3.2 Wetland definitions and classifications
3.2.5 Influencing factors and ecological condition
A televisão, devido ao seu alto poder de penetração em todos os níveis de público, atinge de forma direta a formação das crianças, através de um conceito de legitimidade, semelhante à legitimidade da escola. Os indicadores de que a TV é um meio de informação e aprendizagem eficaz, demonstram a importância do seu papel no processo de socialização das novas gerações. Segundo Barbero, “as mídias audiovisuais... constituem ao mesmo tempo, o discurso por antonomásia da bricolagem dos tempos - nos familiariza sem esforço, extraindo-o das complexidades e ambigüidades de sua época, com qualquer acontecimento do passado – e o discurso que melhor expressa a compreensão do presente, a transformação do tempo extensivo da história no intensivo do instantâneo.” (BARBERO & REYS, 2001).
A cidadania está relacionada com o surgimento na cidade como espaço de convivência, à capacidade dos homens exercerem direitos e deveres de cidadão. Para Covre (2006), na polis grega, a esfera pública era relativa à atração dos homens livres e à sua responsabilidade jurídica e administrativa pelos negócios públicos. Predominava o espírito da democracia, onde a relação era de iguais, decidido mediante palavras de persuasão, sem violência, mas com restrições, pois dela participavam os homens livres, ficando alijados os escravos, além das mulheres e crianças. Houve uma prática do exercício de cidadania nas sociedades greco-romanas que perdurou através do tempo até o século V, quando surgiram as sociedades rurais feudais, até a Revolução Francesa e o surgimento do capitalismo. As Cartas Constitucionais introduzem o Estado de Direito que estabelece os direitos iguais a todos os homens, ainda que perante a lei, pela primeira vez na história da humanidade. Juntamente com a Constituição Americana, estes documentos foram organizados e ratificados após a II Guerra Mundial pela ONU, já citada anteriormente. A Revolução Francesa trouxe a proposta de cidadania, de igualdade a todos, rompendo profundamente com o direito obtido pelo nascimento, característico da sociedade feudal. Com a ascensão da burguesia, o surgimento das cidades e da vida urbana, despontam os cidadãos que trabalham, comercializam,
desenvolvem o sistema fabril e administram a coisa pública em termos de direitos e deveres . Este longo processo de combate ao imobilismo ditado pela nobreza e clero durante o período feudal, ecoa das revoluções religiosas de Lutero e mais tarde de Calvino, que desenvolveu e sistematizou a valorização do trabalho (1509-1564). O Reino do Céu já cabia aos pobres pelo seu sofrimento (COVRE, 2006, p. 22).
Se houver vontade política, a televisão pode se posicionar e ter importante papel como instrumento para a educação. Há dezesseis anos. Desde a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, pautas sobre desenvolvimento sustentável e ações em defesa do meio ambiente fazem parte da vida dos cadernos dos grandes veículos, como “Nacional” e “Cidades”, por exemplo. A agência ANDI (Agência Nacional de Notícias dos Direitos da Infância) e o Instituto ETHOS, através de seu projeto conjunto “Empresas & Imprensa: Pauta de Responsabilidade”, concluiu que 76,6% das matérias tiveram forma factual ou de contextualização primária, além dos 26,3% como resultado de congressos, prêmios e seminários. Para algumas organizações do Segundo Setor, que corresponde ao setor das empresas, a mídia só dá atenção para os maus resultados e a falta de investimentos. Temas como o “apagão” em 2001 e a situação dos rios no Estado do Rio Grande do Sul, em 2007, foram destaques pela denúncia de falta de investimento ou fiscalização, mas o grande desafio continua sendo como obter dados atualizados e difíceis de serem rastreados.
O que se ouve e lê sobre sustentabilidade vem do modelo econômico capitalista e recente, o modelo neoliberal. Assim como o diálogo oficial, as relações com o poder público são constantemente alteradas em função do tema estar polemizado, dificultando o acesso às informações e dados necessários para matéria jornalística de caráter relevante.
Ampliando esta visão para a área de comunicação, inclusive de caráter empresarial, vê-se que além dos negócios das empresas e organizações, podem circular metas desinteressadas, muito próximas das empresas do Terceiro Setor, onde a defesa do meio ambiente ganha espaço à medida que apresenta as metas de lucro e por conseqüência, de consumo exacerbado, como o grande perigo para o planeta. O lucro de curto prazo, pode sim, destruir mais rapidamente o nosso planeta, mas corremos o risco de ver estas
plataformas defendidas através de uma propaganda ou qualquer outro meio de comunicação, que cria uma embalagem protetora de realidades empresariais, agentes ativos da salvação socioambiental do planeta , repetindo à exaustão a palavra-slogan sustentabilidade (NASSAR, 2008).
