• No results found

Impact of privatization on Vietnam Airlines’ performance

V. Analysis and Discussion

5.1. Impact of privatization on Vietnam Airlines’ performance

As experiências desenvolvidas pelos Cerests e consideradas exitosas pelos entrevistados, são descritas resumidamente a seguir e detalhadamente nos Capítulos 3, 4 e 5. As três ações consideradas exitosas são desenvolvidas em equipe multiprofissional e buscam integrar instâncias e profissionais do SUS, além de instituições fora dele.

No Centro de Referência de Saúde do Trabalhador (Cerest) do município de Amparo, que nasce em 2004, a partir da habilitação à Renast, a proposta consiste em estabelecer-se como retaguarda especializada para o desenvolvimento de ações de assistência, vigilância e educação em ST na rede básica de saúde, composta por 14 Unidades Básicas de Saúde, com 20 equipes de Saúde da Família. O dispositivo usado para tanto é o de Apoio Matricial (AM) (Campos, 1999) em ST, que analisaremos nessa pesquisa tendo como parâmetro o processo de trabalho envolvido para sua construção, as potencialidades desta ação, assim como as dificuldades encontradas. Nesse sentido, procuramos analisar na experiência o processo de integração das ações desenvolvidas pelo Cerest nas Unidades Básicas de Saúde, junto as Equipes de Saúde da família, a partir do estudo de caso do Apoio Matricial em ST, naquele município.

O Centro de Referência de Saúde do Trabalhador (CRST) de Campinas, que nasce em 1986, desenvolveu nos últimos anos a experiência de vigilância em ST e Ambiental, no âmbito dos riscos químicos, como no caso do bairro Mansões Santo Antônio e Shell Paulínia. A experiência escolhida para análise foi o Projeto de Vigilância dos Postos de Combustível, que carrega essa trajetória e representa uma potencial ação integrada, intra e interinstitucionalmente, numa rede tecida com a participação de profissionais do CRST, das Comissões do Benzeno e da Vigilância Municipal de Campinas.

O Centro de Referência de Saúde do Trabalhador (CRST) de Santo Amaro, que nasce em 1990 vem apresentado soluções assistenciais no trabalho em grupo com os trabalhadores atendidos. Nessa perspectiva, pesquisamos a experiência de assistência em Grupo de Reorientação Profissional(GRP), que tem como objetivo de reintegrar o trabalhador, com seqüela de acidente e doença relacionada ao trabalho, no mercado de trabalho e/ou na vida social.

Vale ressaltar que os CRST de Campinas e Santo Amaro mantém a sigla histórica e não incorporaram a sigla Cerest, que está mais vinculado as experiências posteriores à Renast, os Cerests institucionais, como o caso de Amparo. Assim, respeitaremos nesse trabalho a sigla CRST quando nos referirmos às experiências de Campinas e Santo Amaro e utilizaremos a sigla Cerest para indentificar Amparo e o conjunto das experiências dos Centros.

A fim de apreender os diferentes enfoques sobre o processo de trabalho em ST nessas ações utilizamos do recurso das entrevistas semi-estruturadas individuais com seus diferentes atores. De acordo com Minayo (1998), a entrevista semi-estruturada, que combina perguntas estruturadas e abertas, dá ao entrevistado a possibilidade de discorrer sobre o tema proposto, sem respostas ou condições pré-fixadas pelo pesquisador, o que se mostra importante para nossa pesquisa. Para tanto, elaboramos dois roteiros14 de entrevista, um na forma de instrumento de coleta de dados sobre os Cerests escolhidos, que foi aplicado nas entrevistas com os gestores e profissionais indicados com experiência histórica na ST, contendo dados históricos, da estrutura, da equipe, do processo de planejamento e avaliação de ações, entre outras questões. Esse roteiro subsidiou as opções metodológicas e auxiliou na seleção das experiências consideradas exitosas e a identificação dos sujeitos nelas envolvidos. O segundo roteiro foi dirigido aos profissionais entrevistados que participam diretamente das experiências estudadas e continha questões acerca da formação desses profissionais, o trabalho desenvolvido por eles nos Cerests (casos e queixas, principais atividades, estratégias e técnicas de trabalho), a organização das experiências (integrações e inter-relações), as potencialidades e dificuldades do trabalho. Pensamos em questões que pudessem tornar visível o que é feito e pensado pelos profissionais sobre o desenvolvimento de uma ação exitosa em ST para posterior análise do processo de trabalho em saúde.

