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2. Theoretical background

2.3 Decision Context: Choice architecture

2.3.2 Indirect message

TEMA 1 – A INSERÇÃO NO CAMPO DA SAÚDE COLETIVA DIMENSÕES

1.A CHEGADA 1.B DIFICULDADES E DESAFIOS 1.C CONDIÇÕES DE TRABALHO FIGURA 2 – Tema 1 da Rede Interpretativa

O primeiro tema do modelo interpretativo (Fig. 2) é desvelador de algumas peculiaridades nos relatos das informantes, por possibilitar compreender o contexto de suas inserções de uma nova maneira. Quanto à dimensão Chegada, com exceção de uma psicóloga – efetivada por meio de concurso público –, todas as demais entrevistadas entraram na instituição de saúde através de contratos com o Estado, mais especificamente, e em sua maioria, através de transferências de outras áreas da rede estadual, como a Educação e a Segurança Pública.

Observei nas falas das profissionais provenientes da educação especial o papel regulador do Estado no grau de organização, autonomia e profissionalização da psicologia no Ceará, como entende a Sociologia das Profissões. Determinante da inserção do psicólogo na rede estadual de saúde, esse papel foi evidenciado principalmente em dois momentos: primeiro, quando através de um decreto governamental a categoria teve sua expansão comprometida, dada a impossibilidade de contratação de novos psicólogos para a rede estadual; segundo, no governo Ciro Gomes, houve o reconhecimento oficial da psicologia como uma profissão de saúde e a transferência obrigatória de todos os psicólogos lotados na Educação para a área da Saúde. Dessa forma, esses profissionais têm seu status e sua reserva de mercado de trabalho administrada pelo poder estatal, conforme afirma Freidson (1996), um dos importantes autores nesse referencial sociológico sobre as profissões. Nos depoimentos abaixo – devo logo ressaltar que os trechos indicados em negrito nas falas serão referentes sempre a destaques meus – a questão do poder do Estado é vivenciada pelas informantes:

nesse reconhecimento, entramos todos nós psicólogos, fisioterapeutas, fono, TO. E então a gente teve que ser transferido da Educação porque todos os nossos cargos era área de saúde – agora a gente estava reconhecidamente profissionais de saúde – e fomos para a Secretaria de Saúde. Saímos da Educação e fomos para a Saúde [...] a prioridade era lotar os profissionais nos hospitais de referência do Estado, que não existia, assim, quase nenhum tinha psicólogo no Estado [...] A gente não podia ficar nas escolas, porque só ficaria na escola o pessoal da educação. A gente teve realmente que ser lotada...(Informante 4)

[E como você veio parar aqui, no hospital?] Ciro Gomes. Tudo política. [Você se transferiu para cá?] Não. Éramos todos da Secretaria de Educação; éramos 20 psicólogos, me parece, ou era 21, no Estado. Então Totó [apelido do então governador do Estado citado a seguir] entrou, que era a época do governo Gonzaga Mota, simplesmente fez uma lei dizendo que não entraria nenhum psicólogo, mas

também não sairia – se saísse perderia a vaga. Quer dizer, vetou a possibilidade do psicólogo se expandir na profissão. É absurdo, mas tudo bem. Nós só éramos em

21. Quando o Ciro assumiu ele achou por bem botar todos os psicólogos na área de saúde... (Informante 6)

Como já expus no terceiro capítulo, a entrada dos psicólogos no campo da saúde coletiva não se deve ao acaso, nem pode ser vista como mérito ou boa vontade de um governante. Pensar desse modo só revela o tímido posicionamento crítico do profissional da psicologia frente ao contexto de reformulação do entendimento acerca das questões de saúde, das resoluções e regulamentações, das mudanças políticas e de reorganização dos sistemas e serviços da área em que foi inserido.

