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5. DISCUSSION

5.3 Implications

Existe uma estreita relação na atuação de diversas redes sociais no campo da saúde, com estudos que demonstraram que ambas, de diversos modos, andam juntas (Fontes, 2007; Mângia & Muramoto, 2005). Estes estudos visam pesquisar as redes de pertencimento, enquanto entidade sociológica, não as ferramentas tecnológicas que temos chamando de sites de redes sociais.

Não especificadamente para promoção da saúde, Stotz (2009 Cit. In. Marteleto 2010), ao efetivar busca livre em bases de dados da área de saúde com as expressões “redes sociais” e “saúde”, constatou que os estudos nessa área têm temas como:

1. Apoio social: isto é, estudos sobre monitoramento de tratamento, controle de doenças, nutrição, envelhecimento, prevenção de riscos, como gravidez e doenças sexualmente transmissíveis.

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2. Solidariedade: estudos de ação de soropositivos do HIV / Aids.

3. Focalização de políticas sociais: associação com o Programa Saúde da Família. 4. Gestão de políticas e articulação de interesses: estes estudos versavam sobre

cidades saudáveis e políticas de combate à pobreza. 5. Compromisso social: estudos sobre ação de adolescentes.

Já Fontes (2007, p. 87), buscou discutir modos e melhorias sobre a formação de redes de apoio social no cotidiano de portadores de transtorno mental, dado que “as reformas no sistema de atenção aos portadores de transtorno mental, reintroduz-se o indivíduo na sociedade, convidando outros atores para a participação no processo de seu tratamento”. Isso reforçaria a importância das redes sociais, dos apoios sociais consequentes desta inserção em campos de sociabilidade mais amplos.

Mas a aplicação dessa relação, em seu sentido prático, pode ser ainda mais ampla. De maneira geral, para Mângia and Muramoto (2005, p. 23), se apoiando em trabalho como o de P. H. Martins and Fontes (2004), percebe que

No contexto atual, diante das rápidas mudanças sociais e da desagregação das formas de contratualidade que fundaram a sociedade moderna e, especialmente com as transformações qualitativas nas formas de relação e inserção no trabalho, o estudo das redes adquire especial interesse e poderá trazer contribuições importantes para a história do presente. A sociedade contemporânea exige respostas rápidas, locais e eficazes para a promoção de ações que visem cada vez mais a emancipação e a ampliação do gozo dos direitos de cidadania. Para tanto, as redes sociais surgem como elemento potencializador de tais processos por exigirem o envolvimento e a participação ativa da população.

Os autores buscam, nesse sentido, discutir a operabilidade do conceito de redes sociais, que para eles mais recentemente tem sido empregada no campo da saúde e da saúde mental. De acordo com estudos da área, como em Molina e Aguilar (2004) e P. H. Martins e Fontes (2004),

na saúde, a análise de redes sociais tem se mostrado altamente operativa, constituindo um campo de grande interesse. Por meio da metodologia de redes, as comunidades organizadas buscam melhorias nas condições de saúde, que podem ser concretizadas na perspectiva de promover apoio social,

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troca de experiências e informações e mesmo no trabalho mais diretamente ligado ao desenvolvimento das ofertas de serviços e cuidados de saúde, como é o caso do trabalho dos agentes locais de saúde no contexto do Programa de Saúde da Família. A ação das redes pode favorecer a resolução de problemas vinculados às mudanças sócio-econômicas impostas pelo neoliberalismo, conferindo poder às comunidades para que estas sejam capazes de gerir os problemas locais (Mângia e Muramoto, 2005, p. 26).

Além disso, com aproximações que sugerem as impressões de Stotz (2009), Mângia and Muramoto (2005, pp. 26-27) discorrem sobre estudos que mostram os modos de atuação e estudo de redes sociais e saúde. Para esses estudiosos, o trabalho de González (2005) mostra que

A relação entre redes sociais e saúde, na perspectiva da busca de melhorias para a população, emerge com mais força nos países em desenvolvimento, onde o acesso aos recursos de saúde se mostra mais restrito, em decorrência da falência ou inexistência de políticas públicas e de sistemas de seguridade social.

Já o trabalho de Andrade and Vaitsman (2002 Cit. In. Mângia e Muramoto 2005, 26-27) mostra que, “com frequência, as redes sociais propiciam o desenvolvimento de ações solidárias e de suporte ao enfrentamento de questões do cotidiano entre grupos vulneráveis, além da construção e fortalecimento do sentido de pertencimento a um grupo social”. Além disso, para P. H. Martins and Fontes (2004 Cit. In. Mângia e Muramoto 2005, 26-27), “também favorecem a criação de programas territorializados de assistência à saúde fundados na participação social, possibilitando a promoção da cidadania e a democratização de processos institucionais”.

O passo seguinte, e que reflete sua importância, é estender esse fenômeno no uso dos sites de redes sociais, para promoção da saúde18. Diversos estudos vêm percebendo essa importância, e tem proposto alternativas na condução desse feito (Ramanadhan et al., 2013; Syred et al., 2014; Thackeray et al., 2013). Como mostrou Ramanadhan et al. (2013), os SRSs oferecem uma nova definição para a realização de intervenções de promoção da saúde, de forma que as operadoras de saúde, para isso podem:

18 Note-se, novamente, a diferenciação: acima se tratava de redes sociais sociológicas, agora, busca-se

- 90 - 1) Disseminar informações de forma rápida;

2) Alavancar redes comunitárias para o compartilhamento de informações; 3) Atingir grandes e diversificadas audiências;

4) Personalizar mensagens de saúde para grupos específicos; 5) Incentivar a interação e o envolvimento;

6) Capacitar a tomada de decisões saudáveis; 7) Fornecer feedbacks individuais e periódicos.

Alguns estudos têm indicado que, além da promoção da saúde, as organizações podem se valer, paralelamente, e usar a ação para melhoria da qualidade de vida para também se promoverem. Isto é, fazer uma associação entre a promoção da saúde e publicidade nos sites de redes sociais, usando as funcionalidades interativas destes sítios, bem como outros canais de mídias sociais (Park, Rodgers, Stemmle, 2011).

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CAPÍTULO III - PROCESSOS DE COMUNICAÇÃO E AS OPERADORAS DE