3 Endring i rekrutteringen til utvalgte utdanningstyper
3.3 Helse- og sosialfaglige utdanninger
A análise das músicas seguirá o critério de ordem alfabética conforme as categorias de assunto acima relacionadas.
O Beco
No beco escuro explode a violência – (categoria de assunto – violência e repressão) Eu tava preparado
Descobri mil maneiras de dizer o seu nome Com amor, ódio, urgência
Ou como se não fosse nada
No beco escuro explode a violência Eu tava acordado
Ruínas de igrejas, seitas sem nome Paixão, insônia, doença
Liberdade vigiada – (categoria de assunto – censura) No beco escuro explode a violência
No meio da madrugada Com amor, ódio, urgência Ou como se não fosse nada
Mas nada perturba o meu sono pesado Nada levanta aquele corpo jogado Nada atrapalha aquele bar ali na esquina Aquela fila de cinema
Nada mais me deixa chocado Nada!
O contexto da música repassa o período pós-ditadura, onde a liberdade de expressão que fora dada era vigiada e a violência explodia as escondidas. Também retrata o
descaso das pessoas, a frieza com que encaramos os problemas da sociedade atual: “Nada mais me deixa chocado, nada!”. O que pode levar a essa conduta é a repressão imposta pela
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O Homem
O homem traz em si a santidade e o pecado Lutando no seu íntimo
Sem que nenhum dos dois prevaleça O homem tolo se põe a lutar por um lado Até perceber
Que golpeia e sente a dor Ele é o alvo da própria violência Só então vê
Que às vezes o covarde é o que não mata Que às vezes é o infiel que não trai Às vezes benfeitor é quem maltrata
Nenhuma doutrina mais me satisfaz - (Categoria de assunto – Religião) Nenhuma mais
Nessa canção o dilema tão vivido por cada um de nós, a eterna luta do “bem
contra o mal”. E ainda a crítica a religião e suas doutrinas, bem como as falsas aparências,
Patrulha Noturna Desce daí garoto
Senão atiro em você – (Categria de assunto – Violência) Porque cê não mostra que é homem
Porque cê não tenta correr Qual é seu guarda
Que papo careta Só tô tirando chinfra Com a minha lambreta Tá bem seu guarda, Que papo careta Só tô tirando chinfra Com a minha lambreta Tá bem seu guarda eu me rendo
Eu reconheço que sou marginal Eu colo nas provas da escola Eu gosto de ver nu frontal Qual é seu guarda
Que papo careta Só tô tirando chinfra Com a minha lambreta Polícia é fogo, meu chapa Combate o crime de verdade Prende os garotos de moto
Para moralizar a cidade- (Categoria de assunto – Censura) Qual é seu guarda
Que papo careta Só tô tirando chinfra Com a minha lambreta
A música apresenta nas entrelinhas resquícios da Ditadura Militar, onde a polícia tentava repreender toda atitude, mesmo aquelas que não apresentavam risco nenhum à
sociedade, usando dessa forma do abuso de poder, para dar satisfação, “mostrar serviço”.
Desviando muitas vezes o foco de atos criminosos que realmente ofereciam perigo à sociedade.
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Selvagem
A polícia apresenta suas armas – (Categoria de assunto – Violência) Escudos transparentes, cassetetes
Capacetes reluzentes
E a determinação de manter tudo
Em seu lugar – (Categoria de assunto – Censura) O governo apresenta suas armas
Discurso reticente, novidade inconsistente
E a liberdade cai por terra – (Categoria de assunto – Repressão) Aos pés de um filme de Godard
A cidade apresenta suas armas
Meninos nos sinais, mendigos pelos cantos – (Categoria de assunto – Desigualdade Social) E o espanto está nos olhos de quem vê
O grande monstro a se criar Os negros apresentam suas armas
As costas marcadas, as mãos calejadas – (Categoria de assunto – Repressão) E a esperteza que só tem quem tá
Cansado de apanhar
Selvagem, passa a nítida e clara consequência de uma sociedade injusta e
desigual, a violência. Onde cada “lado” apresenta suas armas e cada um dá o que tem. A
polícia, com seus poderes que não passam do campo simbólico; O governo, com um discurso antigo e nada convincente; A cidade, com nossas crianças de rua nos sinais a pedir esmolas e fazer trabalhos infantis e crimes; Os negros, que por sua vez, ainda na década, vivem o preconceito.
