3 Endring i rekrutteringen til utvalgte utdanningstyper
3.6 Hvor har de kvinnelige søkerne gått?
“Apesar de que a cegueira é minha, mas quem sofre são os outros. Você sabe, né, que a velhice do velho quem sofre são os outros. A cegueira é do cego e quem sofre são os outros.” (Angélica) Angélica foi uma das primeiras pessoas com quem tivemos contato, ainda nos primeiros passos da pesquisa; no entanto, nossos laços com ela estreitaram-se somente após o término do estudo-piloto58. Com sua personalidade firme e marcante, Angélica foi uma das
figuras fundamentais para a construção de nosso entendimento sobre o letramento de pessoas deficientes visuais. É igualmente importante falarmos que foi ela uma das responsáveis para que pudéssemos olhar de maneira mais detida sobre a presença do sistema Braille na vida das pessoas cegas.
Conhecemos Angélica ainda no processo de escolha dos locais em que iríamos realizar o trabalho de campo, durante nossa primeira visita à Associação A59. Já no primeiro
encontro, ela falou sobre o seu trabalho de alfabetização no sistema Braille para adultos e sobre a complementaridade que significa o computador em relação a esse sistema. Algo que nos impactou bastante, logo em nosso primeiro contato, foi a frase à queima-roupa que Angélica emitiu quando já estávamos nos despedindo: “Você deveria mudar o foco sobre o letramento. Em meu trabalho de mestrado, fugi do letramento como o diabo foge da cruz”. Mesmo com essa opinião, achou a pesquisa muito desafiadora e colocou-se à disposição para
58 Angélica não esteve como participante do projeto-piloto.
59 Associação A é a codificação que damos a uma das instituições que integraram a pesquisa. Colocamos um
o que precisássemos. Os contatos e conversas que tivemos com Angélica foram sempre muito reflexivos e críticos, principalmente no que diziam respeito às suas ideias e concepções acerca do tema do letramento e da educação.
Angélica, à época da pesquisa, estava com 46 anos de idade, solteira, sem filhos e residindo na cidade de Fortaleza. Nasceu na cidade de Piqué Carneiro – interior cearense –, vindo morar na capital aos 18 anos de idade, com o propósito de estudar. Como ela costuma dizer, o estudo na escola foi somente uma maneira de formalizar institucionalmente o que já conhecia por meio da escola da vida. Ao concluir o segundo grau, ingressou e formou-se no curso de Pedagogia da IES A. Fez também o mestrado em Ciências da Educação, com um trabalho no eixo da educação de jovens e adultos (EJA). Há 17 anos é funcionária pública, atuando como professora nas redes de ensino do Município de Fortaleza e do Estado do Ceará. Angélica conta, com muito orgulho e satisfação, que não tinha emprego, não tinha dinheiro para nada e, de repente, teve êxito em dois concursos ao mesmo tempo. No município (Associação
A), trabalha com a reabilitação de jovens e adultos cegos e com a educação de jovens e adultos;
no estado (Centro Educacional de Referência60) – mais especificamente no núcleo do Tempo de
Inclusão –, atua na formação de professores e no atendimento a alunos com dificuldade de
aprendizagem e com a reabilitação de crianças e adolescentes. Quanto às circunstâncias de sua cegueira, Angélica é cega congênita. Em sua família, eram seis irmãos cegos.
4.3.2 Leda
[...] eu acho que ser cego é ruim, porque a gente enfrenta muitas dificuldades e cada vez mais o mundo está se tornando mais moderno. Quanto mais modernidade, mais difícil fica, porque a modernidade ela está vindo para algumas pessoas e não está vindo para todas as pessoas. [...] dentro especificamente da cegueira, eu acho que a gente vive num mundo muito nosso, muito ainda segregado, apesar de que eu gosto dessa segregação, dependendo da forma como que se veja, mas a gente não tem ainda um
mundo pleno, um mundo mais para todos. Isso é ainda muito utópico, eu acho.”
(Leda) Iniciamos a apresentação sobre Leda chamando a atenção para dois aspectos que nos tocaram bastante durante o convívio com ela: a maneira direta e sem rodeios como manifestava suas opiniões, inquietações e reivindicações – maneira esta que nos assustou ao início; e a emoção traduzida em lágrimas, quando conversávamos sobre o Braille. A cada frase à queima-roupa e a cada lágrima derramada, o cansaço e o desgaste de conduzir uma pesquisa como esta, realizada, concomitantemente, ao trabalho como professora, transformavam-se em doses, ainda que homeopáticas, de coragem para seguir esta jornada.
