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Excerto 1 (diálogo 2):

O tópico do exemplo a seguir versa sobre comentários sobre vizinhos (a coloquialmente denominada fofoca9). Nele, as interlocutoras possuem opiniões

discordantes, que não chegam a gerar conflito entre elas pois ocorre um gerenciamento adequado do rapport, com a produção de opiniões atenuadas.

As micro estratégias utilizadas, que serão analisadas segundo o uso e a contribuição na orientação do gerenciamento de rapport, foram:

(a) marcadores conversacionais de rejeição (ou disclaimers) e de distanciamento; (b) formas de auto-correção.

01 Carmen -¿Eh?

02 Maura -¿ Qué le pasó? 03

04

Carmen -Y nada. Le ... le dan muchísimo trabajo los chicos para estudiar. El otro día te encontraste con ella abajo, ¿no? 05

06 07 08 09

Maura -No ... eh ... eh ... la otra noche la encontré. Había ido a comprar el diario el chico, ella estaba esperando en la puerta porque dice que el chico no se duerme si no lee el diario antes, y ella no se lo deja leer si no estudia. ¿En qué colegio está el ... ?

10 Carmen -Está acá en el Carlos Pellegrini. Aquí en Charcas en ... 11

12

Maura -Ah, Carlos Pellegrini el chico. Pero es un monstruo ese chico.

13 Carmen - [...

14 Maura -Tiene cara... no tiene cara de r... una cara rara. 15

16

Carmen - No, a mí no me parece feo. No es feo ese chico. El más chico es más feo.

17 Maura -¿ El más chico? Tiene una cabeza de melón así grande.

18 19

Carmen -Ah, bueno, puede ser que la cabeza sea grande, pero la cara no es feo.

20 Maura -Ah...

21 Carmen -En cambio el mayor tiene una nariz de .... 1 - - 1 22

23

Maura -¿El mayor... el mayor se lla... el mayor... el mayor se llama Adrián?

24 Carmen -No, Adrián deben ser los chicos del primer piso.

Neste trecho (linhas 1-24) as interlocutoras conversam sobre crianças que vivem na vizinhança, começando pelo tópico colégio e estudos. Há um segmento em que elas criticam a aparência de uma criança (linhas 11-21), no qual Maura começa por dizer que a criança “...es un monstruo” (linhas 11-12), para, em sua fala seguinte (linha 14), fazer uma auto-correção, atenuando e dizendo que a criança possui um rosto pouco comum, diferente, singular: “...una cara rara”.

10 Carmen -Está acá en el Carlos Pellegrini. Aquí en Charcas en ...

11 12

Maura -Ah, Carlos Pellegrini el chico. Pero es un monstruo ese chico.

13 Carmen - [...

14 Maura -Tiene cara... no tiene cara de r... una cara rara. 15

16

Carmen - No, a mí no me parece feo. No es feo ese chico. El más chico es más feo.

17 Maura -¿ El más chico? Tiene una cabeza de melón así grande. 18

19

Carmen -Ah, bueno, puede ser que la cabeza sea grande, pero la cara no es feo.

20 Maura -Ah...

21 Carmen -En cambio el mayor tiene una nariz de .... 1 - - 1

O trecho acima gera uma discordância entre elas, com Carmen dizendo (linha 15) que, na opinião dela, a criança não é feia. A outra criança menor (eles devem ser irmãos) sim que, na opinião dela, é feia. Carmen utiliza a estrutura “a mí no me parece

feo”10.

A resposta de Maura é “¿El más chico?”(o menor?), e prossegue com uma afirmação (linha 17) que gera um segmento de fala dúbio na conversação. Ela diz: “Tiene una cabeza de melón así grande.”, e não se sabe se ela está se referindo à criança menor ou à maior. Carmen não concorda com a opinião de Maura (linhas 18-19): “Ah,

bueno, puede ser que la cabeza sea grande, pero la cara no es feo.”, e por essa

10 Segundo Consuelo Alfaro Lagorio, essa é uma seqüência formulaica, fazendo o verbo parecer parte do grupo de dativos ‘canônicos’ que em espanhol são recorrentes e produtivos. Esse verbo possui uma regência obrigatória me com a variação a mi (opinião manifesta durante defesa desta tese).

afirmação deduz-se que Maura se referia à criança maior, pois Carmen concorda em parte com Maura, mas diz novamente que a criança não é feia. Na opinião dela, a menor é mais feia que a maior.

As falas discordantes que ocorrem nesse segmento de fala não chegam a gerar um conflito entre as interlocutoras, uma vez que há um gerenciamento adequado do

rapport, com as falantes produzindo opiniões atenuadas, migitadas. A discordância com

relação à aparência das crianças, portanto, não chega a comprometer o bom andamento da conversa, que prossegue normalmente, voltando ao tópico colégio e estudos.

