2.3 Posisjoneringsstrategi
2.3.3 Hvordan fungerer assosiasjonsnettverket?
Estimular o uso das bicicletas no espaço urbano para aumentar o número de ciclistas nas vias públicas é em desafio. Pesquisas que buscam identificar os tipos de ciclistas presentes no espaço urbano são essenciais para a eleboração de políticas públicas de incentivo ao uso da bicicleta mais eficiente.
Uma melhor compreensão dos impactos de algumas intervenções sobre os diferentes tipos de ciclistas pode ajudar os planejadores a distribuir recursos de forma mais eficiente e objetiva. Com uma melhor compreensão das motivações do ciclismo, os planejadores podem educar as populações e incentivar o uso da bicicleta como um modo de transporte (DAMAT-SIROIS, GRIMSRUD; EL-GENEIDY, 2014, p. 1157 - tradução da autora).22
Noel (2003, p. 14) ressalta que a abordagem tradicional de pesquisas de origem e destino existentes desde os anos 1950 não são suficientes para identificar os
22 Improved understanding of the impacts of some interventions on the different types of cyclists can help planners more efficiently and effectively allocate resources. With better understanding of cycling motivations, policy makers can educate populations and inspire bicycle use as a transportation mode.
diversos tipos de usuários de bicicletas nas cidades. Ela observa que estas pesquisas tradicionais desconsideram as complexas interações entre a escolha do modo de deslocamento e a utilização do uso do solo.
Entre os estudos que abordam tipologias de usuários de bicicleta estão os trabalhos de Nathalie Noel e de Damat-Sirois, Grimsrud e El-Geneidy. Ambos buscam abordagens mais amblas, considerando mais de uma variável na escolha da bicicleta como modo de deslocamento para estabelecer as suas tipologias.
O estudo de Nathalie Noel busca distinguir os grupos de ciclistas através de suas estratégias de deslocamento – “as decisões tomadas devido à necessidade de se deslocar para realizar atividades durante o dia (escolha do modal, tempo disponível, atividades a realizar, localização das atividades)” (NOEL, 2003, p. 11 - tradução da autora).23 A pesquisa confirma a existência de diferenças significativas na
forma como os indivíduos integram a bicicleta no seu cotidiano. Neste estudo, sete tipos distintos de ciclistas estão separados em dois grandes grupos formados a partir do uso que estes dão às suas bicicletas – uso utilitário e uso recreativo.
O trabalho desenvolvido por Damat-Sirois, Grimsrud e El-Geneidy (2014, p. 1156) busca estabelecer uma tipologia de ciclistas multidimensional que incorpore fatores determinantes para a escolha da bicicleta comprovados – preferências do ciclista, antecedentes, motivações e medidas de dissuasão – além de questões externas e comportamento. A diferença entre os quatro grupos estabelecida pela pesquisa está em características demográficas, comportamento e preferências estruturais oferecidas no espaço urbano.
A crítica às pesquisas que determinam os tipos de ciclistas em uma cidade é duramente criticada por Flemming. “Quando se trata de compreender as preocupações dos ciclistas eu diria que as pesquisas são metodologicamente preocupantes.”24 (FLEMING, 2012, p. 126 - tradução da autora). Para ele as estruturas
existentes nas cidades para o uso da bicicleta não despertam o interesse das pessoas em pedalar. De acordo com Flemming (2012, p. 125), para estimular o uso da bicicleta nos espaços urbanos é importante planejar estruturas que satisfaçam os desejos dos
23 Les décisions prises suíte à un besoin de se déplacer pour réaliser des activités durant une journée (choix modal, temps disponible, activités à réaliser, localisation des activités).
24 When it comes to understanding cyclists' concerns I would argue surveys are methodologically fraught.
ciclistas. Não importa o resultado da infraestrutura se esta não correspondente à felicidade dos ciclistas.
Apesar das críticas às pesquisas que buscam estabelecer tipologias de ciclistas a partir de comportamentos e fatores previamente identificados, Flemming concorda que os discursos usuais que justificam a implantação de ciclovias nas cidades – meio ambiente, saúde e economia – não são suficientes para garantir o sucesso de políticas públicas de incentivo à bicicleta. Razémon (2014, p. 43) exemplifica a argumentação de Flemming ao demonstrar que a questão de mudança climática é uma perspectiva muito abstrata e de longo alcance para justificar a troca do automóvel pela bicicleta. Ele comenta que, na prática, ninguém pedala pelo planeta.
Ao contrário da identificação de tipologias criadas a partir de questionários respondidos pelos usuários, a ideia central de Flemming (2012, p. 125) é descobrir quais são os variados desejos dos ciclistas. Um dos meios possíveis de traduzir estes desejos são as publicidades da indústria de bicicletas que são direcionadas para três públicos distintos: os ciclistas urbanos, os velocistas e os mountain bikers. Flemming identifica o comportamento destes estereótipos no espaço público: enquanto o ciclista Cycle Chic está preocupado em ser visto e admirado, os ciclistas amantes da velocidade pensam na performance e os mountain bikers preferem espaços desafiadores e perigosos.