Leda, à época de nossa primeira entrevista, tinha 45 anos, conforme ela mesma descreve, “de gente e de cega”. Está casada pela segunda vez e tem um filho adolescente, que apresenta baixa visão. Ela possui nível superior, é pedagoga com especialização em Metodologia do Ensino Fundamental e Médio. É professora do Estado do Ceará e da Prefeitura de Fortaleza há 15 anos, trabalhando no Tempo de Inclusão pelo estado e na
Associação A pela prefeitura. No Tempo de Inclusão, desempenha apoio pedagógico
atendendo a crianças, adolescentes e adultos cegos e com deficiência associada; na
Associação A, trabalha no EJA.
Na Associação A, Leda ensina Português e Literatura em turmas de EJA para pessoas com DV. A Associação A foi o local onde observamos Leda em sua prática como professora. Nessa instituição, em uma das turmas em que a observamos lecionando, Leda trabalha com o ensino de Português e de Literatura, no entanto se detém mais no ensino do Português, pois percebe dificuldades e defasagens de seus educandos com relação à língua portuguesa. Com relação à sua prática com o ensino de Português, gosta de trabalhar com texto e interpretação. Procura abordar com seus alunos textos que pesquisa na internet.
Sobre o seu trabalho no Tempo de Inclusão, consiste em ministrar atividades como cursos de informática, de sorobã e de Braille, acompanhamento a estudantes que ficaram cegos e que precisam aprender o Braille e/ou a utilizar o computador por meio dos leitores de tela e acompanhamento de grupos que vêm do interior do estado para aprender o Braille. Ou seja, no Tempo de Inclusão, Leda desenvolve um trabalho de capacitação mediante a realização de cursos que ministra sobre Braille, sorobã e de tecnologias
alternativas e de atendimento educacional especializado a discentes que buscam os serviços do Tempo de Inclusão no período de contraturno.
A participante nasceu com baixa visão, devido à retinose pigmentar, e, com o passar dos anos, foi perdendo o resíduo de visão que tinha. Segundo Leda61:
[...] meus pais têm um problema genético que eles trouxeram das famílias deles, tanto a minha mãe como o meu pai eles têm cegos na família, mas a gente não sabia, e aí, a partir da gente, eu e mais meus dois irmãos, somos cegos, foi que nós começamos a investigar, né? Então, geneticamente, nós somos afetados pela tal da retinose pigmentar, que eu não sei se é exatamente isso, não, mas os médicos dizem que é. De seis filhos que minha mãe teve, três são cegos e três enxergam.
4.3.3 Neide
“Eu acho que a deficiência visual ela traz muitas barreiras, ela traz muito desconforto, né, ela traz muito transtorno para a vida do ser humano, não é fácil, não, o negócio!”
(Neide) Ao falar sobre Neide, as sensações que nos vêm fortemente à memória vinculam-se a uma grande tranquilidade e paz. Com paciência, serenidade e firmeza, expunha os seus comentários durante nossos encontros. O uso do computador esteve presente em nossas conversas, principalmente porque a ideia inicial era falar sobre o Dosvox; não obstante, desde o primeiro encontro, Neide apresentou seus posicionamentos bem marcados sobre a defesa do sistema Braille. Foi a primeira pessoa com quem entramos em contato, após as conversas com Tito62. O contato com Neide nos foi sugerido por ele. Solteira, 46 anos, natural de Pacajus e sem
filhos. Já nasceu sem a visão; sua cegueira teve como diagnóstico a degeneração de retina, uma doença hereditária. Neide relatou que alguns parentes de seu pai (tios e primos) apresentaram a mesma degeneração.
