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1 Innledning

In document Klima- og miljødepartementet (sider 51-56)

Tal como foi referido, o desenvolvimento humano é um fenómeno complexo pela sua organização em múltiplos níveis de generalização e integração. Neste sentido, podemos destacar os seguintes níveis desenvolvimentais: filogénese, génese sócio- histórico-cultural, ontogénese, mesogénese e microgénese (Diriwachter & Valsiner, 2006).

Todos os níveis supracitados estão envolvidos simultaneamente em qualquer processo humano e implicam uma dimensão temporal específica relativamente aos processos de desenvolvimento em cada nível: ou seja, na sequência do nível microgenético para o nível filogenético, a mudança notada vai sendo progressivamente mais conservadora e rara. Assim, no caso da filogénese, a mudança será provavelmente “notada” em grandes intervalos temporais (que podem chegar aos milhares de anos); na génese sócio-histórico-cultural, a mudança poderá ser nítida ao fim de algumas décadas; na ontogénese, poderemos ter mudanças em intervalos de meses ou anos (ou ainda outras mais abruptas – como, por exemplo, os efeitos duradouros de uma experiência traumática única); no caso da mesogénese, podemos notar mudanças em intervalos de semanas ou horas; e, finalmente, na microgénese, as mudanças poderão ser notadas ao fim de alguns segundos. A integração de significados, padrões ou estruturas num nível de complexidade superior é cada vez mais restrita (Valsiner, no prelo). Apresentamos, em seguida, uma figura ilustrativa de diferentes níveis de hierarquização desenvolvimental e respectivas inter-relações (ver figura 3).

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Figura 3: Relações entre ontogénese, mesogénese e microgénese

Manutenção Ontogenética

Adaptado de Valsiner (no prelo)

O nível microgenético (na nomenclatura de H. Werner, também denominado por Aktualgenese, segundo F. Sander; cf. Valsiner, no prelo) surge como particularmente interessante para o estudo dos processos dialógicos de auto-organização e mudança, ao longo de uma entrevista breve. Neste nível de análise, poderemos notar como a pessoa se organiza perante o confronto com a novidade do momento (temporal e experiencial) seguinte, situado num contexto relacional específico. Isto não significa, no entanto, que os métodos microgenéticos sejam uma panaceia que resolva todas as questões que se possam colocar no estudo da mudança, pelo se deverá analisar atentamente as suas características.

Mais concretamente, este nível diz respeito ao processo de transformação da experiência de algo difuso para algo (mais) definido e, por isso, está intimamente relacionado com a mediação semiótica e os processos de construção de significado (Diriwachter & Valsiner, 2006; Valsiner, no prelo). O nível microgenético congrega dois aspectos distintos: a emergência de novidade (novas formas ou estruturas – característico do trabalho de Sander; cf. Valsiner, no prelo) e o processo de desdobramento (unfolding) do fenómeno numa sequência desenvolvimental (organizada

PROCESSO MICROGENÉTICO (Aktualgenese)

Actividade A Actividade B

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segundo o princípio ortogenético6 – característico do trabalho de Werner). Dito de outro modo: para Valsiner (no prelo), o método microgenético permite uma análise, momento a momento, de como surge uma elaboração de algo novo (e.g, uma nova perspectiva sobre um determinado problema) e de como este se vai desenvolvendo numa sequência de progressiva diferenciação e integração, ou seja, de crescente complexidade (por exemplo, partindo de um sentimento vago, que depois de elaborado semioticamente acaba por ser clarificado e tornado mais abstracto, podendo finalmente culminar numa hipergeneralização para a qual o sujeito já não tem palavras; Valsiner, no prelo).

Assim, de forma a construir um sentido de continuidade temporal, a pessoa converte a ambiguidade e indeterminação da experiência nova em formas familiares de auto-organização. Segundo Valsiner (2004b, no prelo), estas formas de construção de familiaridade envolvem signos promotores (promotor signs; ver ponto 2.1 no Capítulo 2) ou campos semióticos, orientados para o futuro, que permitem reduzir a ambiguidade do caos experiencial a um leque de significados probabilísticos (note-se, na figura 2, as setas descendentes do nível mesogenético para o nível microgenético). Desta forma, o desenvolvimento (a qualquer nível e a qualquer momento) implica uma integração simultânea de indeterminação e determinação genética (Diriwachter & Valsiner, 2006).

Não existindo um isomorfismo (i.e. correspondência directa) entre os diferentes níveis de organização humana, não será possível determinar a priori condições que indiquem que tipo de experiências ou significados vão emergir para níveis superiores de organização e generalização (Valsiner, no prelo). No entanto, a multiplicidade experiencial e hiperprodução semiótica a um nível microgenético só emerge para um nível de organização superior (mesogenético) através da sua recorrência e/ou intensidade afectiva.

O estudo do desenvolvimento microgenético implica uma metodologia coerente com o acesso a este nível de análise. Segundo Diriwachter e Valsiner (2006), três preocupações têm de ser consideradas neste tipo de estudos:

“a) Um consistente questionamento acerca das mudanças desenvolvimentais que ocorrem;

6 O princípio ortogenético de Werner, salienta que o desenvolvimento ocorre partindo de um estado de

maior globalidade para um estado de progressiva diferenciação, articulação e organização hierárquica (cf. Valsiner, 2000a).

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b) Como essas mudanças estão ligadas e integradas dinamicamente num todo uniforme com partes interactivas e diferentes; e,

c) A consciência de uma ‘orientação’ global da totalidade numa determinada direcção, cujas mudanças são entendidas de forma desenvolvimental e cuja terminologia é baseada nas condições funcionais que levam a leis de ocorrências” (p. 42).

Actualmente o método microgenético está muito associado ao trabalho de R. Siegler, que estuda o desenvolvimento de estratégias aritméticas em crianças (Siegler & Crowley, 1991). Contudo, vários autores salientam um recente interesse na utilização destes métodos para estudar os processos de mudança (Flynn, Pine & Lewis, 2006). Podemos justificar esta renovada atenção salientando três propriedades fundamentais: 1) a possibilidade de uma observação intensiva dos fenómenos durante o seu período de transformação e mudança; 2) a recolha de informação detalhada durante o período de observação, e 3) a inferência de aspectos de mudança ou manutenção dinâmica de estabilidade – tanto a nível quantitativo como qualitativo (Flynn, Pine & Lewis, 2006; Siegler & Crowley, 1991). As diferentes metodologias microgenéticas, adaptadas ao fenómeno particular em estudo, poderão, assim, facilitar não só uma descrição dos processos de mudança mas também a inferência de regularidades envolvidas na manutenção de padrões de auto-organização e processos inerentes à emergência de novas estruturas/competências.

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