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Hvilken type behandling gir best effekt?

7. Behandling

7.4 Hvilken type behandling gir best effekt?

Anteriormente, vimos que Olbrechts-Tyteca (1974) mostra as possibilidades de percepção do cômico em relação aos auditórios em diferentes níveis, onde se pode buscar visualizar as ações maliciosas nas respostas/réplicas entre os sujeitos. Também vimos que muitos elementos da situação de comunicação foram abstraídos por motivos de análise, ou seja, Olbrechts-Tyteca toma, nos seus exemplos, a situação simulada entre as personagens como se ela fosse uma relação “real” entre auditórios. Sabemos, entretanto, que essas histoires drôles277 (“histórias engraçadas”) escritas (ou mesmo,

orais) se encontram num regime ficcional que deve também ser levando em conta durante a análise do DH.

De acordo com Vale (2009a), é necessário um desdobramento da mise en scène interna, onde toda a pequena narrativa passa a ser interpretada como uma criação do sujeito-

locutor (EUc) enunciada pelo sujeito-enunciador (EUe). Esse último se “apaga” ao criar uma espécie de discurso relatado (semelhante ao narrador em terceira pessoa dos romances), fazendo as personagens dialogarem como numa peça de teatro. Temos, dessa forma, que toda a “história engraçada”, contado pelo EUe, passa a ser uma estratégia do sujeito-locutor no espaço (interno) de manobra do gênero. Acreditamos que esse desdobramento das instâncias internas (identidades enunciativas) faz com que o sujeito-destinatário (TUd) passe, também, a ser considerado, pelo sujeito-locutor, como uma espécie de voyeur278

, ao qual se oferece a chance de assistir à cena em que personagens trocam palavras chistosas, ironias, sarcasmos etc.

Voltando ao exemplo parcialmente analisado na seção anterior, podemos, agora, explicar que o fragmento de talk é uma imagem recortada da página “Gina Indelicada”,

277

Essas pequenas narrativas podem tomar a forma de piadas, de anedotas, de sketches etc.

278 Tomamos, ad hoc, esse termo no sentido de “aquele que observa e tem algum tipo de prazer com o que

está assistindo, mas não se compromete fisicamente com o fato”. Nesse sentido, voyeur se afasta de “espectador” (que pode interagir com o espetáculo, aplaudindo, no teatro, reclamando via telefone ou

internet, ou, simplesmente, rindo) e, em parte, do sentido proposto na psicopatologia: “indivíduo que experimenta prazer sexual ao ver estímulos sexuais, objetos associados à sexualidade ou o próprio ato

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extraída a parte de um print screen279 e publicada no feed de notícias (ou página inicial)

do Facebook pelo dono do fake, onde todos os usuários seguidores podem lê-la. Logo, a conversação que era restrita aos usuários no talk passa, dessa forma, a ser vista/lida por todos os seguidores de “Gina Indelicada” e pelos “amigos” desses seguidores280

. Com isso, tal fragmento toma, agora, a forma de uma pequena narrativa (ou um pequeno

sketch), no qual os avatares dos usuários (no caso, “Gina” e “kauany”) passam a ser

observados pelos usuários seguidores. Admitindo que esses seguidores assumem o papel de voyeurs diante da conversação dos avatares, vejamos como o diálogo entre as metodologias propostas por Olbrechts-Tyteca (1974) e por Charaudeau (2006a) e (2011) explicam o desenvolvimento do discurso e do cômico no texto de “Gina Indelicada”.

Primeiramente, diremos que “Gina Indelicada” representa o lugar de auditório de

primeiro nível (primeiro a ser interpelado). Ela assume seu papel, dando uma réplica

sarcástica/irônica à provocação de “Kauany”. Lembremos mais uma vez: nesse

momento, estamos analisando o fragmento enquanto um texto postado no feed de notícias do Facebook. Devido a isso, os avatares agora podem tomar status semelhantes aos das personagens nos exemplos de Olbrechts-Tyteca (1974). Já os demais usuários

seguidores (leitores em potencial) passam a aguardar a tréplica de “Kauany” (auditório

de segundo nível). Na proposta de Olbrechts-Tyteca, podemos dizer que esses usuários

“seguidores” estão, em relação ao sujeito-locutor, em posição de um auditório de

terceiro nível: os destinatários ideais visados que devem ter uma determinada atitude

responsiva de acordo com a visada predominante desse ato de comunicação – seguindo nossas hipóteses, se a visada de fazer-rir pode ser depreendida a partir do texto, espera- se (efeito pretendido) que o sujeito-destinatário ria, sorria ou desenvolva prazer semelhante na mente como, por exemplo, um alegramento281

. Por outro lado, do ponto de vista de Charaudeau (2006a), o que esse sujeito-humorista (EUe) procura estabelecer, pelo discurso, é algum tipo de conivência282 com o sujeito-interpretante (TU

i) em relação

279 No sistema Windows, quando a tecla print screen é pressionada, um programa captura em forma de

imagem tudo o que está presente na tela (exceto o ponteiro do mouse) e salva o conteúdo em algum programa próprio para arquivos de imagens.

280 Podemos deduzir, portanto, que muito mais de 1,1 milhão de usuários do Facebook conhecem essas

traquinagens de “Gina Indelicada”.

281

Todavia, vimos que os dirigentes da Indústria Rela Gina não interpretaram com bons olhos o discurso

e as atitudes de “Gina Indelicada”.

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ao alvo. Nesse caso, podemos dizer que o sujeito-locutor (EUc) busca uma convivência

de derrisão que procura (“rindo”) rebaixar brutalmente o alvo, sem defesa possível.

