5 Findings and Discussion
5.4 The impact of the NPS
A Tabela 5 apresenta a frequência de trancamentos, por período e por motivo, a partir do número de alunos. Para essa análise foi considerado que quando um mesmo aluno solicitou o trancamento mais de uma vez no mesmo período do curso (por exemplo, no 12º. período), pelo mesmo motivo, ele foi computado apenas uma vez. Se os motivos ou períodos foram diferentes, então ele foi computado duas vezes. Dessa forma, encontrou-se 104 pedidos, com 97 alunos, pois dois alunos trancaram mais de uma vez em períodos diferentes; três trancaram mais de uma vez e por motivos diferentes e um trancou três vezes em três períodos diferentes.
0 5 10 15 20 25 30 35 2007/2 a 2008/1 2008/2 a 2009/1 2009/2 a 2010/1 2010/2 a 2011/1 2011/2 a 2012/1 2012/2 a 2013/1 Fre q. a bsolut a de tr anca mento s Anos Solicitações de trancamentos totais
Sofrimento psíquico/ Dúvida na escolha do curso
Trabalho
Viagem ao exterior Outros
Tabela 5 – Alunos com trancamentos totais de matrícula e seus motivos, por período, no curso de Medicina da UFMG, entre o segundo semestre de 2007 e o primeiro semestre de 2013
P
er
íod
o
s Motivos justificados para os trancamentos totais por aluno e por período Alunos que solicitaram
trancamentos totais Sofrimento psíquico/ Dúvida na escolha do curso Trabalho Viagem ao exterior Outros 1º 9 (45,0%) 4 (20,0%) 0 (0,0%) 7 (35,0%) 20 (19,2%) 2º 10 (58,8%) 3 (17,6%) 1 (5,9%) 3 (17,6%) 17 (16,3%) 3º 8 (66,7%) 0 (0,0%) 4 (33,3%) 0 (0,0%) 12 (11,5%) 4º 4 (40,0%) 2 (20,0%) 1 (10,0%) 3 (30,0%) 10 (9,6%) 5º 4 (57,1%) 0 (0,0%) 0 (0,0%) 3 (42,9%) 7 (6,7%) 6º 6 (54,5%) 1 (9,1%) 2 (18,2%) 2 (18,2) 11 (10,6%) 7º 4 (50,0%) 1 (12,5%) 2 (25,0%) 1 (12,5%) 8 (7,7%) 8º 3 (42,9%) 1 (14,3%) 2 (28,6%) 1 (14,3%) 7 (6,7%) 9º 1 (25,0) 0 (0,0%) 3 (75,0%) 0 (0,0%) 4 (3,8%) 10º 0 (0,0%) 1 (33,3%) 1 (33,3%) 1 (33,3%) 3 (2,9%) 11º 2 (66,7%) 0 (0,0%) 0 (0,0%) 1 (33,3%) 3 (2,9%) 12º 2 (100,0%) 0 (0,0%) 0 (0,0%) 0 (0,0%) 2 (1,9%) Total 53 (51,0%) 13 (12,5%) 16 (15,4%) 22 (21,2%) 104 (100%)
Legenda: Viagem ao exterior: cursos de línguas, trabalho, pesquisas,família.
Outros: Tentar vestibular no Estado de origem; decisão administrativa; infrequência por entrada tardia; infrequência; gravidez; amamentação; filho pequeno; cirurgia; solicitação de dispensa de disciplinas; motivo religioso; término de mestrado; estágio extracurricular; passou em outro vestibular; dificuldade em conciliar dois cursos de graduação; sem justificativa.
Fonte: Dados da pesquisa, janeiro/2014.
Dentre os 97 alunos que solicitam trancamentos por motivos variados, encontrou-se maior quantidade de alunos entre o 1º. e o 3º. e no 6º. períodos. Destaque para as justificativas de sofrimento psíquico no 1º. período que teve nove alunos gerando 21 pedidos nos seis anos; no 5º. período com quatro alunos que solicitaram oito trancamentos e no 12º. período no qual foram dois alunos que solicitaram sete trancamentos. A repetição de pedidos mostrou maior índice de motivação por adoecimento com maior gravidade.
