• No results found

Illustrative example of a hybrid cost model analysis

Chapter 1 : Towards improved cost guidelines for advanced low-carbon technologies

1.7 Illustrative example of a hybrid cost model analysis

Complementando a estrutura de Avaliatividade, Coffin (2002), fundamentada no conceito de polifonia de Bakhtin (1929), afirma que diferentes textos falam com

vozes diferentes. Na teoria da LSF, ‘voz’ refere-se a configurações distintas de

escolhas de Avaliatividade: combinações diferentes de recursos de Avaliatividade são usadas para negociar posições heteroglóssicas da audiência.

A noção de diversidade heteroglóssica foi profundamente influenciada pelo conceito bakhtiniano do sistema mais amplo da heteroglossia social, no qual se situam os textos e suas posições de valor. Do mesmo modo, segundo Coffin (2002), a teoria bakhtiniana fornece a base teórica para estender a noção de voz para além da conceituação romântica que a entendia como uma expressão de um único self, e com isso incluir a representação de um grupo específico de opinião ou de posição avaliativa.

A autora propõe, então, que os significados de Avaliatividade sejam interpretados contra um pano de fundo de enunciados concretos sobre o mesmo tema, um pano de fundo feito de opiniões, pontos de vista e julgamentos de valor contraditórios impregnados de respostas e objeções. Assim, ela desenvolve o subsistema Compromisso, apenas mencionado por Martin (1997; 2000). Para a autora, Compromisso é um conjunto de recursos por meio do qual o escritor/falante posiciona-se construindo a audiência como partilhando a mesma visão de mundo (monoglóssico) ou, por outro lado, adota uma posição que explicitamente mostra diversidade com implicação de conflito e luta entre as vozes (heteroglóssico).

Em termos de realização gramatical, os dois sistemas – monoglóssico e heteroglóssico – apoiam-se em recursos diferentes. Com referência à monoglossia, a estrutura gramatical central que serve para escorar a diversidade potencial de opiniões é a declarativa afirmativa. Assim, embora a visão de mundo do escritor e a do leitor não seja partilhada, a estrutura gramatical encoraja implicitamente ao alinhamento, em vez de abrir a proposição para negociação.

Para a expressão da heteroglossia há dois recursos: (a) a modalidade que, ao contrário da declarativa afirmativa, sinaliza explicitamente na proposição que o significado é contingente e sujeito à negociação; e (b) a extravocalização, que atribui opiniões e julgamentos por meio de outras vozes que não são a do escritor/falante, sinalizada por citação ou por discurso indireto. A autora ressalta que, ao introduzir

explicitamente a negociabilidade na proposição, a modalidade não supõe nem simula solidariedade entre o escritor/falante e o leitor/ouvinte.

A esses recursos, Coffin acrescenta os tokens de atitude. No esquema de Avaliatividade, a noção de tokens de atitude capta, em termos avaliativos, o modo pelo qual o significado ideacional é explorado para efeitos interpessoais. Assim, enquanto afeto, julgamento e avaliação são frequentemente inscritos explícita e diretamente num texto, tokens de atitude é um termo que se refere à realização indireta da Avaliatividade. Ele possibilita a teoria de dar conta de uma palavra ou conjunto de palavras que são usadas para disparar ou evocar um julgamento, cujo significado exige inferências por parte do leitor/ouvinte, visto que este é transferido e não literal.

Estudando também a manifestação de vozes, Waugh (1995) enfatiza o

discurso relatado (reported speech) (doravante DR) no discurso jornalístico,

afirmando que o DR focaliza a comunicação de informação e a preocupação com questões de referencialidade, verdade, confiabilidade e responsabilidade.

Para autora, o que caracteriza o DR é o fato de não só se poder falar dos enunciados de outro discurso, mas também de se poder representá-los. Ela argumenta que o DR é o meio principal pelo qual representamos, abertamente, os enunciados de outro discurso: como seres humanos, podemos falar sobre algo que nos interessa, podemos falar de qualquer coisa do mundo conceitual e perceptual (real ou imaginário, possível ou impossível) que quisermos e, ainda, podemos falar sobre a fala, podemos comunicar sobre comunicação. O DR, continua a autora, não é 'fala sobre fala, enunciado sobre enunciado, discurso sobre discurso, mas 'fala dentro da fala, enunciado dentro do enunciado' (VOLOSHINOV, 1973:115), discurso dentro do discurso.

Se o DR é um discurso dentro de discurso, isso significa que existem dois eventos de discurso em questão: um evento de discurso relatador – o evento de discurso no qual o relato é feito (no caso da reportagem de notícias, é o artigo de notícias), e um evento de discurso relatado – o evento de discurso sobre o qual o relato é feito. No caso de um noticiário, o evento de discurso relatador inclui o falante relatador (o repórter), o público como endereçado, o contexto sócio-cultural, espaço- temporal, no qual o relato está incluído e, mais importante, o enunciado relatador. Este enunciado relatador trata do evento do discurso relatado, incluindo o falante

relatado (em geral identificado pelo sujeito do verbo na oração de enquadre3), um endereçado relatado (em geral omitido) e o contexto sócio-cultural, espaço-temporal (às vezes, expresso abertamente; às vezes, omitido em uma interface complexa de informação pressuposta e fornecida) e, naturalmente, o enunciado relatado (representado pelo enunciado relatado).

Assim, O DR atesta a presença de um terceiro evento de discurso – o evento

do discurso original, do mundo real – e um terceiro enunciado, um enunciado

original, do mundo real. Esse fato está em conformidade com o seu foco no mundo real, na referencialidade, na verdade etc. Em outras palavras, a interpretação de instâncias do DR requer a diferenciação dos três eventos de discurso: relatador, relatado e de mundo real.

Nesse sentido, a interpretação de instâncias do DR requer a diferenciação dos três eventos de discurso: relatador, relatado e de mundo real:

(i) evento de discurso relatador, incluindo o enunciado relatador; (ii) evento de discurso relatado, incluindo o enunciado relatado; e

(iii) evento de discurso original (fora do texto) incluindo o enunciado original.

Em outras palavras, todos os casos em que a realidade do original não é negada explicitamente – são indexicais, isto é, é um índice de um texto original, específico, realmente existente (fora do texto que o cita) que foi criado por alguma pessoa real num dado tempo e lugar reais, isto é, em um evento de discurso original e real.

Uma das razões a favor de o foco recair sobre a dimensão interpessoal neste estudo é a sua importância nas análises das relações estabelecidas entre os participantes da interação e na negociação dos significados (EGGINS; SLADE, 1997). Eggins e Slade (1997) assinalam que o interesse pela dimensão interpessoal não pretende excluir a estrutura ideacional e textual. Nas palavras das autoras, “ao tomar os padrões interpessoais como primordiais, nós não excluímos os padrões ideacional ou textual, mas os discutimos como recursos mobilizados pelos

3

significados interpessoais”4(EGGINS; SLADE, 1997, p. 50). Essa explicação justifica o modo de atuação deste trabalho: centramo-nos na dimensão interpessoal sem excluir a estrutura ideacional e textual.