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HYPOTESETESTING:

In document BCR3102 Bacheloroppgave Våren 2017 (sider 52-0)

O ser humano não vive somente da razão: “viver da lógica somente é logicamente impossível porque a razão freqüentemente oferece mais de uma escolha aceitável e então o coração tem a última palavra”91 e o coração julga as relações dos significados para fins “não em base da pura razão, mas porque as relações são sentidas como certas”92.

Quando falamos de decisões tomadas em base de emoções e sentimentos, os símbolos desempenham papel importante, senão decisivo. Para Lonergan93 o símbolo é uma “imagem de um objeto real ou imaginário que evoca sentimentos ou é evocado por sentimentos”. Para Rulla94, o símbolo não é uma representação de um objeto, mas a elaboração da relação existente entre sujeito e objeto. Argumenta que há diferenças entre imagem símbolo. Um símbolo não é avaliado na base de uma semelhança com um objeto externo, enquanto que a imagem tem uma semelhança natural com o objeto de que é imagem. Além disso, o símbolo pode referir-se e muitas vezes se refere a uma classe de coisas ou a noções abstratas, enquanto que a imagem sempre descreve objetos ou situações individuais. Em nossa tratativa aceitamos essa argumentação por fazer

89 CENCINI, A.; MANENTI, A. Psicologia e formação. São Paulo: Paulinas, 1988, pp. 191-225.

90 “Inconsistência e distorção perceptiva: por causa das necessidades subconscientes inaceitáveis para a

própria estima, a pessoa pode distorcer, ao menos em parte, a percepção da situação, a fim de proteger-se daquelas necessidades conflitivas, ou a fim de gratificar-se. P.Ex., se um indivíduo tiver um conflito de autoridade, tenderá perceber a autoridade de um modo distorcido, como perigosa, e, em conseqüência, formulará juízos negativos com respeito às autoridades; ainda que a autoridade em questão se comporte de modo correto, ela será igualmente percebida e avaliada negativamente.” (MANENTI, A.; CENCINI, A., op. cit., p. 205).

91 KIELY, B.M. Consolation… op. cit., p. 130. 92 Ibid, p. 131.

93 LONERGAN, op. cit., pp. 64-65. 94 AVC-I, pp. 251-252.

mais sentido com a discussão sobre o significado das palavras-chave. Visto que elas se conectam frequentemente com a motivação do sujeito. A motivação humana, em geral, usa símbolos mais que conceitos abstratos e cada indivíduo têm seu próprio conjunto de símbolos95. Em relação aos símbolos, podemos identificar algumas características que são comuns a todos eles. Primeiro, o símbolo tem a capacidade de “condensar significados e desejos”; por exemplo, um pequeno trecho de uma música pode evocar a música toda e despertar os sentimentos a ela relacionados. Neste caso o símbolo “não somente condensa idéias, (...) mas representa a unidade de pensamentos e sentimentos que afetam a pessoa toda, mente e coração.”96. Segundo, os símbolos tendem a associar-se dependendo do tipo de sentimentos envolvidos, mais que semelhanças de pensamentos lógicos. Um sujeito pode, por exemplo, associar o domingo como dia de encontrar-se com amigos, assistir ao futebol, fazer um churrasco, escrever poesias porque são fontes de prazer para ele, não porque são objetivamente atividades semelhantes entre si.

A motivação humana é mais bem entendida a partir de seus símbolos. Pois eles traduzem os significados internos que o sujeito vive, ou experimenta, melhor do que os argumentos lógicos podem provar. Os símbolos têm a capacidade de dar significados subjetivos às coisas, fatos, experiências que freqüentemente escapam à compreensão consciente do sujeito. Basta lembrar aqui a influência da “memória afetiva” no dia a dia das pessoas. Nossas experiências emocionais deixam em nós suas marcas que são facilmente revividas diante de situações parecidas ou evocadas pelo seu significado simbólico. O uso dos símbolos assegura que a realidade não fica confinada ao imediato, em vez disso, ela pode também ser mediada pela imaginação, pela linguagem e pelo símbolo. Em minha hipótese as “palavras-chave” se revestem desses significados simbólicos que nem sempre são decodificados pelo sujeito.

95 KIELY, B.M. Consolation… op. cit., pp. 129-130. 96

Dois aspectos que caracterizam os símbolos contêm ou estão ligados a afetos. Eles são portadores de uma carga afetiva de maior ou menor intensidade dependendo do significado a eles ligado. A mágica do símbolo também se reveste da capacidade de mudar de significados em relação ao mesmo objeto. Por exemplo, um objeto envolvido por uma carga positiva de afeto que se manifesta em atitudes ou comportamentos e que de repente pode mudar a carga afetiva em emoções opostas às originárias. Tomemos o exemplo de uma flor que o namorado deu a sua namorada como expressão de seu amor, afeto por ela. Ao recebê-la a namorada não a recebe apenas como uma flor, mas nela está presente seu namorado e o afeto que os une. Na ausência do namorado, basta que ela olhe para a flor que este lhe deu para logo se voltar para ele com seus sentimentos, pensamentos, fantasias etc. “é a presença ausente” como diz “a raposa ao pequeno príncipe, que na cor do trigo ia perceber sua presença ausente”. Mas o mesmo objeto (flor) pode mudar de significado de um momento para o outro. No mesmo exemplo dado, a flor que o namorado deu à namorada pode suscitar emoções opostas. Suponhamos que, por algum motivo, o namorado mandou um recado a sua namorada que não mais estava interessado nela e que, portanto, ela deixou de ser sua amada. Diante de tal notícia, a namorada, ao ver a flor, não mais a verá como objeto de alegria, bem estar, mas de ódio, sentimento de abandono, de desprezo etc. Aquela flor que era guardada com tanto carinho pode ser atirada ao lixo, destruída. Na verdade o objeto em si “flor” substancialmente não mudou nada, o que mudou foi o significado atribuído a ela. O que mudou foi o simbólico. Esta característica do símbolo vai ser de particular importância para nossa tese, quando vamos examinar a questão das “palavras-chave” que revelam percepções da realidade com as quais o sujeito está envolvido. Como se vê, a noção de símbolo é muito difícil de explicar. Não há consenso entre as várias teorias psicológicas. No sentido mais comum, o símbolo é a representação de

