KAPITTEL 4: RESULTAT OG DISKUSJON
4.7 Hybridsystem
Como foi referido na introdução, este conceito tem provocado vários debates nos últimos anos entre diferentes especialistas da área da informação, da cultura, da comunicação e da educação. Introduzido, ainda na década de 70, pela norte-americano Paul Zurkowski, presidente da US Information Industry Association, numa proposta que este submeteu à National Commission on Libraries and Information Science (NCLIS), esta foi a primeira vez que a literacia da informação ultrapassou as fronteiras da biblioteca, num percurso que se estendeu à economia e à sociedade em geral (Bawden, 2001, ob.cit., p.9; Olinto & Hatschbach, 2008, ob.cit.). A definição veiculada pela ALA, já referida, é a seguinte: “To be information literate, a person must be able to recognize when information is needed and have the ability to locate, evaluate and use effectively the needed information” que surgiu na Information Literacy Competency Standards for Higher Education (Association of College & Research Libraries [ACRL], 2000) e que influenciou a definição australiana e neo- zelandesa, (Australian and New Zealand Information Literacy Framework). Esta definição da
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literacia de informação, com base nas características dos infoletrados (Amândio, ob.cit, p.3), aponta para um:
(...) sistema de competências necessárias para pesquisar, recuperar, analisar, e usar a informação”, ou seja, reconhecer necessidades de informação, saber como localizar, identificar modos de acesso, recuperar (investigar), avaliar, organizar e aplicar a informação (interpretar e criar novas ideias), sendo capaz de sintetizar informação e de a usar para criar novo conhecimento e compreensão. Em simultâneo, estar consciente das envolventes éticas, culturais, económicas e sociais.
Aliás, vários organismos europeus e norte-americanos, citados por Matias Alves (1998, ob.cit., pp.57-58), salientam os comportamentos desejados para os seus trabalhadores, destacando-se a capacidade de aprender a aprender; saber ler, escrever e calcular; capacidade de ouvir e falar; saber resolver problemas e pensar criativamente; ter capacidade de negociação, relação pessoal e trabalho de equipa; ter capacidade de liderança e de gerar eficácia organizacional (The skills Employers Want, referidos pelo Departamento
de Trabalho, Emprego e Formação dos EUA e pela Sociedade Americana para a Formação e o Desenvolvimento). Também o Relatório da Mesa Redonda dos Industriais Europeus acabou
por identificar um conjunto de competências e de aptidões insuficientemente desenvolvidos que se prendem:
Com o domínio da língua materna;
Com a compreensão dos fundamentos da matemática e das ciências, essenciais à abordagem das novas tecnologias;
Com as técnicas de aprendizagem de novas competências e de adaptação a novas situações;
Com a capacidade de comunicar;
Com a capacidade de trabalhar em grupo e em equipa; Com o sentido de responsabilidade e de disciplina pessoal; Com a capacidade de tomar decisões;
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Com a curiosidade e criatividade;
Com o profissionalismo e sentido de serviço à comunidade e espírito cívico. Em resumo, uma sociedade que valoriza (Alves, ob. cit., p.60) a capacidade de iniciativa, de cooperação, de trabalho em equipa, de comunicação e de saber aprender (as cinco competências mais referidas). A LI recupera todas essas competências, nestas quatro décadas de implementação, em várias partes do mundo.
