétreos muito signiica- tivos, destacando-se igualmente o recurso a materiais pétreos em degraus, identiicados em algumas das es- tâncias escavadas, e em alguns equipamentos de cariz doméstico, registando-se um possível banco ou poial e uma estrutura de combustão em caixa no ambiente 6.
Os pavimentos, quando identiicados, corres- ponderam a “solos” de terra argilosa ou pisos térreos, podendo combinar remodelações com lajes ou lajetas de xisto, para reforço ou escoamento das humidades de solo, consoante a natureza dos espaços identiicados. Em rigor, o próprio aloramento rochoso poderá tam- bém ter assumido essa função.
Nos acessos aos espaços foram identiicados di- versos vãos, de características e dimensões distintas, oscilando entre os 0,50 e 1 m de largura, correspon- dendo a interrupções construtivas das estruturas mu- rais desde a base das mesmas, a acessos alteados a partir de bases cerradas e/ou a reformulações estruturais em determinadas estâncias que conduziram à construção de degraus de acesso às mesmas.
O conjunto arquitectónico apresenta assim refor- mulações e sobreposições de estruturas construtivas que
estabelecem, pelo menos duas fases ocupacionais distin- tas, apesar de cronologicamente contínuas, identiicadas muito sumariamente, tornando-se nesta fase do estudo dos elementos arquitectónicos complexo fornecer uma leitura global dos diversos espaços ediicados. Corres- pondem sobretudo a modiicações pontuais de refor- mulação, reorganização e ampliação do espaço interior, que apresentamos de forma mais detalhada com a aná- lise individualizada dos ambientes escavados.
2.1.4.3. Arquitectura 2.1.4.3.1. Ambientes 1 e 2
Deinido no limite sudeste da área escavada o ambiente 1 apresentava uma planta sub-rectangular, orientada NO/SE com cerca de 20 m2 de área, cujo
acesso era efectuado por um vão com cerca de 0,80 m
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de largura, aberto a partir de um espaço deinido a W. Um segundo vão aberto no muro SW com 1 m de largura permitia o acesso ao ambiente 6, destacando o papel deste espaço no circuito de circulação e orga- nização estrutural do conjunto. Este vão foi posterior- mente alteado com pequenas lajes de xisto dispostas horizontalmente, num eventual pavimento observado igualmente no acesso a W, que deveria corresponder ao nível de circulação nesta área, observado sobre o aloramento rochoso, (U.E. 8) que foi colmatado nas áreas norte e este deste espaço pela U.E. 9. Esta última, extremamente compacta e argilosa, identiicada a espa- ços directamente sobre o aloramento xistoso, deverá ter correspondido ao pavimento desta zona funcional, ainda que não pareça ter recoberto toda a área deste ambiente, ou que o lajeado observado na zona de acesso ao A1 possa ter correspondido a uma reformulação do mesmo. Cobrindo toda a área interior deste comparti- mento achava-se um sedimento castanho avermelhado compacto e relativamente argiloso (U.E. 7) com abun- dante presença de materiais cerâmicos com vestígios de exposição a fogo e os restos ósseos de um pequeno ma- mífero, correspondendo a um possível nível de ocupa- ção, onde foi recolhido abundante espólio cerâmico que estaria relacionado com uma área funcional de âmbito doméstico vocacionada para actividades produtivas, atestada pela abundante presença de formas cerâmicas para produção e confecção de alimentos e por alguns fragmentos de mós em granito. A maioria do conjunto
cerâmico identiicado em Monte Roncão 11 provém deste espaço, observando-se aí uma clara versatilidade formal e tecnológica das produções cerâmicas, sistema- ticamente com vestígios de exposição a fogo.
