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Hvordan jobbe med kontroll?

2.6 Den autoritative lærerrollen

2.6.3 Hvordan jobbe med kontroll?

Extratos vegetais interagem de diversas formas com filtros químicos e/ou físicos, alterando parâmetros que interferem na eficácia do produto: FPS, proteção contra a radiação UVA, razão UVA/UVB e comprimento de onda crítico (VELASCO et al., 2008b).

A seleção dos filtros solares utilizados na composição das formulações foi fundamentada por uma pesquisa dos mais utilizados em produtos comerciais.

De acordo com uma pesquisa realizada por Ferreira, Fernandes e Ferrari (2011) com 200 voluntários em Natal, RN e com o mesmo número de pequisados na cidade de Cuiabá – MT (SILVA et al., 2009), o FPS mais utilizado é o 30.

Dessa forma, o estudo do FPS in silico, foi realizado para determinar a composição quali e quantitativa de filtros solares para se obter uma formulação com FPS 30.

Atualmente, são utilizadas técnicas in vitro e in vivo para a avaliação do Fator de Proteção Solar (FPS) e do fator de proteção UVA (FPUVA). As análises

in vivo são complexas e possuem custo elevado, principalmente por envolver

tecnologia onerosa, contratação de técnicos especializados e voluntários (GREGORIS et al., 2011; VELASCO et al., 2011). Por isso, os estudos preliminares iniciam se com metodologias in vitro e/ou in silico na triagem durante o desenvolvimento de formulações cosméticas, as quais são de menor custo e apresentam uma boa correlação com os resultados in vivo (FLOR; DAVOLOS; CORREA, 2007). No que se refere à eficácia efetiva dos protetores solares quanto ao FPS, o método in vivo é o exigido atualmente pela Anvisa (BRASIL, 2012a).

Após a obtenção da formulação estável (R2) a mesma foi submetida ao teste de determinação in vivo de FPS. Para avaliar a eficácia fotoprotetora do extrato glicólico do açaí, formulações sem a adição do mesmo foram manipuladas e permaneceram estáveis durante todo o período do teste.

Os valores de FPS in vivo para cada voluntário das formulações desenvolvidas encontram-se descritos na Tabela 6.

Não houve diferença estatisticamente significativa no valor do FPS in vivo obtido nas formulações desenvolvidas (p<0,05), demonstrando que o extrato de

açaí na concentração utilizada não proporcionou aumento ou potencialização do FPS.

Tabela 6- Valores de FPS in vivo das formulações R2 desenvolvidas com o extrato de açaí e sem o extrato de açaí e o controle.

Voluntários FPS formulação R2

sem extrato açaí

FPS Formulação R2

com extrato açaí 5% FPS Controle

1 23,7 23,7 16,0 2 21,5 20,8 12,8 3 23,2 21,5 20,0 4 20,8 21,5 10,3 5 20,8 24,0 16,0 6 20,8 26,8 16,0 7 18,6 21,5 16,0 8 23,2 30,0 20,0 9 26,0 30,0 20,0 10 26,0 33,5 20,0 FPS Médio (x) 22,5 25,3 16,7 Desvio Padrão (S) 2,4 4,5 3,4 Autoria: Própria.

Diferentemente do que foi demonstrado por Ferrari e Rocha Filho (2011) que obtiveram o mesmo FPS tanto na metodologia in silico quanto na in vivo, as formulações dessa pesquisa, não apresentaram um FPS in vivo compatível com o calculado in silico (FPS 30). Alguns fatores podem explicar essa diferença: a composição do veículo, a interação entre os componentes da formulação, o caráter hidrofílico da formulação, a interação da formulação com a pele no teste in

vivo e com substrato no in silico, tipos e concentrações de emulsionantes e

emolientes (FERRARI; ROCHA-FILHO, 2011)

Nos produtos comercializados o FPS é indicado por um número inteiro, sendo assim, pela análise do desvio padrão, mesmo não havendo diferença estatística, na prática, ou seja, se as formulações fossem disponibilizadas para o comércio a formulação sem o extrato seria grafado na rotulagem FPS 20 e, a com extrato, FPS 25, o que poderia agregar valor comercial a formulação contendo o extrato glicólico de açaí.

Ferrari e Rocha-Filho (2011) avaliaram o potencial fotoprotetor do óleo de açaí e verificaram que o mesmo também não contribuiu positivamente para aumentar o FPS da formulação.

