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I NFORMANTS R ESPONSES TOWARDS THE Q UESTION 'A RE YOU INTEGRATED INTO N ORWEGIAN

2. LITERATURE REVIEW

5.3 D EFINING INTEGRATION AND THE POLICIES

5.3.2 I NFORMANTS R ESPONSES TOWARDS THE Q UESTION 'A RE YOU INTEGRATED INTO N ORWEGIAN

Mesmo considerando-se o progresso econômico, as últimas décadas do século vinte revelaram a dificuldade da humanidade em atender a propósitos mais amplos, mostrando, com isso, os limites da modernidade e a carência de revisão nos modelos vigentes. Desigualdades sociais e problemas ecológicos persistem entre os principais desafios. Chama atenção a dificuldade que se tem em avançar no sentido de soluções mais expressivas. Segundo Kuhn (2005, p. 21) “Talvez a ciência não se desenvolva pela acumulação de descobertas e invenções individuais.” Assim, é possível indagar que, para se alcançar avanços disruptivos no conhecimento, frente aos incrementos hoje proporcionados pelo paradigma corrente, talvez seja necessário refletir sobre as regras do jogo, e alterá-las, ao invés de simplesmente pensar novas estratégias de se jogar o mesmo jogo.

Capra (2005, p. 22) diz que “Um sinal impressionante do nosso tempo é o fato de as pessoas que se presume serem especialistas em vários campos já não estarem capacitadas a lidar com os problemas urgentes que surgem em suas respectivas áreas de especialização.” Por sua vez, Pourtois e Desmet (1997, p. 23) afirmam que “Marx, Durkheim e Weber enxergavam na modernidade o surgimento de uma ordem harmoniosa e pacífica, construída por meio da racionalidade.” Entretanto, muito embora estes fundadores da sociologia não tivessem se furtado a criticar as conseqüências negativas da modernidade eles não haviam percebido a dimensão que estas tomariam.

O paradigma industrial subjuga a sociedade ocidental, condicionando valores e influenciando de maneira muito forte a forma de se pensar, de se perceber e de se agir. O paradigma vigente define o modelo de sociedade que se possui, da mesma forma que estabelece a concepção oficial da educação, que por sua vez, estrutura as organizações

educativas. Este paradigma é basicamente marcado pela racionalidade científica e pela crença no progresso material (BERTRAND; VALOIS, 1994). “O modo racional de conhecimento, ao defender a primazia da objetividade, confina o pensamento à ordem estabelecida. Daqui resulta, portanto, um domínio do passado, do adquirido e do normal, do tradicional e da transmissão dos conhecimentos.” (BERTRAND; VALOIS, 1994, p. 86).

A racionalidade econômica e tecnológica características do paradigma moderno, “[...] impossibilitam o entendimento dos novos princípios e valores engendrados nas estratégias de uma outra racionalidade, a racionalidade ambiental.” (TRISTÃO, 2002, p. 170). “O bem-estar da pessoa e do ambiente deve passar à frente do progresso industrial e do proveito individual”, declaram Bertrand, Valois e Jutras (1997, p. 11). Segundo estes autores, a solução para os problemas sócio-ambientais “[...] reside antes na invenção de uma visão de mundo e de uma nova cultura.” (BERTRAND; VALOIS; JUTRAS 1997, p. 7). Portanto, para se compreender a complexidade ambiental, torna-se necessária a ruptura com a lógica unidimensional dominante, através de abordagens complexas e que contemplem várias áreas do saber.

Bertrand e Valois (1994) afirmam que dois dos componentes marcantes do paradigma industrial são os valores e os interesses. Segundo eles, a principal característica dos mesmos seria o domínio dos interesses econômicos, que se manifesta através da busca pelo lucro e pela propriedade, pela adaptação da pessoa às regras sociais e conseqüente ausência de crítica, pela meritocracia, pelo trabalho (duro, disciplinado e individual) como forma de “vencer” e pelo desejo de independência. Dentre estas características merece destaque o individualismo, pois traz importantes conseqüências: a noção de individualização da responsabilidade, da felicidade como conquista pessoal e, finalmente, da natureza como provedora de meios a estes fins.

Conseqüentemente, a sociedade constitui um agregado de indivíduos que buscam os seus próprios interesses. As pessoas separadas uma das outras não se sentem responsáveis pelos feitos das suas ações presentes sobre as pessoas que vivem longe delas, nem sobre as gerações futuras. (BERTRAND; VALOIS, 1994, p. 88).

