CHAPTER 4 COMPETITION ANALYSIS
4.4 I NDUSTRY A NALYSIS
As alt erações clim áticas têm se t ornado t ão evident es que, na definição do t erm o “clima urbano”, muitos trabalhos têm dado destaque ao efeito observado nas cidades ao invés de evidenciar a atm osfera ( CASTRO, 2000) . O clim a urbano é um sistem a com plexo, adapt at ivo e abert o que, ao receber energia do am biente m aior no qual se insere, a t ransform a subst ancialm ente a pont o de gerar um a produção export ada ao am bient e ( MONTEI RO e MENDONÇA, 2003) . O estudo do clim a urbano visa com preen der a organização clim ática peculiar da cidade e pressupõe, inicialm ent e, um nível de enfoque que com preende o clim a local, m as que se estende a níveis regionais (m esoclim as) e globais ( m acroclim as) .
Para Dum ke ( 2007) , há m uit as discussões conceituais e m et odológicas a respeito da organização das escalas nos estudos do clim a, pois estes incluem as dim ensões relativas ao espaço e ao t em po. Assim , o nível escalar deve relacionar a dim ensão da área a ser est udada à ext ensão e à duração do fenôm eno clim ático, à abordagem específica, com a seleção dos m ét odos e de técnicas apropriadas e às escalas do planej am ent o urbano.
De acordo com Sant’Anna Neto (2013), é importante ressaltar que os processos clim áticos são t em porais que se m anifest am em t odas as escalas espaciais. Porém , as alt erações espaciais em escalas inferiores, podem int erferir nas m odificações na circulação at m osférica, que por sua vez, t em a capacidade de afet a t odo o planet a, sendo, port ant o, im port ant e t rat a-los em sua t ot alidade espaço- t em poral.
Dessa forma, as escalas do clima assumem uma dimensão espaço- temporal, em que os processos atuantes podem ser globais, ou seja, atuando na escala das mudanças das características dos climas de todo, ou da maior parte do planeta, no tempo geológico, e na escala da variabilidade (variações cíclicas) no tempo histórico. (SANT’ANNA NETO, 2013, p.77)
Segundo o referido aut or, elem ent os com o duração, velocidade e a ext ensão dos processos clim áticos podem ser t ant o longos quant o curt os. O t em po longo é definido é definido pela escala geológica com duração de m ilhares ou m ilhões de anos e t em a capacidade de m odificação do clim a num a dim ensão global, ao passo que t em po curt o, est á relacionado ao tem po hist órico, associado a presença do hom em e da sociedade cuj a ação t ransform adora da paisagem result a em alterações clim áticas na dim ensão regional e local. (Figura 2)
A escala regional se apresent a m uit o m ais com plexa, e para a pesquisa pode ser um pont o chave na concepção dos discursos científicos, pois é o result ado da int eração m ultiescalar que procura elim inar ou aperfeiçoar os erros que ainda persistem na const at ação de um discurso hegem ônico sobre as m udanças clim áticas globais. A escala regional, portanto, “resulta de um a com binação de dinâmicas e processos atm osféricos, t ant o da ação da circulação geral, quant o da circulação secundária ( ou sej a, as áreas de pressão e o domínio dos sistemas atmosféricos)” (SANT’ANNA NETO, 2010).
Cabe lembrar que a intensificação e modificação das estruturas geográficas (espaço) pelo homem atuam também na conformação do clima regional, portanto, é nessa escala que se repercute e observa a ação antrópica, principalmente no clima. Porém, quando se debate as mudanças climáticas essas são representadas na escala global. O desafio, portanto é articular as questões globais com as regionais, relacionar os elementos da mudança com a variabilidade climática. (ZANGALLI JUNIOR e SANT’ANNA NETO,
2012, p. 622)
Nest e sentido, Cruz (2009) ressalt a que quando Mont eiro ( 1976) t rat ou do Clim a Urbano, fez referência ao clim a urbano e à est rut ura necessária para gerar fat os clim áticos sim ples e com plexos e, por est a razão, é ext rem am ent e im port ant e que os est udos considerem t odas as escalas de t rat am ent o espaço- t em poral nos diferent es graus de com plexidade das áreas urbanas.
Figura 2. Escalas geográficas do clim a (t em po longo e t em po curt o) .