Alagados
Todo dia o sol da manhã Vem e lhes desafia Traz do sonho pro mundo Quem já não o queria Palafitas, trapiches, farrapos Filhos da mesma agonia
E a cidade que tem braços abertos Num cartão postal
Com os punhos fechados na vida real
Lhe nega oportunidades – (Categoria de assunto – Desigualdade Social) Mostra a face dura do mal
Alagados, Trenchtown, Favela da Maré A esperança não vem do mar
Nem das antenas de TV A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê – (Categoria de assunto – Religião) A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê Todo dia o sol da manhã Vem e lhes desafia Traz do sonho pro mundo Quem já não o queria Palafitas, trapiches, farrapos Filhos da mesma agonia
E a cidade que tem braços abertos Num cartão postal
Com os punhos fechados na vida real
Lhe nega oportunidades – (Categoria de assunto – Desigualdade Social) Mostra a face dura do mal
Alagados, Trenchtown, Favela da Maré A esperança não vem do mar
Nem das antenas de TV A arte de viver da fé Só não se sabe fé em quê A arte de viver da fé Só não se sabe fé em quê
Alagados, Trenchtown, Favela da Maré A esperança não vem do mar
Nem das antenas de TV A arte de viver da fé Só não se sabe fé em quê A arte de viver da fé Só não se sabe fé em quê
Alagados, Trenchtown, Favela da Maré A esperança não vem do mar
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Nem das antenas de TV A arte de viver da fé Só não se sabe fé em quê A arte de viver da fé Só não se sabe fé em quê
Alagados, Trenchtown, Favela da Maré A esperança não vem do mar
Nem das antenas de TV A arte de viver da fé Só não se sabe fé em quê A arte de viver da fé Mas a arte de viver da fé Só não se sabe fé em quê A arte de viver da fé Só não se sabe fé em quê A arte de viver da fé
Alagados, descreve quase que toda a realidade, o contexto da década de 80. Fala da dificuldade de se viver em uma grande cidade como Rio de Janeiro, da desigualdade social, da miséria e pobreza. Cita o Cristo Redentor usando-o como metáfora: “...e a cidade que tem braços abertos num cartão postal, com os punhos fechados na vida real lhe nega
oportunidades, mostra a face dura do mal...” Mostra também a realidade das favelas e o
crescimento das mesmas e a total desesperança em que se encontram os cidadãos que a
habitam: “...a arte de viver da fé, só não se sabe fé em que...”
Alagadosé o nome de uma favela deSalvador, Favela da Maré, doRio de Janeiro, e
Trenchtown, da Ja maica, onde viveram músicos famosos de reggae, como Bob Marley,
Bunny WailerePeter Tosh, que formavam inicialmente a bandaThe Wailers. O próprio Bob cita aterra natal na sua mais famosa música,No Woman no Cry(“I remember when we used to sit / In the government yard in Trenchtown“). O objetivo é fazer uma comparação entre a vida nessas três favelas, onde a miséria é miséria em qualquer canto do mundo.
A Novidade
A novidade veio dar a praia Na qualidade rara de sereia
Metade o busto de uma deusa maia Metade um grande rabo de baleia A novidade era o máximo
Um paradoxo estendido na areia Alguns a desejar seus beijos de deusa Outros a desejar seu rabo pra ceia O mundo tão desigual
Tudo é tão desigual O, o, o, o...
De um lado esse carnaval
De outro a fome total - (Categoria de assunto – Desigualdade Social) O, o, o, o...
E a novidade que seria um sonho O milagre risonho da sereia Virava um pesadelo tão medonho Ali naquela praia, ali na areia A novidade era a guerra
Entre o feliz poeta e o esfomeado Estraçalhando uma sereia bonita Despedaçando o sonho pra cada lado Ô Mundo tão desigual...
A Novidade era o máximo...
Ô Mundo tão desigual... – (Categoria de assunto – Desigualdade Social)
Mais uma vez a desigualdade social vivida na época vem à tona e a música deixa
claro isso, onde a “novidade” era a guerra entre o poeta que almejava a sereia e o esfomeado
que a via como o alimento para matar sua fome. É feita também uma comparação: “de um
lado esse carnaval, de outro a fome total...”, o que mostra o mundo desigual em que viviam e
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Dos restos Do lixo deixado
Dos restos que o mundo Não tem como esconder Nos cantos escuros
Nas fendas dos muros – (Categoria de assunto – Desigualdade Social) Veja se você vê
Surgem novas criaturas Novos pontos de interrogação
Nossa casa não é mais tão segura – (Categoria de assunto – Violência) E as crianças querem alguma explicação
Mas é preciso coragem pra não desistir E não achar que tudo que vivemos foi em vão Pra essa nova moral oportunista
Eu me viro e digo não
Mais uma vez critica o surgimento de uma realidade, que deveria ter sido mais democrática e realmente sem censura. Onde só aparece o beleza das grandes cidades e a
Perplexo
Tentei te entender Você não soube explicar Fiz questão de ir lá ver Não consegui enxergar
Desempregado, despejado, sem ter onde cair morto – (Categoria de assunto – Desigualdade Social) Endividado sem ter mais com que pagar
Nesse país, nesse país, nesse país
Que alguém te disse que era nosso – (Categoria de assunto – Política) Ah, ah, ah, ah...