Assim como os resultados apresentados para o FPS, diversas pesquisas (MANSUR, 2011; MUNHOZ et al., 2012; SILVA et al.,2005; SOUZA et al., 2005; SOUZA et al., 2013; VIOLANTE et al., 2009) realizadas com o objetivo de verificar a eficácia fotoprotetora de ativos naturais adicionados a formulações contendo filtros solares não obtiveram aumento ou potencialização do FPS. Esses autores descreveram a dificuldade de se aumentar o valor do fator de proteção solar através da adição de ativos naturais a filtros solares químicos e físicos, apesar do conhecimento prévio dos constituintes secundários os quais apresentam atividade antioxidante e/ou estrutura química (substâncias aromáticas ricas em hidroxilas) semelhante a dos filtros químicos.

Produtos fotoprotetores contendo plantas nem sempre são eficazes na absorção de UV, no entanto, podem ser capazes de melhorar a tonicidade da pele, reduzir o fotoeritema, queimaduras e vermelhidão causados pela radiação (HU; WANG, 1998). Afaq e Mukhtar (2006) em artigo de revisão, enfatiza que o uso oral e tópico de plantas e/ou substâncias isoladas com atividade antioxidante associadas a filtros solares, podem ser uma abordagem eficaz para a redução de radicais livres gerados pela radiação UVB.

O açaí possui atividades antioxidantes e antiinflamátórias já amplamente descritas na literatura e atribuídas à concentração elevada de polifenóis, em especial às antocianinas e aos polifenóis (COSTA et al., 2013; HOGAN et al., 2010; KANG et al., 2010, 2011b; POULOSE et al., 2012; SOUZA et al., 2010b; XIE et al., 2012). Pode-se sugerir que a concentração de polifenóis contidos no extrato glicólico de açaí em estudo, não foi suficiente para aumentar significativamente o FPS da formulação desenvolvida. Outras proposições para esse resultado podem ser destacadas: o aumento da concentração do extrato na formulação (acima de 5%) poderia ser avaliado e verificado se com essa medida teria resultados diferentes; como descrito anteriormente a proporção polpa/fruto: liquido extrator é de 1:5, se essa proporção fosse, por exemplo, de 1:1 a concentração de polifenóis poderia ser mais elevada e consequentemente ter aumentado de forma significativa o FPS.

No entanto, apesar do extrato de açaí incorporado a formulações fotoprotetoras não ter aumentado significativamente o FPS in vivo, não se deve descartar a possibilidade dessa formulação atuar como antioxidante através da inibição ou geração de radiais livres provenientes das radiação ultravioleta.

Os efeitos nocivos da radiação UVA começaram a ser investigados na década de 1990. A principal consequência da radiação UVA cumulativa é a produção de espécies reativas de oxigênio, indução do câncer de pele, imunossupressão, e fotoenvelhecimento (HOJEROVÁ; MEDOVCÍKOVÁ; MIKULA, 2011).

Para se ter características preventivas contra as radiações UVB e UVA, o produto fotoprotetor deve conter não apenas filtros solares UVB, mas também um ou mais filtros UVA. Embora seja imperativo a proteção UVB, a proteção UVA é hoje reconhecida como igualmente essencial, exigida pela legislação vigente (BRASIL, 2012a) e tornou-se um alvo para melhorar a eficácia protetor solar (HOJEROVÁ; MEDOVCÍKOVÁ; MIKULA, 2011; SAMBANDAN; RATNER, 2011).

Na tabela abaixo (Tabela 7), estão descritos os valores do fator de proteção UVA (FPUVA), razão FPS/FPUVA e valores de comprimento de onda crítico ( c) encontrados para formulações aditivadas ou não com o extrato de açaí a 5%.

Tabela 7 – Fator de proteção UVA (FP-UVA), determinação FPS/FP-UVA e comprimento de onda crítico ( c) das emulsões O/A com e sem extrato glicólico de açaí. Formulação sem o extrato de açaí Formulação com o extrato de açaí Formulação Fotoprotetora Referência Antes da irradiação FPS in vitro 6,17 (±0,69) 5,77 (±0,06) --- FP-UVA in vitro 13,34 (±0,23) 15,12 (±0,13) --- Após a irradiação FP-UVA in vitro 13,38 (±0,52) 14,97 (±0,44) 14,02 (±0,16) FPS/FP-UVA 1,68 (±0,06) 1,69 (±0,05) 1,14 (±0,01) Comprimento de onda crítico

( c) nm 378 378 ---

% FP-UVA eff 100,3% 99,0 % ---

Os dados foram expressos como média ± desvio-padrão (SD). n = 3. % FP-UVA eff = eficácia percentual após a irradiação. Autoria: Própria.

