Del I: Generell bakgrunnsteori
3 Individuelle og institusjonelle aktører
3.2 Individuelt helsepersonell og deres medhjelpere
1.3.1. A opção pela metodologia qualitativa
Tendo em conta o objeto de estudo e os objetivos da investigação, estes exigem um contacto claramente identificado com diferentes informantes, que através da sua experiência no terreno, nos conseguem providenciar uma compreensão mais aprofundada acerca da realidade que pretendemos estudar. Ao pretendermos dar enfoque a estes aspetos, remetemos particularmente para dois dos objetivos da investigação social24 referidos por
Charles Ragin & Lisa Amoroso (2011, p. 35), nomeadamente o de dar voz e o de avançar teoria.
Os autores, quando salientam o primeiro objetivo, referem-se a dar voz a indivíduos que estão particularmente vulneráveis a perder a voz ou que não a possuem, podendo não conseguir exercer a sua participação ativa nas mais diversas dimensões: económicas, políticas, culturais e/ou sociais. Isto leva o investigador social a dar voz a grupos excluídos pela sociedade, de forma a, por um lado, conhecer melhor um determinado grupo e compreender o que significa para eles experienciar uma dada realidade. Por outro, que ao terem a possibilidade de expressar as suas opiniões, opções e problemas, possam ser atenuados alguns preconceitos existentes relativamente a estes grupos. No entanto, no caso da presente investigação, este dar voz que é mencionado pelos autores não se enquadra totalmente. Isto deve-se ao facto de não pretendermos captar a subjetividade de grupos excluídos pela sociedade, nem do ponto de vista de idosos com doença de Alzheimer, ou dos seus cuidadores formais ou informais, mas sim as perceções de informantes que representam as respostas existentes, no concelho da Covilhã, que providenciam cuidados/apoios a idosos com doença de Alzheimer. É a partir disto, que se torna passível obtermos, tal como já foi referido, uma compreensão mais detalhada acerca do fenómeno que pretendemos estudar. Assim sendo e reforçando novamente a ideia de que o dar voz a estes informantes, embora não remeta diretamente para a primeira definição apresentada, é uma forma de dar voz às necessidades e às limitações que podem existir relativamente à qualidade de vida tanto de idosos com doença de Alzheimer, como dos seus cuidadores. Os autores salientam que “todas as investigações dão voz de uma forma ou de outra a algum aspeto da sociedade” (Ragin & Amoroso, 2011, p. 56).
Relativamente ao objetivo de avançar teoria, a presente investigação remete para uma área relativamente recente, em que atualmente existe uma crescente consciencialização acerca da doença de Alzheimer, assim como do número de pessoas com esta doença, que também está a aumentar. É de facto necessário, não só identificar e analisar as respostas e os
24 “Identificar padrões gerais e relações (…) entre variáveis; testar e refinar teorias; fazer previsões;
interpretar fenómenos culturais ou historicamente significativos; explorar a diversidade; dar voz e avançar novas teorias” (Ragin & Amoroso, 2011, pp. 35-54).
cuidados/apoios que estão a ser providenciados a idosos com doença de Alzheimer, mas também as próprias desigualdades que podem ou não existir no acesso a estes, por parte destes idosos em determinadas zonas geográficas, neste caso, no concelho da Covilhã. Assim, é fundamental avançar na reflexão e na teorização sobre este fenómeno, a fim de alertarmos para as necessidades particulares de determinadas zonas geográficas e de determinados grupos populacionais (Ragin & Amoroso, 2011).
Tendo em consideração estes dois objetivos, os mesmos autores mencionam que estes estão inseridos num objetivo mais amplo. Neste caso, o objetivo que se destaca é o de “conceber conhecimento com o intuito de transformar a sociedade”. Pretendemos a partir deste objetivo mais amplo, que a presente investigação alerte para as questões já salientadas acerca do contexto em estudo, cujo intuito é o de intervir e transformar a realidade social, sendo este o papel das ciências sociais. Esta postura difere dos investigadores das ciências duras ou ditas exatas, pois referem que apenas estudam a realidade e que não interferem na mesma (Ragin & Amoroso, 2011, p. 34).