Excerto 2 (diálogo 1):

As micro estratégias utilizadas no trecho abaixo foram:

(a) fazer perguntas ou pedidos de esclarecimento (pedir explicações) (em negrito) (b) oferecer razões / dar explicações (tipo escusa / justificativa) (em negrito e itálico) (c) estratégia de modéstia e/ou auto-depreciação (em negrito e itálico)

01 02

Tereza -Yo creía--- que vos habías dejado la enseñanza del alemán. 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12

Marta -Pero--- es que yo no puedo decir que enseñe alemán, me da vergüenza. Tanto, que esta chica me dice: "i Pero Marta, qué lecciones largas, pero qué barbaridad! Pero no me cobra más que... eh... lo que me ha cobrado el año pasado por una hora." "No, hija", le digo yo. Son lecciones muy poco académicas, en las que yo recurro al diccionario, y en las que yo consulto la gramática en presencia de ella. Pero yo creo que ella prefiere--- que haga así un trabajo de sinceridad--- y no que me presentara como una gran profesora no siéndolo.

13 14

Tereza -¿Y por qué te has olvidado de una de tus alumnas--- que has dejado completamente a un lado?

15 16

Marta -Porque es una vaga que se la pasa viajando. Y cuando viene acá--- se lo pasa paseando...

17 18 19

Tereza -Como definición me parece muy bonito, porque está escrito en tono de soneto, con ritmo de soneto, pero no responde a la verdad.

20 Marta -Yo creo que sí. Tengo… tengo otra amiga ... 21

22

Tereza -Yo, mirá, creo francamente que no te interesaba, porque si no...

23 Marta -No, es que... 24

25

Tereza -Vos no sabés el beneficio moral--- que a mí me hace una lección de alemán.

26 27

Marta -Pero es que todas vienen a mí por beneficio moral; porque esta chica me decía: "Me hace falta..."

29 30 31

Marta -No no, porque esos pi... ahora tiene este trabajo nuevo, pero el año pasado me decía: "Me hace falta el alemán y me hace falta M. R."--- El beneficio moral... moral...

Tereza (linhas 1-2) faz, através de indiretividade, um questionamento a sua amiga Marta, que responde (linhas 3-12) com estratégias de dar explicações e/ou razões (tipo escusa / justificativa), que têm como finalidade a manuteção do rapport da relação. Note-se que ela o faz ao longo de 10 linhas, o que demonstra sua grande preocupação com a opinião / avaliação de sua amiga Tereza.

Marta também recorre (linhas 3-4 e 11-12), ao longo de suas justificativas, à estratégia de modéstia (ou de auto-depreciação), ao dizer que ela não pode ser considerada professora de alemão. Ela também (linhas 4-5) lança mão de argumentos (através da fala de sua aluna) que corroborem o que ela deseja comprovar, isto é, que ela não é realmente professora de alemão.

Confira-se (em negrito e negrito com itálico): 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12

Marta -Pero--- es que yo no puedo decir que enseñe alemán, me da vergüenza. Tanto, que esta chica me dice: "i Pero Marta, qué lecciones largas, pero qué barbaridad! Pero no me cobra más que... eh... lo que me ha cobrado el año pasado por una hora." "No, hija", le digo yo. Son lecciones muy poco académicas, en las que yo recurro al diccionario, y en las que yo consulto la gramática en presencia de ella. Pero yo creo que ella prefiere--- que haga así un trabajo de sinceridad--- y no que me presentara como una gran profesora no siéndolo.

Novamente Tereza (linhas 13-14) pede explicações à Marta, questionando as que esta havia dado anteriormente (isto é, porque Marta pode dar aulas para outra pessoa e não para ela). Marta, mais uma vez (linhas 15-16), recorre às micro estratégias de oferecer razões / explicações que, mais uma vez, não são aceitas por Tereza. Esta (linhas 17-19) recorre à ironia para mostrar que não acredita nas razões dadas por Marta. Confira-se:

13 14

Tereza -¿Y por qué te has olvidado de una de tus alumnas--- que

has dejado completamente a un lado? 15

16

Marta -Porque es una vaga que se la pasa viajando. Y cuando viene acá--- se lo pasa paseando...

17 18 19

Tereza -Como definición me parece muy bonito, porque está escrito en tono de soneto, con ritmo de soneto, pero no responde a la verdad.

21 22

Tereza -Yo, mirá, creo francamente que no te interesaba, porque si no...

