O acréscimo de um item lexical ou morfema pode ser realizado por meio de um advérbio indicador de excesso e/ou por acréscimo de sufixos e prefixos.
a) Acréscimo de um advérbio indica excesso e graus de intensidade dos adjetivos e dos advérbios (comparativo e o superlativo).
Lopes (1992) divide os “intensificadores” em dois grupos:
Intensificadores Indefinidos: passíveis de organizarem-se em uma escala gradativa de valores a partir de um ponto neutro (ou médio) de partida (demais, muito, bastante, meio, quase, pouco);
Exemplo: (grau superlativo absoluto) Ele é muito inteligente.
Intensificadores Comparativos: (mais, tão/tanto, como, menos), respondem por uma série de efeitos de sentido; e por serem comumente encontrados em construções superlativas ou comparativas e no interior de estruturas mais complexas, a exemplo:
Exemplos: (grau superlativo relativo) Ele é mais inteligente que o colega; Ele é mais inteligente do que o colega; Ele é o mais inteligente.
Segundo Gonçalves (2002) existem itens lexicais que denotam uma característica intensiva intrínseca, como, ‘detesto’ e ‘adoro’, os quais podem ser considerados enfáticos por sua própria natureza. Observe o valor da intensidade na sentença: “Não gosto muito de filmes de terror. De aventura, eu realmente adoro, mas de terror eu detesto”.
b) Acréscimo de Sufixos e Prefixos
Há possibilidade também de os graus de intensidade no PB serem expressos através do uso de processos morfossintáticos para a “formação de palavras” usando afixos de derivação ou processos de composição, visando à criação de unidades novas com base em morfemas lexicais (CUNHA & CINTRA, 2001).
Acréscimo de sufixos nominais que podem ser aumentativos, apresentando a ideia de intensificação, como, -âo, -aça, -aço, -uça, etc. (CUNHA & CINTRA, 2001).
Exemplo: caldeirão, barcaça, ricaço, dentuça;
Acréscimo de sufixo – íssimo (grau superlativo absoluto) (CUNHA & CINTRA, 2001).
Exemplo: Ele é inteligentíssimo;
Acréscimo de prefixo ou um pseudoprefixo, como arqui-, extra-, hiper-, super-, ultra- etc., formam o superlativo. Como por exemplo: arquimilionário, extrafino,
hipersensível, superexaltado, utrarrápido. (CUNHA & CINTRA, 2001).
Exemplos:
Ele é ultra inteligente.
Lopes (1992) investigou os processos de intensificação no PB falado por informantes cultos de Salvador, sob o âmbito da Análise do Discurso, mais especificamente nos estudos da enunciação e da argumentação. O autor divide os operadores da intensidade em duas
categorias de lexemas (unidade básica do léxico, que pode ser um morfema, palavra ou
locução):
Lexemas adjetivais: são intensificadores por natureza ou por transferência de sentido (ou de categoria), dentre os quais se destacam os adjetivos, capazes de formar séries gradativas complexas. Tais lexemas nada mais são do que lexias simples, reveladoras de uma visão global ou relativa do locutor, caracterizadas por possuir um intensificador integrado na base.
Exemplo:
“divino, deslumbrante, espetacular, belo, lindo, gracioso/formoso, bonito, simpático,
feio, horroroso”.
Lexemas verbais: correspondem a operadores da intensidade, constituindo, a rigor,
categoria do discurso, e não classe de palavra. Apresentam um comportamento
similar ao dos lexemas adjetivais operadores da intensidade.
Lopes (1992) categorizou também seis classes de gramema (afixo ou vocábulo gramatical, como preposições, artigos e certas conjunções, os quais não possuem sentido próprio, mas criam relações gramaticais na frase; morfema gramatical) para tratar dos processos de intensificação. O autor dividiu os gramemas em duas classes:
Gramema preso:
o Prefixais: expressam diversos graus de intensificação, como na série “hiperdesenvolvido, superdesenvolvido, semidesenvolvido, subdesenvolvido”. (LOPES, 1992)
o Sufixais comparativos: os mais comuns são -INHO e -ÃO, que correspondem a mecanismos, em sua maioria usados para a expressão de outros aspectos da linguagem, tais como a subjetividade e a afetividade do locutor, e não para a expressão apenas da intensificação. (LOPES, 1992)
o Sufixais superlativos: são intensificadores por natureza (boníssimo, muitíssimo, belíssima) ou por transferência gramatical (doidamente apaixonado) que se caracterizam (na maioria dos casos) por expressarem uma visão global do locutor e serem de natureza hiperbólica. O autor esclarece que o superlativo absoluto sintético, comumente formado pelo sufixo -ÍSSIMO, apesar de menos usado, é portador de uma força intensiva maior do que a do superlativo absoluto analítico formado pelo intensificador MUITO. (LOPES, 1992)
o Sufixais superlativos por transferência: (-MENTE), possíveis de subdividirem- se em totalizantes, absolutos, relativos e reforçadores, evidenciam-se não só por serem mais complexos do que os por natureza, como também pelo fato de nem sempre formarem advérbios, e muito menos advérbios de modo, como usualmente se pensa. Tal fato é explicado levando-se em conta que algumas lexias em -MENTE correspondem, na realidade, a denotativos de intensidade (ou intensificadores) e não a advérbios, uma vez que apresentam características próprias as quais os impedem de serem enquadrados dentre os advérbios propriamente ditos (os de lugar, tempo e modo). (LOPES, 1992)
Gramema livre:
o Operador de intensidade por natureza: comumente apreendidos como advérbios de intensidade, não são, a rigor, advérbios. Apesar de terem afinidade com os adjetivos, assim como ocorre com os prefixos intensivos, melhor seria incluí-los dentre “as palavras denotativas, como intensificadores”. Caracterizam-se, ainda, por serem os mais numerosos dentre os intensificadores; subdividirem-se em indefinidos, passíveis de se organizarem em uma escala gradativa de valores a partir de um ponto neutro (ou médio) de partida (demais, muito, bastante, meio, quase, pouco), e em comparativos (mais, tão/tanto, como, menos), que respondem por uma série de efeitos de
sentido; e por serem frequentemente encontrados em construções superlativas ou comparativas e no interior de estruturas mais complexas, como por exemplo: “Estou mais endividado do que você”. (LOPES, 1992)
o Operadores de intensidade por transferência de sentido: são constituídos por artigos no singular, determinados pronomes, sejam eles demonstrativos (aquele, aqueles) ou indefinidos (cada, todo) e certos numerais susceptíveis a funcionarem como intensificadores. (LOPES, 1992)
A próxima seção trata do acréscimo de um parâmetro físico como forma de expressar graus de intensidade gramatical no PB.