5 Research Design and Methodology
5.3 Operationalization of Variables
5.3.2 Independent Variable – History of Ceasefire
O desenvolvimento de recursos terminológicos a utilizar por profissionais da indústria da língua, mas não só (os próprios especialistas, educadores, etc.), terá de obedecer a determinados critérios de qualidade que permitam obter a informação necessária para estruturar e adquirir (algum) conhecimento. Como refere Albuquerque (2015):
«O uso de recursos terminológicos, ou seja, (…), de meios de acesso a terminologia, pode, pois, ser facilitador da compreensão desses conceitos, se forem eficazes, i.e., se permitirem obter informação e conhecimentos esperados, com o menor custo possível (de tempo, erro, dificuldade de uso, etc.) (…).»
(p.251)
No entanto, convém fazer a distinção entre aquilo que são critérios para elaboração de um recurso e os dados (ou metadados) de um recurso. Como definido por normas internacionais e entidades relevantes (por exemplo, ISO), o tipo e a natureza dos dados (ou seja a forma mais ou menos completa ou exaustiva como a informação é representada) e a relevância das respetivas fontes são alguns dos critérios que devem presidir à elaboração do recurso.
Assim sendo, que critérios podem ser aplicados para satisfazer a necessidade do utilizador e aferir a relevância de um recurso? De forma a auxiliar o tradutor, Cabré (1999) detalha os critérios a ter em consideração no momento de avaliar a utilidade e fiabilidade de um recurso. Segundo esta autora, o tradutor/linguista deverá procurar que o recurso apresente as seguintes caraterísticas:
a) Informação explícita sobre o método de recolha de dados; b) Elaboração por especialistas da área, ou com a sua participação;
c) Validação garantida por uma entidade reconhecida (autor ou instituição representativa no âmbito profissional ou administrativo);
d) Indicações sobre o valor conceptual dor termos dentro do domínio em questão; e) Informação sobre os conceitos (definição, contexto para definição, explicações
conceptuais, imagens);
f) Informação gramatical sobre a categoria da UT e sua utilização no discurso; g) Multilingues;
h) Apresentação das unidades de equivalência contextualizadas;
i) Existência de índices alfabéticos por línguas, independentemente da estrutura alfabética ou sistemática principal;
j) Existência de indicações sobre as fontes e respetivo grau de fiabilidade;
k) Existência de relações de sinonímia, devidamente hierarquizadas de acordo com o valor do seu uso;
Estes critérios de seleção dos recursos foram em larga medida confirmados na prática pelo estudo de Durán-Muñoz (2010). Neste estudo, foi realizado um inquérito por forma a determinar os critérios que os tradutores profissionais consideravam relevantes ao selecionar um recurso terminológico como auxiliar à tradução. Os critérios indicados pelos tradutores, por ordem de preferência, foram:
1) Autoria do recurso
2) Especialização do sítio web 3) Riqueza da informação 4) Atualização da informação 5) Facilidade de acesso
6) Avaliações externas do ao recurso 7) Instruções de utilização
Destes dois trabalhos, separados por mais de uma década, saliento a importância atribuída por ambos os autores aos responsáveis pela elaboração e gestão do recurso, ou seja, aos seus autores, mas também ao grau de especialização do recurso e ao envolvimento de especialistas da área no desenvolvimento do recurso, nomeadamente, como indica Cabré (idem), no processo de validação.
Porém, muitos recursos têm sido desenvolvidos sem considerar as necessidades dos profissionais da tradução, ou pelo menos, sem os envolver na sua elaboração (Durán- Muñoz, 2012), daí resultando uma perceção de insatisfação relativamente aos suportes utilizados:
«Having presented translators’ needs and preferences regarding terminological resources, we can confirm that most of the terminological resources that are currently available (especially in electronic format) do not fulfil their requirements. They do not include the information needed by this group of users; nor do they ensure reliability or good quality. They are mostly devoted to helping with message de-codification, i.e. understanding the original message, but not to assisting with message codification or re-writing, which translators’ tasks are based on.» (p.82)
terminológico. Para além da informação considerada irrelevante pelos inquiridos (informação etimológica, pronunciação e a divisão silábica), a informação classificada como essencial e desejável ao elaborar um recurso foi a seguinte:
Dados essenciais Dados desejáveis
Definições claras e concretas Grande variedade de unidades (n., v., adv., adj.)