É perante o conteúdo supracitado, que podemos afirmar que a metodologia qualitativa é a mais adequada, pois ao dar particular enfoque às informações provenientes do campo, privilegiando por isso uma abordagem mais indutiva25, permite-nos aprofundar o
conhecimento acerca do fenómeno em estudo (Isabel Guerra, 2000; Flick, 2009; Ragin & Amoroso, 2011). Para além disto, valoriza uma análise intensiva, sendo apropriada para objetivos que dão enfoque a “casos específicos”, o que contrasta com a metodologia quantitativa. Esta última dá particular enfoque não só à teoria, privilegiando assim uma abordagem mais dedutiva26, como também à extensividade, ou seja, ao “conhecimento de
padrões gerais de muitos casos”, o que não permite atingir os objetivos delineados (Ragin & Amoroso, 2011, p. 54). Isto vai de encontro ao facto de a presente investigação se inserir no âmbito da sociologia compreensiva/interpretativa, da tradição weberiana, pois é a partir da análise e da compreensão das próprias perceções que os informantes possuem, decorrentes da sua interação social, que se torna possível identificar e compreender o modo como as respostas existentes, no concelho da Covilhã, providenciam cuidados/apoios a idosos com doença de Alzheimer (Max Weber, 1978). Recorrendo a Herbert Blumer (1969), este autor dá igualmente destaque ao facto de as perceções, neste caso dos informantes, ao resultarem da interação social que estabelecem no seu dia-a-dia, possibilita a compreensão e a interpretação do fenómeno em questão. Esta posição teórica diz respeito ao “interacionismo simbólico” (Blumer, 1969, p. 2).
25 Envolve um nível de análise que parte mais do particular para o geral (Flick, 2009; Ragin & Amoroso,
2011).
26 Envolve um nível de análise que parte mais do geral para o particular (Flick, 2009; Ragin & Amoroso,
É com base nos propósitos, mas também na metodologia adotada, que se torna passível esclarecer o modo como os dados serão recolhidos, a partir das técnicas de recolha de informação mais adequadas para o efeito (Luc Albarello et al., 1997; Flick, 2009; David Gray, 2009; Judith Bell, 2010; Ranjit Kumar, 2014).
1.3.2. As técnicas de recolha de informação adotadas
Uma das técnicas de recolha de informação que mais se destaca, para concretizar os propósitos já mencionados, é a entrevista. A entrevista pode ser entendida, na perspetiva de Gray (2009, p. 369) como uma “interação (…) entre entrevistador e entrevistado”, onde Kumar (2014, p. 176) acrescenta que esta possui “um objetivo específico em mente”. Decorrente desta ideia, este objetivo está relacionado com o facto de a partir desta técnica, conseguirmos obter um nível de profundidade e de compreensão acerca do fenómeno em questão, através das perceções de um “pequeno número” de informantes das respostas já referidas. Estes aspetos constituem-se como algumas das características, assim como uma das vantagens da entrevista (Albarello et al., 1997; Bill Gillham, 2000, p. 62; Carol Warren, 2002; Gray, 2009; Kumar, 2014).
