implementation in formal education
5.2 Identifying key actors in ESC implementation in non-formal and
Cada sujeito tem o seu jeito de aprender e o seu ritmo, principalmente quando nos referimos aos educandos com deficiência, transtorno global do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, os quais deverão ser respeitados pelos pais e educadores, que são os responsáveis diretos pela educação das crianças. Contudo acredita-se que brincando se aprende melhor, com mais entusiasmo e significado.
O brincar proporciona a aquisição de novos conhecimentos, desenvolvendo habilidades de forma natural e agradável. Brenelli (1996) insiste em que o jogo é uma necessidade básica da criança, é essencial para um bom desenvolvimento motor, social, emocional e cognitivo. A busca do saber torna-se significativa e prazerosa quando a criança aprende brincando. É possível, por meio do brincar, formar indivíduos com autonomia, motivados e capazes de aprender, fazendo do brincar momentos de grandes conquistas.
Ele deve ocupar um lugar especial na prática pedagógica, sendo um espaço privilegiado na sala de aula e na sala de recursos. A brincadeira e o jogo precisam vir ao encontro da escola, Gersos faz importantes considerações sobre o brincar:
Brincar é importante em todas as fases da vida. A maneira como isto acontece difere nas idades e nas épocas, mas o prazer e a necessidade são os mesmos. Necessidade de libertar-se, de fantasiar, de criar e divertir. Prazer em explorar, extravasar, relacionar-se consigo e com o outro. Estas são apenas algumas contribuições da relação existente entre o humano, o brincar e o criar. (Gersos apud Haetinger; Haetinger, 2006, p.60)
Muito pode ser trabalhado a partir de jogos e brincadeiras: contar e ouvir histórias, dramatizar, jogar, desenhar etc. Tais atividades lúdicas constituem meios prazerosos de aprendizagem, com os quais o próprio aluno interage espontaneamente brincando.
Jean Piaget cita fatos e experiências lúdicas aplicadas em crianças, e deixa transparecer claramente seu entusiasmo por este processo. Para ele, os jogos são meios que enriquecem o desenvolvimento intelectual. Ele lembra que:
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Os métodos de educação das crianças exigem que se forneça às crianças um material convincente, a fim de que jogando, elas cheguem a assimilar as realidades intelectuais que sem isso permaneçam exteriores a inteligência infantil. (Piaget, 1981, p. 158)
Diante do desafio de deixar as crianças viverem o seu mundo e nelas desenvolver, ao mesmo tempo, certas habilidades facilitadoras da aprendizagem, as atividades lúdicas podem e devem ser utilizadas na escola como instrumento de apoio pedagógico, fazendo parte de uma metodologia que vise o desenvolvimento psicomotor, cognitivo, afetivo e social da criança.
Dando ênfase à importância de orientações e de se fixar diretrizes pedagógicas para a introdução do lúdico na escola, vale a pena lembrar que a atividade do brincar por si só produz efeitos positivos para o desenvolvimento infantil. Moyles (2002) esclarece que no brincar se reconhece um meio de proporcionar situações naturais de aprendizagem, pois juntamente com a teoria, o conhecimento também se dá por experiências vivenciadas e pela troca entre os colegas, criando um espaço de apropriação e ressignificação de conhecimentos.
Nas brincadeiras, as crianças podem encontrar respostas, sanar dificuldades, bem como interagir com seus semelhantes. São momentos, que necessariamente vão exigir participação e engajamento. É no universo de relações cotidianas que o brincar proporciona à criança o desenvolvimento de suas potencialidades e a aprendizagem dos novos conceitos. Almeida afirma que:
O jogo mantém relações profundas entre as crianças e as faz aprender a viver e crescer conjuntamente nas relações sociais. O jogo não é uma atividade isolada de um grupo de pessoas formadas ao acaso: reflete experiências, valores da própria comunidade em que estão inseridos. (Almeida, 2000, p.53)
O brincar é vital para o desenvolvimento infantil em perspectivas: social, cognitiva, cultural e histórica. Os educadores passam a buscar informações sobre o lúdico para melhor entendê-lo e, assim, podem utilizá-lo na construção do aprendizado, enriquecendo o trabalho pedagógico. Munhoz faz colocações importantes sobre isto:
As brincadeiras enriquecem o currículo podendo ser propostas na própria disciplina, trabalhando assim o conteúdo de forma prática e no concreto. Cabe ao professor, em sala de aula ou fora dela, estabelecer metodologias e condições para desenvolver e facilitar este tipo de trabalho. (Munhoz, 2003, p. 29)
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Na idade escolar a criança começa a incorporar os conhecimentos de forma mais sistematizada. Segundo Vygotsky:
Na idade escolar, o brinquedo não desaparece, mas permeia atitude em relação a realidade. Ele tem sua própria continuação interior na instrução escolar e no trabalho (atividade compulsória baseada em regras). A essência do brinquedo é a criação de uma nova relação entre o campo do significado e o campo da percepção visual – ou seja, entre situações no pensamento e situações reais. (Vygotsky, 1991, p. 118)
Assim, as atividades escolares devem buscar um equilíbrio entre o esforço pessoal e o prazer, criando condições favoráveis para o aprender. Condições estas que devem ser opostas ao desprazer, ao penoso, pois isto pode levar ao sentimento de fracasso, à reprovação e até mesmo ao abandono escolar.
Ainda de acordo com Vygotsky, o jogo ajuda a construir a zona de desenvolvimento proximal e por isso deve ser utilizado no processo de aprendizagem, não só como a característica de recreação ou de avaliação de aprendizagem, mas como parte integrante do processo de aprender.
