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Innføring av miljøprogram

2. Historikk og kontekst

2.2 Innføring av miljøprogram

e depois ele, de posse desse conhecimento, ele vai ter o conhecimento pedagógico de ensinar isso. Então ele precisa entender a didática, entender como se ensina didática, como se constrói um conhecimento em didática, que é aquele que tem a prática como ponto de partida e de chegada. (Hera) O que nos parece pela fala das professoras, que as mesmas possuem um consenso em relação ao perfil do professor de Didática na universidade, dando veracidade real ao conceito que Pimenta (2010) nos ensina a considerar, O trabalho do professor como intelectual e não como técnico executor. Intelectual que pesquisa sua prática, reflete sobre ela, para ela modificar.

Sobre isso Veiga (2010, p. 58) afirma: o professor de Didática inevitavelmente deve se tornar um pesquisador da área, a fim de tornar o ensino dessa disciplina mais atraente e respaldado nos resultados das investigações envolvendo os alunos em processo de formação.

Mesmo com todas as dificuldades provenientes das políticas neoliberais que afetam as universidades públicas, estas instituições permanecem articulando três eixos indispensáveis na formação sólida de profissionais, o ensino, a pesquisa e a extensão. E os professores de Didática, mesmo sofrendo tais dificuldades, permanecem sendo pesquisadores da área de conhecimento que atuam na universidade, e apontam o contato dos discentes com a realidade escolar como eixo de superação da dicotomia entre a teoria e a prática docente.

4.2.5 O reducionismo técnico dos discentes da Pedagogia sobre a disciplina Didática

As falas das professoras também revelam a dimensão técnica da disciplina de Didática advinda dos alunos nos primeiros dias de aula, no falar de uma das entrevistadas:

...o estudante chega na disciplina com uma visão muito reducionista do que é a disciplina, uma compreensão da Didática muito restrita à técnica, à metodologia, ao como ensinar. O estudante chega com uma expectativa de que a Didática possa ensiná-lo a ensinar e a gente sabe que isso não é possível através de uma disciplina... (AFRODITE)

Defendemos o que Pimenta e Lima (2012) afirmam: o exercício de qualquer profissão é técnico, no sentido de que é necessária a utilização de técnicas para executar as operações e ações próprias. Mas não podemos enquanto docentes limitar os processos de ensino apenas a essa dimensão. Partilhando a mesma vivência de Afrodite, Angícia também afirma:

“...o aluno entra na disciplina de Didática com aquele anseio de aprender como vai ensinar, e aí a gente não tem a resposta, não tem a receita, porque se a gente tivesse também serviria pra gente como professores de Didática, e às vezes você tem professores de Didática que não são bons professores, não conseguem desenvolver bem o ensino, falam sobre o ensino mas não desenvolvem bem”...

Justificando tal postura dos licenciandos, Pimenta (2012, p. 7) afirma que os estudantes das licenciaturas, que por diversos motivos se inserem nesses cursos, possuem inúmeras representações sobre escolas particulares e públicas, por terem sido alunos durante pelo menos 15 anos de suas vidas. Ou seja, possuem uma visão sobre a docência fragilizada por compreenderem o ensino, ainda como alunos.

Pimenta (2012, p. 7) afirma também que por serem alunos de cursos de graduação nos quais as preocupações com educação e ensino estão ausentes, possuem informações difusas (ou não) sobre a profissionalidade do professor no contexto atual, a fragilidade do estatuto e a vida social da profissão, desencadeando desestímulo frente à desvalorização profissional. Em relação aos alunos, conhecem o que é discutindo em sentido geral pelos educadores, a questão da indisciplina, falta de interesse, desrespeito; fragilidade dos docentes frente a essas questões. Por isso, vêem na Didática (mas sem muita convicção) uma ‘tábua de salvação’, uma disciplina a mais, uma obrigação burocrática para cursar o Estágio; (p. 7) desconhecem a relação entre o ensino, a escola, o trabalho docente e a produção existencial e material dos sujeitos e da sociedade em que vivem; não conseguem assim, fazer relação entre suas áreas de conhecimento específico e a sociedade, a formação humana de si mesmos, e dos demais; o como se relacionam com as disciplinas escolares, e tantas outras. Assim, o papel da disciplina de Didática é fundamental para que os discentes construam tais relações entre a sociedade, a

educação, a escola e o ensino superando a visão reducionista de considerar apenas a dimensão técnica dessa disciplina.

Sobre esse mito das técnicas e das metodologias Pimenta e Lima (2012, p. 39) afirmam:

Esse mito está presente não apenas nos anseios dos alunos, mas também entre professores e sobretudo em políticas governamentais de formação, que acabam investindo verbas em intermináveis programas de formação (dês) contínua de professores, partindo do pressuposto de que a falta de conhecimento de técnicas e métodos destes é a responsável exclusiva pelos resultados do ensino.

Candau (2012) defende a superação desse reducionismo didático, para uma maior articulação entre forma e conteúdo, considerando essa uma questão central e clássica para o enfrentamento dos desafios existentes na perspectiva do desenvolvimento da Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos, e para isso considera o confronto com as diferentes correntes pedagógicas de fundamental importância nesse processo de construção de uma nova Didática.

...o desafio está na superação do formalismo, na superação do reducionismo e na ênfase na articulação: articulação essa que tenta trabalhar dialeticamente os diferentes estruturantes do método didático, considerando cada um deles, suas inter-relações com os demais, sem negar nenhum deles. Candau (2012, p. 35)

Defende assim, uma Didática multidimensional, contextualizada e historicamente situada, superando a ideia de um método único para todos e o foco em apenas uma dimensão do processo de ensino.

Pela fala das professoras entrevistadas, elas não esperam que no início da disciplina os alunos compreendam e conheçam todas as dimensões presentes no ensino da Didática, mas que os mesmos superem a visão reducionista de seu conteúdo, o como fazer ou a visão técnica, que há tantos anos se coloca em questão, desde a década de 80, e que mesmo nos dias atuais prevalece nas expressões dos discentes dos cursos de licenciatura.

A visão sincrética dos alunos é citada também por Saviani (2009) que afirma ser a prática social comum tanto para o professor quanto para o aluno, mas do ponto de vista pedagógico existe uma diferença essencial, o professor e o aluno,

encontram-se em níveis diferentes de entendimento, o que ele chama de conhecimento e experiência da prática social:

Enquanto o professor tem uma compreensão que poderíamos denominar “síntese precária”, a compreensão dos alunos é de caráter sincrético. A compreensão do professor é sintética porque implica uma certa articulação dos conhecimentos e das experiências que detém relativamente à prática social...Por seu lado, a compreensão dos alunos é sincrética uma vez que, por mais conhecimentos e experiências que detenham, sua própria condição de alunos implica uma impossibilidade”...(Saviani, 2009, p.63). Os professores de Didática entrevistados são pesquisadores da área, discutem sua vivência na disciplina, investigam-na, ressignificam-na constantemente. No início de cada semestre estes profissionais identificam a visão reducionista dos alunos, pois não têm conhecimento amplo sobre a turma, nem sobre seus posicionamentos e dificuldades, mas possuem uma síntese geral do campo de conhecimento da área que lecionam, seja pela experiência que possuem como docentes, seja pelas pesquisas que desenvolvem na área. E por isso já antecipam a discussão sobre a superação da “receita” pronta de como ensinar, tão esperada pelos licenciandos no início da disciplina Didática.

Sendo desde então, essencial sua contribuição na superação da visão sincrética e reducionista de seus alunos quanto ao conteúdo da Didática.

4.2.6 Papel fundamental da Didática na formação de professores e os reflexos