Embora a entrevista apenas nos possibilite aceder ao discurso e não às práticas, esta possui a particularidade de nos permitir, ao longo da interação com o entrevistado, captar determinados aspetos a partir por exemplo, da “linguagem corporal” do mesmo (Gray, 2009, p. 370). Isto traduz a importância de nesta técnica devermos ter o cuidado não só de captar o que o entrevistado profere e o modo como é proferido, mas também de considerar um outro sentido que se assume fundamental, nomeadamente observar (Rodolphe Ghiglione & Benjamin Matalon, 1992; Albarello et al., 1997; Gray, 2009; Bell, 2010; Kumar, 2014). Inserem-se aqui, por exemplo, “o tom de voz, a expressão facial, a hesitação” (Bell, 2010, p. 137), “os silêncios” e “as declarações incompletas” (Gray, 2009, p. 383). Os aspetos anteriormente mencionados, não devem ser ignorados pelo entrevistador, pelo que se torna relevante, no final de cada entrevista, fazer anotações sobre os aspetos que se manifestaram ao longo da mesma, no “diário de investigação”, e não ao fim de várias, pois poderemos não ter em conta algumas informações relevantes. Podemos também incluir neste diário, outros pormenores acerca do trabalho de campo, que é desenvolvido pelo investigador. Assim, este diário permite-nos reunir diversas informações que, numa fase final da investigação, são importantes para a interpretação do fenómeno em questão (John Johnson, 2002; John Lofland, David Snow, Leon Anderson & Lyn Lofland, 2006; Flick, 2009, p. 297; Bell, 2010). Porém, nenhuma técnica de recolha de informação é isenta de aspetos negativos, pelo que a entrevista, enquanto técnica mais adequada para responder aos objetivos delineados, não é exceção (Albarello et al., 1997). Como desvantagens, destaca-se que esta requer,
geralmente, uma dedicação temporal significativa desde o seu planeamento até à análise e interpretação dos dados obtidos, podendo ainda incluir uma quantidade considerável em termos monetários (Hilary Arksey & Peter Knight, 1999; Gillham, 2000; Bruce Berg, 2004; Bell, 2010; Kumar, 2014). No caso da investigação em questão, evidenciam-se sobretudo os custos de deslocação às instituições.
Tendo sido sustentada a opção pela entrevista, é fundamental clarificar mais detalhadamente o modo como se processa a “interação (…) entre entrevistador e entrevistado” (Gray, 2009, p. 369), mediante o “grau de liberdade” que o entrevistador confere ao entrevistado, para responder às questões solicitadas (Ghiglione & Matalon, 1992, p. 85). Deste modo, a literatura distingue geralmente três tipos de entrevista, destacando-se a entrevista estruturada, semiestruturada e não-estruturada. Seguidamente apresentamos as razões pelas quais a entrevista semiestruturada é o tipo de entrevista mais adequado a esta investigação (Ghiglione & Matalon, 1992, p. 83; Arksey & Knight, 1999, p. 8; Gillham, 2000, p. 60; Berg, 2004, p. 79).
No que respeita à entrevista estruturada, as questões encontram-se à partida elaboradas e fixas. Recusa por isso, a integração de “questões adicionais” e consequentemente o contemplar de novos contributos por parte dos entrevistados (Ghiglione & Matalon, 1992; Berg, 2004, p. 79; Kumar, 2014). O facto de este tipo de entrevista, privilegiar “respostas curtas”, direciona essas mesmas respostas aos interesses do entrevistador e limita igualmente, não só a interação entre ambos, mas também o conhecimento de pormenores acerca da realidade em estudo (Ghiglione & Matalon, 1992; Albarello et al., 1997, p. 88; Gray, 2009; Bell, 2010). Estes são alguns dos aspetos que levam a que este tipo de entrevista se assemelhe ao questionário, apresentando desta forma limitações face à investigação social em questão (Ghiglione & Matalon, 1992; Albarello et al., 1997; Berg, 2004; Gray, 2009; Bell, 2010).