Não houve diferença estatística entre o FPUVA das formulações adicionadas ou não de extrato de açaí, indicando que o mesmo não contribuiu para aumentar ou potencializar a proteção no espectro de UVA.

Mansur (2011) relatou que ao utilizar o extrato de Bauhinia microstachya

var. massambabensis Vaz em formulações antisolares obteve uma redução nos

valores de FPUVA após a irradiação. O extrato glicólico de açaí não proporcionou aumento significativo no FPUVA, mas também não reduziu os valores como descrito pelo autor citado.

De acordo com a RDC 30/2012 (BRASIL, 2012a) o FPUVA deve ser no mínimo 1/3 do valor do FPS. Ao comparar os valores obtidos para proteção UVA e UVB (tabelas 7 e 6 respectivamente) é possível afirmar que os resultados dessa pesquisa estão em conformidade como o exigido pela Anvisa, permitindo ser grafado na rotulagem do produto desenvolvido que é um protudo de amplo espectro, ou seja, com proteção para radiação UVB e UVA.

Pela metodologia utilizada (COLIPA, 2011) o cálculo do FPUVA é realizado com o FPS in vitro ajustado (equação 3), no entanto para se obter a razão FPS/FPUVA foram utilizados os resultados obtidos no teste de FPS in vivo (Tabela 6). Este índice caracteriza a relação entre os dois fatores de proteção solar e deve ser menor ou igual a 3, identificando que valor do FPUVA foi no mínimo de 1/3 do valor do FPS. Os resultados apresentados estão em conformidade com essa exigência e portanto de acordo com a legislação brasileira vigente (BRASIL, 2012).

Segundo Wang; Osterwalder; Jung, (2011) a aplicação tópica de antioxidantes associados com filtros solares podem potencialmente neutralizar os radicais livres induzidos por UVA. Estes autores observaram uma forte correlação entre os filtros solares UVA e radicais livres na pele, indicando que um produto com um alto FPUVA absorve mais radiação nociva do espectro UVA e desse modo, reduz a quantidade total de radicais livres gerados na pele. De forma comparativa pode se supor que a formulação fotoprotetora desenvolvida pode diminuir a quantidade de ROS gerado pela exposição a UVA.

Fotoestabilidade é um parâmetro essencial para assegurar a eficácia e segurança dos produtos de proteção solar, uma vez qua a radiação ultravioleta pode reduzir a capacidade fotoprotetora destes (COLIPA, 2011).

As emulsões estudadas foram consideradas fotoestáveis, o que é um fator de grande importância principalmente na eficácia dos filtros solares UVA. Os resultados do FPUVA antes e após a irradiação não foram diferentes estatisticamente (Tabela 7). O FPUVA de eficácia calculado para ambas as formulações está igual ou acima de 99% (Tabela 7). Resultados semelhantes foram descritos por Jarzycka e colaboradores (2013), onde emulsões acrescidas de extratos vegetais ricos em polifenóis exibiram uma excelente fotoestabilidade, independente da intensidade de irradiação UV, especialmente na região UVA.

Os valores de comprimento de onda crítico ( c) devem ser maiores que 370 nm para que, conjugado a outros parâmetros de avaliação, as formulações analisadas sejam consideradas eficazes frente à exposição à radiação UVA (DIFFEY et al., 2000). Valores de comprimento de onda representam o espectro de proteção mas não avaliam a intensidade de proteção (JARZYCKA et al., 2013). De acordo com a legislação brasileira (BRASIL, 2012a) e a COLIPA (COLIPA, 2011), o mesmo deve ser no mínimo 370 nm. Pode-se observar na tabela 7, que o comprimento de onda crítico para as duas formulações está de acordo com o exigido pela legislação brasileira, entretanto a incorporação do extrato glicólico de açaí não interferiu no comprimento de onda da formulação fotoprotetora.

Diferentemente dos resutlados obtidos nessa pesquisa, outros estudos obtiveram aumento no FPUVA com produtos naturais. Racan et al. (2002) testaram a Calicin (compostos extraídos de líquenes Chile) e constataram um incremento no FPUVA. No entanto, Baby et al. (2009) evidenciaram que formulações contendo rutina, associada a filtros químicos como o 4- metoxicinamato de 2-etilhexila e 2-hidroxi-4-metoxibenzofenona, apresentaram uma eficácia fotoprotetora in vitro no tocante ao aumento do comprimento de onda crítico. Lohézic-Le Dévéhat et al. (2013) estudaram extratos e compostos de liquens, quanto à atividade fotoprotetora, avaliando o FPS in vivo e FPUVA in vitro e concluíram que esse extrato pode ser utilizado sinergicamente a outros filtros para ampliar a proteção UVA. Jaszewska et al., (2013) demostraram que extratos

vegetais ricos em polifenóis como a Oenothera paradoxa podem ser utilizados na prevenção dos danos causados pela radiação UVA. Outros autores incorporaram extratos vegetais com a mesma finalidade (BAE et al., 2012; GIAMPIERE et al., 2012).

