4.1 RESULTAT:
4.1.1 GJENNOMFØRELSE ANALYSE:
Estas três dimensões se referem às disposições habituais que estabelecem a harmonia ou desarmonia entre o eu atual e o eu ideal. Em cada uma delas uma maior harmonia favorecerá a liberdade48 para viver segundo os valores da vocação cristã, enquanto a desarmonia cria obstáculos à mesma liberdade. Essas “três dimensões se desenvolvem e se formam com o crescimento da criança, como conseqüência de sua interação com os valores que encontra em seu meio ambiente”49. “À medida que a criança cresce em idade, encontra valores em seu ambiente, valores que, gradualmente,
47 Dimensões: podem ser concebidas como níveis de funcionamento motivacional derivante de certos
tipos de configurações estruturais operantes no quadro de uma certa finalidade ou horizonte. Comportam, pois, uma analogia com os estágios. Cada dimensão gera um sistema de orças motivacionais. Formalmente constituído, cada um destes sistemas não é exclusivo no sentido de que pode coexistir na mesma pessoa, com outras dimensões.
A primeira dimensão exprime as forças motivacionais conscientes e livres e o horizonte prevalente é aquele de ideais, valores, teocentricamente autotranscendentes.
A segunda dimensão exprime as forças motivacionais não conscientes e livres, mas também aquelas subconscientes, em um horizonte onde junto com os ideais teocentricamente autotranscendentes estão presentes ideais como valores naturais, nem sempre coordenados e em harmonia com os primeiros. A terceira dimensão exprime forças motivacionais subconscientes ou de alguma forma menos livres, em um horizonte de ideais prevalentes como valores naturais e tendo como fim um eu limitado em relação à autotranscendência. IMODA, Psicologia e mistério. São Paulo: Paulinas, 1996, p. 611.
48 “Liberdade, é necessário distinguir o conceito de liberdade entendida como possibilidade psíquica de
fazer uma escolha (fazer isto ou aquilo), do conceito de liberdade entendida como possibilidade de realizar a si mesmo (escolher o que tem um significado de realização da vida). No primeiro caso, temos um conceito puramente mecânico de liberdade que prescinde de qualquer atribuição de significado à realidade da vida. No segundo caso, o conceito de liberdade está ligado a um significado que se quer atribuir à própria existência e, portanto à possibilidade de realizar-se. Na teoria aqui apresentada, entendemos por liberdade este segundo conceito em que os significados são derivados dos valores objetivos transcendentes de Cristo.” AVC-I, p. 575.
ela e o adolescente aprendem a abstrair das pessoas e das coisas que os cercam e com que eles estão em contato50”.
Na vida cotidiana, o sujeito depara-se com três tipos de valores que o influenciam. Os valores naturais, os valores transcendentes e ambos em conjunto51. A criança e o adolescente são influenciados principalmente pelos valores naturais que são aqueles relativos à sensibilidade que não implicam moralidade. Quando se torna mais adulto é influenciado pelos valores morais (éticos) e religiosos, que implicam o exercício de sua liberdade quando relacionados à autotranscendência. Os valores questionam o sujeito humano, põem-lhe perguntas. Há também no sujeito uma força à priori de onde surgem perguntas que nascem de sua intencionalidade consciente52. No exercício de sua intencionalidade consciente o homem pode chegar ao transcendente.
Por meio da reflexão, do juízo, da decisão e da ação, o homem pode conhecer e fazer não apenas o que lhe agrada, o que é só gratificante e importante para ele, mas também o que é verdadeiramente bom, importante em si mesmo. (...) responde não só a suas necessidades, mas também aos valores objetivos naturais e autotranscendentes53.
Os três tipos de conjunto de valores (naturais, autotranscendentes e ambos juntos) desenvolvem, com o passar do tempo, três disposições habituais que exprimem três formas de harmonia ou desarmonia entre o eu ideal e o eu atual54. Quando há uma maior harmonia, favorece-se a liberdade para viver segundo os valores da vocação cristã enquanto que a desarmonia cria obstáculo para a liberdade no sentido exposto. Podem-
50 Ibid., pp. 205-206.
51 Os valores naturais aqui compreendidos como os valores sociais, econômicos, estéticos, profissionais
etc. os valores autotranscendentes são constituídos pelos valores morais e religiosos. Esses últimos se distinguem dos primeiros porque empenham a pessoa no exercício de sua liberdade para a autotranscendência do amor teocêntrico. Cfr. AVC-I, pp. 186-192.