Mandaram avisar Que agora tudo mudou Eu quis acreditar Outra mudança chegou
Fim da censura, do dinheiro, muda nome, corta zero – (Categoria de assunto – Economia) Entra na fila de outra fila pra pagar
Quero entender, quero entender, quero entender
Tudo o que eu posso e o que não posso – (Categoria de assunto – Censura) Não penso mais no futuro
É tudo imprevisível Posso morrer de vergonha Mas eu ainda estou vivo
Segunda-feira, Terça-feira, Quarta-feira Quinta-feira, Sexta-feira, Sábado de aleluia Eu vou lutar, eu vou lutar
Eu sou Maguila, não sou Tyson.
Em perplexo se vê uma música de protesto. A Nova República trouxe ao Brasil um sentimento de que o Brasil se elevaria economicamente e socialmente, o que não se viu de forma concreta, já que Tancredo nem se quer chegou a assumir o poder. Logo Sarney assumiu e criou o plano cruzado que teve como principal conseqüência a privatização das estatais. Vê- se também uma crítica as classes sociais, a desigualdade social e a problemas que essa sociedade esconde como o desemprego.
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Encruzilhada
Tava deitado e o telefone tocou Me levantei, liguei meu abajur Quem me chamava era o meu amor Que sussurava numa voz febril Ficara presa no elevador
Havíamos saído com uma turma legal Comemos feijoada, couve e pernil Já na saída ela passava mal,
O elevador de serviço em manutenção Ela subiu pelo social
No telefone o meu amor chorou Nem me contou como o porteiro abriu Agora veja que situação
Não sei se falo mal da safra do feijão – (Categoria de assunto – Economia) Ou da imperfeição da indústria do Brasil – (Categoria de assunto – Economia)
“Não sei se falo mal da safra do feijão ou da imperfeição da indústria no Brasil”.
Neste verso a banda toca no assunto indústrial e de como o País se encontava na época com uma crise na indústria onde o Brasil ficou muito mais vulnerável, com direitos a ataques especulativos a sua moeda e relativamente atrasado, quando se fala em competitividade em relação às economias mais avançadas ou mesmo aos países em estágio semelhante ao país.
Big Bang
Se o sol pudesse ver Tudo que iria acontecer
Talvez não nascesse aquele dia Se as orações das mães
Tivessem sido ouvidas Nada disso acontecia
Mas naquele dia até Deus se escondeu Não quis ouvir pedidos de socorro A voz da razão sumiu
Quando a polícia civil subiu o morro – (Categoria de assunto – Violência) Fogo sobre os dois irmãos – (Categoria de assunto – Violência)
Nem mão nem contra-mão
É só sangue, terra e cocaína - (Categoria de assunto – Violência) A ferida rasga a terra e mostra um coração
Que sangra e se contamina
Mas naquele dia até Deus se escondeu - (Categoria de assunto – Religião) Não quis ouvir pedidos de socorro
A voz da razão sumiu
A música retrata a violência das grandes cidades bem como a desigualdade social. A invasão de favelas feitas por policias que usam como artifício suas armas e a forma violenta
de punir. Dessa forma vemos que o inocente paga também pelo “pecador”. E por fim, a crítica
meio que velada a fé, “ Mas naquele dia até Deus se escondeu, não quis ouvir pedidos de
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Pólvora
As teorias que explicam o universo Os versos que vasculham o coração Os garis, estivadores e arquitetos
A fé manipulada dos cristãos - (Categoria de assunto – Religião) As alegrias, alergias, os afetos
Os fatos, frases, a simulação O país ajoelhado, a morte, o sexo
A culpa e o olhar de acusação - (Categoria de assunto – Repressão e Censura) O que é tudo isso diante da Pólvora?