A participante concluiu o curso de Pedagogia na IES A e tem especialização em Planejamento Educacional. Durante a pesquisa, ela estava em fase de conclusão de uma segunda pós-graduação em Educação Inclusiva. Ao terminar o curso de Pedagogia, prestou concurso para a Prefeitura de Maracanaú, município situado na Região
61 Dados da entrevista. Pesquisa de campo realizada em Fortaleza em 29 set. 2012.
62 Conforme leremos mais adiante, foi com a ajuda de Tito que escolhemos e iniciamos os contatos com os/as
Metropolitana de Fortaleza. Lá ficou durante dois anos e realizou um trabalho na perspectiva de acessibilidade para pessoas com DV. Depois do trabalho em Maracanaú, assumiu como professora da rede estadual do Governo do Ceará. Neide trabalha no Centro Educacional de Referência, mais especificamente no Tempo de Inclusão, que é um centro de atendimento às pessoas com DV. O Tempo de Inclusão, na verdade, é uma unidade do Centro Educacional de Referência. Atua nesse local há dois anos, mas está na rede estadual há dezesseis. No Tempo de Inclusão, Neide lida com a habilitação de cegos, com a reabilitação de pessoas que ficaram cegas e com a formação contínua em educação do deficiente visual.
No que tange ao trabalho de habilitação e reabilitação de pessoas cegas, Neide atende a alunos na informática (com o uso do Dosvox), trabalha com o processo de alfabetização em Braille para crianças e com o ensino de Braille e de sorobã para adultos. O atendimento é realizado, preferencialmente, a educandos matriculados na rede regular de ensino. Quanto ao curso de formação que ministra, nele participam professores/as e pessoas da comunidade que se interessam em desenvolver trabalhos com pessoas com deficiência visual. Ou seja, não se trata de uma formação cujo público-alvo centre-se em sujeitos com DV. Esse curso oferece sete disciplinas, dentre elas, ensino do sistema Braille, sorobã e tecnologias assistivas (sobre as tecnologias assistivas, Neide disse que a carga horária é pequena se comparada a das outras disciplinas).
4.3.4 Liana
“[...] você pega um guia sobre acessibilidade, aí quem escreveu? Foi o fulaninho não sei das quantas, que é doutor não sei onde, não sei em quê, nisso naquilo outro. [...] às vezes, em vez de a pessoa chegar para você e dizer: ‘Vamos procurar uma maneira, vamos procurar uma forma melhor’, ela simplesmente faz do jeito que ela acha que pode te ajudar e, às vezes, ela não está te ajudando, está te atrapalhando [...]. Às vezes, o que é certo para você não é o que é certo para o que eu preciso.”
Falar sobre Liana é adentrar no ponto inicial desta pesquisa. Foi com ela que nos deparamos em nosso primeiro dia de aula na função de professora debutante numa Instituição de Ensino Superior (IES), em uma disciplina de espanhol designada sob nossa responsabilidade. Nada nos havia sido dito quanto à presença de Liana na disciplina, tampouco encontramos em nossas anotações ou em nossos planos de aula A, B, C, D, ad
infinitum, o que se deveria ou não fazer ao se trabalhar com alunos/as cegos/as. Quanta
deficiência de nossa parte e de todo o contexto em que estavámos inseridas! Foi Liana quem se aproximou, ao final da aula, perguntando como poderíamos proceder. Outra vez, não encontramos nada em nossa escassa bagagem como profissionais em início de carreira. Não havia o que procurar, pois não tínhamos nada, absolutamente nada a responder. Ela, então, deu as explicações e sugestões sobre como poderíamos agir. Convidá-la, portanto, a participar da pesquisa não poderia estar fora de pauta. Com ela, iniciamos o trajeto; com ela, quisemos prossegui-lo.
Liana é fortalezense, quando fizemos a pesquisa, estava com 22 anos e solteira. Aluna do curso de Letras, com habilitação dupla em português e espanhol, e funcionária do setor Espaço de Cultura Ceará63 do Espaço Arte e Resistência64. Liana, na universidade, além
de estudante, é bolsista da Acessibilidade para tod@s e participante do grupo de estudo Políticas Linguísticas para Internacionalização do Português. Como bolsista, faz a digitalização de livros e o levantamento bibliográfico de materiais que já se encontram digitalizados e do que ainda é preciso digitalizar para atender à demanda do público discente que necessita de textos nesse formato. Em seu trabalho no Espaço Arte e Resistência, foi designada para trabalhar como auxiliar-administrativa, mas, à época em que conversamos, era no que menos trabalhava; estava à espera da instalação de um programa para poder digitalizar o acervo do Espaço de Cultura Ceará.
