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5. DISCUSSION

5.3 Individual change capacity

Princípios Dominação Competitividade Cooperação

Estrutura Hierarquia embotada (Christaller) Especialização Redes de cidades

Setores Agricultura, administração pública, atividades terciárias tradicionais e economia de escala Indústria, distritos industriais em rede e especialização Atividades terciárias avançadas

Eficácia Economia de escala Integração

vertical/horizontal Externalidades da rede

Estratégias de

intervenção pública Nenhuma: tamanho determina afunção Tradicional/nenhuma:base de exportação determina o crescimento. Hoje, reforço da vantagem competitiva em cada centro Cooperação interurbana, construção das redes de infraestrutura

Objetivos de cooperação interurbana

Nenhuma (exceção dos objetivos

militares ou diplomáticos) Divisão interurbana dotrabalho Colaboração econômicadas redes de infra- estrutura

Rede de cidades Rede hierárquica vertical Rede de

complementaridade Rede de sinergia einovação

CIDADE

Natureza Cidade tradicional Rede fordista Cidade informatizada

Forma Homogeneidade interna relativa Zoneamento

monofuncional Zoneamento multifuncional

Objetivos de política

urbana Poder e imagem Eficácia interna Eficácia exterior eatratividade

Símbolos Palácio, catedrais, mercado Chaminés, arranha-céus Aeroporto, feira

Nestes desdobramentos, a geografia econômica incorporou, portanto, em suas reflexões e formulações, aspectos relacionados à localização, distribuição e organização espacial das atividades econômicas na Terra, tendo como

comerciais no atacado e varejo; as rotas comerciais e de transporte; e as mudanças de valor do mercado imobiliário. Outros aspectos puderam também ser incorporados e relacionados a estes objetos de estudos, como por exemplo: transportes, agricultura, comércio internacional, e as atividades de negócios.

A distância entre as cidades (que são tomadas como mercados com demandas para diversos produtos) passam a ter significativo papel nas decisões econômicas das empresas, enquanto outros fatores como acesso ao mar e outros meios de transporte, ou a presença de matéria-prima afetam as condições econômicas dos países. Mais além, a localização, a distribuição e a característica das atividades econômicas são muito influenciadas pela globalização. Os Estados e suas fronteiras também são muito relevantes nestes debates, mas os integram em menor proporção em relação aos aspectos relacionados com a economia e logística do processo. Não possuem papéis menos significativos que a economia e a logística, mas muitos países mais envolvidos economicamente de forma dominante no processo, justamente por conta destes fatores, procuram eliminar os efeitos das divisões territoriais e estreitar acordos de cooperação mutua com outros países em regiões adjacentes, de acordo com interesses das partes e não o das nações, especificamente, englobadas no processo.

Abordando limites, fronteiras, divisões territoriais e seu espelho no que se refere aos indivíduos, Tendler (2007) destaca em seu vídeo especialmente a relação dos que desejam e/ou necessitam sair de suas realidades para outras que permitam sua sobrevivência ou sua expressão. Após fazer breve resgate

sobre situações passadas que levaram à construção de barreiras – muros e muralhas – sintetiza a situação nestes tempos da globalização da economia, bastante visível nos dias atuais:

“Os muros da Internacional Capitalista são sólidos e bem delineados. Enquanto permitem a circulação livre das mercadorias, dinheiro e serviços proíbem o livre tráfego dos indivíduos. A Europa levanta barreira contra forasteiros indesejados em seu território. Refugiados normalmente ficam no meio do caminho, sucumbindo de sede no deserto, afogados no Mediterrâneo, enquanto seus barcos precários naufragam. São ainda explorados pela máfia dos que os transportam clandestina e perigosamente. Os clandestinos são presos e recambiados para os seus países. Os descendentes dos povos escravizados pelo colonialismo são excluídos do banquete da globalização.”

Isto não significa que as pessoas não têm se deslocado entre os lugares do mundo. Pelo contrário. Ao passo que as tecnologias aumentam as possibilidades de comunicações entre pessoas e seus interesses, também propiciaram o aumento de fluxo destas pessoas. O avanço dos transportes tem sido pressionado tanto para aumentar a velocidade dos deslocamentos quanto para suportar um número cada vez maior de passageiros. O aumento dos fluxos de comunicações, mercadorias e capital aumentam o fluxo de pessoas, porém, não para que se fixem em outros territórios para atividades de trabalho, como destaca o argumento transcrito. De acordo com este, apesar de haver uma nova divisão internacional do trabalho, os deslocamentos de

cidadãos trabalhadores entre países não são livres como os fluxos financeiros e de mercadorias.