No paradigma dominante, “Os valores econômicos tais como o aumento do produto interno bruto, o desenvolvimento econômico e o rendimento financeiro dominam a escala de valores [...]” (BERTRAND; VALOIS, 1994, p. 89). Em se considerando estes critérios de

tomada de decisão como correntes nas sociedades modernas, sendo eles praticados tanto no nível pessoal, quanto no organizacional, torna-se difícil contemplar soluções aos problemas, pois as próprias decisões, por si, carregam em si sementes de novos problemas. A incapacidade de perceber e atacar tal situação são intrigantes e exigem respostas satisfatórias. “Poderíamos ainda afirmar que a vontade de atingir estes objetivos impede de considerar eventuais conseqüências negativas para a pessoa, para a sociedade e para o meio-ambiente.” (BERTRAND; VALOIS, 1994, p. 93). Assim, o sujeito moderno caracteriza-se pela orientação a objetivos particulares de curto e de médio prazo e de ordem geralmente material, para os quais luta arduamente sob regras impostas pela normalidade de seu grupo social.

“O paradigma industrial valoriza mais a conformidade do que a divergência no que se refere aos valores dominantes.” (FERGUSON apud BERTRAND; VALOIS, 1994, p. 89), pois a pessoa que diverge conspira contra valores fundamentais ao paradigma, que dão conta da valorização da hierarquia e das relações de autoridade, reforçadas pelo postulado do conhecimento objetivo, obtido somente por meio do método científico, este, por sua vez, de domínio exclusivo daqueles que possuem o conhecimento e a técnica.

As conseqüências do predomínio do pensar e do agir moderno se acentuam a cada dia, gerando grandes diferenças, desequilíbrio e desarmonia. Desta forma, pode-se afirmar que

[...] o novo contexto social é, paradoxalmente, marcado pelo aumento da paupérie e da exclusão, por um lado, e pelo aumento da riqueza e da eficácia da sociedade global, por outro. A marginalização anda a par com a excelência. Na realidade, pensa-se mesmo que a lógica da excelência produz a exclusão: a procura de ganhos gera muitas perdas. (BRONRON; GAULEJAC, 1995 apud POURTOIS; DESMET, 1997, p. 11).

Neste contexto social, marcado por uma ideologia de gestão, que se apóia em modelos administrativos e exige adaptação, mobilidade e flexibilidade, “[...] suscita implacavelmente um processo de desinserção social numa parte importante da população. [...] estabelece-se, assim, um verdadeiro ciclo vicioso, particularmente difícil de quebrar.” (POURTOIS; DESMET, 1997, p. 11).

O fim dos anos 1970 e principalmente os anos 1980 intensificaram a chamada “crise da razão” no campo da Filosofia, abrindo caminho para uma maior liberdade epistêmica na ciência, em sua concepção tradicional. Capra (2005) critica a capacidade da ciência de

questionar e modificar a situação estabelecida, afirmando a necessidade de uma mudança de paradigma, rumo a uma nova ciência, consciente e holística, portanto completa e eficaz. Nesse momento ganha importância a obra de Nietzsche, que traz sua maior contribuição justamente ao se inconformar com a realidade produzida pelo homem já em sua época (1844-1900) e propor uma crítica radical à tradição ocidental, à razão e à mediocrização resultantes desse sistema. Antepondo-se às “verdades de rebanho”, apregoadas por partidos e religiões, esse importante filósofo reforçou o caráter de sofrimento trazido pelo conhecimento, frente ao conforto da estupidez. Neste sentido, propôs-se a ser uma ponte para a mudança de um homem com a vontade moral para tal, conhecida como Vontade de Potência (MACHADO, 1999; STRATHERN, 1997).

A Vontade de Potência é a explicação que Nietzsche dá à razão. Segundo ele, o homem, incapaz de entender o seu mundo e não aceitando mais explicações religiosas ou mágicas, busca formas aceitáveis e familiares de controle para sentir-se mais seguro. Em outras palavras, não conseguindo descrever as coisas tais como são, cria uma realidade a partir dos elementos que dispõe. Dessa maneira, ao contrário do que afirma Descartes, a verdade não seria a antítese do erro, mas uma forma de entender e representar o mundo, já evidenciando claramente a influência exercida sobre o autor pela obra de Arthur Schopenhauer, “O Mundo como Vontade e Representação”, lançada originalmente em 1819. Dessa forma, Nietzsche conclui que a busca por um ideal de entendimento, que não se encontra ao alcance do homem, nada mais faz do que afastá-lo da realidade (MACHADO, 1999; STRATHERN, 1997).

Apontado por muitos como o filósofo do irracional, as idéias de Nietzsche abrem novas possibilidades para o debate da ciência, seus meios e propósitos, principalmente no que se refere às humanidades.

