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2.2 Real-Time Rendering Acceleration
2.3.1 Impostor Techniques
Na década de 1960, longe da comunidade musical da intelectualidade paraense, estúdios de gravação, como o Gravassom, iriam dar visibilidade à produção dos artistas mais populares. Nessa época, já existiam cantores considerados bregas, expressão musical que surge após o declínio da Jovem Guarda, mas ainda sob sua influência (COSTA, 2009, p. 28).
No Pará, já na década de 1980, o ritmo embala as festas populares denominadas festas de aparelhagem15. Na mesma época outras expressões musicais mais populares, como a lambada, atualmente chamada guitarrada, também tiveram seus registros sonoros, mas os primeiros registros em long players já tinham ocorrido na década subsequente. Em 1976, Juca Medalha grava o LP Yê Yê Yê pela gravadora Erla, vinculada à rádio Rauland.
Já na década de 1980, cantores de brega vinculam-se às grandes gravadoras e discos são lançados pela Ortasom e Gravassom. Partindo do relato do cantor e compositor paraense Júnior Neves, Costa (2009, p. 26) relaciona alguns interpretes que participaram do primeiro movimento brega na cidade de Belém: Alípio Martins; Luís Guilherme, Tedd Max, Mauro Cotta, Francis Dalva, Míriam Cunha, Ari Santos, Os Panteras, Waldo César, Carlos Santos, com o sucesso “Quero você”, entre outros. Também gravaram LPs nesta mesma época os grupos jazzistas ou de lambada Solano e seu conjunto; Vieira e Banda; Fernando Belém; e Beto Barbosa.
No entanto, na década seguinte, todo esse movimento vivia então um declínio, pois, com sua busca pelo mercadológico, isto é, seguindo um padrão de gosto definido pela mídia (o rádio, principalmente), determinados gêneros permaneceram no agendamento midiático. Assim, como já tinha ocorrido com o samba, este quando desceu o morro, com o baião invadindo o salão, o axé na onda
15
O termo aparelhagem se refere a grandes caixas acústicas distribuídas no espaço da festa. Além das caixas, o espaço do animador ou DJ da festa também é característico desta estrutura em torno do termo.
do carnaval, e o carimbó como música da Amazônia, a indústria fazia a intensa difusão do axé music pela mídia nacional.
Contudo, por volta de 1995, o movimento da música brega no Pará vive seu segundo grande momento, com o vinil A Nuvem, do cantor e compositor Roberto Villar, que trouxe algumas reformulações ao gênero.
Com o intervalo desse refluxo de sucesso, a produção musical do brega seria reorientada e ressurgiria na mídia local em meados da década de 1990 com o chamado Brega Pop. A “nova fórmula” musical que acelera o ritmo base do brega (a “batida”) dá início a um “2º Movimento do Brega”, marcado pelo surgimento de novos músicos, novos cantores, novas gravadoras e produtos musicais. No final da década de 1990, o Brega Pop chegaria a quase todas as rádios locais com programas exclusivos, acompanhados pelo aparecimento de alguns programas em TVs locais (COSTA, 2009, p. 28-29).
A forma cultural da música brega revela como a música e a festa popular assimilaram os códigos e a economia política do espetáculo. Essa apropriação é incorporada pela mídia local, configurando o processo de midiatização.
Nesta mesma época, década de 1980, dentro do contexto da prática de escuta do rock, jovens da cidade de Belém começam a configurar uma cena musical do rock com o surgimento de inúmeras bandas, entre elas a banda de heavy metal Stress e a banda de hardcore crossover Delinquentes.
A banda Stress, considerada uma das primeiras bandas do gênero heavy metal no Brasil, em agosto de 1982 gravaria o primeiro LP, Stress, no Rio de Janeiro, no Sonoviso Studio (JANOTTI JÚNIOR, p. 2004, p. 36). Contudo, o registro sonoro das composições em LP seria um privilégio para poucas bandas de rock de Belém, pois de acordo com relatos de sujeitos que viveram o contexto entre as décadas de 1980 a 2000, somente as bandas Álibi de Orfeu e Mosaico de Ravena produziram seus LPs em estúdio, neste período.
Sem os LPs, o consumo e a experiência do rock no Pará, que acabou configurando uma cena musical com inúmeras bandas autorais, que tiveram suas músicas ouvidas em programas de rádios locais, como a rádio Belém FM, ocorreu em virtude da prática da gravação de demos em fita K7. As bandas Delinquentes, Insolência Pública e A Tribo inserem-se neste grupo.
Entretanto, da mesma forma como ocorrera com a música brega, com as transformações do sistema capitalista cada vez mais flexível, o advento e popularização do compact disc (CD) e o avanço técnico das telecomunicações em
direção à interatividade, a mutação tecnológica que impactou a experiência sócio- histórica como um todo, a música e os aspectos culturas em torno dela adquirem um novo formato digital, transformando o som, corpo e instrumento musical em hipertexto.
Essa virtualização da cultura da música, como ocorreu em outras épocas e adventos tecnológicos, possibilitou o surgimento pela visualidade e visibilidade de novos produtos culturais. Naturalmente, mesmo com a iminente crise da indústria da música, o processo de criação, produção e mediação desta música popular massiva por meio da festa também popular recebe um aporte tecnológico, inserindo-se em um contexto de tecnocultura, com a facilidade da criação e montagem de estúdios caseiros de gravação e aquisição de equipamentos tanto de gravação como o de reprodução desta música.
Tal processo de apropriação de tecnologia de informação e comunicação não provocaria uma revolução tecnológica, mas sim, como argumenta Sodré (2006), uma mutação tecnológica, pois do ponto de vista material,
mutação tecnológica parece-nos expressão mais adequada do que “revolução”, já que não se trata exatamente de descobertas linearmente inovadoras, e sim da maturação tecnológica do avanço científico, que resulta em hibridação e rotinização de processos de trabalho e recursos técnicos já existentes sob outras formas (telefonia, televisão, computação) há algum tempo. Hibridizam-se igualmente as velhas formações discursivas (texto, som, imagem), dando margem ao aparecimento do que se tem chamado de hipertexto ou hipermídia (SODRÉ, 2006, p. 13).
É por meio, portanto, de uma mutação tecnológica que a música e outros aspectos desta experiência digitalizam-se, inserindo-se em uma nova ambiência, cada vez mais midiatizada.