Na atualidade do pensamento geográfico, vinculando aspectos econômicos contemporâneos, os pesquisadores da geografia econômica focam seus estudos em aspectos espaciais das atividades econômicas em várias escalas. A economia de uma área geográfica pode também ser influenciada pelo clima, pela geologia, e pelos fatores político-sociais, envolvidos no processo. A Geologia pode afetar a disponibilidade de recursos, o custo de transporte e as decisões sobre o uso da terra e o clima pode influenciar a disponibilidade de recursos naturais (particularmente os produtos agrícolas e florestais), além das condições de trabalho e de produtividade. As instituições político-sociais que são únicas para uma região têm, também, impacto nas decisões econômicas. A expressão nova geografia econômica se refere a uma mudança qualitativa do estudo teórico da geografia econômica que enfatiza aspectos da atualidade, tidos como “novos”. O início da nova geografia econômica é marcado pelas idéias do economista Paul Krugman52, publicadas em Geography and Trade53, em 1991. A nova geografia econômica passa a receber esta denominação a

partir de 1990, no meio neokeynesiano54da economia norte-americana.

Para Paul Krugman (2008), ela consiste em um novo "tipo"

de pesquisa científica, sendo uma vertente que se diferencia da geografia econômica principalmente no que se refere à adoção de uma estratégia de criar modelos que exploram as mesmas formulações técnicas que tiveram papel importante no new trade55e nas ‘new growth’ theories’56.

A nova geografia econômica difere da geografia econômica anterior porque, na compreensão de suas teorias, esta última introduz novos "instrumentos" para analisar e explicar a localização das atividades econômicas no espaço57. Apesar de apresentar estas "novidades teóricas", não foram abandonadas as teorias de Adam Smith - particularmente as idéias sobre a expansão de mercados e da divisão do trabalho para promover o crescimento – e de Alfred Marshall – que retoma o conceito de economias externas. Assim, destacam-se entre as novas variáveis as localidades e as localizações, entre as quais estão:

• as distâncias;

• os custos de transportes;

• a dimensão espacial de qualquer atividade econômica (localizações, entorno e logística, por exemplo);

• a necessidade de obtenção de retornos crescentes para justificar a desigual distribuição, nacional e global da atividade econômica.

• a incorporação das externalidades espaciais e das economias de

aglomeração, para explicar os processos de acumulação de riqueza nos lugares inicialmente favorecidos pela localização de um conjunto de atividades econômicas (importantes para as multinacionais).

Assim, enquanto estas “novas” estratégias excluem as expectativas de abordar generalidades, permitem a construção de modelos que – diferentemente da maioria da análise espacial tradicional – procuram corresponder a um equilíbrio geral e fazendo com que destes modelos derivem uma situação de “comportamento agregado" a partir da maximização dos aspectos individuais.

Para Krugman, estas novas formulações são sugestivas particularmente no que se refere a indicar como situações históricas podem influenciar, reconfigurar ou determinar a geografia econômica e também como as mudanças graduais de parâmetros de base podem produzir mudanças descontínuas na estrutura espacial. De acordo com sua compreensão, também servem para reestabelecer a análise geográfica diante do

mainstream58econômico.

Brandão (2007) argumenta que várias vertentes teóricas assumem, na atualidade, defesa irrestrita da escala local, de forma declarada ou subjacente, em variados aspectos e dimensões. Entre estas se encontra a idéia de Krugman (1991), para a qual “a geografia conta e, dependendo do balanço entre as forças centrífugas e centrípetas, estruturar-se-ão arranjos espaciais mais aglomerativos ou não”, conforme já apresentado anteriormente nesta pesquisa e transcrito no Quadro 2.

Observando o desdobramento prático destas teorias, Brandão (2009) alerta para “o necessário diálogo entre a economia política do desenvolvimento e a geografia econômica crítica, em momento de crise estrutural do capitalismo”, para que os desdobramentos da crise apontada possam ser vislumbrados e aprofundados adequadamente. Argumenta que é necessário e desejável o estabelecimento de um debate profícuo entre a geografia econômica e a economia política a fim de, neste momento – que ele acredita ser promissor – possam ser reafirmadas nas agendas de pesquisa a natureza das hierarquias, das hegemonias, das tensões e dos conflitos, que são reforçadas em todas as escalas espaciais. A crítica central feita por Brandão focaliza as abordagens

contemporâneas sobre estes temas e é expressa, em sua síntese, pela afirmação de que

“A visualização do novo parecia querer negar as recorrências, não levando na devida conta as lógicas e os processos constitutivos e renitentes. Parecia apenas ter maior estatuto teórico a investigação científica que apontava os aspectos de novidade, do que as que chamam a atenção para a necessidade de realizar o devido balanço entre rupturas e persistências. Ocorreu demasiada adjetivação no debate, enquanto o substantivo, que é avançar no entendimento do funcionamento do sistema capitalista, suas manifestações espaciais e concretas, suas alternativas, ficava em segundo plano. Muitos rótulos novos foram criados, alguns com tal força que se tornaram logo como que um clichê ou lugar-comum, uma chave linguística dotada de grande poder discursivo, interditando o diálogo crítico e dificultando o dissenso, que agora pode ser reposto.” (Brandão, 2009: 2)

Brandão (2007: 36) inicia este debate procurando resgatar algumas questões do debate estrutural e das determinações do processo de desenvolvimento, apontando alguns elementos para uma interpretação alternativa para países como o Brasil. Destaca, em suas análises e proposições a importância da adequada abordagem da temática territorial, uma vez que o forte retorno à ela – através de seus princípios teóricos e ideológicos – passaram a informar práticas e intervenções discursivas e de ação pública.