Diferentes traduções das palavras information literacy remetem-nos, portanto, em primeiro lugar, quer para o termo literacia quer para o termo informação. Se, inicialmente, a palavra literacia, devido à sua origem etimológica – littera – remetia para a alfabetização do indíviduo, para a sua formação escolar, isto é, saber ler e saber escrever, posteriormente foi acrescentado o saber contar, como surge no documento coordenado por Ana Benavente,
Estudo Nacional sobre a Literacia: Resultados de Uma Pesquisa Extensiva e Monográfica, um
estudo dirigido aos adultos. Esta acrescenta ainda “a capacidade de processamento da informação escrita na vida quotidiana” (Benavente et al., 1996, ob.cit., p.13), ou seja a numeracia, também referida por Gomes (Gomes et al, 2003, 2005, ob.cit.). Numa definição de 2003, do dicionário Houaiss (p. 2294), literacia é “(...) 1. Qualidade ou condição de quem é letrado 1.1. m.q. ALFABETIZAÇÃO (“processo”) 2. Conjunto de práticas que denotam a capacidade de uso de diferentes tipos de material escrito, letramento”. O mesmo dicionário conclui com a referência à sua raíz etimológica inglesa, literacy (de 1883). O nome
informação, por sua vez, remete para todos os saberes disponíveis em múltiplos suportes,
etimologicamente “desenho, esboço ; ideia, conceção ; representação de uma ideia pela imagem de uma palavra (…)” (Machado, 2003, ob.cit.). Talvez por isso, em castelhano, tenham surgido diversas hipóteses de tradução, como Información documental y
aprendizage, El proceso de la comunicación, Técnicas de documentación y tratamiento de la información, Información e comunicación, Alfabetización informativa e Desarrollo de habilidades informativas. Os dois termos escolhidos, nesta língua, foram alfabetización informacional (ALFIN), cujo acrónimo está mais próximo do origem etimológica, e é assim
que o conceito surge, ainda na década de 90, ligado às bibliotecas (Gómez Hernández, 2000 ; Gómez Hernández & Ureña, 2003 ; Morales, 2007), generalizando-se já no séc. XXI, em todos os países em que o castelhano é a língua oficial (sobretudo na Argentina, no Chile e no México).
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Le Deuff (2007) também faz referência a diferentes traduções, tais como
competência informacional, cultura da informação e/ou informacional, inteligência informacional, metodologia da informação e/ou informacional, utilização da informação que
se aproxima do nome utilizador, da Formação de Utilizadores, atividade com origem nas práticas de muitas bibliotecas públicas, universitárias e escolares. Em França e nos países francófonos, com um sistema de educação centralizado, o conceito designa-se como
maîtrise de l’information. A canadiana Paulette Bernhard (1997, ob.cit.) explica que este
conceito na língua francesa nasceu com os movimentos que visavam promover a formação em habilités de l’information (competências de informação), em continuidade das tarefas de pesquisa desenvolvidas nas bibliotecas, movimentos estes que se desenvolveram em diferentes partes do mundo, de forma quase paralela, quase simultânea. Nos Estados Unidos, segundo a autora, são referência os trabalhos de Hart (1978) e de Mancall et al. (1986) e os diversos documentos elaborados nos diferentes estados, desde o início dos anos 80; no Reino Unido, os trabalhos de Marland (1981) e de Irving (1985) e toda a série de trabalhos supervisionados e dirigidos pela British Library. Em Portugal e no Brasil, optou-se, depois de alguma hesitação, pela tradução literal das duas palavras : literacia da informação, apesar de apenas, na última década, o conceito se ter generalizado em textos científicos, sobretudo ligado a bibliotecas universitárias e escolares (Dudziak, 2001, ob.cit.), para além de muitos trabalhos académicos. Para tal, terá contribuído a Declaração de Praga (2003) e a
Declaração de Alexandria (2005) que posicionam este conceito no lugar que lhe compete:
promotor da aprendizagem ao longo da vida e do sucesso quer dos indíviduos, quer das organizações, quer em última instância dos governos que apostam na generalização destas práticas. Esta última ideia, tal como refere Bawden (ob.cit., p.9), já tinha sido sugerida em 1976, por Owen, quando liga a literacia a conceitos como democracia e cidadania ativa. Mas esta não se confunde com a literacia digital, computacional, digital ou tecnológica, porque vai mais longe.