Reconhecidos oficialmente no Ceará e regulamentados a nível nacional como profissionais de saúde, os psicólogos têm agora a demarcação “em termos legais, da ‘utilidade’ de uma determinada prática profissional para a sociedade” (SPINK, 2003, p. 94). Porém, frágeis enquanto grupo organizado capaz de desenvolver estratégias de barganha e de pressão política junto ao Estado, os psicólogos deste estudo distanciam-se, nesse momento, da necessária conquista da autonomia técnica de suas atuações e comprometem o processo de profissionalização da categoria, uma vez que a autonomia caracteriza a essência do profissionalismo:

O conceito de autonomia em Freidson liga-se intrinsecamente à dimensão do conhecimento, ao saber, já que expressa uma competência técnica legitimada. Uma profissão seria, portanto, qualificada pelo controle sobre a essência do seu próprio trabalho, pela autonomia e independência no desenvolvimento da sua prática (BOSI, 1996, p. 51).

Já mais recentemente, no ano 2000, outra intervenção governamental teve ressonância direta nessa inserção na área da saúde, quando houve a reestruturação do Instituto de Previdência do Ceará (IPEC) e mais psicólogas que atuavam junto a portadores de necessidades especiais foram transferidas para hospitais. Uma das informantes vivenciou esse momento como uma legítima imposição:

O IPEC fechou. Fechou as clínicas que tinha: a fisioterapia, o atendimento ao excepcional, a odontologia. Fechou tudo e transferiu o pessoal para outras unidades do Estado. Até então, nós não éramos da Secretaria de Saúde e sim da Previdência. Passamos para a Saúde e ela nos redistribuiu. E vim parar aqui! [...] não pretendia vir para cá. Pretendia ir para o Instituto de Diabetes, onde trabalharia com crianças também. Mas então vieram falar que aqui haveria a necessidade, porque iria abrir uma unidade nova de desintoxicação de dependentes químicos e que estavam precisando de pessoal. Se a gente não queria experimentar. Se a gente não gostasse, podia pedir para sair [...] Alguns meses depois, vi que não queria aquilo, que queria mesmo era continuar trabalhando com crianças. Pedi minha transferência, não deram. Negaram. Apesar de ter garantido que a gente poderia pedir, mas negaram [...] não gostei do trabalho, achei que não era o que queria, não gostei de jeito nenhum e queria sair. E fui forçada a ficar. (Informante 7)

Não importou se a chegada na instituição de saúde foi por meio de concurso público ou de remoções – fossem elas obrigatórias ou motivadas por interesse pessoal –, em todas as inserções já pode ser notado um grau de dificuldade, conforme os trechos citados, relacionado a uma questão recorrente nos relatos de todas as psicólogas: a falta de experiência e de formação. Desafiadas a atuar no campo da saúde coletiva, elas revelaram em seus depoimentos o início difícil no novo espaço e, sem perceberem, me intimaram a construir a dimensão Dificuldades e Desafios.

É consenso na literatura a falha nos modelos curriculares dos cursos de graduação em psicologia quanto ao diálogo com a saúde como uma dimensão coletiva, com as políticas públicas, com o Sistema Único de Saúde, com a epidemiologia e, conseqüentemente, com a busca de construção de outros modelos de atuação. Compartilho, então, com Spink (2003, p. 139) para quem é importante ao psicólogo

se afastar da situação paradigmática delineada nos nossos cursos de graduação, de prática psicológica como profissional liberal centrada em consultório e privilegiando a esfera individual, [para tanto] se faz necessário expandir o referencial teórico da graduação de forma a compreender tanto o contexto – seja este a realidade social mais ampla, ou a realidade institucional – quanto a polimorfia das representações constituídas na e constituintes dessa realidade institucional.

A prática nas instituições públicas de saúde demanda, de fato, não se restringir à ênfase individualista das teorias psicológicas clássicas e ir além, para tentar dar conta da trama social implicada nas ações e serviços que envolvem tanto o usuário, como a família e o profissional da área da saúde. O psicólogo precisa reconhecer a diferença inerente ao contexto público de saúde e buscar posicionar-se de uma outra forma, não limitada ao modelo clínico tradicional – levinasianamente falando, não há como o psicólogo deixar de reconhecer a diferença; não há escolhas, o que há é uma obrigação de abertura ao novo – que lhe permita, no encontro com a alteridade, desenvolver uma atitude mais comprometida com a exigência ética de cuidado frente ao outro que busca o serviço de saúde.

