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4. Resultat

4.2 Hvilke utfordringer møter man på ved samhandling?

Além do fator quantitativo que a puberdade implica em termos da intensificação da excitação sexual póstuma às vivências, existe outro elemento importante para a eficácia traumática, que é o elemento semântico propiciado pela experiência. Segundo Freud, a puberdade também possibilita uma outra compreensão do vivido: “Toda pessoa adolescente

tem traços de recordação que somente podem ser compreendidos com a emergência de sensações sexuais próprias”. (FREUD, 1988h, p.404). Ou seja, uma vez que o julgar tem

emergência de sensações sexuais deixam traços de memória, porém, essas impressões não são passíveis de julgamento, não são pensadas pelo sujeito.

Posteriormente, a compreensão do sentido sexual dessas representações faz com que se convertam numa fonte endógena geradora de excitação sexual. A significação traumática se deve ao fato de que, por meio da compreensão das representações, o sujeito tende a explicar a emergência do estado intenso de seu anseio libidinal convertido em angústia como decorrência da ação de um atentado sexual sofrido em sua infância. Os histéricos, é o que nos ensina a experiência, diz Freud, seriam pessoas que se tornaram sexualmente excitáveis

precocemente por estimulação mecânica passiva e por masturbação. (FREUD, 1988c, p.404).

É o que faz essa teoria do trauma também uma teoria sobre a sedução.

Como foi examinado por MONZANI (1989, p.159) e por LAPLANCHE (1985, p.49), a novidade dessa teoria em relação ao trauma físico (entendido como efração) é que, o que define o trauma enquanto psíquico é o fato de que nesse caso, o traumatismo vem do interior, pois o traumatizante não está no acontecimento em si, mas na recordação. Essa inversão da eficácia da recordação em relação à vivência dá origem ao que Freud denomina de proton

pseudos (primeira mentira histérica), algo como uma premissa falsa que consiste, como

observou GABBI JR. (2004, p.125), “em tomar como motivo da liberação sexual uma

vivência, quando efetivamente se trata de uma recordação.” É o que se passa com Emma

quando crê que a causa que justifica seu estado afetivo esteja na cena atual com os balconistas, posterior a puberdade. Essa premissa é falsa e decorre da repressão da cena infantil.

Como também observara GABBI JR. (2004), a introdução e a consideração por Freud a respeito da compreensão do significado sexual proporcionada pela puberdade em relação à recordação infantil permitem a reorganização da eficácia traumática desde a perspectiva dos efeitos de sentido. Vejamos quais as conseqüências que se podem extrair dessas

considerações. No exemplo dado por Freud, primeiro, “o recordado refere-se a uma liberação

sexual precoce. O efeito de entendê-la como sexual a transforma em fonte geradora de quantidades endógenas, ou seja, em causa de uma nova liberação sexual.” (GABBI JR. 2004,

p.125). Que a recordação, a partir de sua significação, torne-se fonte interna e permanente de excitação sexual, indica que,

a questão central progressivamente se desloca da quantidade para a possibilidade expressiva insuspeita que certas idéias possuem. Em outras palavras, a idéia sexual pode estar presente na mente como não-sexual. A descoberta do seu sentido sexual originário produz um efeito quantitativo levando à repressão. (GABBI JR., 2004, p.126).

É importante notar que o exame da eficácia traumática revela uma determinada organização na vida sexual do sujeito que a divide em dois tempos: um período infantil, pré- sexual, anterior à puberdade, e um período sexual, pós-puberdade. Na passagem entre eles instala-se a repressão, entendida como uma operação que atua no âmbito da significação, ou seja, age impedindo a associação entre as impressões infantis e as representações verbais. A articulação das impressões com a associação lingüística, além de ser a condição para que os traços mnêmicos adquiram existência subjetiva (consciência e rememoração) é também a condição subentendida nesse texto para a emergência da significação. Compreender, segundo “Projeto...” (1895), significa associar um traço de memória ou de percepção a uma imagem sonora que incita imagens motoras próprias, ou seja, uma representação de palavra. (FREUD, 1988h, p.414).

E importante notar, como o fez FORRESTER (1983, p.64), que se trata sempre de uma falta de coordenação entre o sexual e o verbal. Essa divisão entre impressões infantis

pré-verbais e sua posterior compreensão verbal é fundamental para a metapsicologia, e se

acentuará cada vez mais com o desenvolvimento da obra freudiana. Na “Comunicação Preliminar” (Breuer /Freud, 1893), por exemplo, esse descompasso entre impressão e palavra

se constitui no próprio fundamento do método. A resolução dos sintomas consiste em tornar possível a tradução das lembranças e dos afetos em palavras faladas. Segundo os autores, o processo psíquico que deu origem ao sintoma deve ser levado de volta a seu status nascendi e então receber uma expressão verbal. (BREUER, FREUD, 1987, p.32). Na discussão do caso Katharina (1893), Freud novamente acentua essa diferença ao afirmar que “as impressões do

período pré-sexual que não produziram nenhum efeito na criança, mais tarde cobram, como recordações, uma violência traumática ao abrir-se [...] a compreensão da vida sexual.”

(FREUD, 1987, p.148).

No “Projeto...” (1985), Freud reafirma esse discernimento, ao dizer que, nesses casos que envolvem trauma psíquico, todo o peso recai sobre a precocidade da liberação sexual. A partir de então, essa condição precoce, em que fora localizada a origem do processo, receberá um exame cada vez mais detalhado no sentido de circunscrever seu significado para a teoria do aparelho psíquico. É um marco na obra freudiana.

A teoria do aparelho, tal como é proposta neste “Projeto de uma psicologia”, traz um quadro conceitual que já subtende essas diferenças sob a forma de dois modos distintos de funcionamento mental, o processo primário e processo secundário. A própria evolução do aparelho pressupõe a sobreposição das aquisições psíquicas em ordem crescente de complexidade, porém as aquisições secundárias, mais tardias, advindas pela consolidação da memória do pensar por meio das descargas verbais, não elimina a organização primária

infantil, essa segue existindo enquanto possibilidade, sob inibição. No entanto, se as

aquisições são definitivas, a inibição não o é: a irrupção do afeto de angústia, por exemplo, pode tornar essa inibição inoperante, o que abre a possibilidade de sobredeterminação entre os processos. Essa questão é tratada por Freud no ultimo tópico do capitulo dedicado à psicopatologia.