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Identitetsutvikling i et generasjonsperspektiv

Quanto ao uso de sintagmas de três componentes registramos:

F1 I "[,,,] a menos que queira falar perguntando.”

L2 "[...] a menos que queira continuar perguntando.”

F2 I “Eu prefero de ficar voando.” L2 “Prefiro ficar voando.”

F3 I “(Isso) pode ser para atrapalhar muito.”

L2 “(E isso) serve para atrapalhar (acaba atrapalhando29) muito.”

Em 1, cria-se um sintagma correto do ponto de vista gramatical, queira falar

perguntando pelo fato de ele apresentar uma relação sintática bem esmerada. No

entanto, nota-se uma falha na escolha lexical do segundo componente da expressão, pois usou-se o verbo falar, seguido do perguntar, gerando uma certa redundância.

Em 2, apesar do erro de regência verbal encontrado na presença da preposição de em prefero de ficar, construiu-se muito bem o sintagma.

Em 3, registra-se em português uma expressão artificial, pode ser para

atrapalhar muito, que foi de certo modo transferida do inglês, create an obstacle. O

contexto nos revela claramente a intenção do falante, exteriorizada de forma objetiva na correspondência em L2, serve para atrapalhar ou acaba atrapalhando.

Cabe considerar que se compararmos as expressões: pode ser para

atrapalhar e acaba atrapalhando, vemos que a segunda é mais sintética, mais

própria e objetiva ― acrescenta mais espontaneidade à manifestação do falante. Examinando as dificuldades expostas nesse elenco de sintagmas, verificamos que algumas expressões não aparecem nas falas analisadas apesar de serem requisitadas e funcionais para uma comunicação eficiente na L2, como é o caso de

ficar+gerúndio e de acabar+gerúndio. Trata-se de um recurso que consideramos não

assimilado ocasionando tentativas de "ensaio e erro" nas situações de comunicação dos falantes da L2, que necessitam de uma aprendizagem mais efetiva para o domínio da língua, considerando-se que os referidos sintagmas estão diretamente condicionados ao uso e possíveis transferências do versátil -ing para suas funções de gerúndio (-ndo) e infinitivo em português (-r).

O sintagma acabar+gerúndio aparece subentendido em outras ocorrências que comprovam sua funcionalidade na busca de formas mais naturais de expressão.

Observem-se a falas:

F1 I “Não existe um médio para eles trabalham e usam esta língua; então o país do Brasil perder estes estudantes de línguas.”

L2 “Não existe um meio de eles trabalharem e usarem essa língua; então

o Brasil perde (acaba perdendo esses estudantes).”

Tem-se nessa fala mais um caso evidente da necessidade de se reconhecer a pertinência do sintagma acabar + gerúndio, que se acha subjacente ao infinitivo

perder, escolhido como um recurso de comunicação, dada a incapacidade de se

flexionar adequadamente os verbos, de acordo com o modo e tempo convenientes, ou por não se achar uma outra forma de expressão substitutiva desse infinitivo.

Além da improcedência na opção pela conjunção mas, colocada em lugar do advérbio infelizmente, há uma remota possibilidade de o falante, pelo tipo de construção criada (presente do indicativo, tempo simples), não ter conseguido localizar uma forma de expressão mais apropriada ao contexto, que representasse melhor seu pensamento e que coincide com o que se propõe o referido sintagma. As interpretações sugeridas entre parênteses, em L2, bastante afastadas do que podemos observar na fala do entrevistado, demonstram o que deixa transparecer uma inadequação metodológica de ensino de português para estrangeiros.

Esses dois casos merecem atenção, pois os referidos sintagmas verbais em L2, correspondem a uma paráfrase bem adequada ao contexto, acaba perdendo e

acabei aprendendo por se tratar de uma forma de expressão usual e bem própria da

língua portuguesa, que vem dar ao diálogo um cunho mais autêntico. No entanto, com base nas falas elencadas, sua pertinência não é percebida.

Consideramos, então, que expressões do tipo ficar, acabar+gerúndio, eventualmente não memorizadas por falhas nas técnicas de condicionamento e retenção, deveriam fazer parte do syllabus estabelecido no programa de português para estrangeiros, já que reconhecidas pela sua funcionalidade em situações de comunicação.

Formas não usuais ou importadas do inglês, expressões e combinações que geram manifestações confusas e apelativas do pensamento, denunciam um inventário ainda precário que requer reestruturação.