Há ainda a exigência de revisão dos cursos de graduação, estruturados em grades curriculares privilegiadoras tanto do modelo tradicional, quanto da concepção tecnicista e fragmentada de homem, e que disponibilizam poucos espaços para reflexões acerca dos compromissos da atuação do futuro profissional. Além disso, Chiattone (2002) aponta a retroalimentação entre as instituições formadoras e a demanda social do psicólogo como profissional autônomo:

O aluno já procura a graduação em psicologia com uma imagem social do psicólogo como clínico especializado e a faculdade incrementa esses anseios, reforçando essa imagem. [...] Todavia, ao transpor esse modelo para as instituições de saúde, o psicólogo defronta-se com dificuldades inerentes à própria demanda institucional e à própria limitação de sua formação; mas, mesmo assim, nem sempre busca ampliar sua tarefa, mantendo a tendência de atividades individuais de consultas em consultórios, desprezando a participação em ações integradas às equipes (CHIATTONE, 2002, p. 93-94).

A dificuldade de inserção do psicólogo, treinado no meio acadêmico essencialmente para a prática clínica, fica evidente no depoimento da profissional que sentiu a necessidade de desconstrução do embasamento teórico para literalmente, e segundo suas próprias palavras, “começar do zero”:

a gente vem com uma visão de clínica e quando você chega na instituição

hospitalar, você toma um choque. [...] Porque a visão de clínica que a gente vê na

Universidade, pelo menos a que vi na minha época, é aquela visão da terapia que você está aqui, que tem o tempo para a pessoa chegar e tudo, e que você tem que ter um certo distanciamento. E quando você chega na instituição hospitalar lhe botam

de cabeça para baixo: não é nada disso. [...] aquele modelo que tem o tempo, que

tem que ser toda semana, que tem tudo direitinho – é tudo muito organizado quando a gente chega. E aí na rede pública, o tipo de atendimento que a gente faz, tudo

isso vem por água abaixo. (Informante 1)

De forma singular, há o depoimento de uma profissional que se dá conta de seu percurso atípico na área da saúde, o qual, no entanto, é revelador, na verdade, de um caminho comum a muitas das informantes deste estudo:

vim de trás para a frente: comecei na prática, sentia algumas inquietações e

quando comecei a ler ai eu identificava: valha, já passei por isso! E realmente é isso que acontece e ficava muito feliz quando via no livro: acho que não estou no caminho muito errado não... (Informante 8)

Já existem, entretanto, novas diretrizes curriculares originadas tanto dos questionamentos em relação ao currículo tradicional, quanto das mobilizações da categoria por mudanças na formação, e aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação, no ano de 2004. O projeto das novas diretrizes (CFP, 2004) para os cursos de graduação, em implantação nas instituições de ensino superior do país, busca fundamentar a formação e a prática profissionais a partir do compromisso e da compreensão crítica dos fenômenos sócio- culturais. O próprio Código de Ética Profissional do Psicólogo, recém publicado (agosto/2005) e que buscou contemplar a diversidade do exercício profissional e as inserções crescentes em contextos institucionais – como é o caso da área da saúde –, tem ao longo de

todo o seu texto um compromisso maior com a realidade social, compreendida agora como um dos eixos que atravessam todas as práticas dos psicólogos.

Pude perceber, ainda, no depoimento das informantes, sentimentos de pavor e de receio quanto à confusão de papéis – esse último por parte não apenas dos demais profissionais da instituição, mas principalmente pelo próprio psicólogo:

no hospital público ‘eu’ [maior ênfase] fui crua – sem saber... (Informante 5) no começo fiquei apavorada. Achei que não ia conseguir. (Informante 7)

Logo que cheguei aqui me mandaram atender uma paciente que tinha tirado a mama, tinha feito a mastectomia. Nossa Senhora! Quase que caio da cadeira de tanto que tremia, porque nunca tinha trabalhado. (Informante 2)

E ficava muito confusa no início [...] será que vou estar perdendo a identidade da

minha profissão? (Informante 1)