Com relação ao trabalho que Liana desenvolve como estagiária no Espaço Arte
e Resistência, incluem-se atividades como: viabilizar a acessibilidade de exposições do Espaço Arte e Resistência, procurando, por exemplo, quais recursos já existem para a
acessibilidade e quais seriam importantes o centro adquirir; fazer pesquisas sobre a acessibilidade em espaços museológicos e traduções do espanhol para o português de textos que encontra sobre a acessibilidade em museus; transcrever entrevistas de projetos que acontecem no centro cultural; digitalizar documentos; preparar apresentações acerda do Projeto Acesso para a divulgação da iniciativa. Liana falou também de atividades como
63 Trata-se de nome fictício para preservar a identidade do local onde aconteceu a pesquisa. 64 Trata-se de nome fictício para preservar a identidade do local onde aconteceu a pesquisa.
a revisão de textos em Braille; a consultoria das audiodescrições feitas para exposições no/do Espaço Arte e Resistência e a consultoria de trabalhos desenvolvidos nesse centro voltados para a acessibilidade.
Liana nasceu com tumores por trás dos globos oculares, ao que se chama de retinoplastoma. Retirou o primeiro globo ocular aos três meses de idade e o segundo, por volta de um ano de idade. Por ter perdido os olhos em tão tenra idade, Liana considera-se como uma pessoa deficiente visual de nascença.
4.3.5 Tito
“A parte da minha deficiência que mais me afligia era não poder ler nem escrever. [...] O Dosvox significou uma nova perspectiva de vida. Proporcionou-me a leitura e a escrita. Traz a possibilidade de estudar e de trabalhar.” (Tito) Falar sobre Tito significa falar sobre a pesquisa desde os seus primeiros passos. Ele foi presença marcante e fundamental para o início de nosso percurso no mundo da leitura e da escrita de pessoas com deficiência visual65. Foi por meio de conversas que com ele,
explicando sobre o que gostaríamos de investigar, que conseguimos contato com alguns dos/as participantes do estudo (Angélica, Leda, Neide e Ricardo). Foram contatos de suma importância e riqueza para que pudéssemos começar a trilhar o caminho dos múltiplos letramentos das pessoas com deficiência visual.
Tito é cearense, natural de Reriutaba e, à época da pesquisa, estava com 45 anos. Vive com uma companheira em uma união estável e não tem filhos. Quando fizemos o trabalho de campo, Tito ainda estava cursando Pedagogia na IES A e tinha o desejo de
65 Para a elaboração do anteprojeto de pesquisa para o ingresso no doutorado, iniciamos uma busca (já tínhamos
iniciado esse percurso para a elaboração do projeto para o ingresso no programa), na IES A, por pessoas que trabalhassem com e sobre sujeitos com deficiência visual. Dessa forma, entramos em contato com a professora Ana Karina, que desenvolvia (e segue desenvolvendo) trabalhos na área da deficiência visual. Por meio da professora, tivemos a oportunidade de conhecer Tito. Durante o primeiro encontro que tivemos com ele, ficamos sabendo de um programa nacional criado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que permitia às pessoas com deficiência visual o uso do computador. Esse programa, chamado de Dosvox, permite que as pessoas com deficiência visual tanto leiam quanto escrevam no computador, fazendo com que, dessa forma, possa acontecer uma comunicação entre indivíduos com deficiência visual e videntes. Veio do encantamento com esse programa nosso interesse em investigar, inicialmente, de forma mais específica, sobre os letramentos digitais de pessoas com deficiência visual.
terminar o curso o mais breve possível, para seguir, segundo suas palavras, outras perspectivas em torno de cursos universitários. Pelo o que conversamos, Tito demonstra um interesse muito grande em ingressar em cursos na área da informática, área de grande interesse e motivação na vida dele. Em seu curso de Pedagogia, atuou como bolsista do projeto de extensão voltado para a acessibilidade, no qual desenvolvia atividades em torno da proposta da acessibilidade para pessoas com deficiência visual, sendo uma dessas propostas a realização de cursos sobre o Dosvox. Ao término desse projeto, continuou com os cursos e assessoria sobre Dosvox, mas agora na Acessibilidade para tod@s. Também nesse local, realizava cursos sobre leitores de tela e sobre tecnologia assistiva.
