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Como já mencionado, o Sindicato foi o responsável por intermediar o contato com os micros e pequenos empresários do APL calçadista de Birigui que participaram do programa Cooperar para Competir. E, devido a este fato, foi possível realizar as entrevistas em salas adequadas, de acordo com a metodologia escolhida para esta investigação. Assim, considerando-se os critérios estabelecidos e a programação estruturada, foi realizado um total de quinze entrevistas entre individuais e em grupo. Deste total, dez foram realizadas com os participantes do Grupo Graduado, sendo nove individuais e uma coletiva; enquanto que as outras cinco foram com os participantes do Grupo Novo, sendo quatros individuais e uma coletiva. As nove individuais do Grupo Graduado totalizaram, aproximadamente, 10 horas e 42 minutos de entrevistas, e a coletiva teve uma duração de 1 hora e 51 minutos. Já as quatro individuais do Grupo Novo tiveram, em média, uma duração total de 4 horas e 8 minutos, enquanto a coletiva foi de 1 hora e 24 minutos.

No Grupo Graduado, as entrevistas individuais foram realizadas antes da coletiva, à exceção de uma. Da coletiva participaram cinco sujeitos dos nove entrevistados individualmente. No Grupo Novo, a entrevista coletiva foi realizada antes das individuais, sendo que, ao passo que daquela participaram cinco sujeitos, somente quatro foram entrevistados individualmente.

Como melhor explicitado no tópico referente à metodologia, o professor Seiji, tendo em vista o objeto de estudo, optou pelo método qualitativo e pela pesquisa exploratória. Como estratégia de investigação utilizou o estudo de caso e a técnica de entrevista aberta foi considerada a mais adequada para esta pesquisa, uma vez que possibilitaria um melhor entendimento e análise do fenômeno em estudo.

A escolha de uma determinada metodologia e técnica de entrevista implica em uma determinada forma de comportamento e de condução das entrevistas (individuais e em grupo). Nesse sentido, antes de iniciar a entrevista propriamente dita, o entrevistador apresentava-se, agradecia pela participação do entrevistado e pedia sua autorização para a utilização do gravador; neste momento, devia ser explicado que a utilização do mesmo asseguraria tanto a segurança do entrevistado como a do entrevistador, assim como

garantiria a fidedignidade do material coletado. Além disso, também antes do início da entrevista, era estabelecido um contrato de confidencialidade com os sujeitos entrevistados. Tal contrato, apesar de variações, era realizado da seguinte forma:

“Garantimos a confidencialidade do que for dito, o que nos interessa é o conteúdo do que você disser. Além disso, você não será exposto de forma que possa ser identificado(a) e prejudicado(a); para garantir isso, seu nome não será divulgado, e em seu lugar será utilizado um nome fantasia ou uma letra qualquer do alfabeto. O que você nos disser será misturado com outras informações coletadas durante a pesquisa, outra garantia de que sua identidade não poderá ser identificada no trabalho que realizaremos.”

No início de cada entrevista, fazia-se a identificação do sujeito entrevistado, bem como o horário e o local da realização da entrevista no gravador. A seguir, era passada uma instrução ao entrevistado para que ele falasse a partir dela. As instruções para as entrevistas individuais eram diferentes das instruções para as entrevistas em grupo, assim como as instruções para os entrevistados do Grupo Graduado apresentavam variações em relação às do Grupo Novo devido ao fato dos sujeitos deste não terem continuado até o final do programa por causa de sua interrupção.

A introdução às entrevistas individuais, independente de a qual grupo o sujeito pertencesse, apresentava variações de entrevista para entrevista; contudo, a instrução padrão era:

“Gostaria, inicialmente, que você falasse de você, de sua história, de sua trajetória pessoal e profissional. Depois, queríamos saber como você soube do Programa Cooperar para Competir e como foi a sua participação. O que você achou deste curso, as coisas que você viveu, pensou e refletiu. Tudo o que você disser é importante. Mesmo aquilo que você não ache importante, nos diga, por favor. Para nós, tudo o que você falar é essencial, é de suma importância.”

Para fins de ilustração seguem dois exemplos de variações de instruções para sujeitos do Grupo Graduado, e dois de variações para os do Grupo Novo.