As diversas pesquisas e trabalhos que analisam a relação entre a televisão e a escola com ênfase em educação ambiental, como os de Martim Barbero (2001), Baccega (2002), Reigotta (1994), Rodrigues (1997) entre tantos outros no Brasil e no exterior, tem a finalidade de demonstrar a necessidade da discussão no momento que é histórico por sua urgência, e importantíssimo por se tratar da formação de crianças que se iniciam na postura de compromisso com a nação e o planeta, como seres humanos e cidadãos. Além disso, os estudos publicados no Relatório final do Fórum Mídia e Educação, Perspectivas para a qualidade da informação, São Paulo, 1999 e as pesquisas da ANDI – Agência de Notícias do Direito da Infância, também apontam para esta relevância do estudo das questões ambientais nas escolas.
Neste avanço, encontra-se a tecnologia da informação e comunicação, que mudou o cotidiano dos indivíduos com acesso à leitura ou simplesmente a aparelhos de som e imagem, que só no Brasil atingem 96%, segundo pesquisa do GRUPO IBOPE, em 2007.
Há um grande questionamento acompanhando este crescimento tecnológico, que vem a ser a contribuição da escola para que todas as crianças tenham acesso e se tornem usuárias destes novos formatos de comunicação, com assimilação criativa e crítica do conhecimento que chega de forma tão rápida até elas. Por observação pessoal da autora em trabalhos junto às organizações do Terceiro Setor (Parceiros Voluntários - RS) e conseqüente vivência nas escolas de ensino fundamental em localidades carentes, pode-se observar que ainda mais grave é a questão da inclusão destas crianças nos mundos da mídia e da tecnologia cibernética, tão distantes ainda da maioria da população. Segundo relatórios da UNESCO, apenas 11,3% da população brasileira acessam a Internet. (União Internacional de Telecomunicações e Cúpula Mundial da Sociedade da Informação, Declaração do Milênio das Nações Unidas, 2000).
As demandas educacionais ampliadas que pretendem prover educação para toda a vida, somadas à integração de tecnologias recentes e mutáveis, encontram ainda o desafio da mediatização do processo de ensino e aprendizagem, aproveitando as potencialidades comunicacionais e pedagógicas dos recursos técnicos (BELLONI, 2001).
Meio ambiente ou crise ambiental tem tomado espaço na mídia e criado material para outra discussão, a aplicação deste tema na educação. Já citamos anteriormente, as leis e decisões sobre a contribuição do processo educativo nas decisões futuras, pelos homens que, na infância, receberam a informação através do ensino.
Lima acredita que esta discussão não vem produzindo
(... ) esforços proporcionais na caracterização e diferenciação das principais tendências político-ideológicas e éticas que dividem o campo ambiental, gerando, em conseqüência, um quadro confuso, pontuado de ambigüidades, dúvidas e indistinções (LIMA, 2008, p.109).
A partir de 1990, quando a Educação Ambiental ganhou relevância em âmbito nacional e internacional, surgiram inúmeras iniciativas, concepções pedagógicas, e político-ideológicas, ou seja, uma enorme pluralidade de ações e representações. Ainda na visão de Lima,
(...) expressam sinais de vitalidade, democracia e liberdade. Surgem agências governamentais, ONGs ambientalistas, instituições promotoras da causa ambiental (LIMA, 2008, p.116).
Para SORRENTINO (2008, p.19), é importante trabalhar o interior, participar de forma a manifestar as atitudes e comportamentos cotidianos de compromisso com a vida, quando todas as questões envolvidas com o Meio Ambiente, que permitam alterar o modo de produção e conseqüentemente de consumo, numa forma menos traumática. Para o autor, há uma urgente necessidade de se fornecer informações pertinentes para quem planta, colhe e consome, com condições efetivas de participação no processo de cuidados com o planeta. Chama atenção para a inclusão social que permite a tomada de decisões participativa e “a promoção de mudanças culturais nos padrões de felicidade e desenvolvimento” .
Na visão de SOFFIATTI (2008,p.23), o meio ambiente, no Brasil, apresenta-se vulnerável, mesmo porque a educação ainda não alcançou patamares desejáveis de democratização e a ecocidadania continua revestida de um caráter utópico e distante.
Para MORIN (2002), a comunidade tem caráter cultural/histórico, pelas transformações e provações sofridas ao longo do tempo.