Em segundo lugar, devemos destacar, na proposta de Olbrechts-Tyteca (1974), que o auditório, enquanto conceito retórico, não é uma entidade encarnada, o que a aproxima muito da definição de instância discursiva na Teoria Semiolinguística:

Não são as pessoas de carne e osso, mas entidades humanas, cada qual sendo o lugar de uma intencionalidade, e caracterizada em função de papéis que lhe são destinados. Trata-se, desse modo, de categorias abstratas, desencarnadas e destemporalizadas, definidas, como se diz, pela posição que elas ocupam no dispositivo e às quais os indivíduos são remetidos (CHARAUDEAU, 2006b, p. 55).

Isso nos possibilita dizer que, do mesmo modo que sobre o auditório se projetam determinados efeitos de sentido, esses mesmos podem ser projetados, quando falamos de dispositivos, sobre as instâncias. Assim, a característica de voyeur que apontamos a respeito dos usuários-seguidores/leitores deve ser melhor explicada. De fato, tomar um sujeito por voyeur implicaria afirma que ele estaria “presente-ausente” na situação de comunicação na qual o ACH acontece. Segue que, esse fato nos faria considerar esse

voyeur como um tiers, o que poderia parecer, à primeira vista, uma contradição.

Expliquemos: é sabido que os auditórios são heterogêneos em sua constituição (PERELMAN; OLBRECHTS-TYTECA, 2005, p. 24). Logo, aquele que quer argumentar (convencer/persuadir) pode/deve prever essa heterogeneidade (ou fragmentação) possível dentro de um mesmo auditório e, como estratégia discursiva, subdividi-lo em grupos sociais distintos, testando as formas de inclusão das partes no todo (PERELMAN; OLBRECHTS-TYTECA, 2005, p. 25). De volta aos exemplos (2) e (3) analisados por Olbrechts-Tyteca (1974), vemos que o que a autora chama de

sentimento de afastamento, que se desenvolve a partir da inserção de uma terceira

personagem no diálogo, é uma ilustração do que pode ocorrer quando um dado auditório apresenta divergências de opinião. Nesse sentido, essa terceira personagem aparenta ter um status semelhante ao de um tiers, quando a esse último é dada voz (oportunidade de dar sua opinião) dentro de determinada situação enunciativa. Isso se processa pelo fato de o sujeito-comunicante poder “jogar” com a possibilidade de substituir os protagonistas uns pelos outros, para incluí-los ou excluí-los, direta ou

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indiretamente, da mise en scène (CHARAUDEAU, 2004b, p. 4). Podemos deduzir, portanto, que essa estratégia corresponde, em certa mediada, a um teste de heterogeneidade do auditório.

Em outras palavras, essa inserção de um tiers nos ACHs representa o afastamento de uma parte do auditório de terceiro nível que, desse modo, passa a se constituir como um

auditório de nível superior. Nesse sentido, podemos supor que, dentro das

possibilidades de sujeitos-interpretantes, o sujeito-locutor considera que uma parte desses possa elaborar uma atitude responsiva divergente daquela visada (proposta aos sujeitos-destinatários) e que é preciso afastar tais atitudes não correspondentes, evidenciando, muitas vezes de modo humorístico, por meio de uma tirada, uma ironia, um nonsense etc., as opiniões contrárias (veja a fala do judeu alemão no exemplo 3).

Como consequência, diremos que esse auditório de nível superior, na verdade, se constitui de sujeitos-receptores (sujeitos-interpretantes) em modo stand-by, pois tais sujeitos se encontram num estado de compreensão ativa responsiva (BAKHTIN, 2010b). Isto é, esses sujeitos estão num estágio inicial de formação da resposta/réplica no qual ainda não se decidiram entre a possibilidade de se tornar cúmplice ou, no caso de se sentirem ofendidos, se colocarem em lugar de vítima, tomando parte a favor do

alvo. Em ambos os casos, isso somente será confirmado quando ocorrer a expressão da

atitude responsiva: no cúmplice, pelo riso, sorriso ou um enunciado que confirme sua posição contra o alvo – no caso do texto “Gina Indelicada”, alguma coisa do tipo:

“boa!” ou “Curti!”; na vítima, pela indignação – nesse caso, as possibilidades de

atitudes responsivas são inúmeras: da réplica, também grosseira, até mesmo o silêncio, por exemplo. Com isso em mente, devemos considerar que esse auditório de nível

superior é representado, no circuito interno do discurso, por um tipo especial de tiers:

um tiers-voyeur, que mantém certa distância da situação enquanto elabora sua atitude responsiva, observando, simplesmente, o desenvolvimento do diálogo das personagens, nas histórias engraçadas, nas peças cômicas etc., ou dos avatares, como no texto da

“Gina Indelicada”.

Até aqui fizemos um exercício de articular essas duas propostas de modo a vislumbrar um dispositivo para o DH. Todavia, deve ficar claro que ambas focam o cômico e o

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humor enquanto estratégias discursivas, isto é, essas propostas conseguem nos mostrar o que acontece na cena interna dos atos de comunicação, mas não preveem a replicação de dispositivos complexos como, por exemplo, a paródia de um debate político283

ou a subversão de uma transmissão de uma partida de futebol284

. Nesse ínterim, ainda precisamos trilhar alguns caminhos de modo a descrever, para o DH, um

macrodispositivo conceptual nos moldes do que foi proposto, por exemplo, para o

discurso político (cf. CHARAUDEAU, 2006b). Antes, no entanto, devemos retomar a discussão sobre o status da instância alvo em relação à possibilidade de o DH ter como efeito visado o riso bom/alegre.