As idéias de Marcus Garvey são reunidas sob o rótulo de Garveyismo, o qual é freqüentemente definido como um movimento social e/ou uma doutrina pan-africanista, anticolonialista, ou de nacionalismo negro destinada ao progresso, autoconhecimento, auto- respeito e orgulho racial das populações africanas e afro-descendentes espalhadas pelo mundo. Elas nem sempre formam um todo coerente, especialmente quanto aos métodos e ações de se atingir esses objetivos. A repercussão de suas idéias, conforme afirmamos acima, se faz notar ainda hoje. A influência delas esteve presente nos ideais de líderes como Aimé Cesaire (1913- ), Kwame Nkrumah (1909-1972), Walter Rodney (1942-1980), Malcolm X (1925-1965) e Martin Luther King, Jr. (1929-1969) e em movimentos sociais e políticos como a descolonização da África, o Black Power, o Black Panthers, os Black Muslims e os Rastafaris.
Inicialmente, a proposta de Garvey surge diante da situação dos afro-descendentes marginalizados e discriminados da Jamaica, mergulhados em uma letárgica alienação que ele descreveu ao Major Robert Moton, em 1916:
Jamaica é diferente dos Estados Unidos onde a questão racial é considerada importante. Não temos preconceito aberto aqui, e não nos antagonizamos abertamente um ao outro. Os extremos aqui não são entre branco e negro, daí, nunca tivemos um caso de linchamento ou algo tão desesperador. Aqui as pessoas negras formam a base da econômica do país, eles perfazem 6 a 1 de brancos e mulatos combinados e sem elas no trabalho ou na indústria em geral o país iria à bancarrota.
As pessoas negras têm setenta e oito anos de Emancipação, mas durante todo esse tempo elas nunca produziram um líder para si, daí, elas nunca têm sido guiadas a pensar racialmente, mas em comum com os destinos de outras pessoas com as quais elas se misturam como cidadãos. Após a Emancipação o negro era incapaz de lidar intelectualmente com seu amo e per-force ele estava aos joelhos de seu libertador.
Ele tem, portanto, crescido com os ideais de seu amo e ainda hoje se pode encontrar o negro jamaicano incapaz de pensar fora dos costumes e ideais de seus senhores dos antigos tempos de escravidão. Diferente do negro americano, o negro jamaicano nunca pensa sobre ideais raciais, mais em
detrimento de si mesmo, ao invés de progredir geralmente, ele tem se tornado um servo na massa, e um cavalheiro para poucos (apud. Hill, 1983, p. 179).101
Segundo Horace Campbell, o Pan-Africanismo e o Garveyismo emergiram no final do século XIX quando o imperialismo capitalista repartiu a África entre as potências européias. Naquele período, os símbolos do orgulho racial estavam ligados à construção da nação e do Estado: “Nacionalidade é a mais forte segurança de qualquer povo e é por ela que a UNIA luta hoje em dia... a UNIA procura por um governo independente para o Negro”102 (Garvey, 1967, p. 34). Por conseguinte, o Garveyismo mobilizou os pobres a desafiar a dominação européia sobre a África e a depreciação dos povos africanos espalhados pela Diáspora. No nível ideológico, o Garveyismo confrontou a falsificação da história Africana, desafiando os intelectuais negros a romper com as concepções eurocêntricas de desenvolvimento humano (Campell, 1994, p. 183). De fato, Garvey encorajou seus seguidores a reescrever sua história e a valorizar seus heróis e sua raça:
FUNDAMENTALISMO AFRICANO:
Chegou o tempo de o Negro esquecer e jogar para trás sua adoração de heróis de outras raças, e começar imediatamente a criar e emular seus próprios heróis. Devemos conduzir nossos próprios santos, criar nossos próprios mártires, elevar a posição de fama e honra homens e mulheres que fizeram suas distintas contribuições à nossa história racial. Sojourner Truth é merecedora do lugar de santidade ao lado de Joana Darc; Crispus Attucks e George William Gordon têm o direito ao halo do martírio sem menor glória que aquela dos mártires de qualquer outra raça. O brilho de Toussaint L’Overture como um soldado e estadista eclipsou o de Crommwell, Napoleão
101
