6.4 Implications
6.4.1 Implications for educational research and reading acquisition
Esta estrutura mineralizada é o constituinte dentário com maior expressão limitando exter- namente, a câmara pulpar, ou o canal radicular, ao nível das raízes dentárias. Encontra-se, por sua vez, recoberta pelo esmalte ao nível da coroa e pelo cimento ao nível da raíz. Esta
estrutura vai incrementando com a idade, em virtude de ocorrer a formação de dentina secundária e terciária. Atinge nas cúspides ou nos bordos incisais a sua maior espessura com 3 mm e 1,5 mm, respectivamente. No seu interior deve-se destacar a presença de uma matriz entrecortada por canais dentinários, responsáveis pela permeabilidade a elementos inorgânicos e a microorganismos, onde se alojam os processos odontoblásticos que inicial- mente colaboram na formação do colagénio da matriz sendo posteriormente responsáveis pela sua calcifi cação. O componente mineral, correspondente a cerca de 70% do volume da dentina, apresenta-se sob a forma de cristais de hidroxiapatite com dimensões seme- lhantes aos do tecido ósseo e aos do cimento dentário, dispondo-se paralelamente entre as fi bras de colagénio. É ainda formado por outros elementos em menores quantidades como os carbonatos, os fosfatos amorfos, o fl úor e outros oligoelementos. Em função do grau de mineralização muitas são as propriedades físicas que a caracterizam. A cor representa uma dessas características, variando entre o branco-opaco, característico da dentição decídua devido à sua menor mineralização, e as cores mais amareladas características da dentição defi nitiva, devido à maior mineralização. A translucidez, a dureza e a radiopacidade de- pendem, de forma directa, do grau de mineralização, ao contrário da elasticidade que de- pende do conteúdo em água e restantes consituintes orgânicos, nomeadamente o colagé- neo. Sendo esta última, propriedade essencial na amortização das forças transmitidas pelo esmalte. Dos constituintes orgânicos destacam-se essencialmente o colagénio tipo I que representa cerca de 90% da matriz orgânica dentinária e as outras proteínas, das quais se destacam as proteínas exclusivas da dentina como: fosfoforina dentinária (DPP), a proteína da matriz dentinária 1 (DMP1) e sialoproteína dentinária (DSP). Para além destas, existem outras também presentes no tecido ósseo: a osteonectina, a osteopontina e a proteína GLA. Os proteoglicanos, embora existentes são mais abundantes na pré-dentina (Avery 1992b).
3.2.1. Túbulos dentinários
Estas estruturas, de forma aproximadamente cilíndricas, e de distribuição ondulada (cur- vaturas primárias dos túbulos), encontram-se na pré-dentina e na dentina, e podem atin- gir, através de ramifi cações tentaculares, mais numerosas e mais pronunciadas na coroa, a Junção Amelo-Dentinária (JAD) ou mesmo o esmalte (fusos adamantinos). Possuem no seu interior, o líquido ou fl uido dentinário, o processo odontoblástico e, com relativa fre- quência, encontram-se fi lamentos nervosos amielínicos originários dos nervos pulpares. Estes túbulos são mais fechados na periferia, diminuindo com a idade devido à esclerose fi siológica dos mesmos. Os túbulos dentinários apresentam, além de um aspecto sinusoi- dal – curvaturas secundárias, ramifi cações transversais unindo-se aos túbulos vizinhos.
As paredes destas estruturas quase não apresentam colagénio e estão enriquecidas de cristais de hidroxiapatite onde predominam o magnésio, e o fosfato de cálcio (Avery 1992b).
3.2.2. Dentina inter-tubular
A estrutura da dentina inter-tubular é composta por uma malha de fi bras de colagénio, onde se depositam os cristais de hidroxiapatite. Este tecido apresenta crescimento incre- mental por deposição, podendo-se observar nele, linhas correspondentes aos ciclos de formação – as linhas de Owen e as de Von Ebner. Os intervalos contíguos a estas linhas são repositórios de informação refl ectindo registos nutricionais defi cientes e patológicos do período dentário embrionário.
As bandas de Schreger, por sua vez, correspondem à mudança de orientação primária dos processos odontoblásticos e que serão tanto ou mais marcadas quanto maior for a altera- ção de direcção.
A JAD separa o esmalte da dentina do manto (20 μm de espessura aproximadamente) que é a primeira a formar-se, tendo como característica principal a existência de fi bras de co- lagénio dispostas de forma regular e perpendiculares à JAD – Fibras de Von Korff. É menos calcifi cada quando comparada com a dentina circumpulpar. Pelo contrário, a conexão cimento-dentinária por que separa dois tecidos que apresentam a mesma origem embrioló- gica, confere-lhes extrema adesividade, sendo pouco perceptível com microscopia óptica (Avery 1992b).
3.2.3. Factores intervenientes na dentinogénese
O processo de dentinogénese é complexo e consiste na diferenciação celular iniciada nas células mesenquimatosas indiferenciadas. A formação de esmalte dentário é iniciada com a transformação dos pré-ameloblastos. Esta transformação, por sua vez, constitui um dos aspectos importantes de indução da diferenciação das células mesenquimatosas em pré-odontoblastos. Ao libertarem o factor de crescimento beta (TGF-), posteriormente ac- tivado na membrana basal, conduzem à expressividade dos genes Msx2 e TGF- responsá- veis pela diferenciação terminal dos odontoblastos e consequentemente pela regulação da síntese da primeira pré-dentina (matriz orgânica). Através dos canais de troca do ião Ca2+
e do ião Na+, presentes nos odontoblastos, inicia-se a calcifi cação da pré-dentina, que se
Considerando o processo de formação ou dentinogénese, a dentina classifi ca-se como: pri- mária, secundária e terciária. A dentina primária representa a quase da totalidade da dentina existente e comporta a dentina do manto e a circumpulpar (mais calcifi cada) que se sintetiza e mineraliza de forma diferente da primeira. Esta dentina primária forma-se até se verifi ca- rem os primeiros contactos oclusais. A dentina secundária, que se incrementa ao longo de toda a vida dentária, inicia, por norma, a sua deposição, após o término da formação da raiz dentária, tornando-se mais evidente no tecto, paredes e soalho da câmara pulpar, denotando uma distribuição dos túbulos dentinários menos regular que a dentina primária. Deste facto resulta uma diminuição crescente do lume da câmara correspondente e uma diminuição do conteúdo pulpar com consequente apoptose dos odontoblastos. Por seu turno, a formação de dentina terciária ou reaccional resulta como resposta a estímulos agressivos externos e apenas nas áreas correspondentes, podendo variar em quantidade e desorganização em fun- ção da intensidade e duração do estímulo nocivo. Por reacção a estes, também a morfologia dos túbulos dentinários da dentina primária e secundária pode alterar-se. Por intermédio de estímulos de baixa intensidade mas prolongados, por exemplo através de cáries de evolução lenta, pode-se assistir à deposição de sais de cálcio em redor dos prolongamentos, com o consequente preenchimento do túbulos dentinários e a fragilização da zona – dentina trans- lúcida. Em pessoas idosas, principalmente, ao nível do ápice radicular, pode-se assistir à obliteração total dos túbulos dentinários – dentina esclerótica. Na presença de estímulos de elevada intensidade, pode ocorre a necrose do processo odontoblástico e a calcifi cação dos túbulos dentinários – dentina opaca (Avery 1992b; Cate 1998).