23 Marta -No, es que...

Marta (linhas 20 e 23) faz novas tentativas de explicação, interrompidas e rebatidas por Tereza, que (linhas 21-22) reafirma sua posição dada anteriormente (linhas 1-2), isto é, de que Marta não mais desejava dar aulas de alemão. A seguir, Tereza (linhas 24-25) agrega argumentos que justificam o fato de ela estar tão aborrecida: as aulas de alemão são, para ela, um benefício moral. Marta, porém, argumenta (linhas 26-27) que todas dizem a mesma coisa, ao que Tereza (linha 28) rebate, dizendo que para a aluna de Marta as aulas são uma necessidade de trabalho. Marta (linhas 29-31) se utiliza novamente da micro estratégia de dar justificativas, dizendo: “... ahora tiene este trabajo nuevo, pero el año pasado me decía...”.

24 25

Tereza -Vos no sabés el beneficio moral--- que a mí me hace una lección de alemán.

26 27

Marta -Pero es que todas vienen a mí por beneficio moral; porque esta chica me decía: "Me hace falta..."

28 Tereza -No, ella va por necesidad también. 29

30 31

Marta -No no, porque esos pi... ahora tiene este trabajo nuevo, pero el año pasado me decía: "Me hace falta el alemán y me hace falta M. R."--- El beneficio moral... moral...

A continuação, as interlocutoras chegam a um acordo com relação a Marta voltar a dar aulas para Tereza, comprovando que todo o esforço de Marta no sentido de valer-se de estratégias para manter o rapport da relação foi recompensado.

Excerto 3 (diálogo 1):

No segmento abaixo Marta recorre à micro estratégia de pseudo-acordo (concordar para em seguida discordar). Esta estratégia tem a finalidade de evitar a discordância direta ao interlocutor, favorecendo, assim, a manutenção do rapport da relação. 01 02 03 04 05 06 07 08 09

Marta -Mirá, vos le fuistes--- a enseñar el mecanismo de la puerta- -- En materia de puertas lo más original, para mi modo de ver, es la que ha puesto--- Erwin Rubens en su casa. Vos tocás la campanilla--- y empieza un sonido musical- - - de varillas metálicas que se chocan entre sí; y así vos apretés el botón con fastidio, con apuro, con rabia, eso no sale de su ritmo--- y tenés--- que aguantarte que vengan a abrirte cuando les da la gana. No es lo mismo--- que cuando vos apretás el botón y con rabia le das y le das y le das.

10 Tereza -Sí. 11

12

Marta -Y yo le digo: "Mire, acá tiene uno que dejar todo malhumor. . . porque no hay caso; te contesta una musiquita.

13 Tereza -Porque es un sonido continuo, melódico, como una música. 14

15 16 17

Marta -Sí sí; no es --- continuo porque es s ... ensegmento de falacan unas cuatro o e... los cuatro o cinco caireles--y después--- se acaba; y vos volvés a tocar--- y vuelve otra vez a producirse lo mismo.

18 Tereza -Entonces hay que probar la paciencia--- del visitante. A construção colaborativa feita por Tereza (linha 13) gera um pseudo-acordo (linha 14) por parte de Marta, que recusa a afirmação de Tereza “…es un sonido

continuo,…”, dizendo: “Sí, sí; no es …continuo porque es …”. Marta discorda de

Tereza, porém, antes de fazer o reparo necessário (no es… continuo porque es…), utiliza as partículas Sí, sí;. Deste modo ela primeiro concorda para depois discordar. Com isso, ela evita a discordância direta a sua interlocutora.

Os motivos que levaram Marta a utilizar-se da estratégia de pseudo-acordo foram: (i) o fato de sua interlocutora haver produzido uma fala colaborativa a sua narrativa; e (ii) estar orientada no sentido de manutenção do rapport da relação.

Excerto 4 (diálogo 1):

No segmento abaixo Marta lança mão da micro estratégia de concordância com ressalva, para não quebrar a seqüência de falas colaborativas de Tereza e evitar que a discordância direta gerasse algum tipo de desentendimento.

16 Tereza -Es una manera muy interesante de objetivar la gramática. 17 Marta -Claro.

18 Tereza -De hacerla objetiva... 19

20

Marta -Y de que los chicos aprendan; porque por regla general--- los chiquitos...

21 Tereza -. . y de participar en ella. 22 Marta -Claro, parece...

23 Tereza -Porque de otra manera es el libro y el niiío. 24 Marta -Sí.

25 26 27

Tereza -Y nada más que las pequeñas letras que él tiene que ir descifrando el significado; de la otra manera se crea un poco.

28 29 30

Marta -María Victoria también ha inventado juegos--- en que el chico tiene que hablar y el otro tiene que contestar, y así se acostumbran al... al diálogo.

32 metodología de la gramática. 33

34

Marta -Pero--- en este renglón y ese grupo de personas, porque yo creo que eso no está muy generalizado.

35 Tereza -No, creo que no.

Marta (linhas 33-34) utiliza-se da partícula pero e do marcador de atenuação “yo creo que” para marcar que a opinião de Tereza (linhas 31-32) procede, porém não de maneira generalizada: “Pero… en este renglón y ese grupo de personas, porque yo

creo que eso no está muy generalizado.”