Alguns exemplos podem ser citados: aluno do Ciclo Básico com seis trancamentos de matrícula, sendo cinco deles no mesmo período do curso, em semestres seguidos. Nunca compareceu ao serviço para fazer a solicitação, sempre feita por familiares, por meio de procuração e com atestado informando diagnóstico
de depressão. Foi dialogado com a família e com o psiquiatra do aluno sobre a importância dele assumir sua solicitação, já que foi informado à instituição que ele não estava incapacitado de fazer isso. Contudo, ele não compareceu. Foi então comunicado à família, por meio do colegiado, que não seriam mais avaliados pedidos de trancamentos sem a presença do interessado. O entendimento foi de que a possibilidade do diálogo poderia auxiliar na quebra desse ciclo de adoecimento que os trancamentos estavam enfatizando e, parece, o ciclo familiar também.
Outra situação é de uma aluna do Ciclo Básico, com seis trancamentos seguidos e manifestação de dúvida na escolha do curso, mas também um desamparo social e familiar que se somava a adoecimento psíquico de gravidade:
“Não sei por que não estou conseguindo... não sei se deveria desistir do curso... acho que não vou dar certo em curso nenhum! Sinto medo de voltar a frequentar as aulas... não consigo me concentrar nos estudos, os colegas são muito mais capazes do que eu...”
Um exemplo que sinaliza o importante papel da instituição foi de uma aluna que na 10ª. solicitação de trancamento por motivo de adoecimento psíquico, teve seu pedido negado pelo Colegiado, já que não havia relatório de tratamento continuado e a história se repetia com cinco anos em trancamentos:
“Mas o pedido sempre foi aceito! Pode negar? Eu não dou conta de ir às aulas!”
Foi a partir desse corte, que indicava a possibilidade de exclusão do curso, que se tornou possível o investimento em um tratamento com melhor adesão, não sem dificuldades, mas com maior implicação, para conseguir concluir a formação. Assim também ocorreu com aluna que estava em tratamento e que tinha indecisão sobre a escolha do curso. Relatava medo de enfrentar os comentários dos colegas por estar repetindo a disciplina pela terceira vez, dificuldades de tomar decisões e conflitos nas relações familiares, os quais acreditava terem contribuído para sua escolha profissional no sentido de mostrar que seria capaz. Ao ouvir o comentário sobre ter escrito a lápis a justificativa do seu terceiro requerimento de trancamento de matrícula, surpreendeu-se e refletiu:
“É para não rasurar, não errar!... Tenho medo de errar na escolha! A lápis pode estar indicando que dei pouca importância para o que escrevi, para o que estou pedindo... Já pensei que se passar no vestibular „X‟ e não gostar, depois faço outro vestibular para medicina e será como passar uma borracha em cima do que já aconteceu, pois terei dispensa das disciplinas cursadas e não aparecerá trancamentos e reprovações.”
Após esse trancamento não retornou ao curso. Passou em outro vestibular. Outra fala surpreendente vem de aluno, já atendido diversas vezes na Escuta Acadêmica, inclusive com a família, com sofrimento psíquico incapacitante e que procrastina o tratamento. Com três trancamentos seguidos, após ter sido negado um pedido extemporâneo, afirmou:
“Faço aqui um compromisso: vou me tratar e se não conseguir vir no próximo semestre desisto desse curso.” (aluno do Ciclo Ambulatorial)
Verifica-se que na maior parte dos trancamentos totais por motivo de sofrimento psíquico os estudantes ainda não estão em tratamento, sendo a maioria deles do Ciclo Básico.
Momentos de muita angústia foram identificados com os trancamentos ocorridos no último ano do curso. Houve dois pedidos com justificativa de sofrimento psíquico no 11º. período. Um deles se referia a adoecimento psíquico e o outro à dúvida na escolha profissional, ambos prolongados durante todo o curso e agravados com a proximidade da formatura e o que essa etapa representa. Foram também a justificativa da proximidade da formatura e, por questões pessoais diversas, a dificuldade psíquica de assumir-se profissionalmente, a base motivacional dos trancamentos dos dois estudantes do 12º. período, que geraram sete pedidos. Ambos concluíram o curso, após certo tempo de tratamento.
“(...) tenho medo, insegurança, acho que não serei capaz...”
“Sinto-me incapaz, não consigo atender pacientes, não posso exercer a profissão, não sirvo para isso...”
5.3.5 Comparação entre os alunos com apenas um e aqueles com mais