Os est udos de clim a urbano vêm acum ulando conhecim ent o sobre o funcionam ent o da at m osfera, principalm ent e de grandes cidades. É bem conhecido o fenôm eno ilha de calor com o um a caract erística m arcant e em m uit as m et rópol es. Lom bardo ( 1985) , em est udo pioneiro, dem onst rou que a ilha de calor em São Paulo segue o m esm o padrão que a de cidades em m édia latit udes. A aut ora identificou que as “tem peraturas m ais altas coincidiam com áreas m ais densam ente urbanizadas. Nas áreas da cidade em que havia m aior concent ração de veget ação e reservat órios hídricos havia um a atenuação das t em peraturas at m osféricas” (LOMBARDO, 1985, p. 213).
No est udo do clim a urbano de President e Prudent e SP, Am orim ( 2000) verificou que a cidade possui um conj unt o de m icroclim as e que as diferenças de t em perat ura ent re as áreas int raurbanas e rural são m aiores em condições de céu claro, onde os m icroclim as se desenvolvem em função das próprias caract erísticas dos vários tipos de uso de solo.
As alt erações do clim a urbano podem ser verificadas em t rabalhos realizados por Tarifa e Arm ani (2001) . Os aut ores fizeram um est udo com parativo ent re favelas e o bairro do Morum bi, no m unicípio de São Paulo e const at aram que as favelas apresent aram t em perat uras em m édia 2,0 a 3,0 ° C a m ais que o Morum bi.
Sant’Anna Neto (2002) organizou trabalhos de vários autores sobre o clima local e urbano de várias regiões geográficas do país, em cidades de diferent es port es com o Cam po Grande ( MT) e São Luís ( MA) , dem onst rando as variações que a m ancha urbana provocam condicionant es at m osféricos.
Com o observado, o est udo do clim a urbano e suas repercussões na qualidade de vida e no confort o am bient al da população constit ui um a int erface ent re geógrafos e arquitet os e t em sido obj et o de diversos t rabalhos desenvolvidos em am bas as áreas.
Em 1988, no Brasil, foi criado o Grupo de Confort o Am bient al e Eficiência Energética da Associação Nacional de Tecnologia do Am bient e Const ruído ( ANTAC) . At ualm ent e, realizam - se encont ros que têm por finalidade a divulgação de pesquisas recent es, com o o ENTAC ( Encont ro Nacional de Tecnologia do Am bient e Const ruído) e o ENCAC ( Encont ro Nacional de Confort o no Am bient e Const ruído) .
Segundo Mallick ( 1996) , o est ado de confort o depende de um a som a de fat ores alguns quantificados e out ros não. Os fat ores quantificados são os relacionados com os fat ores am bient ais, t ais com o: tem peratura, um idade, e velocidade do ar, est es giram em t orno da dependência de fat ores fisiológicos e at é psicológicos.
O conceit o de confort o t érm ico da ASHRAE17 Standard 55 ( 2001) m ost ra claram ent e esse fenôm eno, ou sej a, o confort o t érm ico não depende só de variáveis físicas e fisiológicas, nem t odas as pessoas t êm a m esm a sensação t érm ica quando ocupam o m esm o am bient e. Os condicionantes psicológicos agem sobre os condicionant es fisiológicos. Mesm o em situações m ais const ant es haverá pessoas insatisfeit as
.
Assis ( 2003) const at ou um a diferenciação de confort o t érm ico, m ais acent uada ao longo do dia, ent re os pont os de am ost ragem em t r abalho desenvolvido para um a área urbana de Belo Horizont e, sendo que esta variação é m enor durant e a noit e, num t rabalho de observação de 24 horas.
Cruz, Lopatiuk e Lom bardo ( 2007) m ost raram que o confort o t érm ico em áreas urbanas est á diret am ent e relacionado com os elem ent os que com põem as cidades, principalm ent e, no caso das áreas que se encont ram em regiões nas quais são proj et adas as som bras das const ruções e onde estas provocam a form ação de corredores de vent o e de bloqueio dos m esm os.
Trint a ( 2007) analisou as condições de confort o t érm ico dos espaços externos na cidade de São Luís ( MA) , ent endendo que a qualidade de vida nest e am bient e é frut o do tipo de obj et o urbano const ruído para a vivência hum ana em um m eio am bient e com clim a e caract erísticas m orfológicas específicas. Apresent a- se com o obj et o de est udo a correlação ent re o m icroclim a do Bairro do Renascença I I em São Luís/ MA, cidade de clim a quent e úm ido frent e às m udanças nas caract erísticas m orfológicas urbana e o índice de sat isfação de confort o t érm ico dos usuários dos espaços ext ernos.