A deficiência visual de Tito foi ocasionada pela retinose pigmentar. Já na infância, começou a apresentar uma diminuição na acuidade visual e, na adolescência (quando cursava o 7º ano do ensino fundamental), “a doença deu um salto”. Em uma de nossas conversas, Tito contou-nos sobre esse salto da doença. Costumava sentar-se nas primeiras fileiras de sua sala de aula para conseguir enxergar melhor o que a professora escrevia na lousa. Usava também como recurso o caderno de uma colega que tinha uma letra muito legível que ele pedia emprestado para copiar as lições do quadro. Quando a cópia da lousa passou a ser impossível, permaneceu com o recurso do caderno. No entanto, “[...] em uma manhã de setembro de 1982 [...]”, até mesmo o caderno já não era suficiente para conseguir enxergar. Nesse dia, sentou-se nas últimas fileiras da sala. A professora, percebendo a mudança de comportamento dele, veio perguntar o que estava acontecendo, e Tito respondeu chorando que já não conseguia enxergar o que ela escrevia na lousa nem os escritos da colega.
Tito mencionou, com muito carinho, o apoio que a docente lhe prestou durante esse período de adaptação à perda mais drástica da visão.
E foi exatamente na sala de aula dela que aconteceu esse fato que você mencionava anteriormente. E a professora, Maria da Cruz Lopes de Almeida, ela me ajudou muito, inclusive foi ela quem, além de ter me tranquilizado, ela se disponibilizou e cumpriu o processo de leitura e escrita de quase dois semestres. Quase, não, dois semestres, que foi o segundo semestre da 6ª e o primeiro semestre da 7ª série [atualmente, respectivamente, 7º e 8º anos]. Ela lia as minhas disciplinas e copiava as minhas matérias. E foi com a ajuda da Dona Maria da Cruz Lopes de Almeida que eu consegui ter um bom êxito. (TITO)66.
Tito, no entanto, não perdeu a visão totalmente; perifericamente, ele ainda consegue usar um pouco da visão lateral.
4.3.6 Diego
“Eu acho que eu tenho até uma visão meio atrapalhada, assim, eu juro que vejo uma coisa, e não, não vi, mas eu fico me lembrando depois. [...] É tanto que as pessoas, para mim, por exemplo, se tu falar ‘Aha, o fulano...’, deixa eu ver aqui... Pronto, Beatriz. A Beatriz eu nunca vi seu rosto cem por cento. Mas, se tu falar de ti para mim, em outro ambiente, em outra circunstância, quando você vem na minha cabeça, eu vou ter ideia da tua fisionomia; e eu nunca repeti um rosto. Não sei se eu vejo atrasado e fica na minha memória ou se realmente eu sou muito criativo, né? Mas, enfim, isso aconteceu com 17 anos, e a minha visão ficou muito prejudicada. Hoje ela já melhorou bastante, mas ainda é subnormal. Ainda sou, ainda posso me classificar como deficiente.”
(Diego) Uma imagem que sempre nos vem à mente sobre Diego é a sua relação com a pesquisa acadêmica. Logo durante nossos primeiros contatos, ele sempre se interessou tanto em explicar sobre suas atividades de pesquisa na universidade como perguntava sobre nossa trajetória acadêmica. Em nossas conversas, gostava de falar acerca do que ele fazia em seu curso de Biblioteconomia, por que havia escolhido o curso, em que pesquisas ele atuava, como era seu trabalho. Durante nossas conversas, observações e entrevistas, Diego, quando falamos sobre letramento, leitura e escrita, gostava de falar do assunto a partir de uma perspectiva da Biblioteconomia. Foram contatos muito enriquecedores para nós e para o trabalho.
Fortalezense, “cearense até a medula”, como ele mesmo apresentou-se, solteiro e sem filhos; quando fizemos a pesquisa, Diego tinha 24 anos e cursava, como já mencionamos, o curso de Biblioteconomia na IES A. No curso mencionado, Diego desenvolve suas atividades como estudante, bolsista de iniciação científica e estagiário. Na iniciação científica,
principiou uma pesquisa sobre um modelo de representação da informação com base na linguística e, depois, seguiu com a pesquisa sobre como representar e como organizar a informação usando a teoria da arquitetura da informação, tanto em ambientes digitais como