Um aspecto essencial do aprendizado é o fato de ele criar a zona de desenvolvimento proximal: ou seja, o aprendizado desperta vários processos internos de desenvolvimento, que são capazes de operar somente quando a criança interage com pessoas em seu ambiente e quando em cooperação com seus companheiros. Uma vez internalizados, estes processos tornam-se parte das aquisições do desenvolvimento independente da criança. (Vygotsky, 1991, p. 101).
Os momentos lúdicos são imprescindíveis para que o desenvolvimento cognitivo, motor e afetivo aconteça. Para aprender a ler, escrever, aprender conceitos matemáticos e os mais diversos conteúdos escolares, a criança precisa estar à vontade no ambiente escolar.
As novas experiências pelas quais as crianças vão passar em relação à aprendizagem, agora na escola, devem estar associadas a coisas boas. As novidades devem deixar marcas positivas para que a criança associe todas à escolaridade, a sensações gostosas. Levando em consideração a utilização das mídias, temos que ter claro a importância de um bom planejamento e objetivo para seu uso, como nos relata Demo:
Toda proposta que investe na introdução das TICs na escola só pode dar certo passando pelas mãos dos professores. O que transforma tecnologia em aprendizagem, não é a máquina, o programa eletrônico, o software, mas o professor, em especial em sua condição socrática. (Demo, 2008, p. s/n)
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É importante que o professor esteja atento, observando os seus alunos em todos os momentos. Enquanto brincam, as crianças se expõem mais, se envolvem em uma comunicação estimulante umas com as outras e, nestas ocasiões, o professor pode realizar observações bastante significativas. Isso vai ajudá-lo a conhecer e compreender muito melhor o aluno e, assim, planejar estratégias de ensino de acordo com as necessidades dos alunos, visando sempre desenvolver suas possibilidades, já que não existe uma única forma de aprender, como nos diz Barbosa:
[...] a aprendizagem acontece em situações concretas, de interação, como um processo contínuo e dinâmico em que se afirma, se constrói e desconstrói, se faz na incerteza, com flexibilidade, aceitando novas dúvidas, comportando a curiosidade, a criatividade que perturba, que levanta conflitos. (Barbosa, apud Maia; Scheibel, 2006, p.147)
Cabe ao professor, além de muitos atributos, oferecer várias opções para que aconteça a aprendizagem do conhecimento, pois como nos relata Leite:
[...] se o professor não dispõe de habilidades de pensamento, se não sabe “aprender a aprender”, se é incapaz de organizar e regular suas próprias atividades de aprendizagem, será impossível ajudar os alunos a potencializarem suas capacidades cognitivas (Leite apud Maia; Scheibel, 2006, p. 26)
Os professores devem oferecer uma variedade de situações e inovações que permitam diferentes oportunidades a diferentes crianças. Em se tratando do uso das tecnologias, Moraes, 1997 faz importantes considerações, “o simples acesso à tecnologia, em si, não é o aspecto mais importante, mas sim, a criação de novos ambientes de aprendizagem e de novas dinâmicas sociais a partir do uso dessas novas ferramentas”. Tornando, desta forma, importante o uso consciente dos jogos interativos com os alunos.
É importante salientar que o lúdico é um meio valioso para iniciar, promover e sustentar a aprendizagem dentro de uma proposta metodológica. É um auxiliar necessário, desde que usado de maneira responsável, com objetivos estabelecidos e entendidos como um processo, reconhecendo no brincar um meio de ensinar e aprender, dentro dos assuntos tratados na escola e como recurso de mediação no ensino dentro do Atendimento Educacional Especializado.
É importante o professor examinar cuidadosamente sua função, se o seu papel é o de mediador da aprendizagem, as coisas ficam diferentes e até um pouco mais fáceis, pois nesta
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perspectiva o professor vai ser o provedor de uma estrutura dentro da qual as crianças podem explorar, brincar, planejar e assumir a responsabilidade por sua aprendizagem. Como nos coloca Moyles:
O professor se torna um organizador efetivo da situação de aprendizagem, na qual ele reconhece, afirma e apoia as oportunidades para a criança aprender a sua própria maneira, em seu próprio nível e a partir de suas experiências passadas. (Moyles, 2002, p. 101)
Em termos de aprendizagem, aspectos como motivação, perseverança, concentração, cooperação, reflexão, autonomia e divertimento devem ser considerados. Estes aspectos vão permear todo o processo e, se o professor souber quais oportunidades lúdicas oferecer às crianças, com certeza será um ganho considerável para a aprendizagem, pois as crianças exibem todos esses traços ao brincar.
Como nos diz Fortuna (2005, p.90), a formação por intermédio da ludicidade pode proporcionar “a promoção e a construção de um saber único, com visão conjunta de um todo composto por muitos aspectos”. No entanto, os professores precisam estar atentos a vários fatores, que vão desde a organização de recursos a serem usados, até as necessidades individuais dos alunos. Os professores precisam ser perspicazes para interpretar tudo o que acontece. Como nos disserta Almeida:
O sentido real, verdadeiro, funcional da educação lúdica estará garantido se o educador estiver preparado para realizá-lo. Nada será feito, se ele não tiver um profundo conhecimento sobre os fundamentos essenciais da educação lúdica, condições suficientes para socializar o conhecimento e predisposição para levar isso adiante. (Almeida, 2000, p. 63)
Aceitar que o aprender através de jogos, enfocando os jogos interativos como estratégia de ensino pode obter resultados educacionais positivos, porém convencer todos os adultos, desde o corpo docente da escola até os pais, não é muito fácil, pois envolve uma quebra de paradigmas, como nos relata Moran (2009) “ensinar com novas mídias será uma revolução se mudarmos simultaneamente os paradigmas convencionais do ensino, que mantêm distantes professores e alunos. Caso contrário, conseguiremos dar um verniz de modernidade, sem mexer no essencial”.