Outro caso bastante significativo encontra-se na expressão eu estou nervioso na fala:

F3 I “Eu estou nervioso você vai usar por uma outra assunto”.

A expressão eu estou nervioso que significa em português “eu estou preocupada”, pode ser parafraseada, ainda, como já observamos anteriormente, da seguinte maneira:

F2 I “[...] mas eu acho que eu aprende português da rua com os lojas, [...].

L2 “Infelizmente eu acho que (no fim) eu aprendi (acabei aprendendo.

F3 L2 “Eu estou achando que você vai usar [ ...]”

O sintagma introdutório eu estou achando, seria a expressão apropriada, coloquial e freqüente nos diálogos, para demonstrar a insinuada preocupação pela contextualização da fala em L2.

Todas essas dificuldades, confirmando insuficiência nas práticas e aplicações metodológicas do ensino de português para estrangeiros, seriam resolvidas com base em pesquisas e uma elaboração cuidadosa do material a ser adotado, que exigiria o acompanhamento paralelo de um treinamento mais apropriado a diferentes situações.

Nossa investigação deixa transparecer que o conhecimento e domínio de algumas expressões específicas e prioritárias pela sua freqüência e utilização prática são pré-requisitos significativos na seleção e organização do material lingüístico.

Acreditamos ser ainda pertinente acrescentar duas falas em que o uso da preposição com estabelecer uma relação entre essa preposição e as formas nominais de gerúndio e particípio, gerando interferências que, apesar de não afetarem diretamente a comunicação, não são aceitas pelos defensores da gramaticalidade lingüística:

F1 I “[...]. os funcionários de Consulado ajudam com o residência.” L2 “[...] os funcionários do Consulado nos ajudam a encontrar uma

residência.” e

F2 I “Depois do jantar, a família, a erma fica com televisão [...]"

L2 “Depois do jantar, a família toda ficava assistindo à televisão [...]"

Esses casos apresentam uma estrutura que envolve indiretamente as formas nominais de infinitivo e gerúndio pelo fato de estarem eles implícitos no uso da preposição com. No primeiro caso empregou-se a preposição com em lugar do verbo regido encontrar – um infinitivo – que completaria o sintagma ajudam a

encontrar. No segundo, a preposição com foi inadequadamente usada na função de

uma outra forma nominal: o gerúndio assistindo. Em resumo, a presença da preposição com na fala dos entrevistados apresenta duas vertentes: remete a dois

significados diferentes transmitidos pelas respectivas formas nominais, que, apesar de implícitas, assumem um papel preponderante na interpretação do texto. Além disso, o uso inadequado dessa preposição faz parte das alternativas adotadas para que sejam supridas as dificuldades encontradas nos atos de fala dos entrevistados.

Enfim, o uso improcedente da referida preposição acabou gerando expressões que, apesar de impróprias, mereceram destaque pela sua pertinência em nosso trabalho, que se propõe a levantar as dificuldades reveladas pelos falantes da L2, sobretudo aquelas que contrariam a gramaticalidade do texto, comprometendo a comunicação.

Da análise dos sintagmas verbais, evidenciou-se a dificuldade dos falantes quanto à estruturação desses sintagmas. Além das inadequações semânticas observadas (deve dar por possa, consiga dar), ocorre a flexão de todos os componentes do sintagma (preferimos tem) , introduzem elos desnecessários desvirtuando a regência de verbo auxiliar (preciso de estudar), não constroem o tempo composto no sintagma verbal mudando o aspecto do verbo regente (li por

conseguia ler, pontual por freqüentativo), usam ir+gerúndio de forma viciosa (vou ir),

omitem o sintagma interrompendo a fala (uma vizinha também [...]), usam a preposição com para substituir as formas nominais do verbo (ficar com televisão por

ficar assistindo à televisão), contaminação fonética (posso entendo), ausência do elo

que relaciona os elementos do sintagma (gosto falar), não localização de sintagmas formados por ficar e/ou acabar+gerúdio responsáveis pela intencionalidade da fala (aprende português por acabei aprendendo). Portanto, os erros decorrem tanto pelas inadequações lexicais quanto pelas omissões de elementos necessários e ainda pelo acréscimo aleatório de outros, prejudicando a comunicação.

Passamos a seguir à observação dos sintagmas formados por nomes, substantivos ou adjetivos