Intimada a assumir um outro posicionamento, a psicóloga nos serviços estaduais de saúde pareceu não se dar conta da riqueza da “perda” da sua identidade – considerada aqui como individualidade, como algo pronto e acabado – na direção de uma singularidade múltipla, como interação, dinamicidade, construção e, por conseqüência, como abertura à diferença. Não considero nada mais oportuno ao psicólogo da saúde, deste estudo, a afirmação de uma ‘identidade em crise’ e o reconhecimento dessa tensão, pois só assim imagino ser possível a criação de um outro modo de estar a serviço do outro na rede pública que ultrapasse a postura tecnicista tradicional. Nesse momento, retomo Coelho Junior (1996), que considera a palavra crise como sinônima de tensão criativa e de tensão produtiva, e entende uma identidade em crise a partir dos pólos da identidade e da alteridade, da multiplicidade e da unidade:

Uma identidade permanentemente em crise faz-nos pensar em uma tarefa insana, sem nenhuma perspectiva de um repouso tranqüilo onde enfim pudéssemos dizer que ser psicólogo é isso, só isso e isso para sempre. No entanto, neste caso, mas não só neste, repouso tranqüilo é sinônimo de morte. Portanto, viva a identidade em crise do psicólogo. Viva a identidade dinâmica (em crise), porque naturalmente mutável (COELHO JUNIOR, 1996, p. 312, grifos meus em negrito).

Na dimensão Dificuldades e Desafios, outro significado remete ao fato interessante de muitas psicólogas serem oriundas da área da educação e, ao se depararem com o novo na área da saúde, vivenciaram a inserção como um choque. Crise, choque, susto são significados atribuídos às vivências iniciais na rede de saúde, como vivencia também a psicóloga que foi da turma inicial do curso de psicologia da UFC:

Não me imaginava nunca, nunca passou pela minha cabeça. E inclusive assim, na minha época de faculdade não se falava em hospitalar – de jeito nenhum. Nunca [risos]. Essa história da gente passar para hospital foi um susto danado que tomei. [...] Lembro que na época me senti assim como tirando a terra dos meus pés.

Tinha, o que? Já uns quinze, dezesseis anos de Estado e você refazer tudo isso aí.

(Informante 4)

Desalojadas da Educação e em choque na Saúde, de qualquer modo essas psicólogas lidam com o outro – seja o paciente ou o portador de necessidades especiais. No entanto, parece ocorrer algo sui generis: é como se a prática anterior dessas profissionais não implicasse também em promoção da saúde, em lidar com o sofrimento do outro, em uma relação de respeito e acolhimento desse sujeito. Sem contar ainda que os significados etimológicos das palavras saúde e educação são articulados, segundo Andrade e Morato (2004). A primeira refere-se à cura

como promoção de integridade e/ou cuidado. Talvez desse termo tenha derivado saudação, como forma de demonstrar respeito e reconhecimento àquele do qual nos aproximamos. Aproxima-se de clínica e de cuidado, tarefas cotidianas e pertinentes ao universo de fazer psicológico no âmbito da saúde. Por outro lado,

educação, do latim educere, de e+ducere, ou seja, e=para fora, e ducere=conduzir, é trazer, fazer movimento em direção a alguém. Implica debruçar-se ou inclinar-se a uma forma de cuidar para que o outro se conduza adiante (ANDRADE; MORATO, 2004, p. 350, grifos meus em negrito).

Extremamente próximas no sentido de promover a atenção e o respeito para com o outro e comprometidas com o seu processo de seguir em frente na direção do seu bem-estar, a as atuações nas áreas de educação e saúde me impulsionam a interrogar – nesse momento de análise dos depoimentos – se a prática de cuidado para com o outro não existe também na Educação, na relação com o portador de necessidades especiais, pois a dimensão de cuidado para com o outro não é propriedade da área da saúde. Leva-me a pensar, ainda, até que ponto o psicólogo já chega com uma sensibilidade a mais para lidar com o novo, o estranho, na área da saúde ou se permanece restrito a “roupagem” da técnica, do saber psicológico sobre o outro. Como a dimensão de cuidado para com o outro será melhor discutida mais adiante, no momento acho importante ressaltar que as psicólogas lançadas sem preparo e sem formação em um novo campo não têm a prerrogativa de fixarem-se na velha prática tradicional, nem, dessa forma, deixarem de buscar o desenvolvimento de uma nova atitude frente ao outro.

