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influencias entre estilo y obra

profissão, foram as subcategorias a dança como profissão docente, a dança como profissão artística e a dança como profissão de pesquisa, as bases

para pensarmos o entre-lugar de professores licenciados em dança pela Universidade Federal do Pará.

5.3 – Objetivação e ancoragem das Representações Sociais dos professores. Neste subitem três categorias analíticas foram construídas. As

Representações Sociais dos professores se constituem objetivas e ancoradas na

identificação pessoal, na certificação, reconhecimento e inserção profissional e nas relações entre teoria e prática. Os processos de ancoragem

e objetivação foram tratados a partir de tempos/espaços da vivência desses professores. Foram eles: a infância e a adolescência; sociedade e mercado de trabalho; e a universidade e a Educação Básica.

5.4 – As políticas curriculares e a dança na escola – Neste subitem

uma categoria de análise foi constituída – o não lugar da dança e de seu ensino – por meio da qual se destacou também o não lugar do professor de dança na Educação Básica. O gráfico 04 ilustra a lógica de organização da análise desta pesquisa.

Gráfico 4: Organograma da estrutura de Análise da tese.

Fonte: Elaboração do autor (2013).

5.1 - O perfil sócio-demográfico dos professores

5.2 - Sentidos da dança para os professores 5.3 - Objetivação e ancoragem das RS dos professores 5.4 - As Políticas curriculares e a dança na escola Definição Diversão Inclusão  Profissão Identificação Pessoal Certificação /Reconhecimento/ Inserção Profissional Relação Teoria/prática

 O não lugar da dança e de seu ensino Empírica e Teórica

Social 

Para as Famílias e Para a Escola

Sociedade e Mercado de trabalho

Universidade e a Educação Básica Docente, Artística e de Pesquisa

5.1 – O perfil sócio-demográfico dos professores

O início da apresentação desse subitem na conjugação com os demais que posteriormente virão nos possibilita pensar esses profissionais na sua inteireza, embora, saibamos que nenhum estudo, por mais eficiente, rigoroso e atento que seja não tomara para si inteiramente o objeto de pesquisa, isso porque são limitadas as nossas capacidades de perceber, apreender e explicar práticas, e vivências. Mesmo assim, diante dessas limitações, pretendemos, nesta pesquisa, apresentar um grupo de professores:

[...] não como seres abstratos ou essencialmente intelectuais, mas como seres essencialmente sociais, com suas identidades pessoas e profissionais, imersos numa vida grupal na qual partilham uma cultura, derivando seus conhecimentos, valores e atitudes dessas relações, com base nas representações constituídas nesse processo que é, ao mesmo tempo, social e intersubjetiva. Há também que se considerar o papel de ventos mais amplos, sejam sociais, políticos, econômicos ou culturais, com seus determinantes que passam a vida grupal ou comunitária. [...] a interação desses fatores molda as concepções sobre educação, ensino, papel profissional e as práticas a elas ligadas, concepções e práticas que, por sua vez, são estruturalmente delimitadas pela maneira como as pessoas se veem, estruturam suas representações, se descrevem, veem os outros e a sociedade à qual pertencem. (GATTI, 2011, p.175-176).

Tomamos como base os argumentos da referida autora para, a partir daqui, tecer essa rede de significações e imagens produzidas pelos professores por meio de suas representações sociais, nas suas relações com essas variedades de dimensões da vida humana e suas interfaces com os determinantes salientados pela autora supracitada, e com a compreensão de que promovemos a partir daqui “o confronto entre os dados, as evidências, as informações coletadas sobre [as representações sociais de egressos do curso de Licenciatura em Dança da UFPA e as implicações para o ensino da dança na Educação Básica] e o conhecimento teórico construído a respeito dele” (LÜDKE e ANDRÉ, 2013, p.1-2).

A teoria das representações sociais se põe a pensar a constituição e circulação de representações sociais a partir de três questionamentos básicos, segundo Jodelet (2001), são elas: 1) Quem sabe e de onde sabe? 2) O que e como se sabe?3) Sobre o que se sabe e com que efeito? De acordo com Sá (1998) estes questionamentos se constituem como a linha mestre para se estudar, respectivamente, as seguintes dimensões de estudo: 1) produção e

circulação das Representações Sociais; 2) processo e estado das representações sociais; 3) o estatuto epistemológico das representações sociais (p. 32).

Desse modo, elaborar o perfil dos egressos é condição indispensável para iniciar as explicações do primeiro questionamento – Quem sabe e de onde sabe? – quem sabe são os professores de dança, e sabem a partir da prerrogativa de terem vivenciado o processo de formação no curso de Licenciatura em Dança da Universidade Federal do Pará. São as experiências a partir desse curso de formação de professores, enlaçados aos acúmulos no exercício da prática performática da dança que dão a esses professores/artistas/pesquisadores as condições de produzirem um discurso envolto de Representações Sociais sobre a sua formação docente e o Ensino da Dança na Educação Básica.

Essas condições contextuais inerentes aos participantes desta pesquisa que congregam um grupo de pertença na esfera social é que nos possibilita fazer ecoar seus discursos, ou seja, dar voz às suas experiências empíricas e de formação acadêmica.

Pode parecer um tanto quanto pretensioso, de nossa parte, nos reconhecer como quem dá voz a um sujeito mudo, silenciado. Mas é isso mesmo, enquanto pesquisadores, optamos, ou não, em nos abrir para o discurso, as experiências, no nosso caso, as representações sociais de outrem. Fazer esse exercício é assumir outra postura científica. A postura que hoje adotamos é, na verdade, fruto tanto do campo teórico quanto metodológica que assumimos para a realização desta pesquisa. Eles por si só já nos direcionam para reconhecer no outro a possibilidade de fazer ciência a partir dele, como podemos perceber em Chizzotti (1998) nas proposições em relação às pesquisas nas Ciências Humanas

e Sociais, em Flick (2009) nos debates sobre pesquisa qualitativa, em Bogdan e Biklen (1994) nas proposições das pesquisas qualitativas em educação e em Moscovici (2007, 2011) e Jodelet (2001,2005) nas argumentações em torno dos estudos sobre Representações Sociais.

Assim sendo, nos parece que saber de questões sócio-demográficas dos sujeitos que participam de uma pesquisa, antes de adentrar no que de mais visceral se propõe uma produção dessa natureza, é um movimento que se revela intimamente ético com o campo teórico-metodológico que abraçamos nesta pesquisa. É com esse compromisso epistêmico que passamos a apresentar os dados sócio-demográficos desses professores.

Trabalhamos com a codificação, garantindo o anonimato de todos os participantes em função de que suas histórias se cruzam à histórias de outros professores, seja na relação advinda da Escola de Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará, seja de outras instituições de ensino de dança, como as escolas particulares de dança, por exemplo. Desse modo a codificação ficou estabelecida da seguinte maneira: A (Artista), (P) Professor, (P) Pesquisador = A.P.P., seguido de uma ordem numérica aleatória. Exemplo: A.P.P.01., A.P.P.02., e assim sucessivamente.

A partir da aplicação do questionário (apêndice C) a 65% (13 professores) do total de 20 professores egressos34 do Curso de Licenciatura em Dança da

UFPA, capturamos alguns elementos capazes de dizer das condições sócio- demográficas desses professores e, por conseguinte, assegurar o objetivo de responder ao questionamento apresentado por Jodelet (2001), quem fala e de onde fala? Esse é um dos mecanismos que nos permite desvelar as Representações Sociais desses professores, na perspectiva da abordagem processual da Teoria das Representações Sociais.

34 Até o momento da realização da produção de dados, somente uma turma já havia concluído o

referido curso, com ingresso no ano de 2008 e formatura em 2011. Esse total de 20 professores egressos do curso de licenciatura em dança da UFPA no ano de 2011 representa, aproximadamente, 66,6% do total de ingressos em 2008 (30 graduandos). Os dados referentes a esse quantitativo foram cedidos pela Secretaria Acadêmica do referido curso.

Em relação a faixa etária, verificamos que 69,2% dos professores se encontravam entre 21 à 30 anos, 15,4% entre 31 à 40 e por fim, 15,4% entre 41 à 50 anos, como mostra o gráfico 05.

Gráfico 05: Faixa etária dos participantes da pesquisa.

Fonte: Elaboração do próprio autor (2013).

Estudos realizados por Gatti (2009) revelaram que a média de idade dos professores no Brasil é de 29 anos, cerca de 25,5%. Verificamos que em relação aos professores de dança não é diferente, como revela o gráfico 05.

