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5. Diskusjon

5.2.1 Grenseskillet mellom etterretning og etterforskning

Diante dessa série de problemas e intuições desdobradas desde a observação do prazer nas neuroses, Freud, na carta 46, propõe uma solução através de um esquema cronológico do desenvolvimento psíquico e sexual aplicado à questão da repressão e da escolha da neurose. A idéia é a seguinte: a vida do sujeito é desdobrada em quatro períodos (Ia-Ib-II-III), e entre eles estão localizados dois períodos de transição (A-B), durante os quais ocorre a repressão.

Ia Ib A II B III Até os 4 anos Anteconsciente Até os 8 anos Infantil Até os 14 anos Pré-puberdade Até X Maturidade FIGURA 2. Esquema cronológico do desenvolvimento psíquico e sexual.

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Este é o modo como Freud definiu o trabalho metapsicológico elaborado nas cartas desse período que iremos analisar. Essa definição confere um grande valor epistemológico a esses rascunhos. Neles é possível acompanhar o longo caminho percorrido por Freud entre as intuições clínicas e a formulação dos conceitos. Neste ínterim, suas próprias hipóteses são postas à prova da experiência. Em carta de 17 de dezembro de 1896 diz: “Fico muito satisfeito, porém, com a recepção dada a minhas fantasias. Sei que você as coloca no lugar certo, investiga esses pontos de vista um pouco mais e não me encara nem como um devaneador, pelo fato de eu comunicar essas coisas incompletas, nem como um tolo, que, por essa razão, acredita estar acima da investigação minuciosa e da correção. Trata-se de sínteses e

working hypotheses [hipóteses de trabalho], que espero podermos trocar um com o outro sem

preocupações.” (MASSON, 1986, p.216).

No esquema, a ação póstuma dos traumas infantis é explicada pela seguinte consideração: a recordação de uma cena sexual numa época posterior ao período em que ela ocorreu, produz um excesso de sexualidade, e esse, por sua vez, inibe o pensamento normal conferindo à lembrança e às suas conseqüências um caráter compulsivo impossível de inibir. Nesse caso, como a neurose obsessiva tem demonstrado, trata-se da tendência a repetir um prazer desinibido. A compulsão somente pode ser inibida com a condição de que, na transição de um período para o outro, as recordações, a princípio sob a forma de traços mnêmicos, sejam psiquicamente traduzidos, o que implicaria na conversão da excitação sexual física em libido psíquica. Porém, o próprio excesso de sexualidade torna-se um obstáculo à tradução devido ao fato de que os traços mnêmicos são insuficientes para ligar a excitação sexual liberada.

Ao excesso de sexualidade não traduzido sob a forma de uma compulsão ao prazer, se opõem a vergonha e a moralidade, que representam duas forças psíquicas repressoras no aparelho. Importante lembrar que, segundo o “Projeto...” (1895), a emergência dos motivos morais no sujeito é intermediada pela sua relação ao outro, que lhe assiste em seu estado de desamparo inicial. Contudo, mesmo com a introdução dessas forças, o problema da transformação do prazer em desprazer ainda permanece sem explicação.

Freud também apresenta quais seriam os requisitos cronológicos das cenas sexuais para as diferentes neuroses. Neste esquema explicativo, o que decide a escolha da neurose são os períodos em que ocorrem as vivências traumáticas.

Ia Ib A II B III

Até os 4 Até os 8 Até os 14 Até x

Histeria Cena Repressão Repressão

Neur. Obs. Cena Repressão Repressão

Paranóia Cena Repressão

FIGURA 3. Esquema explicativo da etiologia e da formação das psiconeuroses.

No caso da histeria, as cenas ocorrem no primeiro período da infância (Ia) até os 4 anos. As cenas ocorridas nesse período têm a particularidade de serem intraduzíveis, ou seja, seus restos mnêmicos não estão disponíveis sob a forma de representações de palavra. Assim, uma recordação de uma cena sexual (Ia) não conduz a conseqüências psíquicas, e sim a

realizações (conversão). (FREUD, 1988, p.270). Na neurose obsessiva as cenas ocorrem em

(Ib) e já dispõem da tradução em palavras. Quando recordadas em períodos posteriores, produzem um excesso de excitação na forma de uma compulsão sexual, que, sob a ação da repressão, dão lugar, não mais a conversão, e sim, a sintomas psíquicos (obsessões). Já na paranóia, as cenas ocorrem após a segunda dentição e dá lugar a desconfiança.53

Na seqüência, Freud tece algumas considerações que situam esse esquema dentro de um contexto teórico ainda bastante ligado às teses expostas no “Projeto...” (1895). A consciência das recordações, por exemplo, é determinada fundamentalmente pela associação das impressões mnêmicas às representações de palavra, portanto, não se trata de conceber “a consciência”, e sim, o “tornar-se consciente” de uma representação. A consciência não é

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A repressão em A e B consistira na deflagração de uma defesa primária contra as representações sexuais relacionadas ao surgimento do desprazer advindo da formação desse excedente de excitação sexual na transição entre os períodos. O que pressupõe, dada a proximidade com as teses do “Projeto...” (1895), o processo de deslocamento da excitação afetiva e substituição das recordações na formação de símbolos, que é o mecanismo pelo qual Freud descreveu a formação dos sintomas. (Cf. Parte II, seção 5.2).

inerente “ao reino chamado – inconsciente –, nem ao reino chamado – consciente – (...) de

modo que estes termos devem ser recusados.” (FREUD, 1988, p.272). Segundo Freud, a

distinção principal continua sendo entre processos psíquicos inibidos e não-inibidos pela ação do pensamento, portanto, a idéia de um consciente e um inconsciente (no sentido tópico ou substantivado do termo), nesse momento, é desnecessária.

Assim, tanto o acesso à consciência quanto à formação dos sintomas, são influenciados por um compromisso entre forças psíquicas que entram em conflito entre si. Nesse conflito entre processos primários e secundários, deve-se considerar a força quantitativa inerente a toda representação, assim como a atração ou o desvio da atenção psíquica segundo as regras impostas pelos signos de qualidade e pela defesa contra o desprazer. A força inerente aos processos primários não-inibidos está na base da emergência de distúrbios no interior do aparelho; e o desprazer segue sendo o único critério que impede as transições associativas entre esses processos.

Apesar de ter sido insuficiente para elucidar a transformação do prazer em desprazer pela repressão, essas tabelas cronológicas acabaram por introduzir, mesmo a revelia de Freud como vimos, os rudimentos para a uma representação tópica do aparelho psíquico. A noção de tradução entre períodos permitiu pensar a presença de dois registros temporalmente separados pela evolução dos processos no aparelho: a possibilidade de se produzir duas versões diferentes de uma mesma cena, o registro primário das impressões, sob a forma dos traços mnêmicos, e o secundário das representações verbais.