14

Assim, um primeiro passo para a escolha dos sujeitos a serem entrevistados foi a descrição e delimitação das ações e avaliação da população base e seu grau de representatividade (Duarte, 2002). A partir daí realizamos entrevistas com os gestores dos Cerests, com os profissionais das equipes de saúde e de outras instituições, trabalhadores usuários e sindicalistas envolvidos nas ações, tendo como objetivo central resgatar a dinâmica do processo de trabalho em ST. Assim sendo, o número de Cerests escolhidos, mesmo que a primeira vista pareça reduzido é justificado pela decisão de conter o universo de análise e possibilitar o estudo mais aprofundado dos atores, de suas percepções sobre as relações, tecnologias utilizadas no desenvolvimento do processo e gestão do trabalho em saúde e suas repercussões sobre o trabalho e a saúde dos trabalhadores atendidos. As entrevistas foram gravadas, transcritas e sistematizadas.

No que diz respeito ao número de sujeitos entrevistados, este não foi determinado a priori, visto que dependeu da qualidade das informações obtidas, da profundidade, do grau de recorrência e divergência dessas informações (Duarte, 2002). Desse modo, boa parte dos entrevistados foram indicados por profissionais entrevistados anteriormente, os informantes- chaves, que forneceram as “dicas” sobre os atores envolvidos na experiência, sejam eles profissionais da saúde, de outras instituições, representantes de trabalhadores e usuários dos Cerests. O possível viés na seleção dos depoentes atendia ao interesse da pesquisa de campo, pois procurávamos os atores com maior envolvimento com a questão tratada. Essa fase foi muito gratificante, pois consistiu na descoberta do campo, do conhecimento do processo de trabalho de cada experiência, dos atores sociais envolvidos, o contato inicial, o planejamento, a realização das entrevistas e a participação em reuniões.

À medida que a rede das relações entre os sujeitos foi tecida, o número de entrevistados foi se ampliando significativamente em relação ao inicialmente imaginado, totalizando a realização de 47 entrevistas. Devido a problemas técnicos no gravador uma delas (com trabalhador usuário do Cerest de Amparo) foi perdida e outra com trabalhadora do CRST de Santo Amaro foi aproveitada parcialmente. Considerando a riqueza dessas falas, acreditamos que tivemos um bom aproveitamento do material, visto que pudemos utilizar 46 entrevistas, com cerca de 80 horas de gravação.

Devido ao grande volume de horas optamos para o pagamento de transcritor e subseqüente impressão do texto transcrito. Esse fato propiciou a aceleração do acesso ao material escrito, para uma pré-análise mais dedicada, através da concomitante leitura e audição das entrevistas, por horas a fio, a fim de encontrar as categorias temáticas, tal qual proposto pela Análise de Conteúdo (Bardin, 1977). A escuta e leitura simultânea das entrevistas propiciou um mergulho ímpar nas experiências selecionadas para o estudo, permitindo identificar o tom de voz, os jeitos de falar, as ênfases, a desenvoltura ou timidez dos entrevistados, entre outros aspectos.

Vale ressaltar, que a busca de documentos históricos e oficiais (planos e relatórios de ações) dos Cerest correu em paralelo à realização das entrevistas com os gestores e trabalhadores. Além disso, participamos na condição de observadora de reuniões e atividades relacionadas, que detalharemos a seguir. Frisamos, no entanto uma dificuldade de acesso a alguns documentos históricos e de planejamento do Cerest/ Santo Amaro, conforme discutiremos no Capítulo 5.