É possível apresentar ainda o gráfico 05 como referência para fazer a discussão referente ao número de Professores da Educação Básica por faixa etária, segundo região geográfica, referente ao senso de 2010 e apresentado pelo Anuário Brasileiro de Educação Básica em 2012.

Diz o referido anuário que, em relação a região Norte, diferente o que ressalta os estudos de Gatti (2009), em nível decrescente, a média de idade dos professores é de 33 à 40 anos, com um total de 53.786 professores, seguido da faixa etária de 25 a 32 anos, com 49.068 docentes; com faixa etária entre 41 à anos, um total de 42.987, já na faixa etária de mais de 50 anos, um total de 15.713, e, por fim, na faixa etária de até 24 anos, um total de 8.376. Entendemos

0,00% 20,00% 40,00% 60,00% 80,00% 69,20% 15,50% 15,40% De 21 à 30 anos De 31 à 40 anos De 41 à 50 anos

que, no caso do estudo apresentado pela referida autora, foi usado uma amostra, o que não contempla a totalidade do nosso país.

Em relação ao anuário, por se tratar de dados a partir do censo demográfico em relação aos docentes no Brasil, percebemos uma panorama mais próximo do que seja o perfil docente em termos de faixa etária. Contudo, é importante frisar que a faixa etária apontada por Gatti (2009) não está tão distante de cenário apresentado pelo anuário, já que em termos quantitativo, a segunda posição ocupada no anuário corresponde a faixa etária indicada nos estudos realizado pela autora supracitada e entre os sujeitos, participantes da nossa pesquisa, como apresenta o gráfico 06 referente a faixa etária de professores por região.

Gráfico 06: Número de Professores da Educação Básica por faixa etária, segundo região geográfica, adaptado do Anuário Brasileiro de Educação Básica referente ao censo escolar de 2010.

Fonte: Adaptado do Anuário Brasileiro de Educação Básica referente ao censo escolar de (2010).

Em se tratando dos sujeitos participantes da pesquisa, que ora apresentamos, embora esses professores apresentem uma faixa etária de idade

0 100.000 200.000 300.000 8.376 44.441 31.701 17.165 7.998 49.068 159.76 7 181.16 4 69.283 37.911 53.786 16 8.2 90 207.17 9 74.286 42.803 42.987 163.40 8 253.03 9 90.267 39.891 15.713 64.890 126.95 8 39.926 15.237 Até 24 anos De 25 à 32 anos De 33 à 40 anos De 41 à 50 anos Mais de 50 anos

produtiva, a maioria não estava no exercício da docência no momento da realização da pesquisa de campo, não só porque 53,8% cursavam mestrado, o que na nossa compreensão tem implicações para a inserção no mercado de trabalho, já que uma das exigências dos Programas de Pós-Graduação stricto

sensu no Brasil é a dedicação para os estudos e pesquisas, mas também pelas

indefinições em relação ao ensino da arte, ainda presente na política curricular brasileira.

Embora Arroyo (2007) enfatize inquietações em torno das questões curriculares no contexto da escola, indicando sua centralidade nos “debates da academia, da teoria pedagógica, da formação docente e pedagógica” (p.17), é importante pensar que outras questões como: O que ensinar? Como ensinar? Porque ensinar? A quem ensinar? Fruto desses debates curriculares, mas silenciam outras relacionadas, por exemplo: Quem deve ensinar?

Pode parecer que já exista uma resposta obvia em relação a quem deve ensinar, já que a LDB 9.394 de Dezembro de 1996 define como critério para o exercício da docência na Educação Básica, formação em cursos de licenciatura. Essa é uma questão que, dependo do campo de conhecimento ao qual o professor é vinculado, assim como o local de sua atuação profissional, poderá ser mais ou menos garantido.

Em relação a área da arte que na nossa compreensão é formado por quatro campos disciplinares, distintos, a saber: dança, teatro, música, e artes visuais, que estabelecem entre si maior ou menor grau de relação, as questões do ensino ainda não são postas de modo a garantir as especificidades desta grande área.

