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6.2 Results

6.2.2 Important Considerations

A partir da lógica hologramática, na qual nos propomos a não reduzir as partes em seu todo, tão pouco o todo em suas partes, optamos em percorrer um caminho de abordagem circular/recursivo. Assim, primeiramente apresentamos o nosso todo, a proposta teórico-conceitual sobre uma possibilidade de compreensão dos projetos de memória empresarial. Em um segundo momento, trabalhamos as partes desse todo, buscando refletir sobre suas características recursivas e dialógicas que se estruturam nas (inter) relações e diferentes convergências. O propósito foi ressaltar que os principais conceitos trabalhados aqui são constituídos de seletividade, de (inter) relações de forças, de interação. Além disso, que suas estruturas não estão solidificadas em bases universais e nem são imutáveis, pois, em uma perspectiva complexa, eles são constantemente/recursivamente legitimados e/ou (re) constituídos e/ou (re) significados sobre um multiverso de sentidos e relações.

Memória, comunicação e poder são processos (inter) relacionais de (re) construção de sentidos e significados – cultura, identidade, pertencimento, vínculos, informação e conhecimento – que coabitam na, e dão forma à realidade organizacional. Nessa perspectiva, propomos que os projetos/programas de memória, através de seus discursos memorialísticos, sejam pensados e desenvolvidos de maneira contínua e transversal, influenciando e se relacionando aos processos da e na organização, envolvendo sua multiplicidade de atores, na busca da gestão de seus recursos intangíveis.

Tal perspectiva, de compreensão sobre os projetos/programas de memória, possibilita não os perceber de forma fragmentada, segmentada, isolada, episódica e hierarquizada na organização. Ao traçar esse caminho, podemos evidenciar que os discursos memorialísticos organizacionais vão se (re) estabelecendo entre a(s) memória(s), a comunicação organizacional e as relações de poder, passando por um jogo de seleções e forças entre a pluralidade dos atores e públicos organizacionais. Esses discursos (re) constroem sentidos e significados através da evocação e da (re) constituição do que chamamos de Memórias Afetivas (MA) e Memórias Conhecimento (MC). Quando essas memórias são gestionadas, de forma contínua e transversal, aos demais processos da organização, os projetos/programas de memória empresarial possibilitam a Gestão da Memória Afetiva (GMA) e a Gestão da Memória Conhecimento (GMC).

Assim, após trabalhar cada conceito basilar (as partes) da proposta teórico- conceitual (o todo), apresentando de que forma entendemos suas características recursivas e dialógicas, estabelecemos, a partir daqui, um novo trecho a ser cumprido nesta caminhada. Na próxima seção, buscaremos identificar de que forma essas características emergem (ou não) no Projeto de Memória do BNDES, destacando como esse projeto se estrutura e quais suas inter-relações e convergências entre os conceitos que propomos para (re) pensar, refletir, compreender e desenvolver projetos/programas de memória empresarial.

5. PROJETO MEMÓRIA BNDES – UM CAMINHAR SOBRE O EMPÍRICO34

Neste momento em que direcionamos nosso caminhar sobre o Projeto de Memória BNDES, objetivamos perceber como nossa proposta teórico-conceitual sobre projetos/programas de memória empresarial pode dialogar com um caso empírico. Para tanto, concentramos nossas análises sobre a organicidade do Projeto, seus objetivos, diretrizes, intencionalidades e potencialidades manifestadas sobre as possibilidades de evocação e (re) construção de sentidos e significados. Para tanto, destacamos trechos que evidenciam possibilidades de (re) constituição de Memórias Afetivas (MA), relacionadas às questões de identidade, pertença e vínculos; e Memórias Conhecimento (MC), referentes às informações/memórias, saberes e conhecimentos da organização. Além desses pontos, identificamos as intencionalidades do Banco em trabalhar sua memória de forma contínua e transversal, incidindo sobre os demais processos da organização, realizando a Gestão da Memória Afetiva e a Gestão da Memória Conhecimento (GMC).

Destaca-se que a seleção dos trechos para reflexão e interpretação não se enquadram em definições absolutas, pois compreendemos que todo o objeto de estudo pode se manifestar através de diferentes escolhas e interpretações. Sob a ótica do Paradigma da Complexidade, os olhares são múltiplos, podendo ser semelhantes e díspares, antagônicos e contraditórios, mas, inevitavelmente, complementares.

A partir de uma abordagem qualitativa de análise documental, destacamos o edital lançado em 2011 pelo Banco, na modalidade de concurso para seleção de uma empresa a ser contratada com a finalidade de desenvolver o “Projeto Resgate Memória”. Além da análise documental, valemos-nos de entrevistas em

34 No início deste trabalho, propusemos conduzir esta pesquisa a partir de uma analogia à

realização de um caminho, que vamos construindo em conjunto entre a multiplicidade de roteiros e vias que emergem ao longo do trajeto. Nesse sentido, entendemos que até o presente momento, estávamos traçando nosso caminhar sobre terrenos teóricos e conceituais. A partir daqui, a paisagem da nossa caminhada/pesquisa encontra-se com a materialidade empírica.

profundidade como recurso metodológico, realizadas com sete profissionais do BNDES, diretamente vinculados ao projeto de memória, observando a organicidade e as intencionalidades do Projeto. De acordo com Duarte (2005), a entrevista em profundidade se configura como uma possibilidade de encontrar respostas na experiência subjetiva de uma fonte que buscamos para alcançar informações pertinentes à pesquisa.

Um dos focos de trabalho, descrito no edital, está concentrado na coleta de depoimentos, realizados com aposentados, funcionários e colaboradores do Banco. Nesse sentido, selecionamos depoimentos utilizados nos produtos de memória, refletindo sobre trechos que evidenciam possibilidades de (re) constituição de MA e MC.

Faz-se importante ressaltar que esta não foi a primeira iniciativa do Banco sobre ações de memória empresarial. Entre os anos de 2001 e 2002, no período das comemorações dos cinquenta anos, foi desenvolvido um grande trabalho que resultou em muitas ações e produtos de memória. Para compreendermos os objetivos e a forma como foram conduzidas as atividades, a análise foi realizada tendo como principal base o artigo produzido por Elizabeth Maria de São Paulo, responsável pelo gerenciamento e produção das atividades na ocasião, como chefe do departamento de comunicação e cultura do BNDES.

Antes de iniciarmos a análise, propriamente dita, propomos um breve caminhar sobre o contexto sócio-histórico do Banco, buscando contextualizar o leitor sobre sua trajetória sexagenária, diretrizes e funções. Durante essa breve retrospectiva sobre a trajetória do Banco, apresentamos algumas das principais características do cenário brasileiro, em cada período.