Entretanto, mesmo o extrato glicólico de açaí não ter aumentado significativamente o FPS e FPUVA, os resultados obtidos nessa pesquisa não inviabiliza o uso do mesmo em formulações fotoprotetoras. Provavelmente, estudando frações específicas do extrato poder-se-ia obter melhores resultados. Testes com essas frações ou mesmo com o extrato seco do açaí podem ser realizados para investigar a atividade fotoprotetora.

Vale ressaltar que a formulação desenvolvida nessa pesquisa com 5% do extrato glicólico de açaí é estável, está em conformidade com a legislação brasileira e apresenta todos os testes necessários para o registro junto à Anvisa. A composição da formulação apresenta semelhança com as comercializadas nos mercados brasileiro e internacional, tornando a mesma com viabilidade comercial, fato esse que torna esta pesquisa científica com aplicação prática.

6 CONCLUSÕES

Nas condições experimentais desse trabalho, foi possível concluir que:

Os estudos da citotoxicidade e fototoxicidade atestaram que o extrato glicólico de açaí é seguro e pode ser utilizado em formulações cosméticas.

As emulsões formuladas foram do tipo O/A, e apresentaram-se homogêneas com aspecto de creme, cor bege claro antes da adição do extrato glicólico de açaí e bege mais escuro após a adição deste.

Dentre as formulações manipuladas com o polímero Acrylates/C 10-30

Alkyl Acrylate Crosspolymer a mais estável macroscopicamente foi obtida com a

concentração de 0,3% e o melhor método para a dispersão desse polímero foi o indireto. Sendo, portanto essa emulsão selecionada para os estudos propostos.

A adição de 0,3% de Carbomer (PC3) como espessantes na formulação com o Acrylates/C 10-30 Alkyl Acrylate Crosspolymer permitiu que a mesma fosse estável frente aos testes de estabilidade preliminar. A mesma condição foi observada quando 1,0% do Polyacrylamide (and) C 13-14 Isoparaffin (and) Laureth-

7 (PS2) foi aidionado a formulação com 0,3% de Acrylates/C 10-30 Alkyl Acrylate

Crosspolymer. A emulsão com o Sodium Polycrylate (1% - R2) também

apresentou-se estável frente às condições estabelecidas para os testes preliminares de estabilidade.

Dentre as formulações submetidas aos testes de estabilidade acelerada (PC3, PS2 e R2) a que se apresentou estável foi a desenvolvida com 1,0% do

Sodium Polyacrylate e 5% de extrato glicólico de açaí (R2).

A emulsão estável apresentou comportamento reológico desejável para um cosmético de uso tópico: fluido não newtonianos com perfil pseudoplástico e tixotrópico.

A formulação contendo apenas os filtros solares apresentou FPS 22,5 e com a adição de 5% do extrato glicólico de açaí, FPS 25,3. Não foi observado aumento estatisticamente significante ou potencialização do FPS com a adição do extrato em estudo.

O FPS in silico não foi o mesmo obtido pelo teste in vivo.

A formulação fotoprotetora contendo o extrato glicólico de açaí apresentou se fotoestável, FPUVA = 14,97, comprimento de onda crítico a 378 nm e razão FPS/FPUVA = 1,69. Não houve diferença estatística, no tocante ao FPUVA, entre as formulações aditivadas ou não com o extrato.

Essa pesquisa apresenta alguns diferenciais que devem ser destacados quando comparados a alguns estudos na área cosmética: a) foi uma pesquisa que estudou o ciclo completo de uma formulação cosmética abordando segurança do ativo, desenvolvimento da formulação e avaliação da eficácia; b) mesmo não incrementando o FPS e FPUVA da formulação, agrega valor na cadeia produtiva do açaí com demonstração de dados científicos; c) pesquisa científica que tem aplicabilidade prática, pois apresenta uma formulação com todos os dados necessários para o seu registro na Anvisa, processo de produção possível de ser industrializado e viabilidade comercial.

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