Essas estratégias atenuadoras devem-se ao fato de Marta estar discordando de sua interlocutora (atividade despreferida). Logo em seguida (linha 35) Tereza concorda com o reparo feito: “No, creo que no.” A estratégia utilizada por Marta foi a da concordância com ressalva, pois discordar abertamente e de forma direta do interlocutor pode gerar conflito entre as partes, e costuma ser evitado quando o falante está orientado para a manutenção do rapport da relação.

Excerto 5 (diálogo 3):

As micro estratégias utilizadas no segmento a seguir são: (a) pressuposições (que se confirmam);

(b) adjetivação avaliativa.

30 31 32

Mercedes -Exacto Me parece que es lo más interesante porque--- hoy sería ridículo, por ejemplo, concebir un---Versailles, ¿no?

33 34

Carlos -Ajá. Y sobre todo como está Versailles desmantelado, ¿no?

35 Mercedes -Sí, no. Bueno, Versa... claro. 36

37

Carlos -A mí me... a mí Versailles me decepcionó. Te voy a decir por qué.

38 Mercedes -Porque no viste muebles, ¿verdad? Nada. 39

40

Carlos -Nada, nada. Salones. El salón de los espejos, salón grande y después y después...

41 Mercedes -Claro.[...] magnífico, ¿no? 42 Carlos -Ah, sí. Magnífico.

43 Mercedes -Grandioso. 44

45

Carlos -Eh... las habitaciones vacías. En cambio Fontainebleau me gustó.

46 Mercedes -Bueno, porque tiene más de la época de Napoleón, ¿no? 47 Carlos -Sí, sí. No no. Y además esté...

48 Mercedes -El mobiliario. 49 Carlos -Sí, el mobiliario.

Mercedes (linha 38) faz uma pressuposição com relação à afirmação de Carlos (linhas 36-37): “A mí me... a mí Versailles me decepcionó. Te voy a decir por qué.”, que se confirma (linha 39). Em seguida, há o uso de adjetivação avaliativa (linhas 41-43). A continuação, Mercedes (linha 46) arrisca novamente uma pressuposição com relação à afirmação de Carlos (linhas 44-45): “En cambio Fontainebleau me gustó.”, pressuposição essa que se confirma (linhas 47-49).

Excerto 6 (diálogo 1):

As micro estratégias utilizadas no segmento a seguir são: (a) pressuposições equivocadas (não se confirmam);

(b) demonstração de solidariedade.

57 58 59

Tereza -Yo comprendo; por ese motivo te he respetado y no te las he pedido, pero me hubiera hecho bien porque me levanta- - - y además porque...

60 Marta -Te levanta de la cama. 61 Tereza -No puedo decirte...

62 Marta -Te levanta de la cama, ¿no? 63

64

Tereza -No, no me levanta de la cama: me levanta el ánimo, que es más importante.

65 66

Marta -Bueno, pero si es así, decí, yo creía que—estabas- -- llena de obligaciones sociales.

No início do trecho acima, Tereza (linhas 57-58) demonstra solidariedade para com sua amiga Marta, ao afirmar: “Yo comprendo; por ese motivo te he respetado y no te las he pedido,...”.

Em seguida, por dois turnos seguidos (linhas 60 e 62) Marta oferece o complemento “Te levanta de la cama”, sendo, na segunda vez, corrigida por Tereza, que responde fazendo a correção: “-No, no me levanta de la cama: me levanta el ánimo, que

es más importante.” (linhas 63-64).

Esse segmento de construção colaborativa (linhas 57-64) não é bem sucedido, uma vez que a pressuposição feita por Marta sobre o motivo de as aulas de alemão

fazerem bem a sua amiga Tereza não correspondiam à realidade. Ao dizer “pero me

hubiera hecho bien porque me levanta…” (linha 58), Tereza não queria dizer, como

pressupôs Marta, que as aulas a levantariam da cama, mas sim que “... me levanta el

ánimo, que es más importante.” (linha 63-64). Pode-se dizer que o ocorrido foi uma

pressuposição de conhecimento compartilhado que estava equivocada.

Tereza, porém, ao recusar o complemento dado por sua amiga (que ela decodifica em seu sentido literal, isto é, levantar-se da cama para ir à aula) pode também ter-se equivocado, uma vez que sua interlocutora poderia estar falando em sentido metafórico. Vale salientar que a correção de Tereza à pressuposição feita por Marta não prejudica o rapport da relação, como se evidencia no turno seguinte (linhas 65-66), no qual Marta compreende os motivos de sua amiga e tenta chegar a um acordo com ela.

5.2.2 Micro estratégias destinadas à MAXIMIZAÇÃO de rapport: maximização /