Não possuir formação ou experiência específicas na área da saúde coletiva não as exime, portanto, da necessidade e responsabilidade de, frente ao outro, revelar abertura para o novo, para a alteridade, enfim para aquilo que elas desconheciam. A instituição de saúde configurava, então, uma nova lógica, diferente ou estranha àquela já dominada pelo psicólogo

educacional, que se pautava por uma relação de saber e poder sobre o portador de necessidades especiais, assumindo mais o papel do especialista ou do perito. Relembro Freire (2003a) que considera necessário ao psicólogo pôr sua perícia em xeque nos vários campos de atuação. Em especial essa necessidade se faz sentir no campo da saúde, o qual não implica apenas em conhecimentos teóricos e técnicos, mas sobretudo em reflexão, em abertura, em revisão da própria atuação, e onde a especialização – por mais importante que seja – não dá conta sozinha da relação com o outro, que escapa daquele domínio de saber e de poder.

Na caracterização do especialista, como aquele que domina um conhecimento ou uma técnica, dei-me conta, nas falas das informantes, de uma certa subdivisão: há a especialista que buscou capacitar-se em leituras sobre saúde ou em orientações de outros profissionais, permanecendo, porém, restrita à atuação técnica e ao saber construído na graduação ou nos cursos de capacitação promovidos pelo Estado ou pela própria instituição. Como é o caso da Informante 2, que ainda revela neste depoimento submissão ao profissional médico:

Doutor, olhe nunca trabalhei nessa área e queria que o senhor me orientasse, queria que o senhor me emprestasse livro, gosto muito de ler, tenho muito livros, adoro comprar livros, adoro ler. Ele me deu uma bibliografia muito boa e toda segunda-feira subia na sala dele e dizia: Doutor o que é isso, me oriente nisso e tal.

Gratifica, contudo, perceber a existência de profissionais que foram além e buscaram por conta própria capacitar-se de um outro modo para atuar no campo da saúde, não limitada a estudos técnicos, nem à precária formação universitária. São as que buscaram suprir a carência com uma formação continuada, através de estudos complementares voltados para uma reflexão maior, como também observaram Yamamoto, Trindade e Oliveira (2002) que, ao estudarem a prática do psicólogo do Rio Grande do Norte, constataram um índice de 80% de psicólogos com cursos de especialização naquele Estado. Foi como aconteceu com a psicóloga que, ao empreender uma busca individual de especializar-se para suprir a carência da graduação, encontrou, porém, dificuldades em concretizá-la:

A gente trabalha de uma forma muito precária. Para você ter uma idéia, na especialização não tive liberação do hospital, e nem no mestrado. Então foi uma busca minha de estudar, de estar ali, de pagar as horas depois [...] Vejo a minha

prática muito construída por mim... (Informante 1)

Entre as especialistas na área de família, de adolescência, de saúde mental e saúde pública, algumas inclusive com mestrado em saúde pública, pude perceber uma maior

sensibilidade, um questionamento e uma busca por constante aprendizagem entre essas psicólogas, o que lhes possibilitou assumir – ou no mínimo, caminhar na direção de – uma outra atitude para com o usuário do seu serviço. É o caso da única psicóloga que solicitou transferência de área, por sempre pretender atuar na saúde – veio da Segurança Pública – e hoje trabalha em uma unidade de referência em Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST’s). Ela desenvolveu sua pesquisa de mestrado com aquilo que lhe inquietava no cotidiano do serviço, revelando não só a sensibilidade necessária à área, como também uma reflexão acerca do seu novo contexto:

foquei no HPV, porque sempre recebia mulheres portadoras de HPV, porque o tratamento era longo – é longo, é demorado – e tinha muita repercussão. Percebia assim que havia muita repercussão no relacionamento conjugal, porque afeta a sexualidade e tudo. (Informante 3)

Outra informante afirma sua incessante busca por estudos novos e por especialização, expondo como motivo sentir-se intimada a responder ao outro, o seu usuário: