Del II Spørreundersøkelse blant tillitsvalgte i LO Stats medlemsforbund
Kapittel 4 Om undersøkelsen
10.1 Hvordan bør kursene organiseres?
A idéia central da primeira obra de Prebisch na Cepal – “O Desenvolvimento Econômico da América Latina e alguns de seus Problemas Principais” – de 1949, conhecida como o “Manifesto latino-americano”, “vincula-se aos ciclos e à forma como a estrutura de produção e emprego subdesenvolvida impedia a periferia de reter os frutos de seu progresso técnico” (BIELSCHOWSKY, 2000).
Logo na primeira obra de grande repercussão do pensamento cepalino, o progresso técnico apresenta papel fundamental na determinação da estrutura dual da economia. É demonstrado que a incapacidade da periferia de reter os frutos do progresso técnico
desencadeia o padrão de vida inferior observado em relação às economias de centro (PREBISCH, 2000a).
A realidade da América Latina destrói o antigo esquema da divisão internacional do trabalho, baseado na premissa que o progresso técnico seria difundido igualmente por toda a coletividade, através do intercâmbio internacional, se centro e periferia se especializarem no que são mais produtivos (PREBISCH, 2000a).
Essa falha da antiga teoria liberal da divisão internacional do trabalho decorre do fato de que os benefícios do desenvolvimento não chegaram à periferia na mesma medida que chegam aos países industrializados, daí resultam as discrepâncias observadas nos padrões de vida e na força de capitalização entre centro e periferia (PREBISCH, 2000a).
Foi verificado um aumento maior da produtividade na indústria do que na produção de produtos primários, como esse aumento da produtividade não foi repassado para os preços, a periferia não pôde usufruir dos frutos do progresso técnico. Os preços não baixaram de acordo com o progresso técnico, resultando em um aumento da renda nos países de centro. Se os preços baixassem exatamente de acordo com o aumento da produtividade, dada maior produtividade da indústria, a relação de preços teria se deslocado em favor dos produtos primários (PREBISCH, 2000a).
Como o que se verificou foi um deslocamento dos preços desfavorável aos produtos primários, conclui-se que a renda nos centros industriais cresceu mais do que o aumento da produtividade e na periferia menos, expressando que parte dos frutos do aumento da produtividade da periferia foi deslocada ao centro (PREBISCH, 2000a).
Para Prebisch (2000a, pg. 83): “Em outras palavras, enquanto os centros preservaram integralmente o fruto do progresso técnico de sua indústria, os países periféricos transferiram para eles uma parte do fruto do seu próprio progresso técnico”.
Segundo Prebisch (2000a):
Daí a importância fundamental da industrialização dos novos países. Ela não constitui um fim em si, mas é o único meio de que estes dispõem para ir captando uma parte do fruto do progresso técnico elevando progressivamente o padrão de vida das massas (PREBISCH 2000a, 72).
Para elevar o padrão de vida das massas, deve-se dispor de máquinas e instrumentos de ponta, e se aproveitar do progresso da técnica em sua renovação sistemática, para isso, a industrialização de América Latina apóia-se em parte na produção primária, pois é necessária uma importação considerável de bens de capital conseguida através das divisas geradas da exportação de produtos primários (PREBISCH, 2000a).
Prebisch (2000a) atribui ao comércio exterior papel importante ao desenvolvimento latino-americano:
Quanto mais ativo for o comércio da América Latina, tanto maior serão as possibilidades de aumentar a produtividade de seu trabalho, mediante uma intensa formação de capital. A solução não está em crescer à custa do comércio exterior, mas em saber extrair, de um comércio exterior cada vez maior, os elementos propulsores do desenvolvimento econômico (PREBISCH, 2000a, pg. 73).
Prebisch discute o problema da escassez de divisas e do comércio com outros países sob a premissa de que “ninguém discute que o desenvolvimento econômico de certos países da América Latina e sua rápida assimilação da técnica moderna, em tudo o que lhes possa ser proveitoso, dependem em alto grau dos investimentos estrangeiros” (PREBISCH, 2000a, pg. 75).
A produtividade dos países da América Latina é muito baixa, pois falta capital, e falta capital por ser muito estreita a margem de poupança em virtude da baixa produtividade. Para romper esse ciclo vicioso, sem deprimir o consumo das massas, é necessária a ajuda do capital estrangeiro (PREBISCH, 2000a).
Para Prebisch (2000a, pg. 109) “se sua aplicação (do capital estrangeiro) for eficaz, o aumento da produtividade, ao longo do tempo, permitirá desenvolver a própria poupança e com ela substituir o capital estrangeiro, nas novas inversões exigidas pelas inovações técnicas e pelo crescimento da população”.
Porém, a escassez de poupança vem não apenas dessa margem estreita, mas da má utilização da mesma. As grandes disparidades da distribuição da renda têm sido um fator favorecedor da acumulação de capital e do progresso técnico, essas também estimulam formas de consumo iguais a dos países de alta produtividade, “assim, com freqüência, há um malogro de importantes possibilidades de poupança e de um emprego eficaz de reservas monetárias em importações produtivas” (PREBISCH, 2000a, pg. 109).
Os recursos para satisfazer as necessidades privadas e coletivas da América Latina são escassos e a contribuição do capital estrangeiro também. Esses recursos devem ser destinados ao aumento da produtividade e ao aumento do bem-estar mensurável da coletividade através do aumento do capital por homem, que deve ocupar lugar prioritário (PREBISCH, 2000a).
A elevação do padrão de vida das massas depende de uma expressiva quantidade de capital por trabalhador empregado e da capacidade de bem administrá-lo. Muitos países têm demonstrado capacidade de poupança para efetuar parte de seus investimentos industriais, mas a formação de capital tem que lutar contra tendências acentuadas a certas modalidades de consumo, incompatíveis com um grau elevado de capitalização (PREBISCH, 2000a).
Para formar o capital necessário para a industrialização não é indispensável refrear o consumo das massas, que em geral é extremamente baixo:
Além da poupança atual, seria possível que o investimento estrangeiro bem encaminhado contribuísse para o aumento imediato da produtividade do trabalho. Assim, atingida essa melhora inicial, uma parte importante do aumento da produção serviria para a formação de capitais, em vez de se destinar a um consumo pré-maturo (PREBISCH, 2000a, pg.77).
Mas inicialmente o esforça de capitalização exige que certos setores da coletividade revejam seu tipo de consumo:
Essa, no final das contas, é uma manifestação do conflito latente entre o propósito de assimilar às pressas certos estilos de vida que os países de técnica mais avançada foram alcançando progressivamente, graças ao aumento de sua produtividade, e as exigências de uma capitalização sem a qual não nos será possível um aumento semelhante (PREBISCH, 2000a, pg.77).
O crescimento econômico da América Latina depende do aumento da renda per capita e do aumento da população. O aumento da renda per capita só ocorrerá mediante o aumento da produtividade ou, dada uma produtividade, através do aumento da renda por trabalhador na produção primária, comparada à renda dos países industrializados que importam parte dessa produção. Esse ajuste tende a corrigir a disparidade de renda provocada pela forma como o fruto do progresso técnico é distribuído entre centro e periferia (PREBISCH, 2000a).
Para aumentar a produtividade na população já existente deve-se assimilar a técnica moderna permitindo assim aumentar a produtividade do trabalho, deixando mão de obra disponível para aumentar a produção nas mesmas condições em que já estava empregada. O deslocamento da mão de obra para atividades onde é possível aumento da produtividade também elevará o índice de produtividade (PREBISCH, 2000a).