alguma coisa através de outra, de uma imagem por meio de outra. Por exemplo, o símbolo do raio pode representar a ira de um deus, pode ser símbolo de força, pode ser símbolo de ameaça que desperta medo. Alguém diante do barulho do trovão e do raio pode ir se esconder em lugar seguro porque teme ser atingido por ele, ao passo que outro apenas o vê como fenômeno da natureza. Nesse sentido podemos dizer que o símbolo também pode ser a representação consciente de conteúdos inconscientes. O símbolo pode exprimir em imagens a atividade do inconsciente. Seguindo Cencini, Manenti, podemos dizer que “no símbolo existe uma relação entre o que é simbolizado (conteúdo ou significado inconsciente) e a própria representação (símbolo ou significante)97”. Podemos então distinguir os símbolos convencionais, que é relação existente entre símbolo-significado determinado por uma convenção de um grupo social e que permanece fixo e duradouro. Por exemplo, a linguagem diferente de cada grupo lingüístico. Existem os símbolos universais que são aqueles ligados à experiência universal do gênero humano como, por exemplo, o símbolo do fogo que é percebido mais ou menos da mesma maneira por todos os seres humanos como energia, poder, purificação etc. Há os símbolos individuais que estão relacionados diretamente com um sujeito particular. Eles são de ordem pessoal, incorporados ao sistema simbólico do sujeito, cujos significados o atingem de modo particular e próprio98.

Para nossos objetivos, interessam os símbolos enquanto individuais, isto é, os símbolos através dos quais o sujeito atribui significado original a uma dada realidade. E aqui devemos ter presente, de modo especial, os significados afetivos que podem ser atribuídos aos objetos, imagens etc. Podemos aqui lembrar que há uma diferença entre conceito e símbolo. O conceito define, por exemplo, a identidade da essência e aplica-se a todas as realidades que têm semelhança objetiva. O conceito de livro se aplica a todos

97 CENCINI, A.; MANENTI, A., op. cit., p. 277. 98 CENCINI, A.; MANENTI. A., op. cit., pp. 272-275.

os tipos de livros mesmo diferentes entre si. No símbolo, a ligação baseia-se na semelhança afetiva. Por isso ele é polivalente, flexível, pode mudar de significado como já foi dito, ou pode assumir vários significados ao mesmo tempo, estar aberto em várias direções. A conjunção símbolo-significado pode ser inapropriada e isso pode ser causado por fatores inconscientes. Daí pode decorrer que o significado subjetivo não concorde com o significado objetivo. Quanto maior for a influência do inconsciente tanto maior a possibilidade de atribuir significados impróprios. O indivíduo pode sentir- se obrigado a realizar uma determinada ação que contraria suas convicções, e mesmo sabendo disso, não conseguir ter controle sobre seus impulsos contrários às suas convicções. É o caso, por exemplo, de certos rituais obsessivos. O indivíduo pode saber que sua ação não tem lógica, mas não consegue não fazer. Com o passar do tempo, isto pode tornar-se “estalactites” conforme visto anteriormente, e isso se tornar parte de um núcleo motivacional do sujeito que o leva a distorcer a realidade objetiva quando esta se expressa através de seus símbolos. Retomando ainda Cencini e Manenti99, poderíamos inferir alguns princípios do acima exposto: todo ato humano pode ser simbólico, pois ele pode ser motivado por significados que o indivíduo desconhece, mas que entra em suas ações sem que ele perceba; os significados subjetivos dependem, muitas vezes, da influência de elementos inconscientes não resolvidos e podem acumular múltiplas significações que não convergem nem para o significado objetivo e nem para aquele que o sujeito conscientemente quer lhe atribuir. Convém lembrar aqui que os símbolos não se referem somente a aspectos negativos ou conflitivos do sujeito, eles podem ser expressão de manifestações criativas e maduras do sujeito100.

99 Ibid., pp. 277-278. 100 Ibid., pp. 277-278.

Ricoeur101 enfatiza que o significado de qualquer símbolo torna-se evidente somente por meio do trabalho de interpretação. Isso significa que o trabalho de interpretação não é estranho ao símbolo. Antes, as duas, a função simbólica e as interpretações, estão inextricavelmente unidas: Não há símbolos sem o começo de uma interpretação. Onde um homem sonha profetiza ou faz poesias, um outro surge para interpretar. A interpretação pertence organicamente ao pensamento simbólico e seu duplo significado. Rulla102 pondera que o significado de uma palavra ou de uma ação, considerada como símbolo, deve ser visto dentro da ampla perspectiva da relação entre essa palavra ou ação e o conjunto da pessoa.

A referência aos símbolos será muito importante para compreender o papel das palavras-chave que traduzem a experiência subjetiva que nem sempre são claras em nível consciente. Portanto descobrir o significado simbólico delas é oferecer ao sujeito uma chave de leitura para sua autocompreensão e melhor integração de seu eu. É ajudá- lo a ser mais livre em relação a si e por conseqüência em relação a tudo o que o cerca.

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