52 Lonergan, 1973, p. 103 apud AVC-1, p. 206-207. 53 AVC-I, p. 207.
se descrever as três dimensões com uma metáfora: um óculos tri focal onde cada um dos focos tem sua própria cor e mostra a realidade segundo o foco pelo qual é vista55. Em outras palavras, o sujeito vê e responde às pessoas, aos acontecimentos, e às coisas, segundo três perspectivas diversas e uma ou duas destas perspectivas (ou dimensões) pode prevalecer em cada uma das diferentes situações de sua vida56. Em tudo, dependendo de qual delas predomina, tem-se uma visão da realidade, que pode condicionar o modo de o sujeito interpretar a realidade e relacionar-se com ela (objetos, pessoas, acontecimentos). Cada uma dessas três dimensões possui um horizonte, que tem um pólo positivo e um negativo.
Pólos das três dimensões
A primeira dimensão tem como pólo positivo a virtude e o pólo negativo o vício ou pecado; a segunda dimensão tem o pólo positivo, o bem real, enquanto o pólo negativo é o bem aparente ou do erro não culpável; a terceira dimensão, o pólo positivo, é a normalidade (em sentido psiquiátrico) e o pólo negativo é aquele da psicopatologia. Cada pessoa pode ser colocada em cada uma dessas três dimensões. Se prevalecer os três pólos positivos, a pessoa é considerada matura “plenamente”. Contudo, ela pode estar madura em uma delas e imatura nas demais, ou, ainda madura em duas delas e imatura em uma delas. Dependendo do grau de maturidade em cada uma delas, o sujeito terá diferentes tipos de comportamentos e posturas diante da vida.
Primeira dimensão
A maturidade na primeira dimensão está presente no sujeito quando ele internalizou57 os valores autotranscendentes e estes prevalecem em nível de motivação.
55 AVC-I, pp. 228-229.
56 AVC-II, pp. 71-72; também em CAIT O’DAWIER, op. cit., pp. 72-73.
57 O conceito de internalização é tomado KELMAN (1958, 1960, 1961) e modificado por RULLA
Existe dentro dele uma harmonia entre os processos simbólicos e os ideais que a pessoa busca. Sendo assim se diz que a pessoa possui uma consistência vocacional. Neste caso a liberdade efetiva torna-se uma característica fundamental do sujeito. Nesta dimensão, a pessoa está consciente e efetivamente livre para buscar os valores autotranscendentes e que são intrinsecamente importantes. Esta dimensão corresponde à área da pessoa em que os problemas e soluções são principalmente de ordem espiritual. “A pessoa madura nesta dimensão está disposta a escolher e agir virtuosamente, enquanto a menos madura escolherá o vício ou pecado”58 . Quando esta dimensão prevalece, há uma profunda harmonia (consistência) entre os processos simbólicos (como necessidades conscientes e inconscientes) e os ideais perseguidos pelo sujeito. A pesquisa levada a efeito pela equipe de Rulla constatou que a percentagem deles não vai além dos 10-15%. Mais adiante detalharemos este aspecto quando analisaremos alguns dados da referida pesquisa.
Segunda dimensão
A segunda dimensão está relacionada com o bem real e o bem aparente de origem inaciana (Santo Inácio de Loyola).59 A tendência humana de perseguir o bem aparente é diferente de uma patologia. O bem aparente pode enganar a pessoa justamente porque aparece como um bem. É diferente de psicopatologia porque esta comporta um sofrimento e, portanto, aparece como mal em vez de um bem. No pólo negativo da segunda dimensão, os processos simbólicos do sujeito ligados à necessidades inconscientes não são transparentes a respeito dos valores da vocação
ou vivido por Cristo quanto mais está disposta, é livre de aceitar esse valor que a leva a se transcender teocentricamente (...) de ser mudada por esse valor, e de fazer tudo por amor da importância intrínseca que o valor tem, e não pela importância que ele pode ter para a pessoa”. (AVC-I, pp. 574-575).
