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7. IKT i bedriftene og i utvikling av prosjekter

7.2 IKT-bruk og omfang

O intermediário cultural é aquele que serve de canal, de facilitador da ligação entre a produção e o consumo. O intermediário cultural surge no campo artístico como um elemento legitimador de um valor cultural e econômico de obras e artistas, assim como de possibilidades entre o que pode ou não pode existir enquanto produto cultural.

Dentro desse campo cultural, há a troca de informação entre os pares, por meio da seleção programática, da existência, do valor de determinado artista e da sua obra. Além disso, o intermediário cultural permite que o espetáculo aconteça ao articular o financiamento da produção, influenciando a posição dos artistas junto ao mercado e ao público.

60 Para Ferreira (2002), a função dos intermediários do processo cultural é a de fazer funcionarem os canais de ligação entre produção e recepção, entre criadores e públicos. Sua função é resultado das atividades mais ou menos especializadas de agentes e de organizações que intervêm nos processos de seleção, filtragem, distribuição, divulgação, avaliação e valorização das criações. Esses agentes agilizam a ligação entre criadores e públicos, ao mesmo tempo em que concorrem para os processos de construção e consagração das carreiras e das obras dos criadores. Eles interferem, então, no processo e nos conteúdos da criação e da produção cultural, sujeitando-os a condicionamentos e orientações que relevam não apenas do posicionamento cultural dos próprios intermediários, mas também do modo como eles fazem intervir interesses de natureza econômica, administrativa, política, etc.

Já Carvalho (2004, p.63) considera que os intermediários, ou também chamados de mediadores culturais, são uma espécie de ‘tradutores culturais’, uma vez que, ao trabalharem com aspectos da cultura local, mostram a necessidade de recriação e adaptação das suas especificidades às necessidades do mercado. Nesse esforço de “tradução” para a criação de uma nova linguagem, há a implicação da ligação e da convergência de relações com outros atores do espaço local, nacional ou transnacional, o que leva à construção de intermediários, tradutores e criadores de ‘novas linguagens’ culturais, precursoras da emergência de inovações culturais.

Vale destacar que essa “tradução” pode ser interpretada como uma “invenção”, que será mais bem discutida no próximo capítulo, sobre patrimônio e tradição. Essa ideia parte da perspectiva de que práticas culturais são criadas com a finalidade de construir uma tradição inventada para que se legitime um discurso ou uma prática cultural.

Os intermediários culturais ocupam uma posição em que assumem o papel de criadores da tendência cultural, ou seja, com todo o dinamismo das relações sociais, são os intermediários culturais que respondem pelo que se produz culturalmente na referência tanto nacional, quanto regional e local.

61 Ferreira (2002) explica que a crescente mercantilização do setor cultural, seja por via dos processos de produção e difusão, seja por via da necessidade de as organizações, os produtores e os criadores culturais adotarem critérios de promoção similares aos que no mercado prevalece, faz com o reconhecimento e a consagração das obras, dos criadores e dos produtores passem cada vez mais pelo mercado e pelos meios de difusão de massas. Esse fato amplia a necessidade de canais e de instrumentos de distribuição e difusão mais complexos e eficientes para a criação de condições de circulação e visibilidade das obras e dos criadores.

No domínio das instituições públicas, a complexidade e a renovação administrativas que têm acompanhado o crescimento do mercado, o que reflete na necessidade de aumentar a capacidade de atração de públicos, atribuem um papel mais decisivo às funções de gestão, de promoção, de comunicação junto à comunidade, que passa a ser alvo direto das políticas públicas culturais.

Com isso, há uma dinamização no empreendimento de redes de mobilização local para a exploração de dinâmicas culturais específicas. Todavia, o processo de legitimação passa também pela afirmação de uma identidade cultural, caracterizada pela disciplinaridade das atividades. Esse fato favorece não só o diálogo com associações culturais e recreativas locais, como também possibilita o estabelecimento de novos formatos entre diferentes grupos sociais.

Esse modelo de mobilização de uma rede local tem sido bem visto pelos gestores de políticas públicas e pelos órgãos financiadores de cultura, isso porque ele favorece a descentralização dos recursos, considerando que há um maior número de grupos envolvidos no processo.

Ao estabelecerem relações de comunicação entre grupos, os mediadores constituem-se, conforme Velho (2000, p.27), como “agentes de transformação”, cuja atuação tem o potencial de alterar fronteiras, com seu ir e vir, transitando com informações e valores. Pode-se então analisar o papel dos mediadores, nos processos de mediação, por meio das trajetórias de grupos, associações e eventos da área cultural, como canais de inovação que

62 propiciem o desenvolvimento de espaços de cultura em formatos inovadores para a atividade cultural contemporânea.

Para que se esclareça o que são essas fronteiras, Fortuna e Silva (2001) propõem a noção de “zonas de intermediação” para dar conta de contextos sociais que, pelas suas características, promovem a hibridação e a diluição de fronteiras convencionalmente estabelecidas. Esses contextos favorecem processos de recombinação e cruzamento de elementos oriundos de universos socioculturais e socioeconômicos distintos e promovem a contaminação entre o público e o privado, entre lógicas culturais distintas, entre o individual e o coletivo, entre o local e o global.

Além do papel de fomentador da cultura, os intermediários culturais podem representar o papel de guardião da memória, ou seja, as pessoas que são representantes / referências da historia. Nesse caso, o saber popular é claramente representado pelos mestres de oficio, curandeiros, velha guarda,

entre outros, que podem ser os mais velhos ou aqueles que assumem o papel

de representante dos saberes numa comunidade.

Para Sant’Anna (2008, p. 7), fomentar projetos relacionados à cultura popular significa pensar em processos ‘vivos’, cujo principal repositório é a mente, e cujo principal veículo é o corpo humano. Essas manifestações dependem diretamente dos indivíduos, grupos ou comunidades. Assim, somente a partir de seus detentores ou portadores é possível a fruição, o acesso ou o uso. A salvaguarda nesse campo deve estar mais orientada para a valorização do ser humano e o seu saber, do que para a preservação ou valorização de objetos e produtos.

Para finalizar este capítulo, alguns pontos devem ser resgatados. O primeiro deles é que estudar cultura é bastante complexo e amplo, o que faz com que o pesquisador faça escolha da sua trajetória de pesquisa. Neste caso, procurou-se entender como a cultura popular está inserida na atualidade, seja como prática cultural isolada, seja como relacionada ao mercado cultural. Para isso, tornou-se importante entender o que é cultura de massa e indústria cultural e qual o papel dos intermediários culturais.

63 Em síntese, pode-se dizer que hoje não existe uma cultura popular totalmente isolada, como queriam os folcloristas. A cultura popular é sobrevivente, passou do campo para cidade, transformando-se e resignificando-se, mas sem perder seu caráter simbólico e identitário para os grupos detentores de tais bens culturais.

A questão da identidade torna-se assim um ponto de referência para se entender a cultura popular, pois é a partir da identidade que se constroem os símbolos culturais que serão utilizados como determinantes para a constituição dos significados culturais de unidade dos atores sociais.

Por fim, o uso da cultura, cada vez mais, é visto como uma possibilidade de geração de trabalho e renda e de proporcionar cidadania, situação observada no decorrer dos próximos capítulos em que discute a postura do Estado brasileiro e seu investimento nessa ideia, fazendo da cultura uma forma de intervenção social a fim de proporcionar além do desenvolvimento cultural, o desenvolvimento socioeconômico.

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