Texto original: Jamaica is unlike the United States where the race question is concerned. We have no open race prejudice here, and we do not openly antagonize one another. The extremes here are not between white and black, hence we have never had a case of lynching or anything so desperate. The black people here form the economic asset of the country, they number 6 to 1 of colored and white combined and without them in labor or general industry the country would go bankrupt./The black people have had seventy-eight years of Emancipation, but all during that time they never produced a leader of their own, hence they have never been led to think racially but in common with the destines of the other people with whom they mix as fellow citizens. After the Emancipation the Negro was unable to cope intellectually with his master and per-force he had at the knees of his emancipator./He has, therefore, grown with his master’s ideals and up to today you will find the Jamaican Negro unable to think apart from the customs and ideals of his old time slave masters. Unlike the American Negro, the Jamaican never thought of race ideals, much of his detriment, as instead of progressing generally, he has become a serf in the bulk, and a gentleman in the few (apud. Hill, 1983, p. 179).
102
Texto original: Nationhood is the strongest security of any people and it is for that the UNIA strives at this time… The UNIA seeks an independent government for the Negro (Garvey, 1967, p. 34).
e Washington; daí, ele tem direito ao mais alto posto de herói entre os homens. A África tem produzido incontáveis homens e mulheres, na guerra e na paz, cujos lustro e bravura eclipsam o de qualquer outro povo. Então por que não enxergar bondade e perfeição em nós mesmos? Devemos instituir uma literatura e promulgar uma doutrina própria sem apologias a quaisquer poderes que sejam. O direito é nosso e de Deus. Deixem opiniões e sentimentos contrários irem com os ventos. A oposição à independência racial é a ferramenta do inimigo para derrotar as esperanças de um povo desafortunado. Temos direito às nossas próprias opiniões e não somos obrigados a ser limitados pelas opiniões alheias [...]103 (The Negro World, 1924, apud Tony Martin (ed.) African Fundamentalism: a literary and cultural anthology of
Garvey’s Harlem Renaissance. Dover, Massachusetts: The Majority Press,
1991, p. 4-6).
Garvey insistia na necessidade de se reescrever a história da África, abolindo as falsificações produzidas pela cultura européia. Segundo ele, o berço das civilizações estava localizado na África, quando a Europa ainda estava na Pré-História, portanto, a idéia de uma África selvagem era um construto europeu. Contudo, a idéia de uma África como berço das civilizações apareceu pela primeira vez na obra de Edward Wilmot Blyden (1832-1912), cujas obras exerceram profunda influência em Garvey, especialmente no período londrino de 1912- 1913. Aliás, atribui-se a Edward Blyden a fundação do pan-africanismo e influência sobre o Africanismo Islâmico de Malcom X e dos Black Muslims entre outros. Para Blyden,
103
Tradução: AFRICAN FUNDAMENTALISM: The time has come for the Negro to forget and cast behind him his hero worship and adoration of other races, and to start immediately to create and emulate heroes of his own. We must conduze our own saints, create our own martyrs, and elevate positions of fame and honor black men and women who have made their distinct contributions to our racial history. Sojourner Truth is worthy of the place of sainthood alongside of Joan of Arc; Crispus Atttucks and George William Gordon are entitled to the halo of martyrdom with no less glory than that of the martyrs of any other race. Toussaint L’overture’s brilliancy as a soldier and statesman out shone that of Crommwell, Napoleon and Washington; hence, he is entitled to the highest place as a hero among men. Africa has produced countless numbers of men and women, in war and in peace, whose lustre and bravery out shine that of any other people. Then why not see good and perfection in ourselves? We must inspire a literature and promulgate a doctrine of our own without any apologies to the powers that be. The right is ours and God’s. Let contrary sentiment and cross opinions go to the winds. Opposition to race independence is the weapon of the enemy to defeat the hopes of an unfortunate people. We are entitled to our own opinions and not obligated to be bound by the opinions of others [… ] (The Negro World, 1924, apud Tony Martin (ed.) African Fundamentalism: a literary and cultural anthology of Garvey’s Harlem
Renaissance. Dover, Massachusetts: The Majority Press, 1991, p. 4-6).