Instruções para o Grupo Graduado:

“Eu gostaria que você falasse de você, sua história, história pessoal e profissional, antes de mais nada, para contextualizar a nossa entrevista. Tá bom? Sua trajetória, trajetória pessoal, depois sua trajetória profissional, formação e assim por diante. Num segundo momento eu gostaria que você falasse da sua participação, né, nesses programas de APL e mais especificamente do Cooperar para Competir. Eu gostaria que você falasse como foi a experiência de participar desse programa Cooperar para Competir. O que você viveu, o que você pensou, o que você sentiu, o que você refletiu, qual foi o impacto que essa vivência, essa experiência teve para você. Nesse sentido, S3, tudo, tudo, que você falar é importante para nós, para nossa pesquisa; mesmo aquilo que você ache que não é importante. Eu gostaria que você falasse, porque para nós é importante. Mas tudo, tudo o que ocorre, tudo que você estiver pensando, refletindo, eu gostaria que você falasse. Ok?”

“... eu gostaria (tosse entrevistado) que você falasse inicialmente de você, sua história pessoal, profissional, tua trajetória, né?! para contextualizar, né?! a entrevista, então eu quero que você fale de você. E depois, como que você chegou, né?! a este posto, né?! Cooperar para Competir. O que você achou, como foi sua experiência, o que você viveu, o que você refletiu, né?! Como foi participar do Cooperar para Competir? E nesse sentido, assim, tudo que você falar, qualquer coisa que você falar para a gente é importante, mesmo assim aquelas coisas que você falar: “Ah! Vou deixar de lado.”, não deixe. Mesmo que você ache que não é importante, para nós é importante, nós somos pesquisadores. Você sabe; tudo que você falar, qualquer coisa que você falar pra nós é importante.”

Instruções para o Grupo Novo:

“... antes de mais nada eu gostaria que você falasse quem é você, sua história, sua história pessoal e depois sua história profissional, percurso, ou seja, contextualizar. Nós queremos saber quem é você. E num segundo momento, SGN4, nós queremos saber como você ficou sabendo do Cooperar para Competir, como você chegou, eu sei que vocês tiveram uma experiência infelizmente curta, mas nós queremos que você fale como foi sua vivência. Como foi sua experiência, como te tocou, o que você pensou durante o processo, enfim, como foi para você o impacto, né, do Cooperar para Competir. E essa é uma pesquisa onde tudo que você falar é importante. Qualquer coisa que você diga é importante. Qualquer coisa que você diga, para nós é importante. Mesmo quando surgir alguma idéia que você possa achar que não é importante, diga, porque pra gente é importante. Tá bom? Então, tudo que você pensar, para nós é importante, diga por favor.”

“... eu gostaria, antes de mais nada, que você dissesse quem é você, sua história pessoal, profissional, sua trajetória, seu percurso profissional e a seguir, eu gostaria que você nos contasse como foi que você ficou sabendo do programa Cooperar para Competir, como foi o seu contato e a experiência que você teve no Cooperar para Competir. Todos nós sabemos que infelizmente teve que haver uma suspensão, mas nesse período que você esteve lá, queríamos que você nos constasse como você viveu, como você sentiu, como foi essa experiência. O que você pensou, o que te tocou, qual foi o impacto dessa experiência. E queria dizer também que qualquer coisa que você diga é importante para nós, mesmo quando você acha que não tem importância, por favor nos diga, porque realmente, para nós, qualquer coisa que você nos diga é importante. Está bem?”

Em vista da extensão da instrução, devia-se perguntar ao entrevistado se ele entendera tudo ou se gostaria que a instrução fosse repetida. Também para fins ilustrativos, seguem as instruções para as entrevistas do Grupo dos Graduados e, a seguir, do Grupo Novo:

“A idéia da... desse papo coletivo, dessa entrevista coletiva é queríamos que vocês falassem agora, especificamente, enquanto grupo.., sobre o Cooperar para Competir. Como é que o grupo viveu, vocês, enquanto grupo, desde o começo e vocês estiveram juntos, né, por um bom tempo, discutiram uma série de temas, né, e a nossa idéia então

– as coisas pessoais nós já conversamos com todos – então, a idéia agora é um papo coletivo. Nós iremos ouvir.”