Da mesma forma que Morin (1981), Colom (2004) afirma que a nova realidade complexa não pode mais ser narrada e explorada através da racionalidade convencional, a qual chama de ciência da modernidade. Nesse contexto, a única forma de se buscar compreender a realidade é dentro do sistema onde a complexidade e suas interações ocorrem, podendo, então, contrastar as considerações qualitativas com a realidade vivenciada. Segundo o autor, essas explicações do mundo necessitam de narrações, ou metáforas. As metáforas,

racionalmente abordadas e validadas, trariam conceitos científicos, que passariam, então, a ser compartilhados, pois:

[...] não ocorre apenas uma forma de conhecimento racional ou científico; hoje em dia é consenso também considerar como conhecimento racional o conhecimento de caráter praxiológico, ou seja, o conhecimento orientado a conhecer para fazer... Pois bem, a esse tipo de racionalidade praxiológica denominamos: tecnologia. (COLOM, 2004, p. 11).

A crise da modernidade poderia, então, ser expressa justamente em sua incapacidade de enxergar a realidade, que torna o homem ineficaz ao agir sobre os seus problemas. Neste sentido, o progresso científico estaria, ao invés de impulsionando o avanço do entendimento, na verdade ampliando a incerteza e causando regressão no conhecimento que se possui (MORIN, 1981), o que converge com o pensamento de Nietzsche.

Outra questão que merece atenção e que está intimamente ligada ao suposto afastamento mencionado seria o avanço do racionalismo e de sua ação, a racionalização. Neste momento, torna-se fundamental evidenciar o caráter analítico e racionalista da cultura predominante em negócios, que se manifesta no sistema de ensino de administração e na literatura especializada da área. Morin (1981, p. 103) adverte que o “[...] excesso de lógica em relação ao empírico e a recusa pela complexidade do real.” são os maiores responsáveis pela não aceitação do acaso e do não-saber, que acabam por conduzir o indivíduo a uma construção forçada, simplificada e equivocada da realidade. O caminho para o saber, segundo o autor (MORIN, 1981, p. 102), consiste na razão, ou racionalidade, que compreende a “[...] aplicação de princípios de coerência aos dados fornecidos pela experiência.” Tal caminho constitui-se não em uma manifestação direta dos fatos, mas sim em uma “[...] vontade aberta de diálogo com a experiência e, mais amplamente, com o mundo exterior.” Assim sendo:

O conhecimento complexo, verdadeiro neste sentido, necessita reconhecer permanentemente o problema dos limites e dos buracos negros do conhecimento. Deve saber que todo o olhar comporta o seu ponto cego, que todo princípio da explicação assenta algo inexplicável no seu próprio sistema de explicação [...]. O verdadeiro conhecimento é o que reconhece no seu seio a presença da incerteza e da ignorância. (MORIN, 1981 p. 128).

Pourtois e Desmet (1997, p. 25) afirmam que o período moderno é de eliminação, ou de “morte” do sujeito. “Para fazer triunfar a razão e a ciência, é preciso renunciar a idéia de

sujeito; é preciso reprimir o sentimento e a razão.” Desta maneira, concluem os autores, a razão deixa de servir ao homem, passando o homem a servir a razão. Contudo, também destacam os riscos de fechar-se sobre a sua própria identidade: o individualismo, o nacionalismo, o integrismo. Assim sendo, acreditam ser o ideal o diálogo entre o sujeito e a razão, dois princípios fundadores aparentemente contrários, que historicamente têm sido antagonizados, mas que, conforme acreditam, podem combinar-se na busca de soluções aos problemas que assolam a humanidade. Igualmente, Morin (2003) compartilha deste ponto de vista, ao criticar a ciência empírica desprovida de reflexão e ao adicionar ser também insuficiente a filosofia meramente especulativa. Em relação a isso, estabelece a inseparabilidade entre ciência e consciência, para que se alcancem verdades que sejam inteiras e que, assim, conduzam a construção de novas verdades de igual complexidade.

Bertrand, Valois e Jutras (1997) sustentam que a referida eliminação do sujeito impossibilita a reflexão, a tomada de consciência e a integração a um conjunto maior. Suas idéias remetem à necessidade de um desenvolvimento holístico e convidam para a busca por uma “Realidade escondida” por meio da interiorização. Este processo, que parte de um desligamento da perspectiva de análise material, avança pelo monismo do espírito e pela busca do verdadeiro Eu, e torna, por fim, possível o reconhecimento dos problemas e das possibilidades de soluções para as questões ecológicas.

