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Bakgrunn for valg av teori

Uma das virtudes do ciclismo para Augé (2008, p. 34) é a solidariedade e a aproximação de gerações. “Entre os ciclistas, nos níveis mais humildes, existe a consciência de uma solidariedade, a consciência da dificuldade e do momento

compartilhado, de um pequeno detalhe que os distingue de todos os outros e que pertence somente a eles (AUGÈ, 2008, p. 34 - tradução da autora).15 Esta virtude

citada por Augé pode ser considerada como uma justificativa do desenvolvimento e fortalecimento da cultura ligada à bicicleta que busca mudar a imagem do ciclista urbano ao dar aos ciclistas urbanos mais poder e independência. Estas manifestações ainda são consideradas subculturas, mesmo em cidades onde o uso da bicicleta já está fortalecido, como é o caso de Portland.

Flemming (2012, p. 95) compara a cultura da bicicleta com o termo queerspace16, como forma de apreensão da cultura da bicicleta e sua capacidade de

transformação do espaço. Assim como os homossexuais, o usuário de bicicleta sabe o que é ser incompreendido, caluniado e forçado a brigar por espaços que deveriam ser compartilhados democraticamente.

Em Portland, por exemplo, Mapes (2009, p. 156) mostra que a cena cultural da bicicleta cresceu junto com iniciativas públicas de estímulo a seu uso onde a variedade da cultura ciclística vai de eventos de bicicross, corridas locais e a maior World Naked Bike Ride (WNBR) nos EUA. Nesta cidade, enquanto a associação para promoção da bicicleta como meio de transporte – a Bicycle Transportation Alliance (BTA) – trata das questões políticas, as ruas são ocupadas por jovens que querem usar as ruas e se divertir. Existe ainda um estímulo à economia da cidade porque os gastos com combustível e manutenção dos carros são aplicados em outras áreas da economia local.

Outra manifestação cultural pode ser vista no blog Cycle Chic, criado em 2006 pelo dinamarquês Mikael Colville-Andersen. Ele publica diariamente fotos de pessoas com estilos de vestir diferentes que pedalam pelas ruas da cidade, mostrando que é possível integrar a bicicleta à rotina das pessoas, sem que estas precisem alterar seu estilo de vestir. A partir desta iniciativa existe a possibilidade de transformar e dar glamour a imagem do usuário de bicicleta nas cidades – deixar de ser o esportista para a pessoa comum que vai ao trabalho.

Para Flemming (2012, p. 63) as pessoas usam a bicicletas como forma de expressão, assim como acontece com as roupas. Razémon (2014, p. 157) comenta

15 Entre cyclistes, au niveaus le plus humble, il y a la conscience d’une certaine solidarité, la conscience de l’épreuve et du moment partagé, d’un petit quelque chose qui les distingue de tous les autres et n’appartien qu’à eux.

16 Termo criadopor Aaron Betsky para a arquitetura das áreas ocupadas por comunidades homosexuais.

que as fotos no Cicle Chic mostram a bicicleta e seus usuários de modo sexy e fotogênico. O sucesso do Cycle Chic proporcionou o surgimento de vários blogs deste tipo em outras cidades na Europa e também no Brasil, entre eles estão o Curitiba Cycle Chic, o Gata de Rodas e o Bicicleteiros Estilosos de BH (Figura 8).

Figura 8 - Foto de capa da Fun page Belo Horizonte Cycle Chic

Fonte: Funpage Belo Horizonte Cycle Chic (2016).

Contradizendo a crença de que a bicicleta pode ser prejudicial à economia ao enfraquecer a produção de automóveis, Razémon (2014, p. 74) mostra que a atividade econômica ligada à bicicleta se revela múltipla, complexa, fracionada e algumas vezes invisível. Ele observa que as cidades “amigas da bicicleta” são atualmente aquelas que têm sua economia em crescimento já que são os modos de transportes “suaves” ou “ativos” beneficiam a economia local, diminuem a baixa do mercado imobiliário e favorecem a revitalização do bairro.

É comum encontrar pequenos negócios locais de prestação de serviços de manutenção das bicicletas. Na França, Razémon (2014, p. 94) cita o crescimento de ateliers de conserto de bicicleta onde os associados encontram espaço e ferramentas para realizar os pequenos reparos. Outro exemplo apresentado por Razémon (2014, p. 95) são as Ciclofficine popolari em Roma que, além do serviço de conserto de bicicletas de moradores locais, realizam reformas de bicicletas abandonadas.

Mapes (2009, p. 103) cita a Bicycle Kitchen em Los Angeles como um exemplo da prática de cooperativa para consertos de bicicletas nos Estados Unidos. O objetivo de Jimmy Lizama, criador deste espaço em 2002, é promover a bicicleta como uma alternativa de transporte acessível oferecendo ajuda às pessoas para consertar suas bicicletas. A cooperativa cresceu tanto que acabou se tornando um centro de referência da cena ciclística urbana em Los Angeles.

Outra atividade importante que tem crescido nas cidades são os mensageiros de bicicletas. De acordo com Razemon (2014, p. 89), este modelo de negócio é mais dinâmico que os concorrentes motoqueiros por causa de sua capacidade de circular por todos os lugares e seus custos mais baixos. Em algumas cidades da América do Norte, da Europa e da Ásia, estes mensageiros são responsáveis pela organização de corridas de bicicletas informais nas cidades – as alleycats – com características e objetivos diversos que vão da busca pelo ciclista mais rápido para uma forma de integração da comunidade local de mensageiros ciclistas.

A cultura da bicicleta tende a importar e adaptar conceitos para promover e reforçar o seu espaço na cena cultural e política na cidade. As alleyscats, por exemplo, integram a cultura da bicicleta com a arte de rua – como se pode observar no convite de uma das corridas, organizadas pelo Atelier Bicicine e realizada em 18 de setembro de 2016 (Figura 9).

Figura 9 - Convite para alleycat “Caça Bolinho” em página de rede social

Detalhes

Este vai ser fotográfico e divertido!

Tem gente que anda pela cidade pra caçar pokemon, nós vamos atrás de bolinhos! Todo mundo deve conhecer ou ter visto por ai uns bolinhos cupcakes desenhados pelos muros da cidade que são a bela obra da artista Raquel Bolinho.

A ideia do próximo alleycat é coletar o maior número de bolinhos em menor tempo possível. Claro que quem for longe por um bolinho vai ganhar pontos pelo seu esforço na classificação.

Para começar a caçada esteja as 15 horas para colocar o seu nome na lista de competidores, o valor será de 20 reais. O valor recolhido será revertido para o ganhador!

A largada será às 16 horas e os competidores terão uma hora e meia para trazer o maior número de bolinhos. Será exigido um celular com câmera ou câmera com tela. Esteja atento para a carga da bateria, chegou na chegada com a câmera ou celular com a bateria arriada, perdeu.

Recomendo o uso de capacete, mas será item obrigatório, cada um sabe do que é melhor para si. Então, comecem as pesquisas e encontro vocês lá na largada.