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Hvordan har innovasjonsdistrikt blitt etablert?

5 Hvordan etablere innovasjonsdistrikt?

5.2 Hvordan har innovasjonsdistrikt blitt etablert?

O conceito de “ação” em sociologia, tal como o define Antony Giddens (1987), não é nem uma concepção “subjetivista” nem de “totalização social”: a ação social depende da capacidade do sujeito para diferenciar “o já existente do curso de eventos por vir”, englobando não só as práticas e a interação, mas também as “condições e significados da ação”. Contudo, segundo esta concepção, as “medi- ações” são as “conexões” que se estabelecem entre as ações sociais e as motivações individuais/coletivas, sintonizando com o que Davallon (2003, apum ALMEIDA, 2009) considera como um dos “sentidos comuns” atribuídos ao termo mediação: a ação de servir de intermediário ou de ser o que serve de intermediário. De acordo com Marco Antônio de Almeida (2008), parece ser essa a perspectiva que se generalizou no interior das Ciências Sociais Aplicadas (englobando as diversas áreas abrangidas pela Comunicação, Ciência da Informação e Educação) acerca do papel de “mediador”.

Assim, a ideia de mediação acaba por cobrir coisas muito diferentes entre si, que vão desde as velhas concepções de “atendimento ao usuário” às atividades de um agente cultural em uma dada instituição (museu, biblioteca, arquivo, centro cultural etc.), passando pela construção de produtos destinados a introduzir públicos

num determinado universo de informações e vivências (arte, educação, ecologia), pelo jornalismo cultural, pela divulgação científica e pela elaboração de políticas de capacitação ou de acesso às tecnologias de informação e comunicação (ALMEIDA, 2009).

A noção de “mediação da informação”, que circula com certa naturalidade no âmbito da CI, embora sem ser muito discutida, é compreendida nesta pesquisa a partir de suas interseções com os estudos culturais, as políticas públicas e os fenômenos e processos da comunicação. Mediação é aqui

uma construção teórica destinada a refletir sobre as práticas e os dispositivos que compõem os arranjos de sentidos e as formas comunicacionais e informacionais nas sociedades atuais, sem perder de vista os elos que, tanto os conteúdos, quanto os suportes e os acervos mantêm com a tradição cultural (ALMEIDA, 2008, p. 11). É relevante assim a diferenciação que faz Bruno Latour (2005, p. 37, tradução nossa), a partir de uma perspectiva denominada “sociologia da ciência”, entre “intermediários” e “mediadores”: para o autor, intermediário “é o que transporta significado ou força sem transformá-los: a definição de sua entrada é suficiente para definir suas saídas”; já o mediador, pelo contrário, “transforma, traduz, distorce, e modifica o significado ou os elementos que deveria transportar”27.

A mediação da informação não implica assim em “inclusão sociocultural” do “não-normativo”; mas uma estratégia fundamental na perspectiva da comunicação “intercultural” (CANCLINI, 2005). Como destaca Howard Becker (2009), a “construção do conhecimento” ocorre sempre através da “mediação social” que se mobiliza a partir das interações nas relações humanas; conhecimento de mundo que se desenvolve na própria existência do sujeito, o qual vive um processo contínuo de compreensão das normas e convenções sociais a partir das mediações oriundas da interação com outros sujeitos e instituições – ou organizações. Enfatizando as intersecções e correlações entre diferentes meios e formas de representar a realidade, com foco em questões relativas à “reflexividade” e à “previsão” do comportamento de seus destinatários, Becker irá propor como foco analítico um tema inovador: a análise dos diferentes modos de produção social de mapas; desde aqueles distribuídos nos postos de combustível, destinados aos motoristas, aos que

27 “Intermediary is what transport meaning or force without transformation: defining its input is enough to define its outputs”; “Mediator, transform, translate, distort, and modify the meaning or the elements they are supposed to carry”.

são resultado de práticas cotidianas de se informar uma localização específica a outros sujeitos (BECKER, 2009, p. 18). Numa perspectiva próxima a de Jesús Martín-Barbero e Bruno Latour, Becker ressalta que o destino da “representação social” (ou informação), baseada em padronizações ou convenções, está sempre mais nas mãos de seus usuários posteriores (especializados ou não); havendo assim um “intercâmbio de papéis” entre produtores/usuários.

Correlativamente, para Peter Berger e Thomas Luckmann (1974) “instituições sociais” são “tipificações” de certas “ações habituais”, que nada mais são do que uma repetição de atividades realizadas frequentemente. Tipificações essas compartilhadas e acessíveis entre os membros de um grupo social, o que causa certa previsibilidade das ações entre os mesmos. E ao aplicar as noções de “institucionalização” e “papéis” ao conceito de “verdade”, os autores ressaltarão que cada indivíduo numa sociedade desempenha certos papéis, participando assim de um “mundo social”: ao “interiorizar” esses papéis, o mesmo mundo torna-se “subjetivamente real” para ele. A construção e a circulação do conhecimento ocorrem assim através de hábitos, tipificações e prognósticos, isto é, ações humanas que originam segurança com relação às tensões do ser humano em sociedade.

