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3. VARIABLER OG ANALYSEMODELL

3.2 Innhold i variabler

As informações sobre a identificação das três professoras participantes da pesquisa, advindas de um questionário referente à formação e à concepção sobre Educação Inclusiva e alunos com deficiência, serão detalhadas a seguir.

Formação

Sobre as professoras participantes da pesquisa no contexto brasileiro, pode-se dizer que as três possuem a mesma formação inicial no curso de Pedagogia, embora duas delas tenham estudado em universidade pública e uma delas em universidade privada. Pode-se considerá-las professoras iniciantes, já que todas têm menos de dez anos de experiência como docentes. A PEE possui aproximadamente três anos de experiência na

rede municipal e em uma instituição filantrópica, sendo essa uma unidade da Associação de Pais e Amigos do Excepcional (APAE); a P1A conta com nove anos entre atuações em escolas públicas do estado e do município e a P4A tem menos de um semestre de experiência, por ter finalizado sua graduação no ano anterior à coleta de dados, sendo, portanto, recém formada.

Somente a PEE fez curso de especialização, sendo este voltado para a área de Educação Especial e atendimento de alunos com deficiências. Quando questionadas sobre seus conhecimentos acerca da Educação Inclusiva, PEE e P1A afirmam terem sido adquiridos em seus momentos de formação tanto inicial quanto continuada em serviço e P4A reitera que tem conhecimentos superficiais por seu curso não oferecer aprofundamento dos temas relacionados à Educação Inclusiva. Já P1A não cita sua formação, mas diz que sabe sobre o assunto por meio de pesquisas pessoais e conversas com especialistas da área.

Em relação aos conhecimentos sobre pessoas com deficiências as mesmas professoras que citaram suas formações na pergunta anterior voltam a repetir as respostas, dizendo que os cursos que fizeram as informaram sobre o tema e P4A reafirma não ter recebido informações aprofundadas sobre todas as deficiências. A P1A responde esta questão dizendo que, sobre este assunto, ela conhece por meio de sua prática e por meio de livros, sem os citar em sua formação, podendo-se depreender que os mesmos foram lidos por seu próprio interesse, e não sugeridos durante sua formação.

Estes dados mostram um perfil interessante sobre a formação inicial das professoras. Obviamente P1A e P4A, que são professoras do ensino regular, tiveram um direcionamento no curso de Pedagogia diferente do curso da PEE. Mas P1A e P4A não obtiveram conhecimentos sobre educação inclusiva, inclusão ou alunos com deficiência que lhes dessem uma base segura para a atuação na sala comum, mesmo que a legislação estabeleça a matrícula de tais alunos em suas turmas. Além disso, enfatizam que os cursos, quando propiciaram, se ativeram muito mais ao nível informativo sobre a temática do que propriamente no que as mesmas entendem como sendo formação. Fica

claro que os cursos propiciaram informações sobre o tema, em lugar de conseguirem realizar formação a essas professoras.

Concepções sobre a população alvo

Sobre o que consideram que seja a criança com deficiência, as respostas foram todas diferentes. A PEE diz que é:

quando esta criança possui limitação sensorial, física ou intelectual.

Já P1A acredita que se considera um aluno com deficiência quando há a necessidade de se adaptar algo para ele. P4A argumenta que, de acordo com a lei, isso é possível quando existe um laudo médico e que nem sempre os alunos apresentam este documento. Além disso, justifica ser muito complicado para os professores não especializados definirem se um aluno tem ou não alguma deficiência e que contam com o apoio da escola de uma maneira geral, sem citar especificamente os atores que a compõem para delinear ações diferenciadas e específicas para o atendimento desse aluno.

As manifestações das professoras evidenciam aspectos que merecem ser destacados. Enquanto a professora especializada foca no aspecto da perda, da limitação, localizando no indivíduo o diferencial que permite considerar esse aluno como sendo uma pessoa com deficiência, fortalecendo a visão centrada no indivíduo, as demais consideram que a necessidade de adaptações seja o critério definidor, de forma que a deficiência implica necessariamente adaptações e que o laudo médico é o documento que possibilita essa identificação. Analisando tais posições, é possível depreender que mesmo entre as professoras não especializadas, o olhar sobre o indivíduo não se altera.

