O principal objectivo de investigação é identificar os determinantes que influenciaram as PME em rede, em especial recorrendo às agências de viagens, a optar por políticas efectivas de valorização do vector capital intelectual, enquanto factor crítico de sucesso para a criação de valor.
Decidiu-se incidir o objecto de estudo a um sector onde se reconhece existir uma clara valorização do conhecimento, de modo a garantir a amplitude da amostra e por ser um subsector onde a diferenciação assenta, quase totalmente, ao nível dos vectores do capital
Pág. 29 intelectual (Martins, 2000) que, pela sua contribuição relativa, fornece uma imagem bastante completa da amplitude do fenómeno a nível global.
Assim, os objectivos de investigação são os seguintes:
a) Pretendeu-se identificar os principais determinantes que influenciam a gestão do conhecimento, tendo por base, inicialmente, o referencial teórico existente;
b) De seguida, através da análise de um primeiro questionário, às micro e pequenas empresas (MPE) portuguesas, procurou-se isolar os vectores de criação e retenção do conhecimento desse universo empresarial;
c) Posteriormente, aprofunda-se a extensão e sustentam-se os determinantes identificados, num sector específico, onde o conhecimento é reconhecido como factor competitivo, recorrendo a um estudo exaustivo do sector em Portugal;
d) Reescreve-se a equação da produtividade, introduzindo um novo factor – o capital intelectual.
Tendo presente que o teste de hipóteses tem subjacente a problemática teórica em que o estudo incide, in casu, o capital intelectual, não se pode deixar de salientar que as abordagens a estas temáticas são relativamente recentes, tendo o autor apresentado a sua dissertação de mestrado sobre a temática, onde se identificou um modelo de capital intelectual aplicável (Martins e Lopes, 2004; Martins, 2000; Martins e Lopes, 2012).
Deste modo, pretende-se testar e validar as seguintes hipóteses:
H1) Espera-se que o factor equipa, relevância dada ao cliente, processos de negócio e importância atribuída ao capital individual, assuma uma importância não equitativa nas organizações da amostra em análise;
H2) Espera-se que a importância atribuída ao capital individual assuma uma importância mais significativa quando se tratem de organizações com indivíduos com maior grau de qualificação nos domínios do negócio e das TIC, encontrando-se uma distribuição espacialmente mais equilibrada.
Na verdade, tal como nos apresenta Martins (2000), sinteticamente, podemos afirmar que as nossas hipóteses de partida assumem que os principais determinantes do capital intelectual
Pág. 30
estão relacionados com uma combinação de factores: o indivíduo, a equipa, o cliente e o processo.
Assim, a identificação das variáveis e da aproximação ao terreno, permitiram construir a base de um questionário aplicado à totalidade da população do segmento das agências de viagens, quer se tratem de empresas integradas em grupos económicos ou associadas, quer sejam agências de viagens independentes.
A proliferação de literatura sobre o método de caso aplicado às ciências económicas e de gestão, tem sido relativamente exígua, se comparada com as publicações sobre a aplicação do mesmo às outras áreas das ciências sociais.
Não podemos deixar de nos recordar que o método é fundamental, recordando Descartes (1951), “formei um método pelo qual me parece que possuo meios de aumentar
progressivamente o meu conhecimento, e de o sustentar...”, in Discurso do Método.
Quando se pretende explicar o “porquê” e o “como” de determinada situação, estamos no âmbito dos estudos de caso explicativos (Yin, 2005), que podem ser complementados com pesquisas históricas, pois tais questões estão dependentes de relações operacionais que necessitam de ter uma contextualização temporal. Idêntica classificação emerge se recorrermos à tipologia identificada por Ryan, Scapens e Theobald (1992).
Assim, entende-se que, das cinco espécies de casos apresentados; descritivo, ilustrativo, experimental, exploratório e explicativo, se está, claramente, na presença do caso explicativo, que, segundo os mesmos autores, se caracteriza pela explicação de determinadas situações ou acontecimentos, com recurso à respectiva justificação.
