Quando o termo secundário for um particípio, podem ser encontrados problemas que deverão ser bem observados.
20 Em Complementos del genitivo, John Wonder chama o termo modificado de termo primário e o modificador, de termo secundário, portanto, para ele, a palavra homem, em 4 A, é um termo primário; o complemento precedido da preposição de, em de estatura, termo secundário, e o adjetivo médio, termo terciário.
Em espanhol, segundo Wonder, quando o complemento for um infinitivo, o termo terciário poderá, às vezes, modificar tanto o termo primário quanto o secundário. Observem-se as expressões:
Una historia de contar largo. Una historia larga de contar.
Nas sentenças seguintes, não acontece o mesmo:
Una tarea de hacer dificil
Una tarea dificil de hacer.
Analisem-se as expressões:
A. Um banco feito de madeira. B. Um caminhão carregado de frutas. C. Um tanque cheio de gasolina. D. Um ladrão crivado de balas. E. Um presidente amado do povo. F. Uma senhora avançada de idade. G. Um menino crescido de corpo.
As expressões de A a D não admitem dupla aplicação do termo secundário. As inversões só seriam possíveis nas três últimas; a F tem até uma estrutura melhor, mas convém observar que a E passaria a ter outro sentido.
De A até E há particípios passados de verbos transitivos, embora em C se encontre a palavra cheio usada só como adjetivo.
Pelas orações de A a G vemos que os modificadores precedidos de de, termos terciários, completam o sentido que falta aos particípios passados, termos secundários.
Em A encontramos a preposição de precedendo um modificador que traz a idéia de matéria; em B, C e D, a idéia de instrumento; em E a preposição de indica o agente da passiva.
Particípios de verbos intransitivos ou usados intransitivamente formam com freqüência expressões que carregam idéia de referência, é o caso da F e G.
É importante destacar que, se retirarmos os termos secundários de A, B e C, as expressões não sofrerão alteração de sentido.
Observemos o seguinte:
A. Um banco (feito) de madeira. Um banco de madeira. B. Um caminhão (carregado) de frutas. Um caminhão de frutas. C. Um tanque (cheio) de gasolina. Um tanque de gasolina.
O mesmo não acontece com as outras expressões que sofrerão ora falha, ora uma alteração completa de sentido, como é o caso de: ladrão (crivado) de balas. que difere de ladrão de balas.
Considerando tais problemas em inglês e mantendo-se o asterisco para as construções agramaticais, inadequadas ou ambíguas, tem-se:
1A. He is a man of average height. 1B. * He is a man average of height. 2A. *A building of full store-windows. 2B. * A building full of store-windows.
3A.*A girl red with shame. 3B. A girl with red shame. 4A.*A hard to do homework. 4B. A homework hard to do. 4C. * Homework to do hard. 5A. A man of high intelligence21
5B. * A man high of intelligence
6A. A long story to tell. 6B. *A story to tell long. 6C. A story long to tell.
21 Buscando as orações subordinadas adjetivas profundas desta estrutura,teremos o seguinte: A man has
intelligence. The intelligence is high, dando na superficial diferentes possibilidades: a) A man of high intelligence;
e, considerando-se que o adjetivo é modificador do substantivo e o advérbio, modificador do adjetivo, se o substantivo, nessa estrutura, se transformar em adjetivo, o adjetivo primeiro irá normalmente se transformar em advérbio, daí termos outras estruturas possíveis: A man who highly intelligent. ? b) A highly intelligent Man. Encontramos freqüentemente tais expressões nas língua portuguesa e inglesa, apresentando variações sintáticas coincidentes, embora haja, às vezes, necessidade de subentender termos que venham provar melhor o uso da norma padrão, ou seja, gramatical.
Ele é compreensivo.
Ele é de (grande) compreensão. Ele tem (muita) compreensão.
He’s understanding.
He’s a man of understanding. * He has understanding. Ele é político.
Ele é homem de política. Ele tem política. (no que fala)
He’s a political man. He’s a man of politics. * He has politics. Paulo é belo.
Paulo é de (excessiva) beleza. Paulo tem beleza.
Paul is beautiful. * Paul is of beauty. Paul has beauty. Ele é cuidadoso.
Ele é (pessoa) de (muito) cuidado. Ele tem cuidado.
Paul is careful. * Paul is of care. * Paul has care
Como vemos, é muito comum em Português encontrarmos modificadores formados de prep + substantivo, usados em lugar de um adjetivo: Homem de juízo (ajuizado). Homem sem juízo (desajuizado).Em inglês é mais comum encontrarmos substantivos exercendo tais funções: Paper Money. Rubber bands.
7A. A chief with a wicked heart. 7B. * A chief wicked with a heart.
Como se pode observar nessas orações, parece não ser possível, em inglês, que um mesmo modificador possa funcionar como termo secundário e terciário, dando às orações um mesmo significado. Há, porém, alguns casos que permitem alguma semelhança com o português. Nas expressões 2A e 2B, encontramos a palavra full funcionando como termo secundário e terciário. Tal possibilidade dá às frases significados completamente diferentes. Nas 3A e 3B, aparece um caso bem semelhante ao da língua portuguesa, em que o problema não mais é sintático: é semântico. As expressões 4B, 4C, 5A, 5B, 6A, 6B e 6C, apresentam possibilidades estruturais bastante semelhantes às do português.
Consideremos agora as seguintes expressões:
A. A bench made of wood. A bench of wood. B. Bands made of rubber. Bands of rubber. C.A truck full of fruit. A truck of fruit.
D.A tank full of gas. A tank of gas.
E. A thief full of bullets. * A thief of bullets.
F. A president loved by the people. * A president by the people. G. A lady advanced in age.
H. A well developed boy
* A lady in age. * A well boy
Essas expressões apresentam problemas semelhantes aos de português: as expressões A e B poderão existir sem os particípios , uma vez que suas idéias já estão contidas no modificador, indicador de matéria. O mesmo acontece com a C e D, que poderão permanecer sem adjetivo full, pois já se encontra subentendido no modificador que vem indicar nesse caso idéia de instrumento. O mesmo, porém, não acontece com a C, F e G, que exigem a presença do particípio, pois nessas estruturas os modificadores of bullets, by the people e in age se referem diretamente a eles e não ao termo primário thief, president e lady, isto é, são indispensáveis, por
não estarem contidos no modificador. O modificador of wood da A apresenta uma forma adjetiva correspondente: bench of wood. Wooden bench22.
As expressões B e D apresentam um caso bastante comum na língua inglesa: o modificador, ao sofrer a adjectival shift transformation, perde a preposição, ficando nele subentendido:
A. Bands of rubber. Rubber bands.
B. A tank of gas. A gas tank.
A expressão H traz como modificador um particípio ― também indispensável ― mas que não vem modificado por preposição + substantivo, mas sim por um advérbio.