A necessidade desta, desde cedo, nos currículos e nos programas, surge em algumas definições norte-americanas, como a difundida, nos anos 90, pelo Supervision and
Curriculum Development norte-americano (Bawden, ob.cit., p.11) e também no Canadá (Information Literacy and Equitable Access - ILEA, 1995), que insistem em critérios de
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desde do ensino pré-escolar (caso de Information Studies: Kindergarten to Grade 12, documento do governo canadiano, de 1998). Vieira (2008, ob.cit., p.1800) afirma que “aqueles que não possuem as competências básicas relacionadas com a leitura e com a escrita da informação computacional, serão os infoexcluídos da sociedade, fenómeno que se tem vindo a acentuar devido ao crescimento da internet e ao seu impacte em áreas sociais, culturais” (e até económicas, acrescentamos nós). Acrescenta que apesar de esta envolver “a capacidade para identificar, localizar, avaliar, organizar e criar, usar a informação de maneira eficaz, para dar resposta a uma questão ou problema”, o conceito estende-se ao uso responsável da internet, envolvendo os diferentes atores e intervenientes neste processo (famílias, alunos, docentes, bibliotecários, instituições públicas e privadas e governos).
No seu site, a RBE apresenta duas definições da norte-americana Barbara Stripling
(CTAP Information Literacy Guidelines K-12,1992) em que esta insiste nas multiliteracias, na
importância da compreensão da informação e na sua integração transversal no currículo. A Rede também difunde várias modelos de literacia, para os três níveis de ensino, com materiais de apoio e aponta a LI como um dos conceitos-chave da avaliação das bibliotecas escolares, desde 2007.
Amândio (ob.cit, p.3), ao fazer referência à capacidade de cada indivíduo de manusear a informação, reafirma que estas competências são “ensinadas, aprendidas e reaprendidas”. Por isso, o indivíduo que é literato em informação (termo que surgiu no início do séc. XXI), ou competente em informação, deve ter a capacidade de reconhecer a sua necessidade de informação, sendo capaz de identificar, localizar, avaliar, organizar e usar efetivamente a informação que resolva os problemas, incluindo assim competências em comunicação, pensamento crítico e capacidade de resolver problemas (Sayers, 2008, ob.cit., p.75). A ATCL (Association of Teacher-Librarians in Canada) também apresenta a sua definição de “information literate”, apenas insistindo no uso e avaliação de ferramentas teconológicas para aceder à informação. Aliás, os termos Computer Literacy e Information
Technology Literacy, entre outros, surgiram, segundo Dudziak (ob.cit.), em muitos países (na
Holanda, por exemplo), devido à importância do uso do computador no ensino e no dia a dia das pessoas (em 1996, o computador surge na reviste Time como a máquina do ano). Pochet (1998, ob.cit., p.4) explica que esta necessidade tecnológica também esteve na origem da
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criação de programas tutoriais de formação on-line, já mencionados, neste domínio, como, por exemplo, o EDUCATE (Into-Info) e o FORMIST, em França (entre outros programas), e o EDUDOC e DEFIST, na Bélgica, na década de 90.
Nos anos 90, a expressão literacia da informação expandiu-se nos quatro continentes, em escolas, sobretudo do ensino superior, com experiências muito positivas, apesar de dispersas e pouco estudadas (ou pouco difundidas, por causa da barreira linguística). É o caso da Austrália, com Christine Bruce, numa “abordagem, delineada em 1997, compreendendo um conjunto de sete conceções em que incide a literacia da informação: tecnologia da informação, fontes de informação, processo de informação, controlo de informação, construção do conhecimento, extensão do conhecimento e sabedoria”. Noutros lugares, esta questão está longe de ser uma prioridade, quando ainda se luta por um ensino obrigatório de quatro anos, pela alfabetização funcional.
Atualmente, o termo literacia é plural (as multiliteracias defendidas em 2009, por Cordes, com a expressão Multimodal literacy), o que pode contrariar a utilização de um termo como iliteracia, no singular, todavia no sentido deste trabalho deverá ser empregue no singular. Desde 2006, a informação passou a ter um dia mundialmente comemorado, o dia 17 de maio, o que explica a sua importância na sociedade de hoje, por isso a palavra deverá ser aceite e utilizada por todos, com o mesmo sentido. Só assim se evitará a profusão de conceitos que apontam para as mesmas competências.