Equivalentes Explicação de cada tradução de
equivalente
Derivados e compostos Grande variedade de exemplos Especificação do domínio Informação gramatical
Exemplos Informação semântica (relações
semânticas, frames) Informação fraseológica Ilustrações e gráficos Definições em ambas as línguas
(recursos bilíngues)
Definições em ambas as línguas (recursos bilíngues)35
Siglas e acrónimos Instruções de utilização
Tabela 1 – Informações mais relevantes dos recursos terminológicos (Durán-Muñoz, 2010:9-10)
Durán-Muñoz conclui que os tradutores também incluem outros aspetos ao classificar a qualidade e eficácia de um recurso terminológico, nomeadamente: possibilidade de exportação para outros formatos (por exemplo, txt ou tmx), explicações e exemplos sobre a utilização do termo (por exemplo, termos em desuso, inadequados ou falsos cognatos), informação sobre o texto de partida dos exemplos (referências, URL), diferenças culturais entre o original e o termo equivalente, variações regionais e ligações para outros recursos.
35 No estudo de Durán-Muñoz (2010), os recursos bilíngues são indicados como dados essenciais e, simultaneamente, como dados desejáveis: «This is due to the fact that their percentages are so similar
(45.11% and 45.38%, respectively) that makes clear that there is not an agreement among professional translators regarding this point.)»(p.10)
Pelo que acima foi exposto, para que um recurso possa satisfazer os profissionais e possa ser considerado por estes como um recurso de qualidade, deve ter em consideração as suas necessidades. Ou seja, ao construir e elaborar um recurso terminológico, devem ser aplicados critérios que tenham primeiramente em consideração os fins a que se destinam, não descurando nesse processo as normas internacionais. O facto de o recurso ser elaborado para outros fins que não a tradução (por exemplo, para harmonização da terminologia monolingue dentro de uma empresa) não compromete necessariamente a sua qualidade, tal como definida pelas normas ISO. Porém, ao ser utilizado por profissionais da indústria da língua (tradutores, revisores, produtores de conteúdos), poderá chegar-se à conclusão de que não apresenta as caraterísticas necessárias que o definiriam simultaneamente como um recurso de qualidade e um recurso eficaz, o que é sem dúvida uma limitação. Desta forma, Albuquerque (2015, p.252) propõe os recursos terminológicos sejam aferidos por cinco critérios:
a) Conformidade terminológica – refere-se à necessidade de a terminologia utilizada pelo recurso coincidir com a dos discursos e textos, «na situação de
comunicação do interlocutor», ou seja, a «descrição das formas e indicação de
uso, nos diferentes contextos comunicativos, eliminando toda a variação que cause ruído» (p.321); a não verificação deste critério pode, segundo a autora, criar inconformidade, a qual se manifesta como «ausência de terminologia ou
por variação terminológica não controlada».
b) Informação terminológica necessária para aceder ao conhecimento – este parâmetro refere-se aos dados que habitualmente constituem a ficha terminológica, como seja a definição, dados sobre a relação entre conceitos ou informação contextual;
c) Línguas de trabalho – se o recurso é monolingue, bilingue ou multilingue; d) Interoperabilidade – se o recurso está disponível em formatos que permitam a
sua integração com ferramentas CAT, ferramentas de edição de texto e outros sistemas de processamento de texto;
e) Acesso à informação – facilidade de acesso à informação não apenas em termos lógico-conceptuais, mas também em relação às opções de consulta e de edição.
Nesta lista, os pontos a), b) e c) são critérios que dependem diretamente da constituição de uma base textual de extração de informação, ou seja, de um corpus. Por conseguinte, a seleção do material para o corpus de extração deve ser feita tanto quanto possível dentro do mesmo registo discursivo dos potenciais utilizadores do produto terminológico, por forma a corresponder às suas expectativas. Por exemplo, e conforme apresentado em 2.5, a terminologia extraída de um corpus baseado em documentos de natureza jurídica/administrativa pode não corresponder às expectativas dos especialistas de uma determinada área técnica/científica, no caso deste trabalho, a aquacultura. Porém, na falta de recursos de perfil mais técnico e científico, o tradutor irá utilizar os recursos elaborados por entidades com autoridade reconhecida. Já os pontos d) e e) vêm ao encontro das necessidades sentidas pelos tradutores de acederem a recursos reutilizáveis (interoperabilidade) e integráveis em CAT, e de consulta acessível e disponíveis em linha. Falta ainda acrescentar que o livre acesso a estes recursos é igualmente um ponto importante a ter em linha de conta para os tradutores profissionais, nomeadamente para os trabalhadores independentes cuja fluidez de rendimentos não é nem regular nem estável.