Arroyo (2007, p.18) nos dá pistas em relação a inexistência de uma política curricular voltada para o ensino da arte na escola, levando em consideração as especificidades das linguagens artísticas quando afirma que:

Dependendo do prestígio dado pelos currículos aos conhecimentos que ensinamos, teremos categorias docentes mais ou menos prestigiadas. Conseqüentemente, o currículo é o pólo estruturante de nosso trabalho. As formas em que trabalhamos, a autonomia ou falta de autonomia, as cargas horárias, o isolamento em que trabalhamos... dependem ou estão estreitamente condicionados às lógicas em que se estruturam os conhecimentos, os conteúdos, matérias e disciplinas nos currículos. [...] No nosso sistema educacional, a estrutura das escolas é rígida, disciplinada, normatizada, segmentada, em níveis, séries, estamentos e hierarquias. O trabalho docente reproduz essas estruturas, hierarquias, níveis e prestígios, reproduz carreiras e até salários, hierarquizados (18- 19).

É possível perceber uma relação direta entre o que vêm apresentando o referido autor em termos das hierarquizações produzidas pelas políticas públicas e reforçadas no contexto escolar, com a possibilidade de empregabilidade dos professores de dança.

Se a arte não é percebida com uma grande área de conhecimento e a dança como campo disciplinar, portanto, produtoras de saberes e práticas humanas, os esforços para que não ocupem um lugar marginal no currículo, ou seja, na vida da escola, na sociedade, são quase invisíveis. Essa questão é destacada nos discursos de alguns professores.

[...] Ainda há esse embate dentro da sociedade de que arte é

hobby, a arte é lazerzinho. O menino vai para o futebol e a

menina tem que ir para o balé e depois ele vai crescer e tem que ter uma profissão. Por isso nós não somos vistos como parte de uma profissão (A.P.P.01).

Depois de um ano de formado, eu vou em escolas particulares, eu vejo uma necessidade de um profissional qualificado para ensinar dança, mas eu não vejo uma procura tão grande como procuram um professor de matemática, de português [...] ( A.P.P.12).

A dança é vista como atividade recreativa, como atividade menos valorizada em relação a outras disciplinas da escola como matemática, ciências [...]. Então às vezes ela é rechaçada, a dança só serve pra fazer a coreografia da festa junina. (A.P.P. 03).

Eu vejo que eles não dão muito valor no profissional da dança. Eles dizem: “Ah! é aula de dança, pra quê vai ter isso? Nem precisa. Joga ele ai pra jogar uma bola ou pra ficar na sala, põem eles pra ler um livro”. Não acham muito necessário. Então eu acho que isso é o que pesa, essa falta de conhecimento de que [...] a dança pode contribuir também na formação de crianças e adolescentes. (A.P.P.07).

Voltamos a questão das condições de acesso ao mercado de trabalho pelos professores licenciados em dança da UFPA para dizer que, para esses profissionais, a falta de espaço no contexto da educação básica resulta, justamente, da compreensão que ainda é assumida em torno do papel do ensino da arte na Educação Básica, da pouca importância que se dá aos conhecimentos oriundo das linguagens artísticas.

O que está estabelecido em termos de política no cenário brasileiro e de prática curricular no interior das escolas destitui esses professores de um lugar conquistado pela via da formação, distanciando-os da profissionalização docente, já que não é possível compreender a constituição dessa condição fora da atuação profissional.

Podemos reforçar a ideia de que, em relação aos sujeitos da pesquisa, é um público jovem de professores, que por inúmeras questões ainda se encontram fora da sala de aula. Questões estas que serão melhores apresentadas em seguida.

Perguntamos aos participantes da pesquisa se trabalhavam antes de cursarem a licenciatura ou se passaram a trabalhar depois desse processo de formação. Verificamos que ocorreu um aumento de empregabilidade desses profissionais após a formação. Antes da formação, 69,2% já atuam no campo da dança. Após a formação passou para 84,6%, o que revela um aumento de 15,4% no quantitativo de professores empregados. A discriminação do gráfico 07 ilustra essa questão.

Gráfico 07: trabalho antes e depois do curso.

Fonte: Elaboração do próprio autor (2013).