Sobre a retomada dos debates sobre o território, argumenta ainda que,

reduzidas. O território passa a ser como que o grande regulador de relações, dotado de propriedade de sintetizar e encarnar projetos sociais e políticos. Ou seja, personifica-se, fetichiza-se e reifica-se o território. À ação pública caberia apenas animá-lo e sensibilizá-lo, construindo ou fortalecendo confiança e consenso duradouros.”

Defende ainda que, para se discutir estratégias territorializadas de desenvolvimento para o Brasil, é preciso encontrar a escala adequada para a definição de determinado campo em que os problemas são melhor visualizados. Assim, as decisões sobre como enfrentá-los e em que escala, nível de governo e instância de poder – e quais instrumentos, medidas e ações públicas devem ser acionados – devem partir daquele prisma particular de observação. Neste sentido, propõe que sejam construídas estratégias multiescalares, que considerem a ação de sujeitos concretos.

Seus argumentos indicam que é preciso validar os limites e possibilidades da esfera local, não negligenciando a real existência de hierarquias, poderes, macroeconomia, macroprocessos e decisões estratégicas que se encontram,

muitas vezes, em outras escalas. Discute, assim, a natureza, as

possibilidades, os instrumentos e as prioridades da efetiva ação com orientação pública observando as diversas escalas espaciais – abordadas como construções históricas e políticas – reafirmando não só a existência, mas a importância das escalas intermediárias. No sentido desta afirmação está orientada esta pesquisa. A fim de que se pudesse estruturar a análise e a elaboração de prospectivas a que se propõe, um debate mais detalhado sobre território e escalas está colocado nesta sequência, incluindo, entre outros argumentos, a pesquisa e o posicionamento de Carlos Brandão.

Concluindo esta breve passagem por estas vertentes de pensamento, em síntese, pode-se dizer que a Geografia estuda o espaço e as relações que nele ocorrem. Hoje, constitui ainda um canal de reflexão voltado para estimular a existência de uma ação transformadora, de construção da cidadania.

Os objetos de estudo da Geografia, ao longo do tempo, foram se transformando de acordo com o conhecimento, as técnicas e as idéias de cada época. Hoje, no centro do debate estão as relações escalares, as abordagens de território e a interdisciplinaridade. Certamente o avanço tecnológico levou as sociedades a outros patamares: ora muito melhores e superiores ao que já foram, ora mantendo ou piorando situações já bastante graves para a vida humana no planeta.

Neste sentido é que Milton Santos afirma, como destacado no início deste capítulo, que nunca na história houve tanta possibilidade de se fazer um futuro diferente. As alternativas e possibilidades disponíveis são muito grandes. A Geografia permite que, através do estudo, não só se perceba estas relações, mas também, aprofundando-se, que de sua adequada compreensão sejam propostas outras alternativas para os conflitos e as problemáticas identificadas. Milton Santos acredita que atualmente o Mundo e, com ele, a Geografia, passam por um processo de renovação. Acredita ainda que as mudanças do futuro serão fruto de interações sociais, e que podem se apropriar (ou não, em curto prazo) dos novos recursos tecnológicos. Alerta, com isto, que as mudanças estão a caminho, embora pareça que o caminho seja único e que não existam alternativas. Acredita nas relações sociais de solidariedade que,

Ele propõe, assim, que haja discussão do espaço social, que é histórico, dinâmico e fruto do trabalho e da produção da humanidade. Propõe a inter- relação entre os elementos socioculturais da paisagem e os elementos físicos e biológicos presentes nela, entendendo a construção do espaço nas diferentes sociedades e as relações entre elas. As relações sociais são o produto histórico que envolve a sociedade, a cultura, a política e a economia.

Assim, apresenta-se a seguir um panorama sintético das argumentações e idéias fundamentais norteadoras de estudos e ações ao longo do tempo. Compreender o encadeamento das idéias e sua periodização é fundamental para esta tese, uma vez que ela se apoia na necessidade de aprofundamento da compreensão das idéias e de seus contextos no que se refere à formulação de teorias e metodologias. Espera-se que, diante desta breve compreensão, seja possível dar um passo que permita não somente visualizar, analisar e interpretar, mas também compor, junto com outras proposições, caminhos (complementares ou dissonantes) para as relações entre as cidades e as regiões no que se refere ao planejamento territorial das escalas subnacionais. O Quadro 4 apresenta a síntese dos principais elementos do pensamento geográfico, apresentado pelos autores que ora elaboraram reflexões sobre o tema estudado. É importante neste momento que se conheça esta síntese para que se compreenda em que medida está inserida a compreensão das dimensões espaciais das cidades e das regiões, assim como suas relações e seus contextos em seus momentos históricos. Entende-se que em cada linha de pensamento geográfico estão compreendidas as reflexões pertinentes ao momento histórico e aos elementos que despontavam diante dos problemas sociais, ambientais e culturais, entre outros, dos lugares e de suas relações.

Quadro 4 – Síntese dos principais elementos do pensamento geográfico, apresentados por autores selecionados que elaboraram reflexões sobre o tema estudado.