Relativamente à entrevista semiestruturada, uma das suas características passa pelo “grau de liberdade” que o entrevistador confere ao entrevistado ser maior do que aquele que é conferido na entrevista estruturada. Apesar de o guião da entrevista semiestruturada possuir um conjunto de questões, a “ordem pela qual os temas podem ser abordados é livre” (Ghiglione & Matalon, 1992, pp. 84-85). Existe inclusive a possibilidade de o entrevistador, no decorrer da entrevista, redirecionar o pensamento do entrevistado e “fazer questões adicionais” (Gray, 2009, p. 373). Este redirecionar advém do facto de o entrevistado poder enveredar por reflexões que não estão relacionadas com os objetivos da investigação, ao passo que a segunda situação, ocorre mediante o facto de o entrevistado salientar algum aspeto relevante para a investigação e que não tinha sido contemplado. Então, podemos considerar que este tipo de entrevista, ao permitir obter informações adicionais ao longo da interação com o entrevistado, contribui para um nível de compreensão e de interpretação mais aprofundado acerca do fenómeno em estudo, ao invés da entrevista estruturada, onde
poderíamos não considerar estas mesmas informações (Ghiglione & Matalon, 1992; Albarello et al., 1997; Berg, 2004; Gray, 2009). Estes aspetos demonstram que a entrevista semiestruturada, é o tipo de entrevista mais adequado para responder aos propósitos da presente investigação.
Por último, no que concerne à entrevista não-estruturada, o “grau de liberdade”, que o entrevistador confere ao entrevistado, é o mais acentuado dos três tipos de entrevista (Ghiglione & Matalon, 1992, p. 85). Neste sentido e contrastando com o que ocorre nos dois tipos de entrevista anteriores, o guião pode ser entendido “apenas como um auxiliar de memória” (Gray, 2009, p. 369), de forma a potenciar esse mesmo “grau de liberdade” (Ghiglione & Matalon, 1992, p. 85) que é privilegiado na entrevista não-estruturada (Albarello et al., 1997; Berg, 2004; Bell, 2010; Kumar, 2014). O entrevistador, apenas interfere ao longo da entrevista, se o entrevistado enveredar por reflexões que não estão relacionadas com o objeto da investigação, sendo igualmente importante reencaminhá-lo para o mesmo (Ghiglione & Matalon, 1992; Gray, 2009). Decorrente destas características, podemos afirmar por um lado, que este tipo de entrevista e a entrevista semiestruturada, “baseiam-se mais no princípio da indução do que no da dedução” (Albarello et al., 1997, p. 243). Por outro, que a entrevista não-estruturada é mais adequada, quando pretendemos explorar uma determinada realidade que se encontra muito pouco conhecida. No caso específico desta investigação, a teoria possibilita-nos ir para o terreno com alguns conceitos, mais concretamente “conceitos sensibilizadores”, sendo fundamental orientar as entrevistas de um modo flexível, para que possamos dar enfoque a esses mesmos conceitos e a outros que poderão surgir, ao longo da entrevista (Ghiglione & Matalon, 1992; Bell, 2010; Ragin & Amoroso, 2011, p. 116). Isto vem reforçar novamente a opção pela entrevista semiestruturada.
Com a finalidade de aprimorar a análise e a interpretação do fenómeno em questão, também recorremos à análise documental. Esta técnica permite-nos analisar e interpretar documentos resultantes de diversas fontes, nomeadamente documentos oficiais e dados estatísticos, incluindo-se aqui aqueles que provêm das respostas, existentes no concelho da Covilhã, que providenciam cuidados/apoios a idosos com doença de Alzheimer. Assim sendo, esta técnica tem um carácter complementar à própria entrevista semiestruturada (Albarello et al., 1997; Flick, 2009; Brendan Duffy, 2010).
É de salientar ainda que antes de termos procedido à realização das entrevistas semiestruturadas, procedemos à realização de uma entrevista exploratória. Esta, à semelhança do tipo de entrevista anterior, foi direcionada a um informante privilegiado, neste caso com uma vasta experiência na área em que incide a presente investigação. O intuito foi o de obtermos outras informações que podiam não ter sido consideradas no enquadramento teórico e que são úteis para o desenho do guião da entrevista semiestruturada. De forma a irmos ao encontro destas informações, privilegiámos no guião da entrevista exploratória, a elaboração de questões abertas, tendo sido também contempladas
no mesmo questões adicionais, cujo intuito esteve relacionado com a possibilidade de o(a) entrevistado(a) discursar pouco acerca dos tópicos apresentados (Quivy & Van Campenhoudt, 2008; Bell, 2010).