O espaço a ser planejado dentro da perspectiva de Flemming (2012, p. 133) é o lugar de realização do sonho e da fantasia. Esta postura vai ao encontro das observações de um ciclista de Belo Horizonte:
Eu acho que [a bicicleta] é o veículo perfeito, é o veículo para você apreciar a cidade, é a melhor forma de você interagir com o que a cidade fala, das suas mais variadas formas: seja através da arquitetura, seja através da arte urbana, do grafite, do stêncil, do pixo. Então, eu acho que ela transforma um simples trajeto em uma viagem, um passeio pela arte, pela cultura da cidade, pela arquitetura da cidade. E isso, a bicicleta, ela é perfeita para a cidade (LAGE, 2016, p. 27).
A Figura 18 mostra os desenhos de Kurt McRoberts que ilustram uma série de biótipos de ciclistas. Apesar de falar do universo de Nova York, muitos destes estereótipos podem ser encontrados nas ruas de outras cidades.
Figura 18 - Biótipos de ciclistas.
O Hipster
Este ciclista nunca será visto vestindo um capacete, porque capacetes são mais embaraçosos do que quebrar o crânio. Eles normalmente são vistos andando em suas bicicletas vestindo Ray-Ban ou ironicamente fumando cigarros e falando em seus iPhones enquanto tentam dirigir em pontes.
O viajante habitual
Fartos da companhia de trânsito, este ciclista tomou de volta o controle da vida. Equipado com a última bicicleta dobrável do mercado, eles chegam ao trabalho suados e
ofegantes, prontos para enfrentar o dia!
A garota de Manhattan
Esta fashion e “para frente” ciclista é na maioria das vezes vista cruzando as ruas de bairros nobres. Ela está indo fazer compras? Talvez para uma cafeteria tomar um café com leite de soja? Uma sessão de fotos quem sabe? Você nunca saberá porque ela não falará com você… nunca.
Os guerreiros de final de semana
Normalmente vistos em pares, esses atrasados jovens de vinte e poucos anos estão tentando escapar de sua rotina monótona e ter uma aventura! Eles podem ser vistos andando casualmente em parques ou explorando a vasta paisagem urbana enquanto apontam coisas “interessantes” para o outro.
O turista
Estes ciclistas são frequentemente vistos guiando bicicletas alugadas, vestindo pochetes e parando abruptamente no meio de pontes para tirar fotos. Eles geralmente não têm experiência nem o físico necessário para um ambiente urbano de uma grande cidade.
O ciclista radical
Quando não estão fazendo performances e dançando como coelhos, esses adolescentes podem ser encontrados vadiando por
parques pavimentados. Eles frequentemente podem ser vistos em grandes grupos
bebendo litros de soda e enviando mensagens de texto.
O mensageiro
Este ciclista não tem tempo para besteira. Existem longos tubos de plástico para serem entregues em prédios altos. Eles possuem um comando destemido e instintivo do tráfego da cidade, e descem avenidas como se fossem um peixe rio abaixo. No entanto, sua astúcia é muitas vezes a causa de sua morte.
O maratonista
O ciclista de meia-idade com algo para provar. Pode apostar que eles podem correr e eles têm dinheiro para comprar uma bicicleta de 5 mil e meias combinando com os shorts acolchoados. Eles serão sempre vistos treinando para a próxima grande corrida, dando voltas ao redor do maior parque da cidade.
O ciclista merchandising
Como o mais novo perigo para todos nas ruas, essas bicicletas com propagandas abrangem toda a variedade de ciclismo novato: idosos, homens de negócios, turistas e casais de classe média. Combinando pouco conhecimento do fluxo de tráfego, a velocidade máxima de 3 quilômetros por hora, eles estão rapidamente ganhando dos motoristas de táxi como a maior fonte de raiva das ruas, para não mencionar ser uma praga para a receita de lojas de bicicletas locais. Não fique preso atrás de uma dessas novidades burguesas ou então vai ser uma longa viagem.
O ciclista pai
Não se deixe enganar por sua bermuda cáqui e dentes extra brancos. Este homem é dedicado. Ele pode ser visto transportar até 50 kg de filhos desinteressados em torno de parques, em uma vã tentativa de fortalecer o vínculo entre pai e filho.
O homem da entrega
Este mal pago ciclista é odiado por todos… exceto quando ele está entregando a sua comida. Um niilista das rodas, este ciclista não respeita nada. Ele dirige com sua grande caixa vermelha de pizza por caminhos errados nas ruas, nas ciclovias ou nas calçadas.
Fonte: Ilustrações de McRoberts (2017) e tradução de Romano (2017).
3.2.2 Lazer e esporte: os usuários que tem a “permissão” de usar a bicicleta