A busca por entendimentos e soluções é fundamental ao desenvolvimento humano. Assim, o caminho através do qual se realiza esta procura é assunto de suma importância quando se deseja alcançar desenvolvimento e equilíbrio sócio-ambiental. Neste sentido, Winch (1958 apud WEILER, 2006, p. 65) acredita que

Os conceitos centrais que pertencem a nossa compreensão de vida social são incompatíveis com os conceitos com os conceitos centrais da atividade de predição científica. Quando falamos em possibilidade de predição científica em fenômenos sociais [...] nós literalmente não entendemos o que estamos dizendo.

Em outras palavras, para o autor, os caminhos utilizados para se enxergar e para se decidir sobre temas ligados ao conhecimento estariam incorretos, razão pelos quais os objetivos não estariam sendo atingidos.

Weiler (2006) considera que algumas fontes foram fundamentais para a abertura da ciência normal e a ascensão do novo conceito de conhecimento. Primeiramente, as mudanças epistemológicas ocorridas dentro das ciências naturais. Paralelamente, deve-se também considerar o desenvolvimento ocorrido nas ciências sociais, marcado por eventos importantes, tais como o debate sobre os efeitos de longo prazo do Positivismo, promovido por Adorno; a crescente importância atribuída ao método fenomenológico e ao método hermenêutico, influenciada por Habermas, dentre outros; e a influência crescente da epistemologia oriental e do debate pós-modernista, por exemplo. Assim sendo, o novo significado do conceito de conhecimento e de sua forma de produção, na visão de Weiler (2006), possui duas características essenciais. Primeiramente, trata-se de um conhecimento diferenciado, isto é, que varia em função do objeto estudado. Além disso, afirma o autor, esta nova epistemologia é marcada pela contingência, o que significa dizer que as afirmações são válidas somente sob as condições em que as mesmas foram produzidas.

A crítica à tradição científica produz algumas importantes considerações. Uma delas dá conta de que, se o conhecimento é gerado em determinadas condições, estabelecidas pelo “local cultural” (tipo de cultura), as normas de cientificidade e de produção científica também deveriam estar vinculadas a fatores locais, portanto sociais e políticos. Além disso, há de se considerar a maior importância do papel do pesquisador na geração do conhecimento, tornando necessário considerar a questão da “culturalidade do conhecimento” (WEILER, 2006).

As críticas realizadas sobre a ciência normal e sobre a Modernidade, abrem as portas para uma nova forma de contemplar o conhecimento. Pourtois e Desmet (1997, p. 28), afirmam que este

[...] universo pós-moderno será, inevitavelmente, complexo. Ele verá perder-se o sentimento de certeza; reconhecerá o caráter instável de todo o conhecimento; estabelecerá mediações entre os fatos contraditórios; continuando a fazerem descobertas, integrará os saberes; não rejeitará os progressos do período moderno, mas articula-los-á.

Nesta nova realidade o sujeito será a referência, assumindo papel de ator e de autor. Assim, o interesse da pós-modernidade é alcançar o possível, por meio do diálogo entre o sujeito e a razão, a subjetividade e a objetividade. “Desprezar um benefício do outro se revela

perigoso, pois o processo é deturpador. Por outro lado, sabe-se o quanto os antagonismos são portadores de riqueza, contendo em si as possibilidades da sua ultrapassagem.” (POURTOIS; DESMET, 1997, p. 30).

Em oposição ao assujeitamento no processo de geração de conhecimento, tal como ocorre na modernidade, a pós-modernidade seria marcada pelo resgate e pelo triunfo do indivíduo. Contudo, “O eu mesmo não é nem um individualista narcisista (eu), nem um indivíduo conforme com as regras da sociedade (si). É um ator que tem, é certo, uma vida pessoal, um isto, um libido, mas que pode, igualmente, modificar o seu ambiente e que tem consciência das suas funções sociais.” (POURTOIS; DESMET, 1997, p. 30). Assim, em uma perspectiva pós-moderna, ao invés de omitir-se, o sujeito deve assumir-se como parte indispensável do processo de construção do conhecimento.

Assim, ao postular uma nova tarefa ao pesquisador, a Pós-modernidade também exige do mesmo uma nova postura. “Enquanto que a modernidade tendia a procurar as diferenças e a marcar as distâncias, a pós-modernidade tende a procurar as semelhanças e a complexificar as aparências para melhor sublinhar as proximidades. Já não se trata, aqui, de opor as escolas, mas de capitalizar os saberes.” (POURTOIS; DESMET, 1997, p. 32). Desta forma, o sujeito torna-se um mediador em meio ao complexo, em busca de soluções possíveis.