(Dessa paixão que se renova) Os dias, datas de aniversário Os quartos de hotel, o avião Os livros, discos, dicionários A madrugada e o olhar sem direção Os velhos, as crianças e os parques Os templos, tumbas e memoriais A nova velha forma do desastre Bandeiras, panos, lenços, aventais O que é tudo isso diante da pólvora? (Dessa paixão que se renova)
Crítica - Religião – Guerras – Violência.
Pólvora, como o próprio conceito diz é uma mistura inflamável e explosiva, na canção, a pólvora é sempre algo prestes a explodir, a religião e a manipulação; a repressão; a censura e a violência.
Teerã
Por quanto tempo ainda vamos ver Fotografias pela manhã
Imagens de dor Lições do passado
Recentes demais pra esquecer E o futuro o que trará
Para as crianças em Teerã
Brincar de soldado por entre os escombros
Os corpos deitados não fingem mais - (Categoria de assunto – Violência) E as marcas de sangue no chão são lembranças difíceis de
apagar - (Categoria de assunto – Violência) Será que ainda existe razão pra viver Em Teerã
Por quanto tempo ainda vamos ter Nas noites frias e nas manhãs Imagens de dor
Em rostos marcados
Pequenos demais pra se defender E o futuro o que trará
Se essas crianças vão sempre estar
Pedindo trocado pros vidros fechados – (Categoria de assunto – Desigualdade Social) Sentando no asfalto sem perceber
Que as marcas de sangue no chão são lembranças difíceis de apagar
Será que ainda existe razão pra viver Em Teerã
Durante a guerra Irã-Iraque entre 1980 e 1981, Teerã foi repetidamente atacada por mísseis tipo scud, resultando em milhares de mortes e ferimentos entre a população civil.
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6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
No decorrer de todo o trabalho preocupo-se em analisar as letras das músicas da Banda Paralamas do Sucesso, como importante fonte de informação sobre a realidade da década de 1980.
Vimos que dentre os diversos tipos de fontes de informação, a música aqui analisada, têm um papel importante como repassadora de informação seja ela política ou ideológica e que apesar de não ser uma fonte comum, conhecida como tal, a música traz em si todo um potencial para sê-lo.
Através da análise do conteúdo, percebemos que a informação estava embutida na letra de cada música analisada e que as categorias de assuntos nos revelaram nas entrelinhas até mesmo o que as músicas não passavam claramente.
As narrativas da Banda Paralamas do Sucesso como fontes de informação, trazem inúmeras informações sobre a cultura, os costumes, a política, economia de uma sociedade, aqui da década de 80. Elas podem, através das informações, mobilizarem os sentidos, quer seja reforçando ou reordenando as significações instituídas, quer seja esclarecendo sentidos antigos ou criando novos sentidos, ideologias e posições dos sujeitos dentro de suas relações em sociedade.
Concluímos que toda uma história, seu contexto, sua política e ideologia foram passadas pelas canções, percebemos claramente isso, quando fizemos nossa viagem pelo contexto histórico da década de 80 e comparamos na análise do conteúdo das músicas.
REFERÊNCIAS
CAMPELLO, Bernadete Santos. Fontes de Informação especializada: Características e utilização. 2 ed. Belo Horizonte: UFMG, 1993.
CAMPELLO, Bernadete Santos. Formas e expressões do conhecimento: Introdução às Fontes de Informação. Belo Horizonte: Escola de Biblioteconomia da UFMG, 1998.
CAMPELLO, Bernadete Santos. Fontes de Informação para pesquisadores e profissionais. Belo Horizonte: UFMG, 2000.
CERVO, A.L; BERVIAN, P. A. Metodologia científica: para uso de estudantes universitários. 2 ed. São Paulo: Mcgraw-Hill do Brasil, 1978.
CUNHA, Murilo Bastos da. Para saber mais: Fontes de Informação em ciência e tecnologia. Brasília: Brinquet de Lemos, 2001.
FRANÇA, Jamari. Os Paralamas do Sucesso - Vamo Batê Lata. São Paulo: Editora 34, 2003.
FRANCO, M.L.P.B. Análise de Conteúdo. 2 ed. Brasília: Líber Livro Editora, 2005.
GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 2.ed. São Paulo: Atlas, 1992.
GROGAN, Denis Joseph. A prática do serviço de referência. Brasília: Briquet de Lemos, 2001.
LIPOVETSKY, Gilles. Os tempos hipermodernos. São Paulo: Barcarolla, 2004.
SAINERA, Glória Carrizo. Manual de Fuentes de Informacion. Madrid: Confederación espãnola de Gremios y Associaciones de Libreros, 1994.