Já autores como Michel de Certeau (1998) e Néstor Garcia Canclini (1998, 2005) levantarão questões relacionadas às dificuldades de estabelecer “fluxos informacionais” em um universo urbano marcado pela hibridização cultural e pela segmentação espacial e social. Segundo Canclini (2005), os deslocamentos contemporâneos de função e significado dos objetos e produtos culturais nos “trânsitos de uma cultura para outra” requerem um novo apoio teórico a partir de uma definição “sociossemiótica da cultura”, que abarque “o processo de produção, circulação e consumo da significação na vida social” (ver último item desta seção). É necessário, pois, prestar atenção ao desmoronamento das fronteiras entre o “erudito” e o “popular”, que através de processos comunicacionais e políticos massivos reorganizam, sob novas convenções e regras, o “hegemônico” e o “subalterno”.

Entretanto, como se pergunta Mário Pireddu (2008), é possível pensar a questão das “relações” nos atuais contextos formativos? Isto é, pensar o aprendizado como “comunicação”, o tornar comum através da mediação entre pessoas, da negociação de conteúdos e significados? Ou melhor, em que medida a

CI vem se preocupando com essas questões “culturais” e “sociais” que estão no cerne das relações de poder? Estariam nossos companheiros bibliotecários e profissionais da informação reféns dos contextos de produção dos “documentos primários”, isto é, do “documentar” e do “não documentar” que precede a construção de “documentos secundários” e sua agregação em repositórios e novos artefatos?

Há atualmente uma variedade de “realidades formativas” através das formas de comunicação contemporâneas e das redes de organização social. Mas os “sistemas formativos”, como escolas, bibliotecas e museus, ainda “sentem fortemente os efeitos de seu passado” e continuam muitas vezes a ser um conjunto de sistemas institucionais entre os mais conservadores (PIREDDU, 2008, p. 179). Ainda que seus destinatários há décadas nasçam imersos em um mundo “medial”, “reticular” e “hipertextual”, a “cultura pedagógica” ainda é fundada no poder exclusivo da escrita, na hegemonia da palavra escrita sobre outras formas de experiência – baseada assim mais sobre o ensino do que sobre o aprenmizamo. A exclusão de outras formas de comunicação e troca, não baseadas no “confinamento do saber operado pela imprensa”, revela “uma concepção do conhecimento limitada àquilo que a tecnologia impressa pode veicular”. Para o autor,

ao caos vital da descoberta e da curiosidade nem sempre orientado a objetivos pré-determinados, opôs-se a ordem sequencial de uma divisão esterilizada e esquemática do conhecimento, que, além de resultar não raramente distante das paixões e dos interesses das pessoas envolvidas no processo de aprendizado, comportou também uma organização em compartimentos estanques (e com frequência não-comunicantes) do saber (PIREDDU, 2008, p. 178).

O fato de que os memia sejam um “sistema” e de que a escrita é um tipo específico de tecnologia é algo ainda não aceito por todos – aqueles que veem no livro um memium incontrastável do saber (PIREDDU, 2008, p. 182). Como destaca, “o livro sozinho não basta” para um aprendizado que esteja próximo da sensibilidade e dos processos de aprenmizagem contemporâneos. Para a escola e para os programas ministeriais (mas também para a universidade e outros lugares tradicionais do saber), o aprendizado é ainda muitas vezes fundado sobre o modelo da transmissão da informação de um sujeito ativo a um receptor passivo; não levando em conta “a dimensão fundamental da relação, nem valorizando aquilo que quem aprende já conhece”.

individual e social, e o saber, um produto da construção ativa dos sujeitos: tem caráter situamo, ancorado no contexto concreto em que foi gerado, “resultado de determinadas formas de negociação social” (PIREDDU, 2008, p. 186). O saber mais valorizado socialmente não é assim aquele “transmitido” por uma instância externa, mas o que é apoderado pelos processos de feemback da ação interativa entre os sujeitos em práticas sociais. Assim, a aquisição de conhecimentos, enquanto demanda reconhecimento social, só acontece no plexo de relações intersubjetivas e em processos argumentativos de validação (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2005); o que permite aos sujeitos o desenvolvimento do engajamento, aprendendo muitas vezes tacitamente os “códigos de conduta” e adquirindo uma perspectiva social que se identifica “a partir dos múltiplos propósitos pelos quais esses saberes” aos quais remetem poderão ser “utilizados para a realização de tarefas e resolução de problemas futuros” (WARSCHAUER, 2006).

A apropriação da informação ou do produto cultural – que completa o circuito da comunicação e permite a produção do conhecimento – só se realiza através de uma “experiência social concreta” e/ou da expectativa do sujeito em relação a um dado significado – o que determina, em primeira instância, a própria motivação de se visitar ou ficar longe de um espaço expositivo qualquer (ALMEIDA, 2008). O conhecimento não se produz sem uma ação memiamora por parte de um sujeito; ele se adquire.

No caso específico das Ciências da Informação e da Comunicação alguns setores têm-se mostrado mais sensíveis a esta perspectiva, buscando incorporar o “conhecimento local” a partir de metodologias como os estudos de comunidade, a análise de domínio e a análise de redes sociais. Essas metodologias e práticas informacionais apontam para a centralidade dos processos de mediação na sociedade contemporânea, podendo trazer subsídios valiosos para se repensar a função política dos mediadores – incluídos aqui os profissionais da informação – nos processos sociais e culturais contemporâneos (ALMEIDA, 2008).