...Todos sabem que a base da civilização e da literatura dos dias de hoje estavam no Nilo e não entre a raça caucasóide – não nos Elíseos, no Tibre, no Reno ou no Tâmisa, mas nos rios da Etiópia. Existiam apenas dois passos entre o Egito e a Europa moderna – Grécia e Roma. A Grécia não só tomou a civilização e literatura da Etiópia. Quão maravilhosos eram os desenvolvimentos de civilização e literatura naquele país, que os antigos poetas e historiadores da Grécia, incapazes de compreender tal maravilhoso crescimento nativo que o atribuíram à direta interferência dos deuses, os quais eles afirmam iam todo ano banquetear-se com os etíopes […]104 (1890, p. 4).
Do mesmo modo, Edward Blyden rejeitava a noção estereotipada de uma África uniforme:
Existem negros e negros. As numerosas tribos habitando o vasto continente da áfrica não podem mais ser olhadas como iguais em cada respeito quanto os numerosos povos da África e da Europa podem ser então olhados. Existem as mesmas variedades tribais ou familiares tanto entre os africanos quanto entre os europeus... Existem os Foulahs habitando a região do Alto Níger, os Housas, os Bornéus de Senegambia, os Núbios da região do Nilo, de Darfoor e Kordofan, os Ashantis, Fantus, Daomeianos, Yorubas e toda a classe de tribos ocupando as porções oriental, central e ocidental do continente ao norte do Equador. Então existem as tribos da Guiné Baixa e de Angola... todas essas diferindo em batida original e instintos tradicionais... Agora, deveria ser evidente que nenhuma descrição apressada pode incluir todos esses povos, nenhuma única definição, por mais compreensiva, pode abarcá-las todas. Ainda que escritores gostem de selecionar os traços proeminentes de tribos isoladas, as quais eles conhecem melhor, e aplicá-los à raça inteira105 (1888, p. 272-273).
104
Texto original: …Everyody knows that the basis of the civilization and literature of present day was on the Nile and not among the Caucasian race – not on the Ilissus, the Tiber, the Rhine or the Thames, but on the rivers of Ethiopia. There were only two steps between Egypt and modern Europe – Greece and Rome. Greece took not only civilization and literature but even religion from Ethiopia. Such were the wonderful developments of civilization and literature in that country, that the early poets and historians of Greece, unable to understand such marvelous indigenous growth attributed it to the direct influence of the gods, who they affirm went every year to feast with the Ethiopians (Blyden, 1890, p. 4).
105
Texto original: There are Negroes and Negroes. The numerous tribes inhabiting the vast continent of Africa can no more be regarded as in every respect equal than the numerous peoples of Africa and Europe can be so regarded. There are the same tribal or family varieties among Africans as among Europeans… there are the Foulahs inhabiting the region of Upper Niger, the Housas, the Bornous of Senegambia, the Nubes of the Nile region, of Darfoor and Kordofan, the Ashantees, Fantus, Dahomians, Yorubas, and the whole class of tribes occupying the eastern and middle and western portions of the continent north of the equator. Then there are the tribes of Lower Guinea and Angola… all these differing in original beat and traditional instincts… Now it should be evident that no short description can include all these people, no single definition, however comprehensive, can embrace them all. Yet writers are fond of selecting the prominent traits of single tribes with which they are best acquainted, and applying them to the whole race (Blyden, 1888, p. 272-273).