Adossado à parede SW deste espaço era visível uma estrutura cuja funcionalidade deverá ser entendi- da como apoio à habitação, no quadro das estruturas domésticas do tipo bancos ou poiais vulgarizadas em outros conjuntos habitacionais da região como Espi- nhaço 9 ou a Herdade da Sapatoa (MATALOTO, 2007). Este murete era composto por blocos pétreos de xisto de médio calibre com cerca de 0,40 m de es- pessura, atingindo o comprimento de 1,50 m ao longo do muro sudoeste do ambiente 1.
O A1 era delimitado a W pelo muro de sepa- ração do A3 e em zona contígua a este, no canto N, fechado por uma estrutura circular com 3,5 m de diâ- metro (identiicada como A2), de construção análoga às demais, com blocos imbricados de xisto e quartzo, muito destruída, que na fase de escavação foi interpre- tada como um possível forno, dadas as suas dimensões
Fot. 7 – Peças (019)7769 a (019)7772.
Fot. 4 e 5 – Peças (019)0630 e (019)3253.
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e os abundantes vestígios de combustão no espólio re- colhido, reforçando a ideia de uma utilização domés- tica para este espaço. Todavia, a sua escavação apenas permitiu a identiicação do anel pétreo que compunha a base da mesma, encontrando-se muito destruída e preenchida por um nível de colmatação semelhante ao identiicado no interior do A1, a UE4. O espólio asso- ciado à sua deinição era também variado, observando- -se a total ausência de formas abertas, com especial relevo para as formas vocacionadas para a produção e confecção de alimentos a quente, com inúmeros vestí- gios de exposição a fogo.
2.1.4.3.2. Ambiente 3
Este espaço localizava-se a noroeste do ambiente 1, apresentando uma planta rectangular com uma área aproximada de 14 m2. A natureza deste espaço aigu-
rou-se mais complexa, pelo facto da maioria das es- truturas se encontrar muito destruída, constatando-se a sua natureza tardia face aos espaços ediicados a W e SW, que deveriam apresentar uma articulação, dis- tribuição e acesso diferenciados. A presença dos dois muros paralelos que delimitam este compartimento a N parece conirmar esta hipótese: numa primeira fase, o limite deste espaço deveria ser tomado a partir do muro exterior, onde se observava um vão ou acesso ao interior do próprio conjunto habitacional, corres- pondendo a área ocupada pelo A3 a uma continuação natural do pátio ou corredor interior, sem deinir uma articulação funcional própria. Nesta fase, o acesso ao conjunto de estâncias seria efectuado por NE; poste- riormente, este acesso NE é cerrado com a construção de um segundo muro reformulado a partir do primeiro e paralelo a este, que deine o limite do ambiente 3. O espaço antes aberto ao ambiente 4 é cerrado com a construção de novas estruturas, desconhecendo-se contudo como se processaria o acesso a este novo es- paço, uma vez que não foi observada com segurança a presença de qualquer vão ou interrupção natural das estruturas murais. Ainda assim, este deveria ser efec- tuado a partir do espaço central ou pátio (A9) ou de uma eventual área vestibular deste, deinida pela pre- sença de um muro a S do A3, no prolongamento da área descoberta do A9.
Ainda que não tenha sido escavado na totalidade, a estratigraia do seu interior revelou uma sequência composta por um nível de “solo” ou pavimento regula-
rizado idêntico ao pavimento observado no ambiente 18, a U.E. 9, de barro enegrecido bastante compactado,
imediatamente sobre o qual foi exumado abundante espólio arqueológico fragmentado, associado a estratos argilosos de coloração castanho avermelhada, a U.E. 7 e a U.E. 6.
Este nível encontrava-se posteriormente trunca- do pela presença de um depósito sedimentar colmata- do por diversas lajetas de xisto, interpretado como uma aparente regularização de solo deste ambiente, a U.E. 5, desta feita com algum material estrutural em xisto e recoberto pela U.E. 4, um depósito sedimentar com igual abundância de materiais cerâmicos identiicado com o nível de abandono do local.
Do exterior do A3, deinido como o exterior do espaço ediicado foram também recolhidos alguns ma- teriais cerâmicos onde se salienta um fragmento de um prato de peril carenado em engobe vermelho.