É preciso destacar, contudo, os espaços onde esses profissionais atuavam e onde passaram a atuar depois da formação. Do total dos professores pesquisados que trabalhavam antes da conclusão curso, o destaque é para as atividades ligadas a escolas e companhias de danças, com 50%; em projetos sociais, 25%, e aproximadamente 8,3% em escolas particulares, 8,3% em escolas municipais e 8,3% em outras atividades. Após a conclusão do curso, os percentuais em relação a natureza do trabalho que desenvolviam não mudou, os espaços de escolas e companhia de dança continuam em destaque, como revelam alguns professores:

A primeira experiência que eu tive foi no projeto social que a gente realiza aqui na companhia, foi a minha primeira experiência que eu tive como professor (A.P.P.03).

Eu trabalhei 3 anos na casa de dança Jaqueline Mendes, dança clássica, produção de espetáculos junto com ela. Depois fui trabalhar em academia, depois sai e decidi abrir a minha própria escola. [...] hoje eu trabalho em um espaço de dança dentro da igreja. (A.P.P.02).

Antes da licenciatura eu trabalhava como coreógrafo de quadrilha daqui de castanhal, mas também nas escolas 0,00% 20,00% 40,00% 60,00% 80,00% 100,00% Antes do curso Depois do Curso 69,2% 84,6% 30,8% 15,4% Trabalhava Não trabalhava

durante os períodos festivos. Hoje trabalho em uma escola de dança, dou aula de jazz (A.P.P.12).

Eu já tinha formação de técnica em dança pela UFPA e estava atuando no CRAES. Depois do curso eu já comecei a atuar em uma escola de dança mesmo com sapateado e em uma escola particular (A.P.P. 01).

O diferencial é que alguns desses professores passaram a acumular atividades, ora atuando nas escolas e companhias de dança, ora atuando nos projetos e sociais e ambientes escolares. Exceto por duas professoras que indicaram atuar em escolas de Ensino Fundamental, os demais que dividem o tempo com as atividades laborais em projetos sociais e em escolas e companhias de dança, revelam atividades em escolas da rede municipal e estadual a partir do Programa Mais Educação, o que se configura, na nossa compreensão, o início de inserção profissional precarizado desses professores no campo da educação, já que o Mais Educação possui uma agenda de várias atividades, com tempo para início e término, dentre as quais podemos destacar a dança.

No Mais Educação as atividades são eleitas pela própria escola, sempre que consideradas pertinentes em função de alguma demanda que surge, portanto, tem um caráter curricular que não garante aos professores determinados direitos e possibilidade de reconhecimento profissional tal qual os demais professores.

Diz o Ministério da Educação que o Programa Mais Educação foi instituído pela Portaria Interministerial n.º 17/2007 e integra as ações do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), como uma estratégia do Governo Federal para induzir a ampliação da jornada escolar e a organização curricular, na perspectiva da Educação Integral.

Trata-se da construção de uma ação Inter setorial entre as políticas públicas educacionais e sociais, contribuindo, desse modo, tanto para a diminuição das desigualdades educacionais, quanto para a valorização da diversidade cultural brasileira. Por isso, coloca em destaque as ações

empreendidas pelos Ministérios da Educação – MEC, da Cultura – MINC, do Esporte – ME, do Meio Ambiente – MMA, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome – MDS, da Ciência e da Tecnologia – MCT e, também da Secretaria Nacional de Juventude e da Assessoria Especial da Presidência da República, essa última por meio do Programa Escolas-Irmãs, passando a contar com o apoio do Ministério da Defesa, na possibilidade de expansão dos fundamentos de educação pública.

Essa estratégia, segundo o MEC, promove a ampliação de tempos, espaços, oportunidades educativas e o compartilhamento da tarefa de educar entre os profissionais da educação e de outras áreas, as famílias e diferentes atores sociais, sob a coordenação da escola e dos professores. Isso porque a Educação Integral incorpora o processo de escolarização e pressupõe a aprendizagem conectada à vida e ao universo de interesse e de possibilidades das crianças, adolescentes e jovens.

Para o MEC o ideal da Educação Integral traduz a compreensão do direito de aprender como inerente ao direito à vida, à saúde, à liberdade, ao respeito, à dignidade e à convivência familiar e comunitária e como condição para o próprio desenvolvimento de uma sociedade republicana e democrática. Por meio da Educação Integral, se reconhece as múltiplas dimensões do ser humano e a peculiaridade do desenvolvimento de crianças, adolescentes e jovens.

Ressalta que esse ideal está presente na legislação educacional brasileira e pode ser apreendido em nossa Constituição Federal, nos artigos 205, 206 e