A adopção da classificação supra, assume-se crucial para estabelecer os objectivos a atingir, não esquecendo contudo que os diferentes tipos inventariados não permitem uma distinção totalmente clara, isto é, o caso do capital intelectual, possui alguns aspectos que nos permitiriam configurar as outras tipologias. Contudo, estamos convictos que a explicativa é a que melhor se identifica com o caso estudado, sendo a metodologia mais adequada nestas situações porque permite a observação dos acontecimentos contemporâneos e entrevistas aos principais actores neles envolvidos (Yin, 2005).
Pág. 31 O método do estudo de caso compreende várias fases. Inicialmente, a fase da definição e planeamento, onde se realiza a revisão de literatura e desenvolvimento da teoria, ao que se segue a selecção do caso a analisar e a definição do protocolo de recolha dos dados. Na fase da preparação e recolha, o investigador conduz o estudo de caso, elaborando, posteriormente, o relatório circunstanciado do caso estudado. A última fase, análise e conclusão, engloba a sistematização dos resultados apurados e a sua identificação com a teoria da temática, desenvolvendo, eventuais, validações ou negações suportadas no estudo de caso realizado. O método de investigação a que se recorreu consubstancia-se em três partes, proporcionando desta forma uma evolução sequencial da linha orientadora da investigação.
Assim, numa primeira etapa realizou-se uma análise documental sobre a problemática ensaiada com o nítido propósito de consolidar a base teórica de pesquisa e permitir a aproximação a diversas questões e hipóteses de investigação, atendendo nomeadamente à diversa investigação que vem sendo produzida sobre a temática.
De seguida, através do recurso à metodologia do estudo de caso, realizou-se o primeiro estudo quantitativo, que permitiu identificar um conjunto de variáveis pertinentes, que ainda não haviam sido devidamente realçadas na perspectiva que ora se nos oferece.
Deste modo, efectuou-se uma adaptação do modelo de capital intelectual (Martins, 2000; Gonçalves, 2005), tendo sido aplicado às organizações participantes no Programa REDE do IEFP.
Ainda nesta fase, através da realização de entrevistas a especialistas desta área de investigação, práticos e teóricos, procedeu-se à validação primária, à semelhança de diversos estudos científicos anteriores (Baxter e Matear, 2004).
A partir destes trabalhos, elaborou-se o guião para a construção do questionário final que constitui a base do estudo quantitativo que foi submetido a um pré-teste, de cuja análise ressaltaram aspectos a considerar na validação do instrumento de recolha de dados.
Pág. 32
O segundo estudo empírico quantitativo constitui a terceira e última parte desta investigação, realizando-se através de questionários uma avaliação das hipóteses apresentadas e permitindo a identificação de determinantes da gestão do capital intelectual nas organizações (PME em rede), in casu, das agências de viagens.
Assim, recorre-se ao método de estudo de caso porque permite uma investigação para se preservar as características holísticas e significativas dos acontecimentos da vida real, tal como a maturidade dos sectores económicos (Ryan et al., 1992; Yin, 2005).
O estudo de um caso num único sector (sector das agências de viagens) justifica-se uma vez que se trata de um caso representativo. Por outro lado, um mesmo estudo de caso pode envolver mais de uma unidade de análise (empresa), estando, assim, no âmbito dos estudos de caso incorporados (Yin, 2005).
No estudo em apreço, está-se perante uma situação que requer uma estratégia de investigação específica, pois pretende-se responder a uma questão do tipo “como” ou “porquê” sobre um conjunto contemporâneo de acontecimentos, para o qual não se possui nenhum controlo. A metodologia genérica proposta é suficientemente eficiente e flexível para lidar com as diferentes realidades sociais, variáveis de decisão e restrições normalmente encontradas na área das ciências empresariais.