2.1.4.3.3. Ambiente 4
Tal como o ambiente 3, o ambiente 4 apresen- tava uma planta rectangular, embora de dimensões substancialmente mais reduzidas, com cerca de 6 m2,
localizado em área contígua ao A5 e a NW do A3. A reestruturação do espaço observada no A3 afectou igualmente esta estância, inicialmente menor. As estruturas murais detectadas na zona central deste espaço sugerem uma primeira ediicação de planta rec- tangular, posteriormente integrada no conjunto cons- truído contíguo deste espaço e do A5, cujo acesso seria, nesta área, efectuado por E, através de um vão com cerca de 1 m. Este momento parece decorrer em fase prévia à construção do A3, cujo cerramento do acesso por NE ao conjunto construído, obriga à remodelação e a uma nova distribuição dos espaços.
A nível estratigráico, ainda que este espaço não tenha sido totalmente escavado, as informações obti- das no curso das sondagens iniciais efectuadas no local permitiram conirmar a colmatação do primeiro con- junto de estruturas com a remodelação interior do A4, sob um estrato de terras avermelhadas e nódulos de argila (U.E. 6) que preenchia o conjunto e sobre o qual se detectou a U.E. 5, um nível compacto e semi-argilo- so e os níveis subsequentes, com presença de diversos materiais cerâmicos.
De realçar, que, neste espaço, assim como em praticamente toda a área escavada, o material cerâ-
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mico dos estratos inferiores, se encontrava muito fragmentado, podendo revelar uma intencionalidade relacionada com a colmatação/regularização de uma nova etapa de construção/remodelação dos conjun- tos. O espólio recuperado, exclusivamente cerâmico, traduziu-se numa amostra muito reduzida, o que ini- be possíveis leituras quanto à sua funcionalidade. A disposição e reduzidas dimensões do A4 parecem ser pequenas para constituir uma área funcional, coadu- nando-se a uma eventual área de anexo ou de arma- zenagem.
2.1.4.3.4. Ambiente 5
Localizado no centro da elevação onde se im- planta o sítio arqueológico, o ambiente 5 apresentava cerca de 27 m2, acedido directamente a partir do pá-
tio a W, com um desnível vencido por dois degraus compostos por duas lajes de xisto sobrepostas. Tra- tava-se de um compartimento de planta rectangular que apresentava um pequeno espaço diferenciado no limite sudeste, interpretado como uma pequena divi- são anexa ao compartimento em questão e correspon- dia, a seguir ao A1, ao maior espaço identiicado no local. Uma vez mais, o facto de não ter sido escavado na totalidade inibe grandes considerações sobre a sua natureza.
A estratigraia deste espaço revelou sobre o aloramento rochoso, um estrato sedimentar com abundante espólio arqueológico e forte presença de elementos pétreos de xisto de grandes dimensões, as- sociado ao derrube interno das estruturas ou paredes, sobre a qual se observavam a U.E. 5 e a U.E. 4, esta última de grande potência, onde foram recolhidos di- versos conjuntos cerâmicos.
2.1.4.3.5. Ambiente 6
O ambiente 6 apresentava uma planta igualmen- te rectangular com uma área de cerca de 16 m2. O seu
acesso era efectuado a partir do ambiente 1 por um vão, já descrito, no muro SE que foi posteriormente alteado por um conjunto de degraus compostos por lajes de xisto, dispostos sobre a U.E. 3, um estrato de coloração castanho avermelhada e argiloso que reco- bria todo o ambiente 6.
Fot. 8 – Ambiente 5: Peça (019)7800, em cerâmica de tipologia e funcionalidade desconhecidas.
Fot. 9 e 10 – Peça (019)7800: Fotograias após limpeza e trabalhos de conservação e de restauro.