Por sua vez, a obra e a trajetória de Blyden iriam influenciar o Garveyismo inclusive nos fracassados planos de colonização da Libéria que Garvey acalentava entre 1920 e 1924. Edward Blyden havia nascido nas Ilhas Virgens dinamarquesas em 3 de agosto de 1832, filho de pais afro-descendentes livres. Em maio de 1850, ele tentou emigrar para os EUA para se tornar ministro religioso. Após ser recusado, ele partiu para a Libéria, onde se tornou ministro religioso, professor universitário, funcionário público e diplomata.
Figura 26
Edward Wilmot Blyden (1832-1912)
A Libéria é um país da África Ocidental surgido da colonização de ex-escravos norte- americanos a partir da segunda década do século XIX. A proposta de repatriação dos ex- escravos surgiu entre os Quakers e obteve oposição dos fazendeiros e donos de escravos. Contudo, o temor de uma rebelião como a do Haiti fez com que o projeto fosse executado (Tyler-McGraw, 1999, p. 191-202). Ao longo do século XIX, formou-se uma elite libero- americana a qual tomou para si as rédeas do Estado. Em meio a uma África partilhada e dominada pelas nações européias, a Libéria tinha o reconhecimento da Inglaterra e da França como Estado soberano e independente. Blyden ao longo de sua carreira tornou-se um importante adido diplomático e cultural da Libéria nos EUA e na Inglaterra. Para ele, os afro- descendentes da Diáspora deveriam retornar à África, especialmente para a Libéria e Serra Leoa e contribuir para o desenvolvimento daqueles países. O moto “África para os Africanos, em casa e no estrangeiro” atribuído a Garvey encontra sua origem no moto de Blyden “África
para os Africanos”, embora muitos autores afirmem que a frase foi cunhada pela primeira vez por Martin Robinson Delamy (1812-1885). Por outro lado, Garvey reconhecia que a liberdade dos “africanos do Ocidente” estava inextricavelmente ligada à liberdade do continente africano.
Mapa 8 Libéria
Tanto Blyden quanto Garvey insistiam no desenvolvimento de uma dignidade, de um auto-respeito, de um auto-conhecimento e de um orgulho racial. Ambos reconheciam que a cultura européia havia crescido em conhecimento e progresso científico, porém o início de todo esse conhecimento, segundo eles se encontrava no continente africano. Assim, eles haviam internalizado a cultura intelectual do Ocidente, aceitando seus princípios filosóficos. Horace Campbell observou que não era insignificante o fato de o movimento literário afro- americano de maior expressão naquela época fosse chamado “Harlem Renaissance”, ou seja, Renascença do Harlem (1994, p. 171).
A insistência de uma África livre do domínio colonial, obviamente, desagradava aos governos das potências européias. O movimento de Garvey, que possuía filiais na África, era visto pelas autoridades coloniais como um movimento de agitadores negros e o seu veículo de divulgação, o jornal The Negro World, tinha sua circulação proibida em várias colônias francesas. Na Figura 16 acima, a manchete estampada na primeira página do referido jornal pode-se ler as seguintes frases: “África, a terra prometida para os povos negros do mundo” e
“Irão os negros permitir que os brancos tomem a África?”. Além disso, o ofício abaixo, assinado pelo Cônsul-Geral Britânico de Dakar, em 1922, claramente corrobora a inquietação suscitada nos governos britânico e francês pelas atividades da UNIA no continente africano:
B Consulado Geral Brânico Conselho em Dakar Dakar
17 de agosto de 1922.
