8. Immigration and emigration assumptions
8.1. Immigration
Nesse item vamos analisar como são as orientações de avaliação do desempenho dos alunos em Matemática no Ensino Médio e Educação Média de Brasil e Chile, respectivamente, frente avaliações oficiais externas.
A Lei de Diretrizes e Bases Nacional – LDB 9394/96 manteve um currículo caracterizado por uma base nacional comum e uma parte diversificada que permite de acordo com a Lei 5472/1971:
Art. 26. Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela.
§ 1o Os currículos a que se refere o caput devem abranger, obrigatoriamente, o estudo da língua portuguesa e da matemática, o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política, especialmente do Brasil. (p. 23)
Art. 36. O currículo do ensino médio observará o disposto na Seção I deste Capítulo e as seguintes diretrizes:
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I – destacará a educação tecnológica básica, a compreensão do significado da ciência, das letras e das artes; o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura; a língua portuguesa como instrumento de comunicação, acesso ao conhecimento e exercício; da cidadania;
II – adotará metodologias de ensino e de avaliações que estimulem a iniciativa dos estudantes;
(...)
§ 1o Os conteúdos, as metodologias e as formas de avaliações serão organizados de tal forma que ao final do ensino médio o educando demonstre:
I – domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna;
II – conhecimento das formas contemporâneas de linguagem (LDB, 1996, p. 29-30)
As preocupações com o desempenho escolar, em face de uma aprendizagem significativa em Matemática, fomentaram os Ministérios de Educação dos dois países a conceberem alguns instrumentos de avaliação oficial, com a finalidade de que, após as análises dos resultados, orientem os novos rumos à serem seguidos para alcançar as metas educacionais para essa etapa final da Educação Básica nos dois países.
Tais preocupações se justificam pelo que Cerqueira (2003), apurou em documentos da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, divulgado em 1997, indicando que nas séries iniciais do ensino fundamental os alunos revelam um desempenho mais razoável na aplicação de conhecimentos matemáticos - 50% segundo resultados do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (SARESP), mas nas séries finais o desempenho cai para cerca de 30% e ao final do Ensino Médio cai mais ainda para cerca de 27%.
No ano de 1997, os alunos concluintes da terceira série do Ensino Médio da rede estadual do Estado de São Paulo participaram de uma avaliação promovida pelo INEP/MEC. Os dados do desempenho escolar em Matemática foram analisados por uma equipe de técnicos da Secretaria de Estado de Educação de São Paulo e esta análise deu origem a um documento publicado em 1998.
Os itens da prova de Matemática abordaram os seguintes conteúdos: Geometria, Geometria Analítica, Trigonometria, Sistema Cartesiano, Função, Equação Modular, Logaritmo, Matrizes, Determinantes, Sistemas Lineares, Análise Combinatória, Estatística, Números Complexos e Polinômios, ou seja conteúdos básicos apontados como essenciais por professores que lecionam no Ensino Médio em conversas informais.
O índice médio de acertos, de acordo com Cerqueira (2003), dos alunos foi de 27%. Esse desempenho dos alunos foi considerado insatisfatório, se levarmos em conta, principalmente, os dez anos de escolaridade, que no mínimo os estudantes já frequentaram.
Possivelmente, o desempenho ruim dos alunos no Ensino Médio seja uma das justificativa da tomada de decisão por parte do Ministério da Educação de ter criado o Exame Nacional para o Ensino Médio – ENEM em 1998, para
avaliar conhecimentos obtidos até o término do Ensino Médio.
Atualmente o ENEM67 é usado como forma de seleção unificada nos processos seletivos das universidades públicas federais e privado.
A nova proposta tem como principais objetivos democratizar as oportunidades de acesso às vagas federais de ensino superior, possibilitar a mobilidade acadêmica e induzir a reestruturação dos currículos do ensino médio.
As universidades possuem autonomia e poderão optar entre quatro possibilidades de utilização do novo exame como processo seletivo:
• Como fase única, com o sistema de seleção unificada, informatizado
e on-line;
• Como primeira fase;
• Combinado com o vestibular da instituição;
• Como fase única para as vagas remanescentes do vestibular.
Além dessa possibilidade proposta pelo MEC do Brasil o Exame Nacional para o Ensino Médio tem sido usado de forma publicitária como
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Disponível em:
177 rankiamento por muitas escolas e algumas revistas educacionais, sem a preocupação de analisar os avanços pessoais dos alunos e das instituições escolares.
Em muitos casos pode se tornar um instrumento que servirá a propósitos distantes dos preconizados pelos Ministérios Educacionais.
No Chile, diferente do Brasil, a avaliação é parte constitutiva do processo de ensino e aprendizagem em Matemática. As avaliações são propostas regularmente dentro do ano letivo. Retomamos a citação já mencionada no quarto capitulo onde é enfatizado que:
La evaluación es un proceso que forma parte constitutiva del proceso de enseñanza.
No sólo debe ser utilizada como un medio para controlar qué saben los estudiantes, sino que cumple un rol central en la promoción y desarrollo del aprendizaje. Para que la evaluación efectivamente cumpla con esta función debe tener como objetivos.
• Ser un medio con el cual medimos progreso en el logro de los
aprendizajes.
• Proporcionar información que permita conocer fortalezas y debilidades
de los
• estudiantes, y sobre esta base retroalimentar la enseñanza y potenciar
los logros esperados dentro del sector.
Ser una herramienta útil para la planificación (Programa de Estudio, MINEDUC, p. 17).
Como mencionado anteriormente, as provas do SIMCE são instrumentos para avaliar a realização dos objetivos fundamentais e conteúdos mínimos obrigatórios (OF-CMO).
Diversos instrumentos avaliativos compõem as análises do SIMCE para a Educação Média, são elas:
• Pruebas nacionales SIMCE Evalúa Lenguaje, Matemática y Ciencias
(Naturales y Sociales) en alumnos y alumnas de 2° M edio. El subsector de Inglés es evaluado en 3° Medio.
• CÍVICA Civic Education Study. Evalúa educación cívica en alumnos
• PISA Programme for International Student Assessment. Evalúa
Lenguaje, Matemática y Ciencias en alumnos y alumnas de 15 años (2° Medio principalmente).
Os resultados apresentados nos relatórios referentes aos resultados das avaliações no Ensino Médio no Brasil e Chile têm motivado reflexões e a busca de alternativas para a elaboração e consecução de planos curriculares para o ensino de Matemática que atendam as necessidades dos alunos e que garantam o ensino e aprendizagem da Matemática nos dois países.
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CAPÍTULO 6
IMPRESSÕES SOBRE OS CURRÍCULOS DE MATEMÁTICA –
DEPOIMENTOS DE ALGUNS ATORES
6.1 Introdução
O capítulo objetiva uma tomada de realizações analíticas referentes às entrevistas realizadas no Brasil e Chile, dadas por gestores que conceberam e/ou acompanham a execução dos currículos nas escolas. Na exposição, não poderia faltar os professores que, em tese, têm o papel de desempenhar o que está preconizado nos documentos curriculares para o ensino da Matemática.