Sobre os alunos que devem ser incluídos, apresentou-se uma relação da qual constavam as seguintes nomenclaturas:

9 deficiência intelectual, auditiva, visual e física, síndromes, fissura labiopalatal, problemas neurológicos, de aprendizagem, de comportamento e familiares, classe social muito baixa e órfãos.

Em relação aos seis primeiros itens, até fissura labiopalatal, todas as professoras foram unânimes em afirmar que sim, pessoas com essas características deveriam ser incluídas, demonstrando dessa forma que tais características são representativas, ou emblemáticas, de situações nas quais os alunos muito provavelmente são excluídos, justificando assim a posterior inclusão. A P1A deixou em branco o item problemas neurológicos e as outras duas professoras afirmaram que pessoas com problemas neurológicos, sim, devem ser incluídas. O item problema de aprendizagem foi apontado positivamente pelas professoras PEE e P4A e negativamente pela P1A. Os quatro últimos itens de problema de comportamento até órfãos as professoras P1A e P4A responderam que não são características de crianças para serem incluídas, pois se subentende que são aspectos que não demandam o envolvimento da educação especial, enquanto que a PEE respondeu para estes mesmos quatro itens que sim. Levando-se em conta que aqui pode ter havido algum problema de compreensão, ficando a dúvida se as mesmas desejaram mostrar que não se justificaria a exclusão, responsável por demandar a posterior inclusão, reforçando-se a noção de que para condições orgânicas mais claras, parece não haver dissenso. A dubiedade se mostra melhor quando se refere aos problemas de aprendizagem, por exemplo, tal como procurar-se-á apresentar a seguir.

Ao manifestarem-se sobre algum tipo de deficiência dos alunos, as professoras foram todas a favor que os mesmos fossem incluídos. As divergências ocorreram em relação às outras características que não necessariamente representam crianças que sejam, pela lei, indicadas para serem atendidas pelo serviço do Atendimento Educacional Especializado (AEE) nas escolas regulares, já que o Decreto 7.611 de 2011 diz que alunos do AEE são somente os “estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação.” (BRASIL, 2011). As professoras P1A e P4A disseram que estes quatro últimos aspectos não devem ser de alunos incluídos e a PEE disse que sim, que devem ser incluídos, ou seja, parece que para as duas primeiras professoras esses alunos já estariam presentes nas salas regulares, não

necessitando do processo de inclusão que estabelece que, tendo características específicas, devam ser matriculados em salas regulares enquanto que, para a PEE, o movimento em favor da inclusão traria a possibilidade de aproximação de seus demais colegas.

Concepções sobre o processo de inclusão

Ao serem questionadas se já tiveram experiência com inclusão de pessoas com deficiência, as professoras PEE e P1A responderam que sim e que esta foi boa e muito boa, respectivamente. A P4A diz que nunca teve este tipo de experiência.

Por último, a questão sobre o que julgam importante para que a educação inclusiva dê certo, são indicados diversos itens que se descrevem da seguinte maneira:

9 boa vontade do professor; que faça parte do projeto pedagógico; que a equipe escolar toda seja favorável; que haja apoio da diretoria; que o professor saiba sobre deficiências; que o professor tenha auxílio da equipe técnica; que sejam oferecidos cursos de formação continuada sobre o assunto; que haja colaboração entre educação comum e educação especial.

As professoras PEE e P4A assinalaram todas as opções e a P1A assinalou somente três, sendo elas: boa vontade do professor, que o professor saiba sobre deficiências e que tenha colaboração entre educação comum e educação especial. As duas professoras que destacaram todos os aspectos demonstram uma visão mais ampla de inclusão, na qual toda a escola e todos os seus atores estão inseridos no trabalho conjunto, de apoio e de intervenção junto ao aluno público alvo da educação especial, tendo respaldo da equipe diretiva e interdisciplinar, se houver, e muito empenho do professor da turma na qual este aluno está matriculado. Já a P1A parece ter uma visão mais focada no trabalho, único e exclusivamente do professor, sem considerar os apoios que este pode ter ao seu trabalho, contando apenas com a parceria do professor do AEE e, certamente, também atende o aluno. Ela exclui todos aqueles que, não necessariamente teriam contato direto

com o aluno pegando para si, como professora, toda a responsabilidade. Por se tratar da professora mais experiente que tem atuação em escolas da rede estadual, esta postura pode refletir um pouco de sua prática até agora.