Meu Senhor,
Por considerável tempo passado, as autoridades francesas aqui têm se engajado em observar com alguma inquietação as atividades de um grupo de homens, a maioria deles nativos de Serra Leoa, que se acreditava serem os representantes locais de uma Associação Americana dirigida por negros chamada a SOCIEDADE UNIVERSAL PARA O MELHORAMENTO NEGRO que tem como cabeça o notório Marcus Garvey, o pretenso apóstolo da emancipação negra, e Presidente da “República Negra da África”. No devido curso das perquirições domiciliares nas residências desses homens efetuadas pela polícia, resultando no confisco de um grande dossiê de documentos que mostraram claramente que as pessoas em cuja posse eles foram encontrados estavam agindo como representantes da Associação mencionada, e distribuindo sua propaganda; além disso, que em Dakar, Rufisque, e Thiés filiais ativas, providas com o usual quadro de diretores eleitos e estabelecidos, as quais estavam como que engajadas em espalhar os objetivos do escritório central, e em coletar assinaturas para o avanço de seus esquemas. Entre os documentos confiscados estavam vários relatando a visita no último mês de maio, de um delegado dos Estados Unidos chamado JOHN KAMAKA, o qual era descrito como o “Comissário Viajante” da Sociedade. Em honra dessa pessoa encontros foram realizados nos diversos centros estabelecidos, a qual endereçou em linguagem violenta, exortando seus ouvintes por todos os meios para espalhar o movimento revolucionário que deveria, ao fim, expulsar os brancos da África, e muito mais com o mesmo efeito. Respostas “apropriadas”, das quais palavra por palavra gravadas foram descobertas, formuladas em linguagem similar, foram feitas pelos chefes locais. De Dakar KAMARA partiu para Combia, sua intenção sendo a de passar em todas as divisões da África Ocidental de uma só vez. Seguindo esses confiscos, quatro homens, nativos de Serra Leoa, chamados WILSON, FARMER, DOHERTY e BROWN, foram recentemente deportados pelo Arrêté do Governador Geral para sua colônia natal, por tomarem parte nas atividades da Sociedade universal para o Desenvolvimento Negro, a qual a administração francesa tem sempre olhado como sediciosa e anti-européia; embora muito mais tenha sido reportado pela polícia. Observação especial está sendo mantida sobre qualquer que tenha cópias do “Negro World” o órgão da Sociedade em seu poder, esse jornal tem sido proibido nas colônias francesas sob penalidade. Nas colônias britânicas da África Ocidental, entretanto, a Sociedade Universal para o Desenvolvimento Negro, embora fortemente
apelando para a imaginação dos nativos, dos quais, com certeza, se diz terem abraçado seus objetivos com entusiasmo não parece ser olhada pelos governos com a mesma inquietude como tem sido despertada nas divisões francesas; informou-se que na África Ocidental Britânica é permitida livremente desenvolver suas atividades, e ali matricular imenso número de associados a um movimento do qual se diz ter por objetivo nada menos que a “África para o africano”. O curioso espetáculo é assim provido da existência de um movimento presumivelmente de um caráter anti-europeu, originário entre os negros dos Estados Unidos, severamente reprimido em onze colônias francesas, e indulgentemente tolerado em quatro divisões britânicas. Tenho devidamente informado os Governadores de Gâmbia, Serra Leoa, Costa do Ouro, e Nigéria do que tem acontecido, e agora considero meu dever reportar o assunto a Vossa Senhoria também.
Eu tenho, etc... (Assinado) R. C. F. Maugham. Cônsul-Geral de Sua Majestade.106 ( 107).
106
Textooriginal:B/British Consulate General/Council in Dakar/Dakar/17th August, 1922./My Lord:-/For some considerable time past, the French Authorities here have been engaged in watching with some uneasiness the activities of a group of men, for the most part natives of Sierra Leone, who were believed to be the local representatives of an American Association directed by negroes called the UNIVERSAL NEGRO IMPROVEMENT SOCIETY, which has at its head the notorious Marcus Garvey the self-styled apostle of negro emancipation, and President of the “Negro Republic of Africa”./In due course domiciliary perquiritions at the dwellings of some of these men were instituted by the police, resulting in the seizure of a large dossier of documents which showed clearly that the persons in whose possession they were found were acting as the representatives of the Association named, and distributing broadcast its propaganda; further, that at Dakar, Rufisque, and Thiès active branches, provide with the usual staff of elected officers and been established, which branches were likewise engaged in spread the object of the parent body, and in collecting subscriptions for the