Considerando ent ão que os aspect os sensoriais do confort o t érm ico hum ano indicam o seu carát er subj etivo, as sensações t erm o fisiológicas expressam um est ado m ent al no qual o est ado de satisfação ( bem - est ar) deve- se às condições térm icas do am biente. Qualquer indivíduo em condições de confort o não consegue avaliar se gost aria de ser aquecido ou resfriado, ou sej a, ganhar ou perder calor.
Os índices de confort o aplicados em áreas urbanas buscam a com preensão em diversas escalas da interação do hom em e seu am biente t erm al (int ernos e ext ernos) , a fim de avaliar as condições bioclim áticas com obj et ivos diversos. Na área da saúde, a m aior im port ância est á na relação ent re a t erm orregulação e o am biente atm osférico, considerando que condições est ressant es sobrecarregam o sist em a t erm orregulador com prom et endo a saúde das pessoas.
Muit as barreiras foram vencidas ( com o o avanço t ecnológico e a int rodução de novas técnicas) , as pesquisas est ão voltadas para a com preensão ent re o clim a e a saúde, de m aneira abrangent e, com vários focos de abordagens.
Dessai ( 2002) analisou o calor associado com o st ress e o aum ent o da m ort alidade em Lisboa, no período de 1980 a 1998, incluindo as doenças cardiovasculares, cânceres, respirat órias e isquêm icas. Utilizou- se de m odelos est atísticos de previsão, concluindo que durant e o verão, ocorrem relação com o st ress e m ort es por doenças cardiovasculares e cânceres.
Braga, Zanobet t i e Schwart z ( 2002) verificaram o efeit o do clim a e a m ort alidade por doenças respirat órias e cardiovasculares, em doze cidades dos Est ados Unidos,
not aram que as t em perat uras alt as favorecem ao aum ent o de problem as cardiovasculares e t em perat uras baixas favorecem ao aum ent o principalm ent e pneum onias.
Existe a necessidade de est udos na com preensão do im pact o dos fat ores am bient ais sobre a saúde das pessoas, sobret udo em áreas urbanas. Segundo Silva ( 2010) , deve- se ter cuidado ao at ribuir a m orbidade e a m ort alidade a um parâm et ro específico, de form a que é necessário t rat ar o fenôm eno com o part e da interação do com plexo biológico- am bient e.
Roj as ( 1998) enfatiza que se a doença é um a m anifest ação do indivíduo, a sit uação de saúde é um a m anifest ação do lugar. Os lugares são result ados de sit uações hist óricas, am bient ais e sociais que prom ovem condições particulares para a produção de doenças.
A relação clim a e saúde foi pesquisada por Silva ( 2010) com o obj etivo de verificar a influência das condições atm osféricas int raurbanas no agravam ent o dos problem as respirat órios, na faixa et ária de cinco anos, e circulat órios, na faixa et ária acim a de sessent a anos. O m ét odo foi aplicado no set or Sul/ Sudest e, da cidade de São Paulo a part ir da correlação ent re as variáveis at m osféricas e o índice bioclim ático PET ( Phisyological Equivalent Temperature) . Os result ados dem onst ram associação est atística ent re as variáveis atm osféricas e as int ernações hospit alares, porém de form a diferenciada e específica. A aut ora concluiu que houve associação ent re a m orbidade e as variáveis clim áticas e o índice de confort o de form a diferenciada nos grupos et ários e de doenças, sendo que o desconfort o pelo frio e a alt a am plit ude térm ica apresent aram - se com o fat or agravant e para o desencadeam ent o de doenças.
Silva e Ribeiro ( 2006) realizaram experim ent os in loco em área de favela - Favela de Paraisópolis ( SP) - para avaliar a influência da ocupação do solo nos parâm et ros m icroclim áticos. Foram m edidas tem perat uras horárias em quat ro pont os na área densam ent e ocupada da favela e em rua arborizada fora do am biente favelado. Os aut ores concluíram que a ocupação do solo gera diferenças de t em perat uras, e que o am biente de favela acentua ext rem os de t em peratura, enquant o na rua arborizada fora do am bient e de favela as tem perat uras apresent aram - se m ais am enas.
Utim ura ( 2010) verificou a influência do m icroclim a no condicionam ent o do ambiente de residências representativas da favela do “Assentamento Futuro Melhor” do Município de São Paulo. Os dados dos sint om as respirat órios foram associados e agrupados segundo os tipos const rutivos de habit ações, o perfil socioeconôm ico e dem ográfico, além de hábit os da fam ília que int erferem no confort o t érm ico e/ ou na saúde respiratória