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Esta unidade cobria o aloramento xistoso, rela- tivamente regularizado nesta área, que deveria corres- ponder a um nível de circulação e uma estrutura de combustão, a U.E. 6, centrada em relação ao ambiente 6, de planta rectangular, delimitada por uma caixa de lajes de xisto. As terras compactas do interior desta es- trutura apresentavam abundantes carvões e materiais cerâmicos com vestígios de exposição a fogo. Este nível era coberto pelos depósitos associados à U.E. 3.
A relação directa deste espaço com o ambiente 1 permite considerar esta área como zona contígua de relacionada com as actividades domésticas, nomea- damente a confecção de alimentos e a armazenagem, sustentadas pela profusão de formas cerâmicas relacio- nadas com a produção e utilização a fogo e de grande volumetria coadunadas à armazenagem.
2.1.4.3.6. Ambiente 7
Desde logo se tornou evidente que apesar de integrar em dado momento o programa construtivo dos restantes espaços deste complexo habitacional, o
ambiente 7, localizado no extremo W da área escava- da, não pertencia ao momento original de construção do ambiente 5, correspondendo uma etapa posterior à sua execução. A relação entre estes espaços justapostos paralelamente e com algumas diferenças a nível do aparelho construtivo das estruturas pétreas parece in- dicar que o ambiente 7 e o restante conjunto de estru- turas que se desenvolvem a noroeste e oeste deste cor- respondem a um momento de reformulação e maior complexiicação deste conjunto habitacional.
Os limites físicos da área escavada neste sector inibiram a real percepção destes momentos, bem como a identiicação e possível interpretação das restantes e eventuais demais estâncias nesta área, salientando-se apenas a presença de outros espaços ou ambientes a noroeste deste espaço 7 e a oeste, numa eventual con- tinuação deste, que foram deinidos a im de melhor identiicar e organizar as realidades escavadas e os con- juntos cerâmicos recuperados.
Originalmente mais amplo, o ambiente 7 foi convertido num espaço de contornos rectangulares com cerca de 6 m2 de área interior, delimitado interna-
mente por uma estrutura mural muito destruída mas da qual foi possível observar o alinhamento que orga- nizaria o espaço interior em duas divisões: a primeira, de planta quadrangular, aproximada aos espaços tam- bém identiicados nos ambientes 4 e 5; e a segunda, aberta e acessível por noroeste, posteriormente fechada ou “estrangulada” pelo muro de orientação noroeste – sudeste que delimita o pátio central da estação.
Quanto à estratigraia observada, revelou um estrato com grande abundância de materiais pétreos, muito possivelmente associados ao momento de des- truição/alteração e remodelação deste espaço, regis- tando a escassez de materiais arqueológicos, facto não invulgar se consideramos que este perímetro poderá ter funcionado como uma zona de circulação entre es- paços e não tanto como uma divisão especíica. Estes espaços construídos estão também localizados numa zona de suave pendente da plataforma do local, cujo ponto mais alto se situa na área do A5, registando- -se uma potência estratigráica menor nestes sectores, explicando a parca estratigraia detectada no interior destes compartimentos.
2.1.4.3.7. Ambiente 8
Um segundo espaço “encaixado” entre os ambien- tes 1 e 6 de planta rectangular foi igualmente identii- cado e escavado, apresentando uma planta rectangular, apesar dos seus limites sul e este não se encontrarem
Fot. 12 – Vista para noroeste do Ambiente 6.
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completamente deinidos. Os seus muros divisórios en- contravam-se ao nível dos alicerces das fundações, com alçados conservados de cerca de 10 cm e sem vestígios da presença de um acesso ou vão a partir dos espa- ços 1 ou 6. O efectivo desconhecimento da sua planta completa impede uma leitura precisa do esquema de circulação e acesso ao mesmo, que poderia efectuar-se também a partir de W.
No interior deste espaço, após a remoção da U.E. 5 foi observada uma estrutura negativa do tipo fossa/ depressão, de contornos irregulares ligeiramente ova- lada, escavada no aloramento xistoso, no canto NE do