“A idéia é a seguinte: eu gostaria que vocês falassem como vocês ficaram sabendo desse programa Cooperar para Competir, como é que foi o início, como é que estava sendo o processo até aquele momento que infelizmente foi suspenso, interrompido. Então gostaríamos de ouvir; e tudo que vocês falarem, para a gente é importante. Mesmo que vocês possam eventualmente achar que alguma coisa que passou pela cabeça não é importante, por favor nos digam, porque para nós, tudo – isso é sério – tudo que vocês falaram para nós é importante. E agora eu gostaria que o grupo falasse. E nós vamos ouvir. Eventualmente se eu não entender alguma coisa vou fazer uma pergunta, as meninas, também, ok? Então, a bola está com vocês.”

Durante a realização das entrevistas abertas, o entrevistador não devia interferir de modo algum na fala do entrevistado, desenvolvendo uma escuta e adotando uma postura de incentivo, sem, contudo, fazer qualquer juízo de valor sobre o que era dito. Devido à utilização de tal método de entrevista, havia momentos de silêncios nas entrevistas, cujos significados podiam variar de ansiedade a reflexão por parte do entrevistado; entretanto, independente de sua natureza, tais silêncios não deveriam ser interrompidos. Se solicitado pelo entrevistado, podia-se repetir a instrução, ou parte dela, no meio da entrevista.

As entrevistas eram encerradas tanto pelo entrevistador, como pelos próprios entrevistados. E, neste momento, o entrevistador deveria perguntar se o entrevistado não teria mais nada a dizer e, em caso de resposta negativa, agradeceria pela participação e colaboração dele.

Essas entrevistas, como já dito, foram realizadas pelo pesquisador e, na maioria delas, com o auxílio de um ou dois assistentes de pesquisa. Houve somente uma entrevista individual que foi realizada por dois assistentes, sem a presença do pesquisador. Em vista da metodologia escolhida, houve todo um cuidado por parte do pesquisador em relação a como esses assistentes deveriam se portar e como deveriam conduzir uma entrevista. Houve um treinamento anterior desses assistentes tanto a respeito da metodologia, como do comportamento a ser adotado nas entrevistas; e, para o treinamento da situação prática, foram realizadas simulações em que os assistentes utilizavam as técnicas dessa metodologia para a realização de entrevistas.

Como já mencionado, além desses dois tipos de entrevistas (individuais e em grupo) em que se utilizou o método de entrevista aberta, também se realizou entrevistas com a técnica da história oral. Para a realização destas, o pesquisador escolheu sujeitos relevantes e com informações significativas para a pesquisa, tanto por serem agentes sociais locais implicados, direta ou indiretamente, com o Programa Cooperar para Competir; quanto por serem pessoas responsáveis pelo programa, ou que ajudaram e auxiliaram no desenvolvimento do mesmo.

Assim, foram escolhidos para a técnica da história oral os professores Marcio Sanches e João Baptista Brandão, responsáveis pela estruturação e condução do programa; Ataliba Mendonça Jr, diretor do SESI; Sérgio Gracia, atual presidente do Sinbi; Samir Nakad, ex-presidente do Sinbi; Wagner Aécio Poli, atual vice-presidente do Sinbi e presidente na época do Grupo Novo; Regiane, ex-gestora do programa APL; e Cláudia Castilho, gestora do programa APL.

A realização das entrevistas segundo esta técnica requeria um local adequado que impossibilitasse interferências e interrupções na fala dos entrevistados. O pesquisador deveria se preparar previamente coletando informações a respeito dos entrevistados e estruturando itens sobre o que pretendia obter de cada um. Não havia uma instrução padrão, uma vez que, para cada entrevistado, era dada uma instrução diferente de acordo com as informações que se pretendia obter. Apesar do preparo prévio, o entrevistador não deveria conduzir a fala do entrevistado, apenas, em momentos adequados e, sem interromper sua lógica de construção do discurso, introduzir as questões que considerasse importantes e relevantes.

Tais condições foram garantidas em quase todas as entrevistas, à exceção de uma – a entrevista concedida por Samir Nakad -, que teve várias interferências e interrupções, chegando a ter mais de uma mudança de local durante a realização da mesma. Isto ocorreu porque não houve possibilidade de se encontrar um local adequado.