6 Presentasjon og analyse av data
6.2 Nettverksstyring i arealplanleggingen
6.2.1 Hvordan er arealplanleggingen preget av nettverksstyring?
Em setembro de 2008, o desencadear da pesquisa demonstrava que era possível dar encaminhamento ao trabalho de campo, ou seja, iniciar a aplicação das entrevistas aos oito professores, eleitos como sujeitos da pesquisa.
Na ocasião, esta pesquisadora deslocou-se de São Paulo/SP para Rio Branco, no Acre, com um roteiro de questões que comporiam a entrevista. Ao chegar à Ufac, deparou-se com o processo acelerado de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) que causava grandes instabilidades no interior da Instituição, na busca por ajustes à reestruturação.
Naquele período, os professores vivenciavam muitas demandas, como: exigência de que ministrassem de três a quatro disciplinas na graduação; solicitações para que compusessem as Bancas Examinadoras dos inúmeros concursos para o cargo de professor efetivo; consolidação dos Centros13 e cobranças em relação ao fortalecimento da pesquisa.
Esse contexto institucional exigiu a flexibilização do procedimento da pesquisa para melhor atender aos professores que não tinham disponibilidade de tempo para gravar os depoimentos ou que preferiam prestar informações por meio de um texto escrito. Esse processo não se deu de forma fácil, tampouco homogênea.
Faz-se oportuna, aqui, a ressalva de que existe no Curso de História da Ufac uma tradição de pesquisas pautadas em fontes orais com base na História Social Inglesa, o que os faz valorizar pesquisas dessa natureza. Esses pesquisadores inspiram-se, em particular, nos estudos de Thompson (1981).
Embora este estudo não se caracterize como um trabalho de História Oral, ainda assim, lançamos mão de depoimentos orais para subsidiá-lo por entendermos que poderiam contribuir para desvelar as relações que os
13 Até 2008, a Ufac era organizada administrativamente por departamentos. A partir desse ano, passou a se organizar em Centros. Atualmente, o DED pertence ao Centro de Educação, Letras e Arte (Cela) e o DH, ao Centro de Filosofia e Ciências Humanas.
professores estabeleceram entre as políticas educacionais norteadoras dos currículos dos cursos de formação de professores – gerais e específicas à História – para a Educação Básica e as reações que forjaram tais políticas.
Na tentativa de conciliar a questão tempo com as questões das concepções dos professores, foi agendada a realização de entrevistas com quatro professores (Apêndice “T”). Essas entrevistas foram gravadas em áudio para posterior transcrição. No caso dos professores que, pelas razões já explicitadas, ficaram impossibilitados de gravar entrevistas, foi necessário tomar algumas decisões que são de competência da pesquisadora. Para colher as informações desses professores, reestruturamos o roteiro da entrevista, que passou a compor um questionário.
Os dados coletados por meio da entrevista apresentaram maior quantidade e qualidade de informações do que os colhidos por meio do questionário – o que reforça a defesa pelo uso de entrevistas nas investigações do campo educacional.
Bauer e Gaskell (2008, p. 73) explicitam que a entrevista é “(...) um processo social, uma interação ou empreendimento cooperativo, em que as palavras são o meio principal de troca (...) ela é uma interação, uma troca de idéias e de significados”.
Considerando a perspectiva interativa da entrevista, traçamos como objetivo colher as seguintes informações:
• dados pessoais, de formação e profissionais dos sujeitos;
• opinião dos sujeitos sobre o processo de revisão curricular do Curso e de seus resultados em termos de formação de professores de História para a Educação Básica, expressos no Projeto Pedagógico do Curso;
• características das relações de poder e resistência estabelecidas entre as determinações legais e as relações institucionais processadas no acolhimento do currículo prescrito e no moldar do Projeto Pedagógico do Curso de Licenciatura em História da Ufac.
As perguntas tinham por escopo identificar a percepção dos professores sobre dois dos momentos daquela reformulação curricular: o de sua discussão e o
de sua elaboração escrita, tendo como foco as relações de poder e resistência presentes no processo.
As entrevistas constituíram-se em material privilegiado da análise, tendo possibilitado a compreensão da lógica dos discursos proferidos pelos professores mediante a observação de seus paradoxos e metáforas, como portadores de importantes significados.
Na tarefa de organização, consideramos a leitura do material coletado e estabelecemos uma estratégia para sistematizar os dados, com base nas especificidades de cada fonte. Dessa forma, organizamos os dados coletados na entrevista (transcrições das falas) e os textos escritos dos professores (respostas ao roteiro da entrevista que foi reelaborado e compôs o questionário) com base nos conceitos ou expressões que reincidiam com maior frequência. Dentre esses conceitos e expressões, destacam-se:
• novo currículo, reorganização curricular e nova proposta curricular; • participação, discussão e debate;
• tensão, briga, luta, conflito e confusão; • legal, legislação, institucional;
• formação de professores, Licenciatura; historiador, Bacharelado; • poder, resistência;
• Prática de Ensino e Estágio Supervisionado; • ensino e pesquisa; e
• História Regional e História Universal.
A sistematização do material empírico, o amadurecimento da pesquisa e o reconhecimento dos limites de uma pesquisa de doutoramento confirmaram a escolha das categorias que se anunciavam durante o processo de definição de referências teóricas: Currículo, Licenciatura, Licenciatura em História, Poder e Resistência.
relações de semelhança ou de contradições entre os conceitos ou expressões destacadas.
Os dados coletados evidenciaram que o currículo do Curso foi elaborado com base no prescrito nas LDBEN, DCNs, Resoluções e pareceres e resultou em um currículo concebido em meio a disputas por poder e movimentos de resistência, empreendidos por diferentes grupos.
Havia forças opostas em ação na definição do referido currículo. De um lado, o Estado representado pelo MEC/CNE e, do outro, a Universidade representada pela Pró-Reitoria de Graduação, pelo DED, DH e Colegiado de Curso, que também conflitavam entre si.
A hierarquia de poderes existentes nesses espaços, a subjetividade daqueles que os compunham e as diferentes propostas curriculares defendidas eram os responsáveis por propiciar lutas políticas pelo poder que resultavam em mecanismos de resistência.
As discussões e os debates, além de serem marcados por relações de poder e resistência entre o currículo prescrito e o currículo moldado, eram marcados, também, pelas matrizes teóricas sobre formação de professores e ensino de História que se fizeram presentes nas concepções dos professores que compunham o Colegiado do Curso. A compreensão e defesa do que seria formar um licenciado em História ou um bacharel dependeu dessas concepções.
As questões apontadas confirmam a definição das categorias eleitas para o estudo.