Este destino comum, memorizado, transmitido, de geração a geração, pela família, por cânticos, músicas, danças, poesias e livros; depois pela escola, que integra o passado nacional às mentes infantis, onde são ressuscitados os sofrimentos, as mortes, as vitórias, as glórias da história nacional, os martírios e proeza de seus heróis. Assim, a própria identificação com o passado torna presente a comunidade de destino (MORIN, 2001, p.67) [ ] Uma comunidade de origem terrestre, a partir de nossa ascendência e identidade antropóide, mamífera, vertebrada, que nos torna filhos da vida e filhos da Terra (MORIN, 2001 p.73).
Será a aprendizagem da vida realizada, segundo MORIN (2001) por duas vias, interna e externa. Por essa última entendemos a introdução ao conhecimento das mídias – televisão, videogames, anúncios publicitários, etc. Segundo ROSENBERG, “as crianças com mais de sete anos já tem elementos para compreender o mundo de forma um pouco mais complexa”. (ROSENBERG, 2008, p.137).
Segundo estudos, como os de Barcelos:
Configura-se uma nova forma de entender a comunicação como alternativa pedagógica, surgindo daí uma nova disciplina, com característica de comunicação educacional no que se pese sua importância e penetração nos meios midiáticos, como informação ideológica ou não, mas sempre democráticas (BARCELOS, 1996). Estas afirmações dão continuidade às definições apoiadas pela UNESCO em 1984, segundo BelloniI. A mídia como meio educacional é condição para a educação que leva à cidadania, sendo um instrumento fundamental para a democratização das oportunidades educacionais e do acesso ao saber, portanto, de redução das desigualdades sociais (BELLONI, 1991 e 1995).
No contexto de transformações socioculturais trazidas pelas tecnologias, a midiatização das mensagens pedagógicas está inserida nos processos de educação como formatos de apresentação de conteúdos, metodologias de ensino e estratégias de uso de materiais que potencializem o aprendizado, desde que se assegure a integração do estudante neste novo sistema.
No caso da mídia aplicada à educação, o professor passa a ser o produtor de conteúdos e terá que aprender a trabalhar com equipes e muitas áreas disciplinares, transitando pela interdisciplinaridade. Esta integração está relacionada com as escolhas da sociedade e com a definição de educação para a cidadania, incluindo-se todas as vertentes deste comportamento.
Ensinar a identidade terrena, o Quarto Saber de MORIN (2002) é o destino planetário do gênero humano, esquecido pela educação. Mais adiante, no Sétimo, destaca em A ética do gênero humano, que “a ética indivíduo/espécie convoca, ao século XXI, a cidadania terrestre”.
Os recursos de visibilidade das empresas e principalmente sua forma de comunicação, têm exercido papel importante na prática das organizações privadas ou públicas, que somente será efetivado quando for adotado um modelo de comunicação que seja contínuo, planejado e destinado à conscientização, incorporada como prática e atitude comportamental.
Sustentabilidade ou desenvolvimento sustentável deve atender às necessidades do presente, sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas necessidades (Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, 1991, p. 11).
Sendo este um dos temas mais tratados pela mídia nos últimos tempos e tendo a escola se revelado como instituição em (r) evolução tecnológica, a força da mídia como agente educador e formador de postura comportamental, é, no momento, desperdiçada como meio interdisciplinar de educação para a cidadania. Segundo Eco, talvez não fosse tão utópico propor à TV uma série de ensinamentos de como aproveitar a tecnologia televisa disponível e de custo baixo, dominando e identificando os momentos em que ela pode ser agradável e voluntariamente escolhida (ECO, 1998, p. 364).
A interdisciplinaridade, entendida por Morin (1991) como colaboração e comunicação entre as disciplinas (PETRAGLIA, 1995) é indispensável à reflexão sobre questão ambiental e assim como a Arte e a Literatura, não pode separar os elementos que constituem a síntese do habitat do homem. A educação ambiental, segundo Ávila Coimbra, é um saber em vias de maturidade. A Lei Federal n. 9.795, de 27 de abril de 1999, explica o caráter holístico da Educação Ambiental, mas, ao contrário do que se imaginava, não atingiu a maturidade e não há aplicação prática desta lei nas escolas.
Para melhor entendimento dessa proposição de ensino aprendizagem por meio da TV, a autora cita abaixo a pergunta de Eco que acompanha esta pesquisa, por acreditar na sua relevância e embasamento teórico.
Quando transmito uma mensagem, o que recebem efetivamente indivíduos diferentes, em situações diferentes? A mesma mensagem? Uma outra, afim? Uma, completamente diversa? (ECO,1998, p.367).
A fundamentação teórica que sustenta a hipótese da autora vem de Morin, que afirma que a progressão e enraizamento desta consciência de pertencer à nossa pátria terrena é que trará o sentimento de religação e a humanização da globalização das novas gerações (MORIN, 2001, p.73).