5. Presentasjon av funn – Beskrivelser av sykepleierarbeid
5.1 Sviktkompensasjon
5.1.2 I forkant av symptomforandring
No decorrer do século II as comunidades cristãs vão se estruturando, na medida em que seus elementos internos relacionam-se e articulam-se, formando uma totalidade coerente.
O movimento profético-carismático livre e original vai dando lugar à instituição Igreja que, em pouco tempo, já é predominante em toda parte. É fortalecido um modelo de comunidade monoepiscopal7, como base da posterior estrutura eclesiástica hierocrática8.
O carisma pessoal é substituído pelo carisma oficial. A Igreja burocratiza-se de forma crescente e contínua ao ponto de não haver mais nela lugar para a fraternidade do cristianismo primitivo. Desaparecem os profetas, outrora decisivos para o movimento missionário do cristianismo primitivo. Agora são os presbíteros e os bispos que comandam as comunidades. Na segunda epístola a Timóteo, capítulo 1, o Espírito Santo que, segundo Paulo, habita todos os cristãos, agora passa a ser atribuído especificamente às autoridades. A comunidade tornou-se um ser sem espírito e sem carisma, passando, aos poucos, do protagonismo para a passividade, ou seja, para simples ouvinte e receptora dos ensinamentos e orientações transmitidos pelas autoridades.
Agora a principal e única função da comunidade é orar por todos os homens do culto, especialmente pelos “reis e por todos os que detêm autoridade, a fim de que levemos uma vida calma e serena, com toda a piedade e dignidade”. (1Tm 2,1s no início da ordem da comunidade) – portanto, a comunidade como fator de estabilidade social. Isso vale também para as condições domésticas, onde o autor – novamente em concordância com as idéias conservadoras patriarcais da doutrina antiga
7 Monoepiscopal – um bispo com um colégio de presbíteros e diáconos. 8 Hierocracia – Poder exercido pela autoridade religiosa.
sobre a direção da casa – exige, sobretudo, a submissão da mulher ao homem (Tt 2,4s; cf. também 1Tm 5,14). (Hoffmann, 1998, p. 46).
Dessa forma, à medida que as comunidades se espalham pelo império romano, torna-se mais difícil manter o mesmo clima comunitário. Logo desaparecem as refeições em comum e a divisão de bens. Os cristãos deixam de viver como em uma família. Cada um passa a cuidar das próprias coisas e agora não oferecem mais o total de seus bens à comunidade, mas apenas o supérfluo. As ofertas, antes vistas como partilha cristã e total dos bens, tornam-se esmolas dos cristãos mais ricos em favor dos mais pobres. No seio da comunidade cristã surgem as mesmas diferenças sociais existentes no império romano, como observa Rosa Luxemburgo (1986):
Os fiéis, que formavam uma comunidade religiosa independente, uniam-se em comum, em cada cidade. Elegiam um membro responsável para dirigir o serviço de Deus e realizar as cerimônias religiosas. Todo cristão podia tornar-se bispo ou prelado. Estas funções eram coletivas, sujeitas a revogação, honorárias, e não comunicavam poder além do que a comunidade lhes conferia de livre vontade. À medida que o número de fiéis crescia e as comunidades se tornaram mais numerosas e mais ricas, a gerência dos negócios da comunidade e o desempenho das tarefas tornou- se uma ocupação que exigia muito tempo e uma aplicação total. Como os que exerciam esse ofício não podiam executar suas tarefas e simultaneamente seus empregos privados, surgiu o costume de eleger entre os membros da comunidade um eclesiástico a quem eram exclusivamente confiadas essas tarefas... Assim se formou dentro da Igreja uma nova ordem de funcionários, o clero, que se separou do corpo principal dos fiéis. Paralelamente à desigualdade entre ricos e pobres, aí apareceu outra desigualdade, entre clero e povo. Os eclesiásticos, a princípio eleitos entre iguais com vistas a exercerem uma função temporal, em breve se elevaram a uma espécie de casta que governava o povo. (Luxemburgo, 1986, p. 39-40).
As comunidades cristãs cresciam rapidamente, como expressa o livro dos Atos dos Apóstolos, 2,47. Elas se espalharam por todas as cidades do império romano. O imperador passa a olhar os cristãos como mais uma seita que se forma; mas como o número dos cristãos era expressivo e crescia rapidamente, o império suspeita de que se trata também de mais uma organização que pretendia, num futuro próximo, combatê-lo militarmente. Por isso, os cristãos começam a ser perseguidos tanto com difamações, como através de prisões e mortes, principalmente nas arenas, servindo de diversão ao povo e de alimento às feras. Neste sentido Luxemburgo comenta:
Quanto mais as comunidades cristãs se tornaram numerosas nas cidades do grande império romano, tanto mais os cristãos perseguidos pelo governo, sentiam necessidade de se unirem para ganhar força. As comunidades, espalhadas por todo o território do império, organizaram-se, portanto, numa única Igreja. Esta unificação foi já uma unificação do clero e não do povo... Desta forma se formou o clero, numa ordem separada do povo. Os bispos das comunidades mais ricas e poderosas tomavam a presidência dos concílios. É por isso que o bispo de Roma em breve se colocou a si próprio à cabeça de toda a cristandade e se tornou Papa. Assim, um abismo separava o clero, organizado em hierarquia, do povo... Antes da formação desta ordem, tudo o que os membros ricos da Igreja ofereciam para a propriedade comum pertencia aos pobres. Depois, uma grande parte dos fundos era gasta em pagar ao clero e em administrar a Igreja. (Idem, 1986, p. 40-41).
Desaparece, portanto, aos poucos, a ação carismática da Igreja primitiva. As comunidades ficam entregues aos chefes, responsáveis pela ordem, sustentada na idéia de sucessão apostólica. De ‘corpo de Cristo’, como se auto-concebia, a comunidade passou a ‘corporação de cristãos’. Estabelece-se cada vez mais uma dicotomia de classes dentro da própria Igreja, seguindo critérios de poder e prestígio. O Teólogo Bernhard Häring lembra que a história da Igreja mostra formas extremamente críticas de uma supervalorização da autoridade, muito próxima da história de dominação dos sistemas ‘mundanos’ de poder.