58 CAIT O’Dwyer, op. cit., p. 73.
59 Por bem real entende-se aquilo que a coisa realmente é. Ao passo que o bem aparente mascara a
cristã, mas representam uma busca mascarada de si mesmos60. Kiely exemplifica, dizendo que é possível odiar a si mesmo em nome de uma falsa humildade, criticar outra pessoa de forma agressiva em nome de uma pretensa autenticidade profética; sonhar sucessos grandiosos enquanto deixa de lado possibilidades mais reais que a vida oferece (...) é possível perseguir várias expectativas falsas, com muita tenacidade de modo que conduz à frustração e à alienação inevitável, e fazer tudo isso com as melhores intenções61.
Quanto mais uma pessoa está colocada no pólo negativo da segunda dimensão, mais será difícil para ela crescer no sentido moral ou religioso, mais estará bloqueada em aprender da experiência vivida, mais correrá o risco de abandonar a sua vocação, e isto porque há distorções no sistema simbólico que, embora não sendo patológico, obstaculam a autotranscendência teocêntrica62.
A segunda dimensão no seu pólo negativo é a dimensão das “inconsistências vocacionais” e das “consistências defensivas”63. Na medida em que o sujeito é imaturo na segunda dimensão, estará predisposto ao simbolismo regressivo e a falsas expectativas.
... os símbolos regressivos mediam principalmente as relações que as consistências defensivas e as inconsistências têm com os vários objetos e conferem a essas relações um significado regressivo. Por isso o símbolo regressivo não favorece ao progresso, mas a regressão ou a estagnação na direção dos valores objetivos64.
60 KIELY, op. cit., 1982a. 61 AVC-III, pp. 172-173. 62 AVC-III, KIELY, p. 172.
63 Há uma “inconsistência vocacional” quando uma necessidade inconsciente está em desarmonia ou em
contradição com os valores objetivos da vocação cristã. Uma “consistência defensiva” é uma aparente consistência vocacional que serve a objetivos de defender-se em vez de transcender-se. Por exemplo: trabalhar para os pobres ou doentes com entusiasmo (consistência), mas com o objetivo inconsciente de receber deles (função defensiva). Ou ainda, estudar com empenho (consistência), mas com o objetivo subconsciente de aumentar a sua auto estima pelo sucesso acadêmico (função defensiva) (AVC-III, p. 172); cfr. também AVC-I, pp. 286-39; RULLA, L.M. Psicologia do profundo e vocação – a pessoa. São Paulo: Ed. Paulinas, 1977, pp. 58-121.
O que ocorre com uma pessoa sob o influxo das inconsistências ou consistências defensivas? Em tais pessoas formam-se expectativas falsas e irrealistas de chegar à satisfação das próprias necessidades. Tais expectativas falsas e irrealistas constituem um problema freqüente nas pessoas que seguem uma vocação. Esta dimensão deriva de ações de estruturas conscientes e inconscientes juntas. Uma de suas características é que ela inclui uma área da motivação subconsciente da pessoa. A pessoa madura nesta dimensão está disposta a agir motivada pelo bem real e o bem maior, a falta de maturidade nela é por definição devido à motivação inconsciente, por isso não é avaliada em termos de virtude ou vício. Embora não seja patológica, ela condiciona a liberdade efetiva. A pessoa imatura nesta dimensão inclina-se ao que é primariamente de importância subjetiva e assim ao bem aparente e de menos importância.
Terceira dimensão
A terceira dimensão diz respeito aos valores naturais conforme definidos por De Finance65 e sua maturidade ou imaturidade é definida em termos de normalidade ou patologia em sentido psiquiátrico66. Quando há imaturidade nesta dimensão, o problema que surge na pessoa é primariamente focalizado em proteger a integridade do self que está sob ameaça. A pessoa sente incoerência interna e ordinariamente não está bem integrado em nível social. A pessoa geralmente não está em paz consigo mesma, com seu trabalho ou com seus companheiros. Assim o sujeito fica limitado no exercício de sua liberdade. A maturidade nesta dimensão significa que, psiquiatricamente, a pessoa está sadia, não manifesta comportamentos doentios. A imaturidade nesta dimensão
65 DE FINANCE, J. Essai sur l’Agir humain. Rome: Presses de l’Université Grégorianne, 1962; Ethique
Générale. Rome: Presses de l’Université Grégorianne, 1967. Cfr. também, AVC-I, pp. 187-192.
significa que ela sofre de algum grau de patologia. Para verificar essa questão, podem- se tomar os critérios estruturais de Kernberg67, como também os do DSM IV68.
Para esclarecer melhor o quanto aqui afirmado sobre as três dimensões, examinemos alguns dados da pesquisa conduzida por Rulla e equipe.