V. Analysis and Discussion
5.2. Competition on the domestic and on the stock market
O momento da realização das entrevistas foi construído como processo, um veículo para nos levar a análises das experiências. Entramos em contato com os profissionais, suas estratégias de trabalho e os diferentes olhares sobre a ST. Para tanto, as entrevistas foram agendadas com cada profissional na data, horário e local reservado. Quatro delas, por preferência dos próprios entrevistados, ocorreram em duplas, sendo duas delas com profissionais do Cerest e duas com trabalhadores usuários, em que eles respondiam às perguntas separadamente, primeiro um depois o outro.
Antes do início da entrevista, propriamente dita, apresentávamos sinteticamente o projeto de pesquisa, seus objetivos e o Termo de Compromisso Livre Esclarecido (TCLE)15, que foram assinados por eles, resguardando, dentre outros aspectos a identidade dos entrevistados. As entrevistas iniciavam com a apresentação dos dados dos entrevistados, vínculos e tempo de trabalho, assim como as principais ações de ST desenvolvidas na instituição. Durante as entrevistas, seguindo os roteiros, pedimos para que os entrevistados falassem sobre o
processo de trabalho envolvido na ação, as dificuldade e potencialidades da mesma. Da mesma forma, solicitamos que nos falassem sobre seu entendimento de experiência exitosa em ST. Isso porque, o foco da nossa investigação não eram os trabalhadores entrevistados em si, mas o processo de trabalho, a dinâmica construída no planejamento, desenvolvimento e avaliação de tais ações exitosas.
Em Amparo, Realizamos 1 entrevista com a gestora de ST da SMS, com formação em Psicologia, de certa forma vinculada ao Cerest, 1 entrevista com a gestora do Cerest, enfermeira, e 5 entrevistas com profissionais do Cerest, 1 Terapeuta Ocupacional, 1 Médica, 1 Psicológa, 1 técnica de Enfermagem e 1 auxiliar de enfermagem. Além de 4 entrevistas com profissionais vinculados a Unidade Básica de Saúde do bairro de São Dimas: 2 enfermeiras, 1 médico, 1 Agente Comunitário de Saúde (ACS). Além deles, entrevistamos 2 trabalhadores organizados como representantes sindicais, Sindicato dos Químicos e metalúrgicos, que fazem parte do Conselho Gestor do Cerest/ Amparo. Sendo assim, totalizamos a realização de 13 entrevistas no município de Amparo. Participamos de 2 reuniões da equipe matricial do Cerest nas Unidades Básica de Saúde (UBS) de Camanducaia e São Dimas, no município de Amparo, de 1 reunião de equipe do Cerest/ Amparo, 1 reunião do Conselho Gestor da Unidade, 1 reunião dos gestores dos serviços de referência do SUS/ Amparo. Totalizando a participação na qualidade de pesquisadora/observadora, em 5 reuniões.
Na experiência do Cerest/Campinas, entrevistamos a gestora do CRST, com formação em fonoaudiologia, e 4 profissionais do CRST, sendo 1 psicóloga, 2 médicos e 1 enfermeira. Entrevistamos atores importantes da Vigilância em Saúde Municipal (VISA), sendo 1 tecnóloga ambiental, 1 médico e 1 engenheiro. Entrevistamos 1 profissional fonoaudióloga da Divisão Sanitária do Trabalho do Centro de Vigilância em Saúde (CVS) e 1 gestor ambiental do Centro Estadual de Referência em Saúde do Trabalhador da Bahia (CESAT). Além disso, entrevistamos 2 atores da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro) de Campinas e São Paulo, 1 historiadora e 1 química, e 1 profissional médico da Superintendência Regional do Trabalho (SRT) de São Paulo. Além dos 4 trabalhadores organizados, sendo 2 deles do Sindicato dos Frentistas e 2 da Associação dos Trabalhadores Expostos a Produtos Químicos (ATESQ). Assim totalizamos a realização de 17 entrevistas. Participamos de uma Reunião da Comissão Estadual do Benzeno e do Seminário: “Capacitação para o desenvolvimento de ações de vigilância em Postos de Combustível”,
entre os dias 25 e 29 de abril de 2009, em São Paulo. Seminário este promovido pela Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo, para trabalhadores da saúde, diretamente relacionado ao Projeto de Vigilância em Postos de Combustivel, do CRST/ Campinas.
Na experiência do CRST de Santo Amaro totalizamos 16 entrevistas. Entrevistamos a gestora do CRST, de formação médica, 7 profissionais do CRST, sendo 2 médicas, 2 Terapeutas Ocupacionais, 1 educadora, 1 enfermeira e 1 auxiliar de enfermagem. Entrevistamos também 1 psicóloga vinculada ao Serviço de Saúde Ocupacional do Hospital das Clínicas (SSO/HC), 5 trabalhadores usuários do Grupo de Reorientação Profissional (GRP) do CRST e 2 trabalhadores membros do Conselho Gestor, organizados na Associação Nacional dos Trabalhadores da Produção de Energia Nuclear (ANTPEN) e na Associação dos Expostos e Intoxicados por Mercúrio Metálico. Participamos de 4 reuniões do GRP e 1 reunião do Conselho Gestor dessa unidade. Realizamos reunião no CRST/Santo Amaro para apresentar aos profissionais do GRP os resultados parciais da análise dos dados. O que totaliza a nossa participação em 6 reuniões.
De forma sintética e agrupando os profissionais dos três Cerests, do total de 46 entrevistas, 19 foram com profissionais dos Cerests, 11 com outros profissionais da rede SUS (municipal, estadual de São Paulo e Bahia e Hospital das Clínicas), 3 com profissionais de outras instituições (Fundacentro e SRT), 8 com trabalhadores organizados (sindicatos e associações) e 5 com trabalhadores usuários. A fim de resguardar a identidade dos entrevistados, preservamos a autoria das falas selecionadas, indicando o vínculo com a instituição de origem: os vinculados ao Cerests com o termo profissional ST; das UBS como profissional PSF; as siglas institucionais, como VISA, CVS, CESAT, HC, Fundacentro e SRT, e; o uso do termo Trabalhador para indicar os usuários, os organizados em sindicatos e em associações.
Por outro lado, devido às características da abordagem metodológica adotada, a realização de entrevistas, em sua grande maioria individuais, e o fato do número total de entrevistas ter superado a expectativa inicial, a pesquisa de campo demandou maior tempo de trabalho e de deslocamento para sua execução. Foram dezenas de viagens para Amparo, Campinas e até mesmo para Santo Amaro, cujo o problema em si não era a distância, mas o trânsito da cidade São Paulo.
Um aspecto curioso é que na etapa final das entrevistas de Campinas, dois profissionais foram agendados no mesmo dia em horários diferentes, sendo que haveria reunião de parte da equipe do Projeto dos Postos de Combustível. Assim, quase todos os profissionais já entrevistados estavam presentes, o que levou a refletir sobre a possibilidade da proposta de grupo focal, como metodologia para coleta de dados. Acredito que se houvessem subsídios metodológicos para uso do grupo focal, este poderia ter contribuído para a superação da dificuldade dos agendamentos de entrevistas individuais e dos múltiplos deslocamentos. Devido ao fato das entrevistas estarem sendo finalizadas praticamente naquele dia e a falta de recursos metodológicos para subverter o desenho do projeto, mantivemos as entrevistas individuais com o grupo de Santo Amaro. No entanto, permanece a indagação com relação a possibilidade da abordagem através do grupo focal, nesse tipo de pesquisa, à medida que as entrevistas individuais poderiam servir de suporte complementar para os dados obtidos no grupo.